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domingo, 13 de maio de 2012

Charlie Ventura Sextet (Chazz '77) 1977



... EM NÃO PODENDO POSTAR ÁLBUNS, A PARTIR DE AGORA, A MÚSICA VEM SEMPRE EM PRIMEIRO LUGAR.

wonderful world


newport


high on an open mike


body & soul

O que diz a crítica:

Aqui, a última gravação de Charlie Ventura como líder. Teve lugar em 1977 para o selo Famous Door. Embora problemas de saúde tenham diminuído um pouco o tom em geral majestoso de seu sax tenor, Ventura se mostra com o espírito elevado de antanho durante toda a sessão. Junto com ele, muitos de seus velhos amigos, incluindo os trombo-nistas Urbie Green e George Masso, o pianista John Bunch, Milt Hinton, baixo, e o baterista Mousie Alexander, além de um moço, pouco mais de 26 anos, o trompetista Warren Vaché. Ventura revisita seu antigo hit “High on an Open Mike” e também acena com uma novíssima composição, "Newport", só para esta gravação. Mas, desempenho máximo venturoso é o tratamento rapsódico dado ao perene standard "Body and Soul". Os demais solistas brilham ao longo de toda a sessão, especialmente Green e Vaché.

Infelizmente, este LP – o CD então, nem pensar, jamais existiu – está fora de catálogo desde a morte do produtor e proprietário da gravadora Famous Door, Harry Lim.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Greg Gisbert (The Court Jester) 1996

O jovem trompetista Greg Gisbert, natural da cidade de Mobile, Alabama (nascido em 1966), comanda um septeto afiadíssimo através de um conjunto de material desafiador neste que vem a ser o seu segundo registro pela Criss Cross. Sua maneira de tocar impressiona assim como seus dois originais, revezados com o par de composições da pianista Janice Friedman (incluindo o espirituoso "Love Dirge"), e também na composição de Maria Schneider "Waltz for Toots". Além destas, há caprichadas interpretações de mais três standards de jazz. No todo, a música é um post-bop de qualidade elevada que, ocasionalmente, faz lembrar os Jazz Messengers de Art Blakley, outras vezes olha para o passado na direção de um bebop mais clássico – aliás, bem nos moldes da turma dos amigos, Danny D’Imperio e Hod O’Brien, com quem Greg divide alguns excelentes álbuns (nos quais este q vos fala foi apresentado a Greg Gisberg). Voltando a “The Court Jester”, os solos em sua maioria são super-ousados, tendo como um dos pontos mais fortes os 4 caras dos sopros, em especial, o saxofonista e flautista Tim Ries.

Já o versátil Greg Gisbert, que em determinados momentos soa muito ardente, merece ser bem mais conhecido.
Scott Yanow (allmusic.com) e eu.

Greg Gisbert (Tp / Flh)
Conrad Herwig (Tb)
Tim Ries (Ts / Ss / Fl)
Jon Gordon (As / Ss)
Janice Friedman (P)
Jay Anderson (B)
Greg Hutchinson (D)

1. ROBYN SONG (Greg Gisbert)
2. THE LOVE DIRGE (Janice Friedman)
3. THE COURT JESTER (Greg Gisbert)
4. SOFT SNOW (Janice Friedman)
5. SMILE (Charlie Chaplin)
6. MY IDEAL (Richard Whiting, Neville Chase. Leo Robin)
7. WALTZ FOR TOOTS (Maria Schneider)
8. DIZZY ATMOSPHERE (Dizzy Gillespie)

Ouça a faixa 2. "THE LOVE DIRGE" (Janice Friedman)
 

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

René Thomas (Guitar Groove) 1960




O guitarrista belga Rene Thomas fez sua estréia como  líder neste encontro em 1960 para o selo Jazzland. Residente em Quebec, naquele momento, Thomas é acompanhado por um elenco de personagens americanos em seu “Guitar Groove”. No baixo Teddy Kotick - época em que este era, de uma só vez, membro do Horace Silver Group e do grupo de Bill Evans... No sax tenor, o mago JR Monterose, junta-se a René a partir de intervalos com o seu próprio disco solo "The Message". Albert "Tootie" Heath, em seguida, entre passagens por combos com JJ Johnson e os Jazztet, além do então menino, Hod O'Brien, ao piano. Músicos da mais alta patente, como improvisadores qualificados sempre sabem quando fazer concessões em benefício do ajuste do grupo. Além dos três números originais (compostos por J.R. Monterose, em que M.T.C. é dos momentos mais felizes, para o álbum), os mergulhos do quinteto no livro de standards de jazz, tornam versões obrigatórias "Like Someone in Love" (de Burke e VanHeusen), um libelo aos Gershwin, “How Long Has This Been Going On?"... De Monk, "Ruby, My Dear", e de Miles Davis, "Milestones". Por vezes os músicos são quase respeitosos ao extremo, embora a centelha fornecida pela pontuação de Heath ilumine e traga o calor necessário a todas as interpretações. Thomas se comporta da forma refinada e econômica como é praxe entre os grandes guitarristas de sua geração, e os que o influenciaram, seu toque tem um fluxo requintado e simples. Reserva "How Long"... para si próprio, se estendendo por seis minutos, acompanhado apenas por pinceladas de Heath e Kotick, discretíssimos. Embora tenha feito contribuições substanciais para reuniões com Chet Baker, Sonny Rollins, Stan Getz e outros, “Guitar Groove” é indiscutivelmente o momento mais forte da carreira de René Thomas. Finalmente solo e como líder!

Como dito acima, René Thomas nasceu na Bélgica, em Liege (1927). Foi considerado um dos maiores guitarristas de jazz da década de 1960. Nos Estados Unidos, tocou com os melhores músicos da época, entre eles Stan Getz, Miles Davis, Toshiko Akiyoshi e Jack McLean. No retorno à Europa, em 1962, excursionou e gravou com Chet Baker, Bobby Jaspar, Kenny Clarke, Eddy Louiss, Luky Thompson e mais um monte de gente boa. Infelizmente, um ataque cardíaco fulminante abrevia-lhe a vida ainda aos 48 anos, em 1975, na Espanha.

Pro navegante, uma prova do enorme talento do moço em questão - e claro, da patotinha da pavirada que o assessorava...  

Guitar Grove, faixa 4: M.T.C.

René Thomas (Guitar Groove) 1960

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Joe Mooney (Do You Long for Oolong) 1940-50s


... Pois é, voltei. Direto ao point - quando o point da música agora também fica na orla, Delfim Moreira, Leblon, entre General Artigas e Rainha Guilhermina (somente aos domingos). 
Outro dia recebi lá, e em mãos do autor, o livro "Rio Bossa Nova um roteiro lítero musical". No capítulo "Lojas Murray", página 41... transcrevo: "Há décadas, a rua Rodrigo Silva, 18-A, quase esquina com a rua 7 de Setembro, é ocupada por estabelecimentos como bancos ou lojas de geladeiras. Mas, no passado, por volta de 1948 e pelos quase 10 anos seguintes, esse endereço abrigou a Murray, a melhor loja de discos importados do Rio - e também um ponto de encontro de jovens que sabiam das coisas.

Ali se reuniam os cantores e músicos da época, os membros do Sinatra-Farney Fan Club e os rapazes dos conjuntos vocais entre os quais Os Garotos da Lua, Os Cariocas e Os Quatro Azes e Um Coringa. (...) A Murray tinha um estoque de discos que os fãn da música moderna, brasileira ou americana, disputavam com paixão.

Em meados dos anos 50, João Gilberto veio da Bahia para substituir o Jonas Silva, no Garotos da Lua. Foi na Murray que ele conheceu pessoalmente os seus ídolos, Orlando Silva e Lúcio Alves e ouviu os discos de cantores que o marcariam, como Nat King Cole, Joe Mooney e o Page Cavanaugh Trio... (...)."

Paremos por aqui a transcrição: "Joe Mooney", esse nome me atraiu. Já reparou como a quantidade de cantoras do jazz americano - e provavelmente em todo o mundo - é desproporcionalmente maior que a dos cantores? Há uns anos, produzi facilmente um disco coletânea, pro meu bel prazer, só de cantoras de jazz e ando pensando em fazer o mesmo com cantores, mas com a minha memória de peixe e essa disparidade numérica, no meu HD fraquin sobre o pescoço, não consigo juntar 10 nomes! Daí que esse para mim obscuro Mooney era mais um! "Mais um" só por enquanto...

Fala Scott Yanow:
"Joe Mooney, que na década de 1920 já gravava como um dos “meninos” do Boys Sunshine, durante a segunda metade da década de 1940 liderou um quarteto bastante popular, onde sua voz e acordeão, eram acompanhados pelo clarinetista Andy Fitzgerald, o guitarrista Jack Hotop, eo baixista Gates Frega. Uma seção das melhores gravações do grupo, entre 1946 e 47 (incluindo material recentemente descoberto e bônus a partir de uma transmissão de rádio) estão neste CD definitivo. O som do grupo, o acordeão melódico, clarinete, solos de guitarra e os vocais atraentes de Mooney deram à banda de curta duração a sua própria identidade, transformando Mooney em cultuada figura durante até décadas após sua morte em 1975 (Mooney nasceu em 1911 em New Jersey). Entre os números destacam-se "Tea for Two", "Meet Me at No Place Especial", "I Never Knew" e "September Song". Este disco intrigante por sua atemporalidade, e obrigatório, fecha com quatro números de 1951, altura em que Mooney substituiu o acrdeon pelo órgão e se juntara ao guitarrista Bucky Pizzarelli e Bob Carter, no baixo."

(meus 3) Amigos leitores, acabo de ser apresentado a uma lenda! Ouçam e me digam se nos anos 40 do século passado, em termos de jazz vocal e arranjos tão enxutos, se podia fazer algo mais atemporal.

Joe Mooney: A Warm Kiss And A Cold Heart



Joe Mooney: Shakey Breaks The Ice



Joe Mooney (Do You Long for Oolong) 1940-50s

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Guy Lafitte (The Things We Did Last Summer) 1991

O veterano saxofonista tenor Guy Lafitte, caracterizado principalmente pelo seu jazz suave com grande queda para as baladas (aqui com algumas peças mais rápidas) está impecável neste refinado lançamento em CD (1991) pelo selo francês Black & Blue. Provavelmente, o aspecto mais interessante no conjunto da obra (que mistura clássicos​​, como "Sweet Lorraine", "Sweet and Lovely" e "On the Trail", com alguns originais) é o fato do pianista Jacky Terrasson poder ser apreciado numa de suas primeiras gravações, elevando ainda mais o nível da seção rítmica, que inclui outra promessa, o baixista Pierre Boussaguet, e o experiente baterista Al Levitt.

A música é de excelente qualidade, mas o lado lamentável é que este CD jamais foi disponibilizado fora do circuito europeu – por exemplo, importá-lo pelo Amozon custa hoje, a mais do que nunca, insólita quantia de 99 dólares. Como diriam os francêses, je suis désolé...

E agora reparando bem na brochura do Lafitte da capa, a sensação é a de que ele antecipa o sentimento lá desde o verão de 1991.

Obs.: Este texto está na capa do meu exemplar genérico que vai pra lojinha de CDs de jazz fora de catálogo - a venda na única casa do ramo no Rio que se encontra um álbum de Guy Lafitte, entre outras fantásticas obscuridades. Aqui, craro, o álbum vai de grátis pra quem frequenta blogs. Quem curte o upgrade de CDs com identidade visual tipo capinha, vai caminhar na orla da Delfim Moreira e encontra um camelinho metido a besta - no Leblon, segundo alguns, TODOS são metidos à besta - e adiquire o álbum a metidos a besta 15 reais. No mais, todos q param pra conversar com o camelô do camelo, ficam sabendo deste blog, Sergio Sônico, e que se preferirem, baixam alguns dos álbuns sem custos. Mas nêgo gosta de CD com capa e aceita pagar numa boa. Ê bairrozinho besta, sô!

Ando may sumido, mas é por uma boa causa: causa d'eu que demanda tempo, afinal ambulante que não trabalha não come. Mas... todavia, contudo e esse negócio de dinheiro que vicia, quando tenho umzin (digo tempo) venho cá e trago um mimo pros meus fãs... Tô de sacanagi na parte dos fãs - e em todo resto tbm.

Abraços! 

Em tempo: seu san quédi o(s) livro(s), seu san? Agora sou um imprezário, tipo capitalista titã, só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder.

Ah! Em tempo 2, a missão: Grato mr. John Lester! Esse Guy, foi você quem me apresentou!

Vai uma provinha, freguesa?
Guy Lafitte (The Things We Did Last Summer) Take one 
"The Things We Did Last Summer"


sábado, 14 de maio de 2011

East Of Eden (Kalipse) 1996


És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
... Já reparou no Charlie Watts tocando batera nos Stones? Todo mundo se esgoelando, fazendo pirueta lá na frente e o cara nunca, há 50 anos!, consegue esconder a pinta de "porque que eu me meti nisso?". Porque do aparente desconforto? Porque ele queria fazer Jazz, ora! E o tempo a ver com isso? O tempo é o senhor da mudança e com ela - não sou filólogo mas arrisco chutar que tempo + herança = temperança. Uma hora o tempo age e muda o foco e a forma da rebeldia. Quanto a Charlie Watts... ainda que congelado, envelhecendo... Por outro lado, é o melhor exemplo do cara errado em hora e local errados que deu super certo! Pense outro tão perfeito?

Bom, tresontonte retornei a uma banda que sempre que ouço fico com as sábias palavras de mr. Lester, catedrático em jazz, martelando nas idéias. As palavras não são as mesmas, mas o conceito é, jazzistas quando tentam tocar rock, ficam cheios de dedos, pés pisando em ovos, enfim, não é uma coisa natural. Enquanto quando roqueiros vão ao jazz, se sentem à vontade, fazem do jeito deles, pesado, divertido, sujo, sofrido, arrogante, com raiva!... É claro que toda a regra tem exceção, mas na média é bem isso sim.

E East Of Eden, uma banda britânica de Bristol, personifica essa verve além de, com a postagem que tento, explica essa magia do tempo. Sinceramente, eu duvido que haja nesse mundo um grupo de rock que personifique tão bem as palavras do Lester. Veja, entre 1969 e 1970, moleques ainda, eles gravaram dois discos divisores de águas na praia fusion de Soft Machine, King Crimson e um cauteloso Miles Davis. Segundo a crítica, além dos rasgados elogios, "Snafu", o 2º álbum, foi o disco mais não comercial a perdurar durante meses, entre os British Top 30" daquele 1970. Numa outra resenha, a explicação: "ao final de suas apresentações ao vivo, os músicos sempre tocavam uma musiquinha mais folk e brincalhona, totalmente diferente do estilo de seu repertório, como uma forma de relaxar a audiência após tanta massa sonora.". E nessa de sem querer mesmo, emplacaram "Jig-A-Jig", algo muito próximo a outro sucesso de Jean-Luc Ponty "New Country" de 1976 (álbum Imaginary Voyage). Mal comparando e sendo bem malvadinho, seria, um misto das duas, a música que a Família Lima vendia a alma ao demo, para ter composto... 

Malvadíssimo, eu fui. Com a comparação acima devo ter espantado uns 90% dos meus 3 leitores. Para não perder o último que me resta, vamos direto ao texto de Marco Gaspari sobre a banda East Of Eden.
 
Gerard Mercator (05/03/1512 - 02/12/1594) é considerado um divisor de águas na história da cartografia. Eminente geógrafo flamengo do século 16, foi ele o criador da primeira representação cartográfica confiável da esfera terrestre, através de projeções sobre uma superfície bidimensional e de um conjunto de mapas por ele denominado Atlas (já ouviu falar nessa palavra?), em homenagem ao rei Atlas da Mauritânia.

Pois ninguém melhor do esse senhor para batizar o primeiro álbum de uma banda inglesa que era um verdadeiro mapa-mundi de influências sonoras, anos antes da expressão world music ser cunhada pelos rotuladores de plantão.

Mercator Projected é o nome do álbum e a banda é nada mais nada menos que o East of Eden, uma ilustre desconhecida nos dias de hoje, mas um dos grupos mais originais da incipiente cena progressiva de sua majestade.

Formada em Bristol, no ano de 1967, e mudando para Londres no ano seguinte, a banda assinou com a Decca e passou a fazer parte do selo Deram. Sua formação na época era Dave Arbus (violino elétrico, flauta e saxofone), Ron Caines (sax alto), Geoff Nicholson (guitarra e vocais), Steve York (baixo) e Dave Dufont (percussão).

Mercator Projected saiu em 1969, misturando jazz, Bela Bártok, música oriental e rock, num caminho totalmente contrário ao dos medalhões da época que via de regra adotavam a fórmula solos de guitarra/teclados pirotécnicos.

Dave Arbus era o grande músico da banda, um cara totalmente maluco por Charles Mingus. Depois de ver Jean Luc-Ponty num show em Paris, passou a eletrificar seu violino, criando uma das marcas registradas do som do East of Eden (uma curiosidade: foi ele o responsável pelo longo solo de violino no final da música “Baba O’Riley” do The Who).

O álbum (Mercator Projected) trazia oito músicas que logo fixaram a banda como uma das mais cultuadas pelo público underground inglês, o que encorajou a Deram a lançar um segundo álbum: a obra-prima Snafu.

Com a formação alterada com a entrada de Andy Sneddon no baixo e Geoff Britton (mais tarde do Wings de Paul McCartney) na bateria, este álbum escancara ainda mais as influências jazzísticas de Dave Arbus e alcança o Top 30 nas paradas da Inglaterra.

Curioso é que no final de suas apresentações ao vivo, os músicos sempre tocavam uma musiquinha totalmente diferente do estilo de seu repertório, mais folk e brincalhona, como uma forma de relaxar a audiência após tanta massa sonora.
 
Pois não é que “Jig-a-Jig”, esse era o mome da musiquinha, gravada como single na época, chegou ao sétimo lugar nas paradas, permanecendo entre as dez mais por 12 semanas seguidas! Apesar de financeiramente satisfatório, esse sucesso repentino acabou por confundir o novo público que procurava nos discos do East of Eden mais exemplos comerciais de “Jig-a-Jig” e acabavam encontrando um som absolutamente refinado e desafiador.

Em 1972 o grupo sai da Deram e assina com a Harvest, lançando dois bons álbuns, embora bem mais convencionais. Vários discos e formações diferentes depois, a banda acaba em 1978, sem nunca ter reprisado o brilho de seus dois primeiros trabalhos.

Mercator Projected e Snafu permanecem como dois grandes exemplos de como o progressivo inglês soube ser imaginativo e audacioso antes de ser dominado pela ganância das gravadoras e pela megalomania inconseqüente de seus músicos. 
Texto de Marco Gaspari
Matéria originalmente publicada na revista poeira Zine número 19.
Para saber mais clique no www.poeirazine.com.br

Dadas as devidas explicações do "de quem se trata", o álbum que posto de East Of Eden é o realizado já em 1996. O primeiro da retomada, tipo os caras na 3ª idade, depois de um hiato de 20 anos, quando os cabeças da banda resolveram se reunir novamente e agora com o tempo a seu favor. Não dá pra dizer que é o mais puro jazz, afinal e sempre, será jazz de roqueiros, mas dá pra afirmar com prova musicabal sobre as sensíveis mudanças operadas pelo tempo - para não cair na armadilha da filosofice, troquemos o "custo" por "tempo/benefício" - numa arregimentação de músicos que nunca visaram só o dinheiro, com um potencial inesgotável para revolver o solo fértil das cifradas notas impressas sem $ifrão. E pelo amor de deus!, aqui não vai nenhuma crítica. Eu amo os Rolling Stones muito mais até que os Beatles. Acho que eles devem durar fazendo -only- roquenrou -but I like it- até que a morte os separe... Mesmo com o Watts com aquela cara de "amanhã eu peço as contas", a questão é que a proposta de East Of Eden é totalmente outra. Tanto mostrar o álbum (Kalipse 1996), como os outros dois mais importantes, no começo da batalha, foi uma idéia que maturei na cabeça devido a grande qualidade da música que esses caras, praticamente zerados do conhecimento público, faziam. Lembra do tresontonte da reaudição, quando mal lembrava de que East Of Eden existira? Depois de reouvir e repirar, tudo igualzinho como lá nos antigamente, fui atrás da obra dos caras, que creio, esteja em 10 originais entre 1969 e 2005. E aí sim, não descansei até encontrar o raríssimo (out of blogs) álbum "Kalipse". Outro detalhe bom pra pensar: o leitor conhece alguma outra banda que tenha nascido há mais de 40 anos, parou e voltou com praticamente a mesma formação, com o som convincente, honesto, sóbrio e todo reformulado, como pede o passar dos anos?  Pela lógica que espero ter conseguido passar neste texto, o som do Kalipse, o álbum, não é mais aquele desbunde feroz e revolucionário, ao contrário tem faixas maduras, elegantíssimas como logo a 1ª do título, dá uma sacada...

East Of Eden, Faixa 1. Kalipse


Tai uma banda que merece até tese. No lugar do leitor, ia pela ordem. Baixava o Mercator, depois o Snafu pra depois sentir a evolução e a temperança de Kalipse. Aliás a postagem foi realizada com esta intenção. Os links pros álbuns estão no texto. E se o texto deixou dúvidas, a velha máxima de uma imagem vale por mil palavras, deixará tudo às claras no vídeo.


Faixas:
1. Kalipse (Caines / Nicholson - 7:12) !!!!!

ATENÇÃO: baixe a faixa 2 aqui.
2. 5th Amendment (Nicholson - 7:39) 


3. Uccello (Caines - 4:27)  !!!!
4. Con Fuoco (Nicholson - 6:39)  !!!!!
5. Eddie Mars (Caines / Nicholson - 6:07) !!!!
6. Ballad X (Caines / Nicholson - 5:03) !!!!!
7. Light Source (Nicholson - 5:09) !!!!
8. Goodbye Pork Pie Hat (6:09)  !!!!
9. Nexus (Caines / Nicholson - 1:47)  !!!
10. Slow Food (Nicholson - 4:41) !!!!!

A banda:
- Dave Arbus / violin, flute
- Geoff Nicholson / guitar, drums, programming
- Ron Caines / Alto, Soprano & Tenor saxophone
- Jan Lehne / bass guitar


domingo, 8 de maio de 2011

Steve Schmidt (Red and Orange) 2005


Mais um álbum e músico (pianista) d'a gente se encher de orgulho por tê-los encontrado, só, no entusiasmo da pesquisa. Pouco sei sobre Steve Schmidt, exceto que é um jovem músico de Cincinnati, provavelmente na casa dos 50 anos. E que, Count Basie, meses antes de morrer, em 1984, quando sua orquestra passava por esta cidade, no estado Ohio, adoeceu e mandou chamar Schmidt para substitui-lo. Daí em diante nosso pianista ficou um pouco, não muito, mais conhecido nacionalmente. Mas juntando um entendimento aqui outro ali, nos raros textos biográficos que encontrei, deu pra sacar que o cara não é do tipo que persegue obstinadamente um maior reconhecimento.  "Eu só quero dominar bem o meu instrumento" - disse Steve uma vez, sem fazer alarde. Completam o trio, um competente baixista, Drew Gress e Jeff Ballard, na batera, que dispensa apresentações.

Bem, abaixo uma reseinha na única loja virtual onde se encontra este CD à venda. Nas demais, mesmo no Amazon, acha-se o disco disponível somente em mp3. Olha, arrisco dizer que "Red and Orange" vale, cada cent dos $ 15,97 dólares empenhados.

Cincinnati-based jazz pianist Steve Schmidt is well-known regionally and nationally for his work with The Blue Wisp Big Band and for his tenure as house pianist at The Blue Wisp Jazz Club. At that renowned venue his trio has backed such diverse and legendary soloists as Joe Henderson, Eddie Harris, Herb Ellis, Joe Lovano, Mark Murphy, Scott Hamilton and Tal Farlow - to name just a few.

Steve was called upon to fill in for an ailing Count Basie as The Count Basie Orchestra came through Cincinnati in 1984 and went on to play other dates with that famous band after Basie’s death. He has recorded with many regional and national artists as well as with the top-selling Cincinnati Pops Orchestra.

Schmidt’s tastes are wide-ranging, from blues and mainstream jazz to latin music and he brings all of these influences to bear on his acoustic trio CD, “Red And Orange”. Recorded in New York City, it features Drew Gress on bass (a member of The Fred Hersch Trio and Ravi Coltrane’s group, among others) and Jeff Ballard on drums (Chick Corea, The Brad Mehldau Trio and Joshua Redman’s Elastic Band).

“Red And Orange” is a well-recorded, balanced mix of originals and freshly arranged standards that is marked by lyricism, spontaneity and groove from this cohesive trio.
Includes liner notes by pianist Fred Hersch.

Uma pala? Que tal a theloniana "Monkyside" faixa 1?...

 

Ou algo mais bossa como a  jobiniana "Bon Air", faixa 2...:


Steve Schmidt (Red and Orange) pt.2

terça-feira, 12 de abril de 2011

Alemán, um aparte argentino na história da música do Brasil






"Oscar Alemán é desses capítulos curiosos e pouco conhecidos do encontro de várias tradições musicais. Argentino nascido no Chaco, província do interior, em 1909, filho de uma família de músicos, Alemán foi morar ainda pequeno em Santos, depois da separação dos pais. Lá, ficou órfão (o pai morreu em Santos e a mãe na Argentina). Fez de tudo para sobreviver, mas um cavaquinho que ganhou de presente mudaria sua vida. Menino prodígio, logo se revelou um talento no violão e em poucos anos, depois de voltar para a Argentina, iria para a França, onde dirigiu por anos a orquestra de Josephine Baker (conta-se que Duke Ellington quis roubá-lo para sua própria orquestra). Grande mestre da guitarra de swing, fez jam sessions mitológicas com Django Reinhardt. Muito amigos, os chamavam de “o cigano e o índio”. Mas com a Segunda Guerra voltou para Buenos Aires. A Argentina está comemorando os 100 anos de nascimento de Alemán, mas curiosamente poucas crônicas de sua vida enfatizam os anos que passou no Brasil e a grande influência que a música brasileira teve sobre ele ou suas maravilhosas gravações de clássicos brasileiros (clássicos hoje, pois na época eram todas músicas novas). É algo muito diferente: misturas de swing com música brasileira, puro bom humor, tudo cantado com uma voz deliciosa e um sotaque muito leve. É dessas coisas que só um cara com uma história de vida dessas poderia fazer soar de maneira tão genuína. A versão balançante de “Acontece que eu sou baiano”, de Caymmi (saiu em 1956 em 78rpm, e mais recentemente, em 2002, foi reeditada na coletânea Oscar Alemán y su Conjunto con Ritmos de Brasil), é um exemplo perfeito da fórmula única desse grande mestre argentino da música brasileira."

FONTE: Uma por dia


terça-feira, 29 de março de 2011

John Hicks & Keystone Trio (Heart Beats) 1996


Era pra ser, na cabeça de quem escreve, um programa típico de canções de amor, no qual se esperaria lânguidas, serenas e melancólicas interpretações à George Shearing ou como nos trios de Erroll Garner, nada contra, mas eis que me vejo diante de um trio constituído do brilhante pianista John Hicks a singrar as melodias por mares nunca dantes, o baixista George Mraz soando com alma e espírito e de Idris Muhammad a jogar como um legítimo e pulsante baterista de jazz. Estava diante de um ultra-melódico, mas poderoso trio a interpretar standards de amor. A pesar, a sua própria maneira inimitável, com uma economia e uma profundidade que vai além da interpretação de meros mortais.

A produção desta gravação é impecável. Hicks é um incrível gênio do piano acústico, seja com o seu solo fácil no upbeat em "Speak Low" ou acariciando as teclas com delicadeza em "How Deep Is The Ocean?", em crepitações rítmicas e fervor sob a pressão da bossa "If I Should Lose You", acrescentando a cada frase frescor, clareza e gentileza em uma modalidade mais leve, afro-cubana com a melodia de "Dancing in the Dark". Enfim, o trio faz noturna a sua pulsação ou pode suingar até o amanhecer, como o já provado em " Speak Low" que a gente, eu no caso, repete, antes do disco ir até o fim, porque, antes, sente necessidade!

Mraz está em seu elemento, seu tempo imaculado em solos incomparáveis. Longos, solos back-to-back sobre as baladas "I Fall in Love Too Easily" e "Lose You", como um artesão que empresta vida a cada objeto que produz. Hicks acrescenta um solo de dois minutos ("Stay As Sweet As You Are") e, como um brinde, num disco já feito de maravilhas, num dado momento, na hora exata, Freddy Cole na tradição de crooner, canta um doce bluesy "It Had to Be You".

Meu amigo, antes foi o poeta, agora chama o Indiana (Jones). Acabo de me tocar e posso até afirmar: não há tesouro nos filminhos em cascata de ação, dele, que seja moeda de troca para as preciosidades musicais que ando desenterrando.

Não conhecia John Hicks, antes de conhecer o guitarrista Peter Leitch, semana passada, e esse texto estou dividindo a autoria com um perplexo Michael G. Nastos a quem também não conheço, mas de perplexidade eu entendo. Continuando a tradução – em perplexa parceria -, veja como ele/nós encerra(mos) a conversa:

Você não vai encontrar um álbum melhor do que este, em matéria de trio piano, baixo e bateria. Encontra sim, tão inspirado quanto, mas melhor... Pode esquecer. Ainda mais impressionante é que cada música parece ter o comprimento e o tratamento exato, sem excessos ou enchimento. E olha que Hicks já teve alguns trios formidáveis no passado, mas este certamente é o tal que ficará para a história. Altamente recomendado.

E temos dito.

Ah, pro play e pra começar do começo, reservei a 1ª, "Speak Low".


Caso seja do vosso agrado...:


quarta-feira, 16 de março de 2011

Jan Akkerman e Charlie Byrd Jam!

Ao que tudo indica só a audição explica. E explicará melhor aos que dominarem o holandês. Tentemos, porém, sem machucá-lo...: esta raríssima apresentação foi gravada pela Rádio Nederland Internacional. Reuniu-se no Nick Vollebregt's Jazz Cafe, ao Charlie Byrd Trio, com o próprio Byrd, na guitarra acústica, o baixista Joe Byrd e um provável “Burton Knox”, excelente por sinal, na bateria, o guitarrista local, nas guitarras elétrica e acústica, Jan Akkerman. Foi o que consegui apurar desta gravação. Não há um disco, porque isto nunca foi lançado como tal. Alguém gravou os programas regulares da rádio - o próprio técnico da mesa de áudio, por exemplo - e liberou na internet. E este, sortudo que vos fala, que procurava álbuns de Jan Akkerman, acabou com essa pérola no colo, pedindo não, suplicando para ser compartilhada.

Em meio ao achado, contudo, Burton Knox ficou sendo um dos grandes mistérios, já que o titular do Trio, segundo esmerada pesquisa, seria Chuck Redd (baterista e vibrafonista). Sim, não haveria nada demais num substituto, se Burton Knox não fosse um nome absolutamente vago, não havendo  - noutra apuradíssima pesquisa a constatação - de sequer menção deste nome ligado ao instrumento bateria, quanto mais um Burton Knox ligado ao Charlie Byrd Trio. Porém, como foi dito aí encima, só a audição explica, por exemplo, a insignificância desse detalhe. Afinal, o tal Burton Knox, se este for mesmo o nome do homi nas baquetas, manda muito bem!  

Mistérios à parte, a farta apresentação de quase uma hora, com as quatro primeiras faixas variando entre 7 e 12 minutos, é toda realizada em estado de graça e de jam.  Aliás, “Graça”, é outro fato que só se explica acionando a tecla que libertará o som desta preciosidade. O áudio é de primeira qualidade... E, pensa: trata-se da junção de simplesmente de Charlie Byrd, o cara que  além de muitas realizações como grande músico que é, levou a bossa nova para o mundo, no ano de 1962, em conjunto com Stan Getz... Ele, Charlie Byrd, tocando com  um ícone da guitarra, pra mim, o melhor guitarrista de rock que já presenciei tocando (e vi ao vivo mesmo!) de todos os tempos. Jan Akkerman é incomparável. Pode haver, no seu estilo, muitos até mais técnicos, mas, com a sua clássica elegância, pode esquecer. Outra relevância a se destacar: repare nos momentos solos (sozinho no palco / faixa 4) de Byrd - uma declaração de amor à música brasileira e a Tom Jobim, num medley de quase 8 minutos - e a resposta no solo (também só no palco / faixa 5) de Akkerman... 

Por favor chama o poeta para colocar em palavras que façam jus a esses dois momentos num show desatrelado a gravadoras, LPs ou Cds, de cabo a rabo, irrepreensível.

Reservei para vossa apreciação a faixa Wave, com Akkerman, Charlie e Joe Byrd,  e o misterioso Burton Knox, num solo de batera sublime, nada menos que desconcertante.



No repertório:
1. Thin Roof Blues (Ben Pollack) e Blue Monk (Thellonious Monk)
2. Autumn Leaves (Prévert, Mercer & Kosma)
3. Wave (Antônio Carlos Jobim)
4. Solo Charlie Byrd // 5. Solo Jan Akkerman
6. Solos (Charlie Byrd & Jan Akkerman)

Nick Vollebregt Jazz Cafe...
Nick Vollebregt (1921/1978) foi o baterista de jazz que fundou, na Holanda, o Quinteto Stardust (que incluía o famoso, na Holanda, guitarrista, Wim Overgaauw) em 1951. O grupo foi extremamente bem sucedido. Quando Vollebregt comprou o antigo Café Larense, ao qual deu o seu nome, e começou a organizar concertos regulares nas tardes de domingo (a partir de agosto de 1973) e sessões de jazz semanais, os eventos se tornaram lendários, uma vez que a maioria dos músicos locais e internacionais, procuravam o Nick Vollebregt Jazz Café, após seus compromissos oficiais, seja para relaxar ou levar um som.

O Nick Vollebregt Jazz Café fica em Laren uma província do norte da Holanda.
Em tempo: eu tentei colocar a foto do aprazível Nick Vollebregt Café aí encima, mas esse bendito blogger, fez das suas... Mas é só pesquisar com o nome no google que acha-se  algumas fotos da Casa. Agora curtam o som que é o que realmente importa. 


Charlie Byrd Trio Feat. Jan Akkerman (Live At Nick Vollebregt's Jazz Cafe)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Billy Butler (Guitar Soul) 1969


... É um grão de areia na orla, o que, por exemplo (nem vou me citar), o Ed Motta, tem na sua discoteca apartamento lotado – um ap. para os LPs outro pros CDs. Agora, por exemplo, este disco. A gente acha, bate a vista, lê passando os olhos sobre o texto e pensa, olhando a capa: “Billy” não é nome de mulher... E uma mulher, nos 50/60’s tocando guitarra, linda assim... É um sonho! E que descoberta seria, fosse real...

Mas todas essas idéias vieram enquanto ainda decidia se baixava o álbum. Depois, enquanto baixava, sem ouvir, veio a constatação e uma melhor nitidez na filtragem da informação.  "Definitivamente, não é a mamãe".  Primeiro, no meu 'site salvação', allmusic.com, ele só confundiu a pesquisa, quando apontou Billy Butler como um vocalista da soul music. Certo. Da soul music, esse nosso Billy Butler também o é. Mas o cara é guitarrista. E dos ótimos! Comassim não está relacionado corretamente no allmusic? Ponho agora a busca, no mesmo allmusic, mas pelo nome do álbum.

“Billy Butler produz um saboroso jazz-soul, habilmente misturando o seu toque com uma abordagem à Charlie Christian nos anos 50, e com o R&B e sulcos backbeats, submeteu a sua guitarra elétrica de corpo oco, um tom morno e emprestou à sua maneira de trabalhar, solos enganosamente simples e preenchimentos que transformaram-se em ganchos R&B no vocabulário da guitarra. "Honky Tonk", dele, Butler, e Bill Doggett, só com Butler, é talvez o protótipo do R&B no violão. "Ram-Bunk'-Shush"e "Big Boy" são outros destaques de seu mandato com Doggett.

Ele começou a tocar com o doo-wop / R & B do Harlemaires no final dos anos 40, então liderando combos até 1952, quando ingressou no trio Doc Bagby. Butler co-escreveu "Honky Tonk" enquanto trabalhava com Doggett entre 1954-1961. Ele também gravou com King Curtis, Dinah Washington, Panama Francis, Johnny Hodges, Jimmy Smith e David "Fathead" Newman nos anos 60. E trabalhou em bandas na Broadway, no início dos anos 60, mas encontrou tempo para sessões de gravação com Houston Person e Turney Norris no final dos anos 60 e 70. E ainda liderou sua própria banda, gravando para a Prestige em finais dos anos 60 e início dos 70. Também gravou com a Al Casey e Jackie Williams. Excursionou pela Europa com freqüência nos anos 70 e 80, fazendo sessões tanto lá como nos Estados Unidos natal.”

Bem, entre erros e acretos de tradução, eis porque mesmo os dois apartamentos musicais do Ed Motta, não comportam uma mínima... miserável mesmo, porção do que se tem em gravações e bons artistas pelo mundo afora. Veja a quantidade de nomes neste pequeno texto a cima... E quem é Bill Doggett?! Foi lá? Viu a discografia do cara?... Organista. Mais de 50 álbuns gravados... E aí vem a lista dos que gravaram e tocaram com os que tocaram e gravaram com eles... E isso não pára nunca.

Daí que o importante é saber que peixe pesquei, hoje, certo? Atente para algo mais, antes de dar play no som: o apitinho de trem que vai marcando com malemolência o andamento  preguiçoso dessa música... Ki.di.lícia!

E por fim, veja que som eu (e você também) poderia morrer (eis a questão "ferida exposta") sem ao menos saber que um tal Billy Butler existia ou existiu um dia.

A banda:
Billy Butler: guitarras elétricas, acusticas e baixo
Bob Bushnell: Baixo elétrico
Sonny Phillips: orgão
Seldon Powell: flauta e sax tenor
Specs Powell: bateria
e Ruddy Val Gelder na engenharia de som 

Billy Butler, faixa 5 - Blow For The Crossing