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quarta-feira, 15 de abril de 2009

OS 'ALEMÃO' SÃO OS CARA!


Vejam o que é uma tara. Nem Gentle Giant, a eterna paixão, mereceu tamanha honraria aqui, quanto esses alemão aloprados. Muito simples: já aconteceu do leitor procurar durante séculos um álbum/música que marcou-lhe a vida (no caso adolescência) e você, mesmo com tamanha fartura na Rede, nunca mais conseguiu encontrar? Coisa mais comum do mundo pra gente que é louco por música, certo? Então a tal tara geradora desta compilação dupla de duas partes, fica explicada no texto que escorre aí pra baixo.

O Amon Düül nasceu em 1967 como um grupo radical de arte engajada, em Munique. A marca vem da junção dos nomes do deus egípsio Amon com o de um personagem obscuro da ficção turca, Düül.

A sonoridade da banda não demorou muito a cruzar as fronteiras da Alemanha e ganhar, na Europa, o status de banda cult - numa época em que ainda inesistia a expressão krautrock*. Mas, nos primórdios, a banda ou o bando, era uma espécie de “democracia corintiana”, pela liberdade em relação à improvisações geralmente inspiradas em acontecimentos e manifestos do movimento juvenil politizado da época. Internamente, o grupo estimulava a incondicional liberdade artística, valorizando mais entusiasmo e atitude do que a habilidade com os instrumentos - e dizem que foram os punks que inventaram o DIY... Nos primeiros anos a banda era bem receptiva à entrada de novos membros, quem chegasse era bem chegado - o video do linkmake uma idéia da atmosfera. Daí que nesse clima de fraternidade irrestrita, iniciativas como "deixa que eu toco" soavam tipo mantra na garagem dos Düül. Mas apesar do espírito de comunidade, havia uma facção rebelde mais ambiciosa musicalmente, valorizam mais a técnica, o que levou o grupo a uma separação amigável em meados de 1969. Fazendo com que a facção dos exigentes se tornasse o Amon Düül II (diz-se second), enquanto o pequeno exército de Brancaleone original, permaneceu Amon Düül .

No entanto, o disco mais importante, na opinião (sentimental) deste que vos fala, é do Amon Duul só mesmo - ainda como um bando. E chama-se “Para Dieswärts Düül”. Este Especial Amon Duul postado, deve-se ao finalmente realizado encontro deste fã, com o raro espécime da familia. Disquin danado de difícil que eu buscava há mais de 6 anos. Como a coisa (“Para Dieswärts Düül”), no cômputo geral, é uma podrera riponga totalmente amadora, emaconhada, lisergizada e prostituída - experimente pronunciar o nome do álbum depois de um gole de cerveja, por exemplo - e como, também, valor sentimental é coisa pessoal intransferível, Poupei a navegança. Separei apenas a música que martelou na minha cabeça durante anos: Love is Peace, que vem a ser a 1ª faixa da parte 2 do "Amon Duul (Underground Compilation Second)" - compilação caseira "Reco-records" total!

Mas tanto parte 1 como 2, claro, foi tudo feito com o maior zelo! Pode acreditar. Porque compilação? Porque não creio que a banda, ou melhor, os novatos ouvites dela, suportem um álbum inteiro dos caras. Nem eu q me disse fã confesso, conheço obra fechada deles, excelente de cabo a rabo. Mas como há, sim, e em profusão, excelentes musicas, - principalmente nos 5/6 primeiros anos de Amon Düül Second, resolvi que compilar era a melhor solução de apresentar o som para os não iniciados. Depois da experience, quem amar o que ouviu, não faltará blog onde encontrar a discografia ou uma parte dela. Amon Düül é ou foi, no auge dos 70s, tão conhecido como hoje é o Kraftwerk.

Voltando aqui ao que me trouxe, a quem interessar possa: inicie-se pelo "Second" que vem a ser a compilação das melhores compilações + 6 faixas do mais badalado concerto da banda.

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Na compilation "Second", Cinco faixas do "Live in London"...:


Registrado durante a primeira turnê inglesa, Amon Düül II Live in London foi gravado no Greyhound club, em Croydon, em 16 de dezembro de 1972, com a banda ainda divulgando a música de “Yeti” e “Tanz der Lemminge” para uma platéia em delírio. A música ainda era espacial, viajante, elaborada, complexa, mas com uma sonoridade arrebatadora, a banda tocando com energia de sobra. A autoexplicativa “Improvisations” é de arrepiar, como também as versões para o balance pesado de “Eye shaking king” (com direito ao solo arrepiante da guitarra de Karrer). As versões concisas de “Archangels Thunderbird” e “Restless skylight” roubam a atenção e apresentam o poder de fogo da dupla Knaup e Lothar Meid dividindo os vocais. O medley final com “Riding on a cloud” e “Paralyzed paradise” já valeria o disco, com mais solos e solos de guitarras de arrasar quarteirão. Um álbum sensacional, que seria lançado na Alemanha mais de um ano depois.

Logo depois do lançamento de “Vive la Trance**”, “Live in London” e “Made in Germany” a banda mergulharia cada vez mais no abismo do comercial, até quase perder a identidade, na busca do sucesso absoluto. O resultado foi a perda gradativa dos fãs e o esquecimento da crítica, o que provocou a saída de John Weinzierl em 1981 e a eventual dissolução do Amon Dull II. O conjunto reapareceria nos anos 90, mas sem maior impacto. Weinzierl mantém a sua própria versão da banda (a Amon Duul UK) e há muito corre um boato da possibilidade dos integrantes originais se reunirem novamente. Faz isso não, por Deus, Amon...


* O termo Krautrock foi criado pelo DJ inglês John Peel, quando ele se deparou com o álbum Psychedelic Underground (1969), da banda Amon Düül, de Munique. A música era "Mama Düül und Ihre Sauerkrautband spielt auf" (Mamãe Düül e sua banda chucrute tocam).


** Clipe colhido de última hora.


Amon Duul (Underground Compilation)

Amon Duul (Underground Compilation Second)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Robyn Hitchcock (Goodnight Oslo) 2009



Isso as vzs acontece. Acordar no meio da noite em meio ao silêncio, sem motivo aparente. Chama-se insônia. Geralmente, o mau humor impera - quando sabe-se, diante mão, incapaz de dormir novamente. As vezes, no entanto, acorda-se de bom grado, também sem motivo aparente. O que não acontece sempre, é encontrar, numa breve navegança de dispersão, o melhor álbum de rock maduro de 2009. Como deve ser: sem alarde, na calada da noite. Quem diria, aportei na Noruega.

Para quem não sabe ou esqueceu, o inglês Robyn Hitchcock, discípulo legítimo de Sid Barret, foi o lider de uma das bandas mais deliciosas e cult nesta humilde opinião, The Soft Boys. O trabalho solo desse cara também é impecável. Mas este disco, talvez pelo momento especial da audição, 4:59 da matina, quando até os fantasmas (os meus, ao menos) desistiram de assombrar, foi, ou melhor, está sendo, o maior dos achados! Daí que não resisti em compartilhá-lo imediatamente.

Em tempo: O baby nasceu para lá de saudável, anteontem, 17 de fevereiro de 2009. A hora certa não deu pra precisar. Provavelmente à tardinha. Aqui, amanheceu. Boa noite Oslo.

Mais sobre Robyn Hitchcock

Robyn Hitchcock (Goodnight Oslo) 2009

sábado, 25 de outubro de 2008

THE MUSIC EMPORIUM - 1969


Atenção povo da BSGI: vejam o título da 1ª faixa do álbum (no fim deste texto) em questão*!

Há 40 anos a música, em especial o Rock, passava por um dos seus períodos mais importantes. Em 1968 explodiam vários tipos de manifestações sociais, culturais e comportamentais, que afetaram fortemente o Rock’n'roll e o mundo como um todo. Um movimento de contracultura que se originara da geração beatnik começava a dar forma a uma nova corrente do Rock. Era o movimento hippie, que trazia consigo a psicodelia e o questionamento ao establishment. Através de um estilo de vida totalmente alternativo, com roupas diferentes, vivendo em comunidades improvisadas e experimentando substâncias alucinógenas para alterar o estado de consciência, os hippies influenciaram não só toda uma camada de jovens inconformados, mas também injetaram novo vigor à música. A religiosidade e as tendências às filosofias orientais também entraram na ordem daqueles dias.

O rock psicodélico surgia daí como uma forma de revolucionar o que era feito até então. Incorporar as sensações causadas pelos psicotrópicos à sonoridade das músicas. Subverter e viajar através do som. Letras e linhas de guitarras totalmente surrealistas.


Essa postagem é dedicada aos amigos (de fé) budistas. Da fé em Nitiren Daishonin. Amo a minha devoção, porque nela não há, nem divindades, nem objetivos inalcançáveis. Aos budistas a única coisa sagrada é a vida. A ela devemos nos devotar. Portanto, divindade, como força de expressão, somos nós mesmos. Quem quiser entender é só clicar os links. E sem essa de catequese, hein? Apenas o escrito está a título de informação – que é bom, aprecio, então porque não divulgar?


O álbum, mais um da série “apontei pro que vi, acertei não exatamente no que mirava”, me fez re(re)pensar essa espécie em expansão que é blogueiro caçador de raridades sônicas. Não somos meio caçadores? Não aqueles clássicos que curtem abater a presa e pendurar-lhes as cabeças na sala... Ao contrário, a diferença básica é que aqui tiramos o que seria a caça de um estado latente (do sono profundo) e a trazemos de volta à luz, ao conhecimento dos que por ventura nos visitarem. Daí que essas decobertas chegam a liberar endorfina no corpo de quem pratica o esporte. Ao menos comigo, é o que rola. Valorizar e gostar do que se faz é bem bom, justamente porque faz-se com gosto e prazer - desse jeito, é impossível errar a mão.


Sobre o álbum que, claro, é muito bom - não o postaria apenas pelo apelo budista na 1ª faixa -, aí vai uma resenha in english, no blog, creio eu, russo, onde encontrei a postagem. Leia budista - quem sabe aos não budistas The Music Emporium, possa também interessar?...


Music Emporium, The (The Music Emporium) 1969

Initially called The CAGE, this trippy West Coast psych band from the 60’s were quite sophisticated for their time. They started off in 1968 when keyboardist Bill Cosby joined forces with guitarist Dave Padwin and two female musicians, namely bassist Carolyn Lee and drummer Dora Wahl. All four were either classically trained or seasoned club veterans, Cosby himself being a UCLA music major. Evolving smack in the middle of the flower power era, they played their blistering rockers and wispy melodies quite convincingly, borrowing from jazz, classical music, avant-garde and rock. On the psychedelic side, they were definitely more song oriented than, say, early PINK FLOYD; although they did pour a mean dose of organ on their self-titled LP, released in 1969. Unfortunately, a year later Cosby got drafted and the band broke up.


Their album is a fascinating testimony of a different time and place. Highly organ dominated, it has just about everything one would expect from a late 60’s album: driving rhythms, heavy guitar riffs, trippy Farfisa organ and cool, groovy male/female vocals by Cosby and especially Lee who delivers her druggy, cosmic lyrics with style. Their solos are concise and they know how to lock into a groove without jamming aimlessly, as did so many bands of that era. They also know how to structure songs that best display their strengths although in retrospect, it is their softer tunes that seem to have aged better, especially those with a nice gothic/classical feel. The CD version, which was recorded from the master tapes, comprises five bonus tracks, all of them instrumental versions of songs from the LP.


CASEY COSBY organ, vcls
CAROLYN LEE bs gtr, piano, acoustic bs, organ, vcls
DAVE PADWIN ld gtr, vcls, acous bs gtr
DORA WAHL perc, drms


1. Nam Myo Ho Renge Kyo (2:37) 2. Velvet Sunsets (2:35) 3. Prelude (2:07) 4. Catatonic Variations (1:58) 5. Times Like This (2:00) 6. Gentle Thursday (3:46) 7. Winds Have Changed (2:12) 8. Cage (5:09) 9. Sun Never Shines (4:01) 10. Day Of Wrath (3:25) 5 Bonus Tracks; From The Master Tapes 11. Nam Myo Renge Kyo - (previously unreleased) (2:41) 12. Velvet Sunsets - (previously unreleased) (3:08) 13. Winds Have Changed - (previously unreleased) (2:14) 14. Sun Never Shines - (previously unreleased) (4:04) 15. Gentle Thursday - (previouslunreleased) (4:11)

*Pois é. Já temos o nosso próprio hino-mantra-ultra-roqueiro... Aliás, já tínhamos! desde 1969!




THE MUSIC EMPORIUM - 1969

Neste clip, prática comum para os vídeos de bandas muito antigas no Youtube, vemos apenas imagens da capa do álbum, do rótulo do CD e os encartes com fotos em pb dos integrante. Mas serve muito bem para se conhecer o estilo da banda e a tal 1ª faixa - que tanto me satisfez tê-la acordado de um sono profundo.
Nam-myoho-rengue-kyo!

quarta-feira, 23 de julho de 2008

LEFT BANKE (O TESOURO RESGATADO DO 'MOFO' DIRETAMENTE DOS 60s)


... Vocês q tem mais o que fazer é que vão dizer se é ou não uma baita descoberta essa. Eu, no meu turno, fico aqui me achando... O desencavador de novos talentos natimortos e/ou os só mortos mesmo – mergulhado nessa atividade, garanto, costuma-se achar bonito não ter o que fazer. Veja o exemplo do Left Banke, álbum “There's Gonna Be A Storm - The Complete Recordings”. O disco (coletânea) é o resgate da obra de uma banda dos meados dos 60s que sem, talvez, nem se dar conta, revolucionava o cenário do rock mundial.

Não. Essa banda não é mais uma legítima descoberta da casa. Das melhores descobertas da casa - antes da casa existir, aliás – foi o site MOFO. Já este ano, foi o responsável do MOFO que descobriu-me aqui, nesse blogcanal. Hoje trocamos informações sobre nossas respectivas descobertas musicais.

Portanto, para saber mais sobre Left Banke, o navegante deve clicar AQUI e ter acesso a todo o trabalho de pesquisa do cara. Adianto apenas o texto da chamada:

“Uma das jóias escondidas dos anos 60 é um grupo que fazia um "rock barroco": The Left Banke. Apesar da curtíssima duração, a banda deixou um clássico obscuro chamado "Walk Away Renée", um dos mais belos momentos dos anos 60. Uma banda que você não encontra mais cds à venda, mas ainda o acha navegando por aí.” Não por aí, meu bom Rubens. É por aqui que a banda toca.

Posso garantir que a história da banda é para lá de interessante – a música então, adjetivar elogiosamente é de uma inutilidade mesquinha. Daquelas histórias, comuns ao meio artístico, em que o EGO maiúsculo do líder determina ascensão e queda do grupo na cena musical americana. Aliás, refletindo enquanto escrevo... músicos com essa relevância... “anos 60” ... “rock barroco americano”(?!)... “revolução no cenário musical”... Seria redundante descobrir ter a obra nascido em Nova York?

LEFT BANKE (THERE'S GONNA BE A STORM - THE COMPLETE RECORDINGS)

LEFT BANKE (THERE'S GONNA BE A STORM - THE COMPLETE RECORDINGS) 2

sexta-feira, 16 de maio de 2008

PATTO (HOLD YOUR FIRE) 1971


Há quem diga que o maior pecado musical da história do roquenrou londrino foi protagonizado por uma obscura banda inglesa de nome estranho e visual freak, Patto. Essas mesmas pessoas (e são muitas, não interessa quem) afirmam que o grupo lançou os dois melhores discos do início dos 70. A injustiça fica por conta deste mesmo Patto manter-se completamente desconhecido até hoje, embora os tais álbuns continuem a soar inovadores e impactantes 40 anos mais tarde.

O grupo contava com um guitarrista fenomenal, considerado pelo tal pessoal que insiste em apontar a banda mais injustiçada do planeta, como um verdadeiro guitar hero: Ollie Halsall, é o nome do home. Realmente seus solos impressionam. Mas o que mais me impressionou foram suas outras habilidades instrumentais com piano, orgão, percussão, a mistura de agressivos riffs hard a agradáveis harmonias psychojazzy, vibrafones estilosos (eu amo o som de um vibrafone!) E os vocais?... E a poesia instigante de Mike Patto?... Pansa cheia e leve como um pardal, brou! Pois é. O resultado me fez associar o som do Patto - até porque um pato bem preparado pode ser bastante tentador - àquelas saladas super encrementadas e equilibradas. Que de tão fartas, harmoniosas no colorido fazem qualquer compulsivo degustador, esquecer de que ainda possa existir um prato principal. Azeitam e temperam corretamente a pantagruélica, mas light, refeição sônica: Clive Griffiths, no baixo e John Halsy, na bateria. Aprovadíssimo esse rango, digo, esse som!

O approach dos sujeitos causou espécie nos concorridos clubes noturnos londrinos, que viviam um período efervescente nos 70’s. A ponto de Muff Winwood, integrante do então renomado Spencer Davies Group e brother de sangue de Steve Winwood (também Spencer DG e futuro Traffic), assumir a produção deste 'Hold Your Fire'.

Durante a brevíssima fase do reconhecimento, o Patto abriu os concertos europeus de Joe Cocker e do Ten Years After entre 1970 e 1971, anos de lançamentos de seus principais discos, que chegaram a marcar época na ilha naquele período. Mas tal sucesso jamais extrapolou fronteiras britânicas, o que devolveu a banda ao total esquecimento.

Lamentos à parte, o 'fato-Patto' é que vale muitíssimo a pena a audição de "Hold your Fire", safra 1971, não só pela real raridade, mas sim porque aqueles tais que teciam loas sobre a banda (e interessa sim*, ao menos citar um desses que lamentam) estavam cobertos de razão.

Consta ainda na discografia do grupo os seguintes trabalhos: Patto (70) Roll’em smoke’em (72), Monkey’s burn (95), Sense of absurd (95) e Warts and all (live in Sheffield - 1971 (99). A questão aqui é encontrá-los todos.

Texto/fonte (editado) nesta fonte, baixa-se (acho) o homônimo Patto -1970

*Em tempo (só como endosso): em breve postarei aqui um álbum da também excelente-e-rara banda Bevis Frond, por enquanto, como ainda o papo é Patto... será que será necessário postar este outro álbum de artista-gênio-obscuro, para dar-se fé & crédito ao que diz Nick Saloman, líder do Bevis Frond, nesse tasco de entrevista:

Pergunta: - E seus cinco discos favoritos?


Nick Saloman: (...)
Meus cinco discos são Jimi Hendrix: Are You Experienced?, Patto: Hold Your Fire, Savage Resurrection: Savage Resurrection, Mad River: Mad River, HPLovecraft: II.

Pra quem conhece Bevis Frond e quer se adiantar na íntegra da entrevista com Saloman, a Casa Fonte é o site do amigo Rubens Leme, MOFO.

PATTO (HOLD YOUR FIRE) 1971

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

EASY RIDER (A TRILHA)



O dia em que fui presenteado com meu próprio blog todo meu com seus garranchos, pelo amigual (amigo virtual) Boogie Woody, bem antes, já tinha tudo planejado. Sabia como ordenaria por gênero as postagens, as passagens de tempo entre o velho e o novo – considerando, claro, que não existe música velha e sim a gasta e que o novo bom é quase sempre a releitura criteriosa do que não envelheceu. Musicalmente, me expressaria por momentos de estado de espírito, mais ou menos seguindo a cartilha “blog”, meu-querido-diário (marmanjo) da garotada. E apresentaria aqui toda música que levei anos colecionando. Tudo que já tive e digitalizei e o que conheci através dos blogados já instituídos neste mercado sem capital. Capital da troca, no máximo, de gentilezas e, no mínimo... não vale a pena questionar. Mas nada é como se planeja. Fosse assim eu seria engenheiro agrônomo, zootecnista. Tocaria a fazenda de vovô...

Daí que, pra encurtar, o que geralmente me move a postar álbuns neste espaço, é o acaso. Como disse em alguma parte de texto de alguma postagem que já nem lembro, nunca tive talento para colecionador. Minha CDteca hoje é toda digitalizada. Os originais foram vendidos numa das várias crises financeiras. Mas acho bacana quando visito um amigo caprichoso com seus discos ver aquelas prateleiras repletas de opções enfileiradinhas. Rock com rock, mêpêbê com mêpêbê, jazz com jazz, lé com lé, cré com cré, um sapato em cada pé. Aqui não é assim. Toda a minha considerável CDteca hoje cabe numa caixa de sapatos. Daí o nome, citado noutra postagem: Shoes Box. Shoes Box é o nome de minha coleção enquanto lojinha de raridades. Tudo bem, também antipatizo com essa nomenclatura americânica, mas o leitor há de convir que caixa de sapatos não tem o menor glamour. Devassei meus bens mais valiosos em CD e LP objetos palpáveis, mas não por isso, vou tratá-los com menor consideração... Para mim, desapegado, a música é o que conta. Ela está intacta – alias agora mais do que nunca, né Fausto Silva? As desvantagens dessa opção são que hoje esqueço o que tenho. Os álbuns digitalizados, nas suas capas, piscam separados do corpo, aleatoriamente, em feidin, feidaut na tela deste monitor. E me digo pensando: “Caramba! Quanto tempo não escuto isso"... (pensando como blogueiro): "Talvez faça sucesso entre a audiência”...
Tudo bem que as últimas duas postagens diziam respeito a dois álbuns da maior importância que aniversariavam (30 e 40 anos!), mas isso, também, aconteceu ao acaso, tipo, na pesquisa, navegando: atirei no que vi e acertei no que não vi. É assim que a banda toca por cá. Até porque quando se preestabelece roteiros - e isso aqui não é cinema -, passamos ao cré com cré das estantes dos amigos. Meu blog tem que ter alguma verdade, certo? Não era o que presumia o diário da garotada? Então deixa o acaso fazer o seu trabalho. Com alguns girar no leme, de olho na bússola, muda-se o itinerário. Como num cruzeiro, velejando, a lá família Schürmann. Aliás, pensando melhor, se perder em família nem sempre é recomendável. Gosto mais da opção asfalto a Dennis Hopper, Nicholson e Fonda, na base do Easy Rider...
Clicaki pra se perder.

domingo, 2 de dezembro de 2007

LOVE - FOREVER CHANGES



"Passam neste mês de Novembro 40 anos desde a edição de Forever Changes (Elektra, 1967), a obra-prima dos californianos LOVE é presença habitual nos lugares cimeiros das listas dos "melhores de sempre", ombreando com discos da magnitude de Revolver (Beatles), Pet Sounds (Beach Boys), ou Marquee Moon (Television).

Obra maior do psicadelismo west coast, Forever Changes é o momento alto da carreira desta banda que soube marcar a diferença em relação aos seus pares: por contraponto ao folk rock dos Byrds, ou à pseudo-poesia cerimonial dos Doors, os Love produziam gemas pop onde, não raras vezes, os sopros mariachi davam um ar da sua graça.

Falar de Forever Changes é falar de Arthur Lee, anti-hippy assumido, figura carismática e conturbada até ao momento da sua morte há pouco mais de um ano que, com voz aveludada, entoava letras de um beleza extrema onde as referências sexuais eram uma constante. Além de frontman da banda, era também o seu principal compositor. Quis o destino que "Alone Again Or", uma das duas composições do guitarrista Bryan MacLean incluídas em Forever Changes, se tornasse a canção mais conhecida dos Love. No entanto, podem aqui encontrar motivos de sobra para a santificação de Arthur Lee enquanto compositor e intérprete: "A House Is Not A Motel", "Andmoreagain", "The Red Telephone", "You Set The Scene", e... todas as outras!

É para definir discos deste calibre que existe o adjectivo perfeito. A melhor forma de comemorar Forever Changes é ouvindo-o vezes sem conta. Durante a audição, apaguem a luzes e imaginem-se na imensidão de um deserto a contemplar o firmamento..."

Fonte April-Skies (Portugal)

Clicaki pra baixar
Em tempo: no fim desta página a raridade solo de
Arthur Lee "Vindicator".

sábado, 1 de dezembro de 2007

SOFT MACHINE (VOLUMES ONE e TWO)





O Soft Machine foi uma das maiores instituições inglesas do rock nos anos 60 e 70. Berço de incontáveis músicos talentosos e com uma história cheia de acidentes. O grupo foi um dos percussores do rock psicodélico na Inglaterra, não satisfeitos, seus membros mergulharam de cabeça em um som muito peculiar, com traços de free jazz, psicodelia e progressivo. Inspirado no livro do escritor beat William Burroughs - de quem roubaram o nome. Foi, também um dos inauguradores do depois batizado "som de Canterbury". Saiba um pouco desse grande legado agora.
O australiano Daevid Allen e Robert Wyatt se conheceram em 1961, quando Allen, aluga um quarto para Waytt, em Lydden (Inglaterra). Logo percebendo que tinham um interesse mútuo pelo jazz (em especial Charles Mingus e John Coltrane) começaram a ensaiar uma formação sob o nome de Daevid Allen Trio, completado pelo baixista Hugh Hopper e tendo o pianista Mike Ratledge como convidado, isso ainda no idos 1963.
Ao mesmo tempo, Wyatt formou o Wilde Flowers com os irmãos Hopper, Hugh e Brian. A formação também incluía Kevin Ayers nos vocais, mas ele deixou o Flowers em 65. A idéia de formar o novo grupo, que daria forma ao Soft Machine, partiu de um encontro de Allen e Kevin Ayers com um milionário texano chamado Wes Brunson, em Mallorca, Espanha. Brunson, um excêntrico, concordou em financiar os Wilde Flowers, o que permitiu aos jovens comprarem novos instrumentos e alugar um point em Canterbury, em troca disso, Wes, receberia uma porcentagem das bilheterias dos futuros shows, dinheiro este que ele nunca viu. Nada de golpe! O excêntrico Brunson acabaria tendo um destino, no mínimo, de cartoon de Hanna & Barbera: durante os dias de férias na Espanha, ele tentava pular na frente de carros (coisa de rico) e caminhões (coisa de pobre) e obrigá-los a parar (coisa de bilionário todo poderoso). Até que, em um belo dia... O belo foi pura força de expressão.
Em agosto de 1966, sob o nome de Soft Machine, inspirado em um livro do escritor William Burroughs, nascia o grupo com Kevin (baixo e voz), Daevid (guitarra e voz), Robert Wyatt (bateria e voz) e Mike Ratledge (teclados).
Acontecia então os dias da Swingin' London e o Soft era figurinha fácil em clubes como UFO e Roundhouse, onde dividiam o palco com o Pink Floyd, liderados pelo então alucinado Syd Barrett - ele e Allen, aliás, viraram grandes amigos de esbórnia e despirocação... E foi vendo Syd tocar que Allen inventou a técnica do glissando*, que consiste em tocar a guitarra com uma pequena barra de ferro tipo o slide, mas reproduzindo o som de cítara.
Os shows eram verdadeiras viagens, com adições de luzes, levadas de bateria e climas lentos e hipnóticos e o grupo improvisando no palco por horas a fio. O show mais memorável aconteceu quando tomaram parte de um evento organizado pelo jornal underground International Times, batizado de 14 Hour Technicolor Dream, o Soft tocando ao lado do Floyd.

Foi durante uma viagem para St. Tropez, na França, que se dá um incidente que marcaria a formação do grupo. Daevid Allen, australiano de nascimento, teve seu visto de entrada negado quando tentou voltar à Inglaterra, por ter trabalhado ilegalmente no país. Daevid opta por permanecer na França, onde montaria tempos depois, o Gong. Bem, e o Gong, é outra longa história pra outra ocasião... O restante do SM segue como trio.
Em fevereiro de 1968, realizam turnê de três meses pela América, abrindo para ninguém menos que The Jimi Hendrix Experience.

Aproveitam a viagem para a América e gravam seu primeiro disco (One), em Nova York, produção dividida entre Tom Wilson (Bob Dylan) e Chas Chandler (ex-baixista dos Animals e produtor do dois primeiros álbuns de Hendrix).
No final de abril o grupo volta para Londres e em maio conseguem um novo guitarrista: Andy Summers, um moço aí que no futuro ficaria famoso ao tocar num certo The Police. Summers já era rodado na época, havia tocado nos grupos Zoot Money's Big Roll Band, Dantalian's Chariot e até no Animals, de Eric Burdon, e foi recrutado para a segunda parte da turnê norte-americana durante os meses de julho até setembro.

Ao final do giro, Wyatt resolveu ficar em Nova York para trabalhar com Hendrix, enquanto Ratledge e Ayers voltaram para a Inglaterra. Em dezembro Summers também pula fora do barco. Como Ayers não foi encontrado, a saída foi chamar de novo Hugh Hopper.
Convidam para as gravações e apresentações Brian Hopper, irmão de Hugh, para tocar sax tenor e aos poucos, o grupo vai evoluindo em direção ao jazz e a um som mais elaborado, que acabaria fazendo da banda o principal expoente do "Canterbury Sound", que teria outros importantes representantes como o Caravan, Gong, Hatfield & The North e National Health (esta liderada por Bill Bruford), entre outros.

Um show histórico dessa fase aconteceu no dia 27 de março, no London 100 Club, quando receberam o convite de Syd Barrett, que queria a participação do trio em seu disco-solo, The Madcap Laughs.
Em abril é lançado Volume Two, o segundo disco do grupo e logo após o lançamento, ganham outros integrantes, com a adição de músicos do grupo do estupendo pianista Keith Tippett (ex King Crimson): Elton Dean (sax alto), Marc Charig (trompete), Nick Evans (trombone), além de Lyn Dobson (sax e flautas). Assim, o grupo era agora um septeto, ainda que por poucas semanas, e dessa maneira gravaram um programa na BBC e fizeram shows na França, no final do ano.

O grupo começa a ganhar fama no circuito europeu de jazz. Fizeram dezenas de shows na Inglaterra, Bélgica, Holanda e França. Em dezembro é lançado o primeiro disco solo de Kevin Ayers, Joy Of A Toy, com participações de Wyatt, Mike e Hugh, juntos, nas faixas "Joy Of a Toy continued" e "Songs for Insane Times". Separadamente, cada um participou em outras faixas.
Em 3 de janeiro de 1970 é lançado o primeiro disco-solo de Syd Barrett, Madcap Laughs, com participação do trio Hopper-Wyatt-Ratledge na faixa "Love You".

No dia seguinte, o quinteto Elton Dean, Lyn Dobson, Hugh Hopper, Mike Ratledge, Robert Wyatt, toca em Fairfield Hall, em Croydon, e algumas dessas partes seriam usadas no novo disco do grupo. Seria o nascimento da grande obra-prima do Soft Machine e um dos mais importantes álbuns do gênero que passaria a ser conhecido como rock progressivo, nos anos 70: Third.
Bem, mas o Third, sozinho, já é outra longa história. Encerremos então a primeira parte da retorspectiva Soft Machine com o Duplo (Volumes One & Two). Ufa, neguinho! Se foi cansativo editar esse texto, imagine contar toda história... Mas cada segundo perdido pelo leitor, na audição, será regiamente restituído com correção.
Fonte: Mofo (és amarradão em música? Ponha esse blog nos favoritos).
Clicaki pra baixar o One
Clicaki pra baixar o Two
* (04/12) Nos comentários desta postagem, o amigo e experiente guitarrista, Edson do blog Gravetos & Berlotas, explica corretamente o que vem a ser glissando.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

TRAFFIC - LOW SPARK OF HIGH HEELED BOYS


Vamos ser bem francos: quem está com 38/39, na fronteira dos enta e nunca viu esta capa numa loja de discos do tempo dos LPs, ou ouviu falar neste Traffic (du bom e do bem), “Low spark of high heeled boys”, ou na própria banda, está na hora de rever o passado. Rever o que deixou passar batido, os momentos mais relax de paz e tranquilidade... O que fazias, afinal, enquanto subestimavas o prazer de, por exemplo, curtir um bom disco em boa companhia? Estudando, trabalhando, não tinha tempo pra essas futilidades artísticas? Ah, claro... Tinha o vestibular, o emprego de auxiliar administrativo no banco (eu também já fui boy, meu camarada!), uma vida pra ganhar... Mas se (ainda) pensas assim, o que fazes aqui? Não na Terra, claro! Nem tanto ao mar, nem tanto a serra! Mas aqui, neste Blog! Pois aqui, parceiro, jazz (pura força de expressão) um álbum que nem os meus amigos mais radicais na vizinhança do Jazzseen rejeitariam! Simplesmente porque isto aqui é música maiúscula! É jazz, é rock, é blues, é folk... É, acima de tudo, um álbum feliz! Certamente o álbum mais feliz dessa banda fantásica. Mais que isso: talvez o disco mais feliz de toda uma geração! E dizer de seus integrantes... a importância que essa galerinha, voando em campo/palco/estúdio como um legítimo escrete canarinho dos 70 (o álbum é de 1971), seria chover no molhado. Porque? Sinceridade?... Se o amigo, entre 39/40 e tantos, só ouviu falar em trafic de escravas brancas, no das drogas ilícitas e etcéteras mis-ruins, o que adiantaria contar da formação da banda de onde vieram, para onde foram? Isso é mero detalhe*. O que o amigo deve fazer neste exato, é baixar este álbum, ouvir até cansar o raio lazer do aparelhinho – porque cansar você da obra, como diria Vivi, minha secretária para assuntos do lar, “é rim, hein!”.
E já que estudou, trabalhou, enfim, ralou feito um condenado pro conforto futuro, não tendo nem tempo pra curtir um Trafficzinho de quando em vez, ganhou sustância financeira, certo?, justo para, entre as becas maneiras e tênis de grife, encomendar o álbum legítimo! O importado, pois o nacional, duvido muito que ainda se encontre no mercado... Ainda duro? Quer saber? Eu também. Acontece nas melhores genealogias. Não estressa! Tente os sebos. Aproveita, faça um exercício. levanta-te e anda, rapaz! Mas, por hora, boa audição.
Clicaki pra baixar
* "mero detalhe" importante. Clicando no link no texto, o histórico do disco estará a disposição do interessado.
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Quarta feira 28/11: é com satisfação que informo: este álbum está batendo recordes de downloads! Porém houve um probleminha na hora de upá-lo, neguinho... Ficou faltando a versão, original, track 03, de Rock & Roll Stew. A que aparece até antes do dia 28, é uma versão alternativa. Em breve, hoje ainda, o link acima estará hospedando todo álbum e bônus. E este complemento, servirá apenas pra quem baixou antes da data do Recall. Mil perdões (pronto, link restabelecido e zerado extamente às 11:54 em 28/11).

domingo, 25 de novembro de 2007

THE CREATION - WE ARE PAINTERMEN






The Creation ficou conhecido como "a banda psicodélica britânica que só gravou um Lp". Nada como comentários desse tipo para fazer um grupo obscuro dos 60’s tornar-se "cult", ainda mais quando, por opção da maioria dos músicos, a idéia não era se fazer passar por reles funcionários paus mandados da indústria phonográfica (há algum tempo resolvi me referir as majors com ph, afinal, o tempo passa o tempo voa e as empresas desse ramo continuam... no tempo do gramophone).

The Creation, então, surgiu na mesma época do Pink Floyd e contou com o apoio do produtor Shel Talmy, o mesmo que trabalhou nos primeiros anos do The Who (ali em meados dos anos 60). Nessa época, inclusive, Pete Townshend teria sugerido ao futuro líder do Creation, o guitarrista Eddie Phillips que entrasse como segunda guitarra no Who, mas este optou por montar a sua trupe. Phillips tinha uma boa pegada para os power-acordes, alem de ter na manga boas harmonias ao estilo britânico. A banda emplacou os hits "Making Time" e "Painter Man". E entre 66 e 68 fizeram turnês longas na Alemanha. Em contrpartida, na Inglaterra a coisa ficou um pouco mais complexa dada a quantidade de bandas talentosas que surgiam na mesma ocasião como os citados, Floyd, Who além do Soft Machine, Love e tantos outros. Outro detalhe interessante é que o futuro R. Stone, Ron Wood chegou a ser membro do Creation por um curto tempo, mas especificamente nos últimos meses de 68, quando a banda encerrou suas atividades. Outro stone (o membro oculto, olha o duplo sentido) que colaborou em algumas gravações foi Nicky Hopkins, teclados.

O disco "We Are the Paintermen" surpreende pelo grande numero de canções autorais e pelo bom entrosamento dos músicos que, sem duvida, expõe mais as guitarras. Falar nisso, curiosamente, antes de Jimmy Page, Phillips já ousava fazendo sua guitarra parecer violino, como Page no ultimo ano dos Yarbirds, no uso do arco. Portanto, Eddie Phillips já havia feito tal experiência bem antes, sem levar a fama por isso. Não fujindo a uma regra da época, o som do Creation era um misto de folk-rock, como Buffalo Springfields, com os melhores momentos hard dos Yarbyrds. Não que fosse influenciado por eles - surgiram meio que ao mesmo tempo. O interessante é saber como a soma do Blues eletrificado, o Folk e o Rock básico chuckbérico emprestaram os elementos necessários para o embrião de um novo estilo que se tornaria a febre rítmica alguns anos depois. Em se tratando de psicodelia, em princípio, a “onda” psicodélica, embalada pelas experiências sensoriais com a nova droga LSD, foram a grande inspiração do que seria o rock-progressivo. É bom lembrar que a safra de bandas nesse padrão embrionário, e o prog, propriamente dito, encontraram terreno fértil na Inglaterra, principalmente este último, já que o progressivo feito nos EUA, via de regra, foi um pastiche do que se criou no Reino Unido.

Voltando ao objetivo: fica claro o talento inquestionável de Phillips como compositor. E óbvio, quando se ecuta, o leque de influencias que o artista abriu para outras bandas que viriam no vácuo. Infelizmente depois do fim do grupo, Phillips foi trabalhar como motorista de ônibus e os demais integrantes também acabaram encerrando suas atividades por ali mesmo, em 1968.

Enfim, The Creation “We Are Paintermen”, pela casa Sônica, sai do ostracismo na íntegra. Mas, infelizmente para você, sócio, com seis faixas bônus. Chateou?
Porque vale tanto à pena conhecer The Creation?... Já sei! Porque se descobre o quanto este período, pré-woodstockiano foi crucial para a seqüência do que viria a ser o rock&roll na década seguinte...? (...) Ah, sim! Mais que isso! Porque aponta para o “novíssimo” roquenrou do século 21, já que, sem citar nomes - pra não se afogar numa infinidade mais um de exemplos - de bandas atuais, tudo que faz a diferença no rock atual deriva da fase áurea musical que foram os anos 60... né?... Pois é. Mas disso todos nós estamos carecas de saber. Então fechemos questão de forma correta: além de ter feito parte embrionária de uma onda tão criativa que continua e continuará fazendo as pedras rolarem ao longo de gerações, The Creation vale à pena simplesmente porque é phoda de bom! Aqui o ph serve só pra suavizar o coito.

Os The Creation foram:
Bob Garner: Baixo
Eddie Phillips: Guitarra
Kenny Pickett: Vocais
Jack Jones: Bateria
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No allmusic, além de saber muito mais sobre o mesmo, in english, encontra-se (só pavê) todo o repertório do álbum.

As prometidas faixas bonus do disco estão do track 24 em diante: 25- How does it feel to feel (versão UK) 26- The girls are naked - 27- mercy, mercy, mercy - 28- Uncle bert - 29- Bony Marone - 30- cool jerk (versão remixada)

Clicaki para baixar o um e K pra parte dois.

sábado, 20 de outubro de 2007

RAINBOW FFOLLY (SALLIES FFORTH)



LINK ATUALIZADO EM 20/04/2009
Amigos(as) a história dessa fabulosa novidade vai in english, simplesmente porque não existe outro doido brasileiro que ouviu essa banda e se debruçou sobre ela. Mas pelo tamanho da história (fonte/biografia: http://www.allmusic.com/) o trabalho dos caras... Ou melhor, a obra, não é coisa de amador.

The world of '60s psychedelia is filled with rediscoveries that might better have been left buried in the mists of time, except as artifacts — it's possible to have shelves filled with the work of no-talent bands and of acts that weren't even psychedelic (what one wag at Bleecker Bob's in New York refers to as "lounge acts that dressed real cool"). Rainbow Ffolly wasn't one of those — indeed, they're one of the bands and one of the records that is worth finding as a CD reissue (their original LP could run several hundred), and that goes double for anyone with a taste for British psychedelia.

Jonathan Dunsterville and his brother Richard Dunsterville of Farnham Common were inclined toward music and performing at an early age, and during the early '60s, formed a band called the Force Four, specializing in Everly Brothers-style harmony material. Jon was at college when he met Stewart Osborn, a drummer, who in turn knew a bassist named Roger Newell. Out of this a new group, the Rainbow Ffolly, was formed; they had a light, fun touch, very much in the spirit of early 1967; a close, cohesive sound in which all four members sang, with Jon Dunsterville serving as songwriter. By early 1967, they acquired a manager, John Sparrowhawk, and decided to try for a recording contract. They booked time at the Jackson Recording Studio, owned by Malcolm and John Jackson, the sons of disc jockey Jack Jackson, and put a demo tape together.

Their first five songs were so accomplished that they were persuaded by the Jackson brothers to come up with seven more songs, all ostensibly for a full-length demo reel. The group didn't think as much of the seven additional numbers, but assembled a dozen tracks they were comfortable with as a sample of their basic sound. The Jackson brothers then took the tape to EMI, which was sufficiently impressed to ask for the rights to the tape exactly as delivered. Most fledgeling acts would've been complimented, even thrilled at the idea that EMI's Parlophone Records was interested in the first piece of full-length recorded music they'd ever put on tape, but the Rainbow Folly were aghast. They'd hardly intended the music on that tape as a finished work, just a dozen songs that showed directions they might go in if given a chance, not a place where they'd settle with their music. The group cringed at the notion of some of the material that they'd come up with in the lighter moments of writing songs, a few based on the singalong numbers and children's songs, and some of the only partly thought-out arrangements. They might've stopped it, but given that most bands in England were scrambling around for the chance to record a single for anyone, and here was the biggest recording organization in England asking to release the Rainbow Ffolly's demo, they went along.

The Jackson brothers had gotten the group to put them in an order that made it sound coherent, with an introductory section that eerily matched (or perhaps anticipated) the Beatles' Magical Mystery Tour. The record compared favorably not only with the Beatles' work, but also with the Pretty Things' S.F. Sorrow album. With its melodic yet spare instrumentation and harmony vocals, the Rainbow Ffolly's album sounded like S.F. Sorrow, the way that record might have if the Pretty Things had roots closer to the Beatles than the Rolling Stones.

Jon Dunsterville and his wife Jane came up with the most ornate cover art (and some of the cleverest of the decade) that they could in keeping with the "rainbow" in the band's name, and Sallies Fforth (as it was christened) was released. It turned out not only not to be bad, but pretty good, although the group wished, long after its release, that they'd been allowed to go back in and complete some tracks. The guitar parts were what bothered them the most, on tracks like "Come On Go," where they never did the overdubs that they'd intended.

The group played concerts in support of the record and even did a tour of Germany, making their first overseas appearance at the Star Club in Hamburg in a month-long engagement. The Rainbow Ffolly also performed at the Playboy Club in London, which was then a new recreational institution and always attracted a lot of attention. The group took chances, and some of them paid off, at least musically. They were able to bridge the gap between the lighter weight but elegant harmony groups, such as the Bystanders and the Montanas, and what have since come to be called the freakbeat bands (the Troggs, etc.), with their more heavyweight sounds. In a sense, they were like the Beatles in that respect, although based on Sallies Fforth, they didn't have as easy a time generating the heavier instrumental sound needed to compete with the hard rocking psychedelic outfits of the era.

The album became a Record of the Week on the BBC's Saturday Club, and it looked like Sallies Fforth might see some serious sales action. This never came to pass, however, and the group found those high visibility gigs generated press, but not enough sales to make the album a success or chart their singles. In an ideal world, there might've been a second album, one that the group would have finished the way it wanted, but for the fact that they weren't earning enough money from live performances to survive on. The quartet had all decided to get regular jobs and give up on music by 1968.

In 1998, See for Miles Records re-released Sallies Fforth as a CD with one bonus track, a previously unissued song called "Go Girl."

RAINBOW FFOLY - SALLIES FFORTH

ARTHUR LEE - VINDICATOR



Arthur Lee (7 de março de 1945 Menphis/Tenesee – 3 de a agosto de 2006), foi o enigmático e volátil líder, compositor e guitarrista da lendária banda psicodélica Love, mais conhecida por seu triunfo sônico Forever Changes, de 1967.
Lee foi batizado de Arthur Lee Porter (ou Arthur Taylor Porter, dependendo da fonte). Sua família se mudou de Memphis para Los Angeles, California, quando ele era criança. Lee disse que foi exposto e inspirado por todos os tipos de música.
Ele era frequentemente comparado à Syd Barret e Roky Erickson (este último, aguardem). Barrett, durante sua breve carreira de pop star, conclamava aos quatro cantos que o Love era a principal influência de sua banda, o Pink Floyd.
Arthur morreu em Memphis vítima de leucemia.

Este álbum Vindicator (solo de Arthur Lee, 1972) é um achado. Até pra mim que vivo a perambular pelos blogs à procura da batida perfeita. É um disco de Rock and Roll maiúsculo. Daqueles que se dá graças por ter vivido para conhecer.

LINK RESTAURADO EM 01/02/2009

Arthur Lee Vindicator