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sábado, 14 de maio de 2011

East Of Eden (Kalipse) 1996


És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
... Já reparou no Charlie Watts tocando batera nos Stones? Todo mundo se esgoelando, fazendo pirueta lá na frente e o cara nunca, há 50 anos!, consegue esconder a pinta de "porque que eu me meti nisso?". Porque do aparente desconforto? Porque ele queria fazer Jazz, ora! E o tempo a ver com isso? O tempo é o senhor da mudança e com ela - não sou filólogo mas arrisco chutar que tempo + herança = temperança. Uma hora o tempo age e muda o foco e a forma da rebeldia. Quanto a Charlie Watts... ainda que congelado, envelhecendo... Por outro lado, é o melhor exemplo do cara errado em hora e local errados que deu super certo! Pense outro tão perfeito?

Bom, tresontonte retornei a uma banda que sempre que ouço fico com as sábias palavras de mr. Lester, catedrático em jazz, martelando nas idéias. As palavras não são as mesmas, mas o conceito é, jazzistas quando tentam tocar rock, ficam cheios de dedos, pés pisando em ovos, enfim, não é uma coisa natural. Enquanto quando roqueiros vão ao jazz, se sentem à vontade, fazem do jeito deles, pesado, divertido, sujo, sofrido, arrogante, com raiva!... É claro que toda a regra tem exceção, mas na média é bem isso sim.

E East Of Eden, uma banda britânica de Bristol, personifica essa verve além de, com a postagem que tento, explica essa magia do tempo. Sinceramente, eu duvido que haja nesse mundo um grupo de rock que personifique tão bem as palavras do Lester. Veja, entre 1969 e 1970, moleques ainda, eles gravaram dois discos divisores de águas na praia fusion de Soft Machine, King Crimson e um cauteloso Miles Davis. Segundo a crítica, além dos rasgados elogios, "Snafu", o 2º álbum, foi o disco mais não comercial a perdurar durante meses, entre os British Top 30" daquele 1970. Numa outra resenha, a explicação: "ao final de suas apresentações ao vivo, os músicos sempre tocavam uma musiquinha mais folk e brincalhona, totalmente diferente do estilo de seu repertório, como uma forma de relaxar a audiência após tanta massa sonora.". E nessa de sem querer mesmo, emplacaram "Jig-A-Jig", algo muito próximo a outro sucesso de Jean-Luc Ponty "New Country" de 1976 (álbum Imaginary Voyage). Mal comparando e sendo bem malvadinho, seria, um misto das duas, a música que a Família Lima vendia a alma ao demo, para ter composto... 

Malvadíssimo, eu fui. Com a comparação acima devo ter espantado uns 90% dos meus 3 leitores. Para não perder o último que me resta, vamos direto ao texto de Marco Gaspari sobre a banda East Of Eden.
 
Gerard Mercator (05/03/1512 - 02/12/1594) é considerado um divisor de águas na história da cartografia. Eminente geógrafo flamengo do século 16, foi ele o criador da primeira representação cartográfica confiável da esfera terrestre, através de projeções sobre uma superfície bidimensional e de um conjunto de mapas por ele denominado Atlas (já ouviu falar nessa palavra?), em homenagem ao rei Atlas da Mauritânia.

Pois ninguém melhor do esse senhor para batizar o primeiro álbum de uma banda inglesa que era um verdadeiro mapa-mundi de influências sonoras, anos antes da expressão world music ser cunhada pelos rotuladores de plantão.

Mercator Projected é o nome do álbum e a banda é nada mais nada menos que o East of Eden, uma ilustre desconhecida nos dias de hoje, mas um dos grupos mais originais da incipiente cena progressiva de sua majestade.

Formada em Bristol, no ano de 1967, e mudando para Londres no ano seguinte, a banda assinou com a Decca e passou a fazer parte do selo Deram. Sua formação na época era Dave Arbus (violino elétrico, flauta e saxofone), Ron Caines (sax alto), Geoff Nicholson (guitarra e vocais), Steve York (baixo) e Dave Dufont (percussão).

Mercator Projected saiu em 1969, misturando jazz, Bela Bártok, música oriental e rock, num caminho totalmente contrário ao dos medalhões da época que via de regra adotavam a fórmula solos de guitarra/teclados pirotécnicos.

Dave Arbus era o grande músico da banda, um cara totalmente maluco por Charles Mingus. Depois de ver Jean Luc-Ponty num show em Paris, passou a eletrificar seu violino, criando uma das marcas registradas do som do East of Eden (uma curiosidade: foi ele o responsável pelo longo solo de violino no final da música “Baba O’Riley” do The Who).

O álbum (Mercator Projected) trazia oito músicas que logo fixaram a banda como uma das mais cultuadas pelo público underground inglês, o que encorajou a Deram a lançar um segundo álbum: a obra-prima Snafu.

Com a formação alterada com a entrada de Andy Sneddon no baixo e Geoff Britton (mais tarde do Wings de Paul McCartney) na bateria, este álbum escancara ainda mais as influências jazzísticas de Dave Arbus e alcança o Top 30 nas paradas da Inglaterra.

Curioso é que no final de suas apresentações ao vivo, os músicos sempre tocavam uma musiquinha totalmente diferente do estilo de seu repertório, mais folk e brincalhona, como uma forma de relaxar a audiência após tanta massa sonora.
 
Pois não é que “Jig-a-Jig”, esse era o mome da musiquinha, gravada como single na época, chegou ao sétimo lugar nas paradas, permanecendo entre as dez mais por 12 semanas seguidas! Apesar de financeiramente satisfatório, esse sucesso repentino acabou por confundir o novo público que procurava nos discos do East of Eden mais exemplos comerciais de “Jig-a-Jig” e acabavam encontrando um som absolutamente refinado e desafiador.

Em 1972 o grupo sai da Deram e assina com a Harvest, lançando dois bons álbuns, embora bem mais convencionais. Vários discos e formações diferentes depois, a banda acaba em 1978, sem nunca ter reprisado o brilho de seus dois primeiros trabalhos.

Mercator Projected e Snafu permanecem como dois grandes exemplos de como o progressivo inglês soube ser imaginativo e audacioso antes de ser dominado pela ganância das gravadoras e pela megalomania inconseqüente de seus músicos. 
Texto de Marco Gaspari
Matéria originalmente publicada na revista poeira Zine número 19.
Para saber mais clique no www.poeirazine.com.br

Dadas as devidas explicações do "de quem se trata", o álbum que posto de East Of Eden é o realizado já em 1996. O primeiro da retomada, tipo os caras na 3ª idade, depois de um hiato de 20 anos, quando os cabeças da banda resolveram se reunir novamente e agora com o tempo a seu favor. Não dá pra dizer que é o mais puro jazz, afinal e sempre, será jazz de roqueiros, mas dá pra afirmar com prova musicabal sobre as sensíveis mudanças operadas pelo tempo - para não cair na armadilha da filosofice, troquemos o "custo" por "tempo/benefício" - numa arregimentação de músicos que nunca visaram só o dinheiro, com um potencial inesgotável para revolver o solo fértil das cifradas notas impressas sem $ifrão. E pelo amor de deus!, aqui não vai nenhuma crítica. Eu amo os Rolling Stones muito mais até que os Beatles. Acho que eles devem durar fazendo -only- roquenrou -but I like it- até que a morte os separe... Mesmo com o Watts com aquela cara de "amanhã eu peço as contas", a questão é que a proposta de East Of Eden é totalmente outra. Tanto mostrar o álbum (Kalipse 1996), como os outros dois mais importantes, no começo da batalha, foi uma idéia que maturei na cabeça devido a grande qualidade da música que esses caras, praticamente zerados do conhecimento público, faziam. Lembra do tresontonte da reaudição, quando mal lembrava de que East Of Eden existira? Depois de reouvir e repirar, tudo igualzinho como lá nos antigamente, fui atrás da obra dos caras, que creio, esteja em 10 originais entre 1969 e 2005. E aí sim, não descansei até encontrar o raríssimo (out of blogs) álbum "Kalipse". Outro detalhe bom pra pensar: o leitor conhece alguma outra banda que tenha nascido há mais de 40 anos, parou e voltou com praticamente a mesma formação, com o som convincente, honesto, sóbrio e todo reformulado, como pede o passar dos anos?  Pela lógica que espero ter conseguido passar neste texto, o som do Kalipse, o álbum, não é mais aquele desbunde feroz e revolucionário, ao contrário tem faixas maduras, elegantíssimas como logo a 1ª do título, dá uma sacada...

East Of Eden, Faixa 1. Kalipse


Tai uma banda que merece até tese. No lugar do leitor, ia pela ordem. Baixava o Mercator, depois o Snafu pra depois sentir a evolução e a temperança de Kalipse. Aliás a postagem foi realizada com esta intenção. Os links pros álbuns estão no texto. E se o texto deixou dúvidas, a velha máxima de uma imagem vale por mil palavras, deixará tudo às claras no vídeo.


Faixas:
1. Kalipse (Caines / Nicholson - 7:12) !!!!!

ATENÇÃO: baixe a faixa 2 aqui.
2. 5th Amendment (Nicholson - 7:39) 


3. Uccello (Caines - 4:27)  !!!!
4. Con Fuoco (Nicholson - 6:39)  !!!!!
5. Eddie Mars (Caines / Nicholson - 6:07) !!!!
6. Ballad X (Caines / Nicholson - 5:03) !!!!!
7. Light Source (Nicholson - 5:09) !!!!
8. Goodbye Pork Pie Hat (6:09)  !!!!
9. Nexus (Caines / Nicholson - 1:47)  !!!
10. Slow Food (Nicholson - 4:41) !!!!!

A banda:
- Dave Arbus / violin, flute
- Geoff Nicholson / guitar, drums, programming
- Ron Caines / Alto, Soprano & Tenor saxophone
- Jan Lehne / bass guitar


quinta-feira, 11 de junho de 2009

Ron Blake (Sonic Tonic) 2005



Aí, xará, Sampaio, botei meu bloco na rua.


3 ou 4 postagens seguidinhas, prazo de no máximo 24 horas entre uma e outra. Isto porque? No bom sentido figurado, me indignei com uma “manchete” de fabuloso - o mais ilustre blog de jazz que freqüento. Diz a manchete: “O jazz está morto”. Pra Q? Make totalmente de pirraça, pra afrontar mesmo, juntei 3 artistas em carreirinha - vai descendo q c v e ouve – Eugene Maslov, Sean Jones e este agora, Ron Blake. 3 discos impecáveis. Cada qual na sua direção. Estilos e formas de levar o mesmo maltratado, cambaleante, defenestrado, jazz ao podiun da vitalidade. O que une os 3 artistas? Ao que sei, foi o que vi e a imagem não engana: tocam (muito) juntos no vídeo exposto na postagem (abaixo) do pianista russo Maslov. Pra minha informação, o suficiente para ir à caça. Até ontem, nem sabia da existência de cada um deles. Como os encontrei? Da maneira de sempre, fuçando. Os nomes não estão bem abaixo do vídeo? Então? Meros detalhes bastam para bom navegador. Daí, vejamos quem são e o que realizaram os 3 e... Voilá, saravá! Xará!


O que quis dizer para quem precisa de maoires esclarecimentos: que o jazz multiplica-se de uma tal maneira, que é só entrar numa reunião de um único músico mais ou menos renomado - o caso do Eugene Maslov - olhar a cara dos caras que o acompanham, no caso do vídeo mais abaixo, saber-lhes os nomes, e voilá, xará! Saravei mais uma jazzida! Então como assim, morreu, tá em coma ou estribuxando? Pronto, deu samba. O Jazz agoniza mas não morre.

... Não. É claro que quem escreve o que diz, o faz no mais figurado dos sentidos, também. Mas esta sentença, “o Jazz está morto”, do jeito que veio e do jeito que venho sendo dependente do Jazz, provocou em mim um desamparo que não queiram saber. Só eu sei. Tem mais uma: porque logo agora que mal entrei na festa, decretam sem me consultar, assim, no maior supetão, q o jazz está morto? Por acaso, alguém já brincou com outrem, tipo: “cara, corre pra casa que sua mãe acaba de bater a caçuleta”? Poxa, não é assim que se brinca.


Vamos ao que interessa:


Ron Blake is an excellent modern mainstream tenor saxophonist with a strong tone, a creative improvising style, and versatility. On this well-rounded CD, Blake digs into some of his best originals ("Tom Blake" is particularly memorable), Johnny Griffin's catchy "Dance of Passion," a lyrical version of "The Windmills of Your Mind," and a beautiful reading of "Pure Imagination." The backing ranges from straight-ahead in a 1960s John Coltrane vein to the use of electronics to creative funk rhythms and touches of fusion. Much of the set could have been recorded during 1965-1975, but it is not predictable, it doesn't lose the listener's interest, and the musicianship is top-notch. While the regular CD has 11 selections, a second limited-edition CD has remixed versions of three of the songs, with "Tom Blake" and "Dance of Passion" being "re-imagined" twice. Listeners who feel that the original date does not sound complete without louder bass and drums, electronic rhythms, and odd sound effects may enjoy the second CD, but others may find this to be an odd waste, a case where more is less. However, Sonic Tonic is worth acquiring for the first disc.
Scott Yanow
Ron Blake (Sonic Tonic) 2005

Aviso aos navegantes: aqueles que curtem o jazz mais al dente, desobriguen-se das drum'n bass e techno variações dos mesmos temas do álbum aqui, nos "BONUSTRACK REMIXs" abaixo. Se eu, que não sou radical, não me empolguei com nenhuma faixa, que dirá vossas senhorias...

Ron Blake (Sonic Tonic) BONUSTRACKS REMIX


quarta-feira, 15 de abril de 2009

Janne Shaffer (Katharsis) 1976



Mais uma gentiza do My Jazz World: atenção, esse som é totalmente rock fusion. Não é o estilo que mais me apetece. Mas a suequinha é sapeca que só ela. Toca uma guitarra de muita responsa. E a banda acompanha no mesmo pique nervoso. Confira.

Uêpaaaaaaaaa! Correção em 17/04: A suequinha é suecão! Uahhhhh! Acabo de ter minhas duas oréia puxadas aqui nos comments. Uma pena. Se eu soubesse que era homem, nem postava. Não pq o disco não valesse, mas o interessante era, sendo mulher, que tocasse feito homem... Não que mulher não toque tão bem... Quanto mais eu tento corrigir, mais mico vou pagando. Mas é calaro q não mudaria uma linha da confusão feita aí encima. Ficou engraçado. Perco o amigo guitarrista, perco até a credibilidade de blogueiro, se é q tinha alguma pra perder, mas, nunca, jamais, em tempo algum, uma piada boa dessas. Não tem gente que aposta a mãe?!... Enfim aí vai a biography do allmusic:

As one of the most prominent guitarists and session musicians in Sweden, Janne Schaffer has played with almost everyone at home, and quite a few important bands abroad. If he ever needs to send in his CV, it will contain names like ABBA, Bob Marley, and Jeff Porcaro. He also successfully pursued a career as a solo artist in the '70s, when he topped the charts and won some recognition abroad, but has had less success since the '80s. For a younger generation in Sweden, Schaffer is probably most well-known for being the guitar-playing zebra in Electric Banana Band, a platinum-selling band from a children's television show.

Schaffer was born in Stockholm just after the war. ... Read More..

Janne Shaffer (Katharsis) 1976

sábado, 4 de outubro de 2008

Soil & Pimp Sessions (Planet Pimp) 2008


Grupo club jazz japonês que vem recebendo destaque internacional desde o álbum homônimo (2006), devido ao realce por parte de DJ’s a combinações inusistadas, acid/free jazz cheio de adrenalina, enorme espírito desbravador, plural, viking (?)...

Depois de terem conquistado algum espaço na UK, ainda em 2005 foram convidados pelo grupo alemão Jazzanova a actuar em Berlim, abrindo-lhes desde aí a oportunidade para trilhar o Japão e continente europeu divulgando o seu trabalho. Em 2006, Pimp Master foi lançado na Europa e, o sexteto para além de continuar em tour extensiva pelo velho continente, marcou presença no Festival de Montreux. Planet Pimp é o mais recente e quarto trabalho de 2008.

E que som, amiguinho. Cês viram que o blog anda make num recesso sônico, em virtude de Gabeira, que merece toda a atenção. Mas este albão de última hora furou a fila legal! ...e até a preguiça santa local. O bode foi pro espaço - e o coelho também! Pé de pato bangalô 3 vez!... eu diria... Tens dúvida? Pegaí e vê se não é!... Cara teimoso...

Soil & Pimp Sessions (Planet Pimp) 2008

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

JAN AKKERMAN 1977


Bom, já montei “historinha” (com mil aspas, também gosto de ser Lobato!) tão longa que escorre daí pra baixo que vou-lhe-zé-conomizar. Não direi palavra sobre este álbum. Os interessados que se linkem. Há também um vídeo muito phoda do mesmo autor do álbum, descendo 4 ou 5 postagens mais abaixo. Recomendaria até assistir ao vídeo antes de baixar o álbum. Ficamos então combinados que: quando houver imagem, o disco (este) e o vídeo (aquele) ficarão na série "Di Z + O Q?"

JAN AKKERMAN 1977

quarta-feira, 16 de julho de 2008

DAVID MATTHEWS (NIGHT FLIGHT) 1976


Pra início de conversa, classudaço! esse álbum que já abre (em 1976) reconhecendo a força da música de mr. Milton Nascimento com uma versão matadora de Vera Cruz. Os arranjos, tanto aqui, como por todo álbum, orquestrados são primorosos!

David Matthews já vem com o talento musical de fábrica, pela grife: local de nascimento, Sonora /Kentucky. O músico, conheci por acaso muito tempo depois de me deliciar com álbum solo - num estilo ímpar da obra de Blue Mitchell, o R&Bzíssimo, “Graffiti Blues” de 1973. Descobri que eram de Matthews os arranjados daquele disco... Pausa no assunto. E agora (a 17/06), encontro finalmente a peça do quebra-cabeça que faltava para montar o perfil estilístico do cara: "O pianista, maestro, compositor David Matthews ficou famoso pelos arranjos na banda de James Brown nas décadas de sessenta e setenta" Ah tá!... Mas, pelo nome, revendo os créditos (do Graffiti Blues), ele lembrou-me apenas, em princípio, o bem mais famoso astro do pop-rock David Matthwes(Band) que ainda devia engatinhar em 1976. A bem da verdade, é Dave e não David (Matthews). Mas os dois já se assinaram Dave - vide a imagem da capa deste. E agora? Numa breve garimpada, a esmo, encontrei o David/Dave correto neste Night Flight, sem jamais suspeitar de que estava na pista certa. É que encontrei o LP, perdido, disponível numa lojinha aqui perto de casa, a Satisfaction - mas o último exemplar, creio eu, alguém peguei, não sei quem fui... Hehe (acho-te uma graça!...). De mais a mais enquanto um se assina Dave Matthews Band o outro é "Big Band" e pra se perceber a diferença nem precisa ter-se doutorado em música n'algum conceituado conservatório. Anfã: recomendabilíssimo, bom vara-garái!... E o que é melhor!, não será por falta de cópias que o navegante deixará de ter acesso à tal pérola rara.

À título de pesquisa, vasculhando o site ALLMUSIC.COM acha-se boa biografia do maestro, e/ou outras opções não tão raras de álbuns do mesmo artista. Sobre o em questão, achei esse nada ou pouco mais que nada de texto abaixo:

"12-piece studio sessions. Chick Corea's "Time Lie", two Miles Davis standards are the highlights. Very good band." (by Michael G. Nastos)"... E a ficha técnica:

A Orchestra: Kenny Berger: Clarinet, Clarinet (Bass), Sax (Baritone) - Sam T. Brown: Guitar - Sam Burtis: Trombone - Burt Collins: Trumpet, Flugelhorn - Sue Evans: Percussion - Fred Griffen: French Horn - Chuck "Fingers" Irwin: Engineer - James Madison: Drums - David Matthews: Piano, Producer - Toni Price: Tuba - Joe Shepley: Trumpet - Joseph J. Shepley: Trumpet, Flugelhorn - Harvie Swartz: Bass - David Tofani: Flute, Sax (Alto), Sax (Soprano), Sax (Tenor) Frank Vicari: Flute, Saxofone (Tenor)

MÚSICAS: 1) Vera Cruz [Milton Nascimento] 5:23 - 2) All Blues [Miles Davis] 7:04 - 3) Seven Steps to Heaven [Davis, Feldman] 4:34 – 4) Night Flight [Brecker] 5:51 – 5) Times Lie (Corea, Potter) 5:00 – 6) East Side Lady [Matthews] 6:01”

DAVID MATTHEWS (NIGHT FLIGHT) 1976

quinta-feira, 10 de julho de 2008

NGUYÊN LÊ (CELEBRATING JIMI HENDRIX PURPLE)


“A LITTLE BIO”:

Filho de Pais Vietnamitas, Nguyên Lê nasceu a 14 de Janeiro de 1959, em Paris. E é um verdadeiro "malabarista" do instrumento, passa da grande intensidade do Rock ao requinte das suas origens Vietnamitas, do trabalho minucioso das sonoridades da Guitarra-Sintetizador, à alegria direta e contagiosa da improvisação. Se inicia na música aos 15 anos, pela bateria, depois a guitarra e depois o baixo elétrico. Larga tudo e licencencia-se em artes plásticas e mais adiante um mestrado de Filosofia sobre o Exotismo. Tudo a ver... Reencontra sua paixão, a guitarra, mais adiante e dela não se separa mais. Co-fundador, em 1983, do grupo "Ultramarine" (andei passeando por essa banda ou ela passeando por meus ouvidos. Muito bom o techno electro Ultramarine!), cujo disco "Dé" foi, mais tarde definido como o melhor álbum no "World Music" do ano de 1989.

Músico autodidata, por vocação, maneja as cordas com a mesma maestria e intimidade seja para trabalhar com o rock, o funk, os standards do Jazz, o jazz moderno, a música experimental, electro acústica, as músicas extra-europeias (África, Caraíbas, Argélia de Safy Boutella, o Vietnam onde aprende o monocórdio, instrumento tradicional, com o seu professor Truong Tang, e a Índia com Sen Gupta e Kakoli)... O cara é o bicho, leitor – esses resenhistas prendem-se a muitos detalhes, se é chato editar esses textos do alheio, que dirá ler. O bom é ouvir. Economizo-te dizendo: não desconfie de tantas digressões estilísticas. O cara dá conta do recado.

Para além dessas informações Nguyên Lê, em Paris, apresenta com Corin Curschellas (voz), Richard Bona (baixo) e Steve Arguelles (bateria), um programa só sobre a música de Jimi Hendrix “Nguyên Lê plays Jimi Hendrix”, que é uma descoberta construções e principalmente descontruções da bem sucedida música do mítico guitarrista, e trabalha na criação de um programa sobre a música vietnamita, da qual ele faz parte – se em rádio ou na tv, o tal programa, não me perguntem. E se descobrirem, informem-me (ulha!). Mas, ou radio ou tevê a inveja terá igual proporção. Já que aqui, no máximo se produz são especiais onde se relembra a vida de astros como os Mamonas Assassinas... Anfã...

THE ALBUM:

Nguyen Le (Celebrating Jimi Hendrix Purple) 2002

1. (A Merman I Should Turn to Be) 1983

2. Manic Depression

3. Are You Experienced

4. Purple Haze

5. Burning of the Midnight Lamp

6. If 6 was 9

7. Voodoo Child

8. South Saturn Delta

9. Up from the Skies

10.Third Stone from the Sun

THE MUSICIANS:

Nguyên Lê guitars, guitar-synth (1, 5, 8, 10), programmed synths (3, 7)

Michel Alibo electric bass (except 3 & 7)

Terri Lyne Carrington drums (all) & vocals (1, 4, 5, 6, 9)

Aïda Khann vocals (2, 6, 7)

Corin Curschellas vocals (3, 10)

Meshell Ndegeocello electric bass (3, 7)

Karim Ziad gumbri & north african percussions (7)

Bojan Zulfikarpasic acoustic piano (1) & Fender Rhodes piano (6, 9)

Em tempo: acrescentei um bonus ao álbum, uma versão à tradicional para “Little Wing” do álbum "Million Waves".

NGUYÊN LÊ (CELEBRATING JIMI HENDRIX PURPLE)

segunda-feira, 9 de junho de 2008

SCREAMING HEADLESS TORSOS (LIVE) 2002


Imagine alguém ao seu lado, tipo numa trilha no meio do nada, sofrendo uma parada cardíaca. Num lugar ermo evidente que mesmo havendo celulares não haverá tempo hábil para o pronto socorro. Você tem uma vaga noção de primeiros socorros, então procede de acordo com aquele tudo que aprendeu no Discovery (Helth) ou, sei lá, no Fantástico... Enfim, respiração boca a boca, socos de 5 em 5 segundos no peito do enfartado... Ôps! Isto é uma simulação então você, que é macho paca, não precisa enfiar sua boca na boca de um cardíaco - barbado e suado inda por riba... ou será de ladinho? Façamos de conta tratar-se de uma enfartada. Daí você percebe que a coisa vai ficando mais dramática ‘à nivel de’ ER (o seriado da Warner). A paciente não reage. Que massada! Que falta te faz aquele desfibrilador portátil que você adquiriu em 12 parcelas sem juros no Shoptime... Uma verdadeira pechincha! Agora pára, pensa e me diz: porque compraste aquela estrovenga, se não pensado no velho deitado, "um homem prevenido vale"...? Tu não vale nem um! Ó tu precisando do troço e o bagulho em casa pegando pó!... Agora faz alguma coisa, caboco! A mulher já tá roxa já!... Enquanto pensa, rápido assim, você lembra do formato do aparelho de choques em suas mãos, o que te faz visualizar headphones... Imediatamente você liga a imagem ao poder de descarga elétrica do Screaming Headles Torsos. Tudo a ver! O SHT era a mesma banda que te turbinava a mente e os ouvidos, segundos antes desse... desta sedentária – ôps!, ela é obesa, também, como assim? - enfim, desta criatura que você nunca viu mais gorda, cair de joelhos, deitar na relva e desfalecer fulminada a teus pés... Isso sim é que não! (você cai em si) Desespero. Então pressionas os phones contra os ouvidos da moribunda. Abre o volume no máximo, aperta o play, ao mesmo tempo que dá uma porrada de misericórdia do lado esquerdo do peito da seqüelada.

Na viagem, diálogo posssível:

Mulher Desconhecida Sedentária & Obesa:
Cof, cof... Caraca, que som é esse?

Você:
Um som aí que eu baixei num blog...

MDS&O (levantando pronta pruma maratona):
Você tem o endereço desse blog?

Eu (em Off):
Putz... Sobrô pra mim.

Screaming Headless Torsos (Live!!)

Sobre o álbum no Allmusic:

Fans of the Screaming Headless Torsos' unique brand of avant-gardist funk-jazz-rock fusion had very little to chew. Apart from the group's 1995 debut CD, the only document was a high-priced rare Japanese import. Guitarist David "Fuze" Fiuczynski bought back the rights to the tapes, had them fantastically remastered, and reissued them on his own U.S.-based label, Fuzelicious Morsels, as Live. Culled from two shows at the Knitting Factory in September 1996, this CD features the same lineup as on the studio album from the previous year and most of its songs too. The renditions of "Smile in a Wave," "Vinnie," the chilling "Kermes Macabre," and the funked-up "Word to Herb" show how much liberty Fuze could take with his guitar solos -- mostly atonal and completely out there. "Word to Herb" especially transcends its original version, thanks to incredible amounts of energy from all musicians. But as good these tracks are, the fans will want this CD for the four songs that did not appear on the studio album. "Just for Now" opens the proceedings with a great discharge of jazz-funk, a typical Torsos track. "Darryl Dawkins' Sound of Love" casts singer Dean Bowman as a Barry White-like crooner to great effect. The Beatles' "Dig a Pony" gets a treatment similar (but not quite as exciting) as Miles Davis' "Blue in Green." Sound quality has been enhanced, putting the listener in the front row to (re)live the galvanizing experience that was a Torsos show. Begin with the studio CD (reissued at the same time under the title 1995), just so you start at the same point as everyone else.

by François Couture


Dean Bowman: Vocals, Rap, Interpretation

Fima Ephron: Bass

David Fiuczynski: Guitar, Strings, Arranger, Producer, Mixing, Microphone, Pedals

Gene Lake: Drums, Stick, Zildjian

Jojo Mayer: Drums

Daniel Sadownick: Percussion, Stick, Latin Percussion, Paiste Cymbals

Brett Heinz: Assistant Engineer

Scott Hull: Mastering

Christian Kelly: Engineer, Mixing

Ed Littman: Mastering, Remastering

Lydia Mann: Photography

Michael Rodriguez: Production Coordination

Lian Amber: Executive Producer, Design, Photography, CD Art Adaptation

Daihei Shiohama: Executive Producer




LABEL: FUZELICIOUS MORSELS

SCREAMING HEADLESS TORSOS (LIVE) PART 2

Site oficial

segunda-feira, 5 de maio de 2008

segunda-feira, 28 de abril de 2008

sábado, 26 de abril de 2008

BONERAMA (BRINGING IT HOME) 2007


A história dessa banda começou, pra mim, em 25 de abril de 2008. Poizé, ontem. Um dia antes havia mandado pro amigo e praticamente patrocinador, o Woody do Boogie Woody, Blog phodão nas vizinhanças, a informação de que Stanton Moore, o batera workahollic dos 7000 projetos, havia lançado mais um disco solo no mercado. E que o mesmo rendia no allmusic, 4 parágrafos cheios - de loas! -, culminando com a frase do crítico especializado, Thom Jurek: “Emphasis! On Parenthesis is another big winner in Moore's stellar catalog”, isso e + 4 estrelas stellares na cotação. Como ainda não havia tido acesso ao disco, Woody, que conhece tudo, tanto de música quanto outras mil e uma maneiras de se conseguir um álbum difícil, que tentasse por seus meios e e-mails, desencavar o incensado lançamento.

Para minha surpresa o amigo me responde que até então (anteontem) só ouvira falar em Stanton Moore. Sabia que o cara fazia um som mezzo soulfunk, mezzo jazz, mas ainda não tinha tido oportunidade de ouvi-lo. Daqui, amarradão em ter a árdua tarefa de aplicar alguém no som de Stanton, mandei pra ele uma breve idéia da obra do cara. 3 projetos e/ou bandas diferentes. A saber: Garage A Trois, Galactic e um álbum solo do próprio. Evidentemente que ao conhecer o trabalho, Woody prontamente devolve uma resposta entusiasmada somando mais uma banda ao currículum vitae do Moore, a Bonerama... Que desta ele já havia conseguido 2 álbuns, estava maravilhado com o som Big Band metais em brasa, funk-soul-rock ‘n’ jazz dos caras, mas ainda faltava um álbum para fechar a tampa do caixão boneramense. O disco era “Bringing It Home” o último Live! de 2007 - os caras parece que só gravam ao vivo. Justo o do show que marcava a 1ª participação de S.M. na banda. Minha tarefa então era, da noite pro dia, conseguir o dito pra fechar a tampa do caixão do amigo – ou melhor, da banda. E foi o que fiz - também tenho meus métodos...

Contar mais o Q, diante deste exemplo que deixo do poderio nocivo de Bonerama?

Clicando no “exemplo” aí de cima, escutas uma palinha: Ocean (Bonham, Page, Jones & Plant) poizé, duas vezes!

E, em apreciando o que ouviu, você e o... Aí, Woody, o álbum que tu pediu, tá na mão, agora é só se divertir!

... acho que esse sergio, de quando em vez, deixa de ser sônico pra ficar um tanto Megafônico...

BONERAMA (BRINGING IT HOME) 2007 (Part 1)

BONERAMA (BRINGING IT HOME) 2007 (Part 2)

Tracklist Bringing It Home:

1- Intro

2- Bayou Betty (Perrine - Bonerama)

3- By Athenish (George Porter Jr. - The Metters)

4- Ocean (Bonham, Jones, Page, Plant - Led Zeppelin)

5- And I Know (Mullins - Bonerama)

6- Mr. Go (Klein - Bonerama)

7- Sprung Monkey (Stanton Moore)

8- Gekko Love (Perrine - Bonerama)

9- Yer Blues (Lennon, McCartney - Beatles)

10- Epistrophy (Kenneth Clarke, Thelonious Monk)

11- Equale (Suter - Bonerama)

12- Helter Skelter (Lennon, McCartney - Beatles)

13 -Louie's Perch (Klein - Bonerama)

14- Cabbage Alley (Art Neville - Neville Brothers/The Metters)

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Ps.: quanto a "Emphasis! On Parenthesis", acho que agora são dois no compasso da espera...

sexta-feira, 7 de março de 2008

ME'SHELL NDEGÉOCELLO THE SPIRIT MUSIC JAMIA: DANCE OF THE INFIDEL



Talento nato e de nome tão complexo como pronunciar complexíssimo no plural – né, Luis Inácio? - essa alemã de nascença arrepia no baixo! E já tocou com meio mundo do rock, jazz and soul, assim como, claro, em solo, faz um trabalho excepcional. Gente muito fera do calibre de Pat Metheny, o intelectual do trompete Dave Douglas, John Mellencamp, Carlos Santana, Mike Stern, Marcus Miller, Guru (Jazzmatazz), Basement Jaxx, Madonna, Rolling Stones (em Bridges To Babylon)... Aqui, uma dúvida: os mais antenados me respondam se no show do David Bowie no Rio/Apoteose, há uns bons 10 anos, não era ela empunhando o baixão? (pergunta respondida. Era Gail Ann Dorsey, no baixo) Enfim, o infinito estelar baba por ela. Para quem, como eu, tem adoração pelo instrumento, Me'Shell é um achado! E veja se não é... Imagine essa negra, super-ultra-cool-estilosa tocando pra carái sob a luz dos holofotes no alto de um palco. Não é um espetáculo? Qual artista não gostaria de tê-la ao lado? E ela não só toca ou faz figura bonita não. Ela canta, compõe, produz, chuleia, caseia, pinta e borda, nas internas e pra viagem. Tudo administrado da cozinha no maior lowprofile... Alguns dizem que a base é rock, outros que é soul, funk, r&b, jazz... E é nessa que eu vazo, porque definir o indefinível é tarefa para aqueles com a perseverança dos ufólogos. Mas agora... cá entre nosotros... Que Me’Shell, neste álbum, está mais para o puro jazz do que qualquer outro ritmo isso... Xiiih!... Eu começo eu termino.

Colei, do allmusic, texto abaixo sobre o álbum.

Filling the roles of central artist, composer, and director, Me'Shell Ndegéocello takes a left turn with Dance of the Infidel, a very loose affair that nonetheless flows with a natural grace. It is, for the most part, a jazz album, indicated by a shifting lineup that includes Jack DeJohnette, Oliver Lake, Don Byron, and Kenny Garrett, along with vocal turns from Cassandra Wilson, Lalah Hathaway, and Sabina Sciubba. The album is bound to challenge a good number of Ndegéocello's fans (particularly the ones with limited interest or familiarity with the form), but they needn't feel as if they're in over their heads. Little cracks in the bassist's past work have opened up to be fully explored -- it's hardly a 180, with her warm, bobbing bass adaptable to any context. And since the album is split almost evenly between sprawling 12-minute pieces and song-based material, it's liable to please both sides in some measure. Compared to Ndegéocello's past albums, Dance of the Infidel isn't as enveloping or moving (a couple spells are particularly dry, and many will miss not hearing the bassist's vocals), but it's full of bright colors, and not without its pleasures. As always, wondering where she'll take you next is part of the fun.

ME'SHELL NDEGÉOCELLO THE SPIRIT MUSIC JAMIA:


domingo, 3 de fevereiro de 2008

THE DANNY GATTON ANTHOLOGY - HOT ROD GUITAR


Assim como corre nas veias o mesmo sangue humano de um Niemeyer, que projeta a Capital de um país, corre o sangue de outro humano que ao roubar um automóvel, na fuga, arrasta o corpo de uma criança por oito quilômetros no asfalto. O mesmo sangue que ferve subindo às têmporas de Hugo Chaves, suaviza imagem e memória de um Simon Bolívar. Tudo vai depender de como se é lembrado. Até se pode entender se criação, educação, meio ambiente, karma, operam a mágica que distancia um ser humano comum, altruísta ou gênio das artes, de um boçal irracional, todo poderoso ou comum marginal. O que é realmente difícil de entender é porque, em condições aparentemente normais de vida, algumas pessoas se matam. Danny Gatton, por exemplo: que caso intrigante. Matou-se na garagem de sua casa com um tiro na cabeça a um mês de completar 50 anos. Sem bilhete de despedida, sem justificativas, nada. Um tiro, um fim. Porque? Sua música é sempre pra cima. Sua obra maior, ao menos a que conheço, ‘New York Stories’ (postado aqui em novembro de 2007) é aquele típico álbum para encher nossos ouvidos e o espírito de alegria! Um álbum de jazz absolutamente feliz em todos os sentidos. O cara é, sem sombra de dúvidas um dos maiores talentos em seu instrumento (a guitarra) de sua geração. E, se ninguém ou muito poucos aqui no Brasil o conhecem, se não teve uma carreira festejada, consolidada pelos 4 cantos do mundo, seu estilo musical não dava a menor pista de que Danny era uma pessoa deprimida, angustiada, talvez, com um suposto não reconhecimento do talento. Definitivamente, Gatton também não era nenhum Kurt Cobain... Drogas? Talvez. Mas, analisando-o nas fotos, o cara aparece, via de regra, feliz, com seus cabelos glitter bastante fora de época, seu tipo gorducho fanfarrão – ele e sua turma de músicos, no palco -, divertindo-se, seus carros envenenados... Mal comparando, tal suicídio seria tão surpresa a nós, se americanos fôssemos, como o de um Lulu Santos (disse, mal comparando!) da cena nacional.
Enfim, Danny Gatton morreu em 4 de outubro de 1994. Nas buscas pela rede, sua biografia e/ou discos, não aparecem dando mole em qualquer loja/site/blog da esquina... Se não nos nossos, tampouco os encontramos facilmente (os álbuns) nas megastores virtuais – o Amazon tem um acervinho more or less. Mas o mais importante é o petardo que tenho a honra de dividir com os navegantes. Uma compilação oficial, extremamente caprichada e variada da obra de Danny Gatton, com 27 faixas irretocáveis. É desses álbuns raros, excelentes de cabo a rabo! Simplesmente não há faixinha descartável. Todas com o poder de deixá-lo, assim como eu, encafifado com a mesma questão: afinal porque esse doido estourou os miolos às vésperas de completar meio século de vida... Aproveitem, curtam. Não tenho a menor dúvida de que vão curtir! Mas se descobrirem alguma explicação para o suicídio, por favor, este fã aguarda ansiosamente a solução desse mistério.
E não deixe de conferir "New York Stories" postado mais abaixo, aqui no SS.


DANNY GATTON (HOT ROD GUITAR - THE DANNY GATTON ANTHOLOGY DISC 2)
 

sábado, 22 de dezembro de 2007

DANNY GATTON - NEW YORK STORIES - 1992




(Por volta de 22/12/2007 escrevi:)
Não tem história texto, resenhinha, blá blá blá. Se há um disco que adoro, esse disco é este aqui. E, bro, adorar é coisa séria. Tem um agravante: o disco é ótimo phoda e tal, excelentes temas, Danny Gatton é phodaralhaça. E a banda, então? Roy Hargrove, Joshua Redman... Ó, Ó, Ó!... Porém tem um som aqui... Como disse o álbum é excelente, mas tem uma canção que (...) Ia dizer o nome, faixa, mas não direi não. Ouve aí. Com o link baixa-se o álbum todo, mas, ca-rái, tem um som aqui que, puóótzsss!...

(02/02/08) COMO ASSIM, NÃO TEM HISTORINHA? COCHILEI!

Acabo de dar uma bela varrida na Rede atrás de mais informações (no português) sobre esse álbum. Simplesmente porque um discaralhaço-aço desses não pode ser tão obscuro. Tipo assim: né possível! E não é que encontro uma postagem de 07/04/07 no Jazzseen, jazzyblog o qual freqüento e sou muito fã, com uma indicação do amigo virtual John Lester, enchendo-lhe a bola? Quer dizer que o Danny Gatton se suicidou? Só dá doido nesse meio de gênios...

"As estórias de New York são sempre fortes: antes de se trancar na garagem e estourar os miolos com um tiro de 45, Danny Gatton viveu 49 anos. Aos nove já tocava a guitarra e, aos onze, já montava sua primeira banda. Como todo virtuose, Danny podia se dar ao luxo de tocar qualquer coisa e, para nossa felicidade, ele também tocou blues e jazz. Para os amigos navegantes, deixo a faixa Mike The Cat, retirada do excelente álbum New York Stories, gravado em 1992 para a Blue Note. Com ele, um time de primeira: Roy Hargrove (t), Joshua Redman (ts), Bobby Watson (as), Franck Amsallem (p), Charles Fambrough (b) e Yuron Israel (d). Como se poderia esperar de um grande instrumentista de jazz, Danny não deixou nenhuma explicação para seu suicídio. E a gente fica se perguntando: a vida é ou não é um improviso?" (John Lester)


O que me espanta nesse álbum, quando soma-se a ele a história do músico é que, o disco, não só este mas tudo que tenho desse artista é muito alto-astral! Música para arejar a mente e se sentir o resto do dia felz! Então como pode o autor serm mais nem porque (aí está o questionável: porques deve haver e a gente não sabe...) dá um tiro na cabeça e desiste de existir?! Eu jamais entendi o suicídio sem qualquer histórico de doença terminal ou algo grave q se justifique. Enfim, apeguemo-nos à obra.

DANNY GATTON - NEW YORK STORIES - 1992

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

WORLD TRIO (MINO CINELU, KEVIN EUBANKS, DAVE HOLLAND)



A união do percussionista francês Mino Cinelu, somada à compêtencia técnica e criativa do americano Kevin Eubanks (acoustic guitar), um monstro em seu instrumento, mais o arrojo de um dos mais importantes músicos de jazz vindos do velho continente, Dave Holland, trouxeram à cena um projeto extremamente etéreo e instigante o World Trio. O álbum homônimo foi produzido e lançado em 1995. Leia abaixo a crítica no allmusic.com.

This intriguing set features percussionist Mino Cinelu with Kevin Eubanks (on acoustic guitar) and bassist Dave Holland. They perform four Eubanks songs, three by Holland, and two from Cinelu, music that ranges from exotic sounds to light and creative funk grooves. It is quite intriguing hearing Eubanks sticking exclusively to his acoustic guitar and Cinelu adds plenty of catchy yet unpredictable rhythms. However, Holland often takes solo honors and he usually holds the group together with his authoritative and flexible sound. Very interesting music that's worth listening to closely several times.

by Scott Yanow

Para marinheiros de 1ª viagem, no som, decidirem se vale a pena embarcar, deixo a faixa The Whirling Dervish”. Boa audição.

Clicaki pra baixar

domingo, 9 de dezembro de 2007

TOM HARRELL (WISE CHILDREN)


Álbum matador! Ou: Eletrificaram o jazz de Mr. Lester! Ou: Que discaralhaça-aça-aça...! Ou: urre* você mesmo a sua própria interjeição!

“I believe it was Frank Zappa who said " Writing about music is like dancing about architecture* " - meaning that often words fall short in describing music as it is such a unique invisible entity. That sentiment expressed, I find the latest release 'Wise Children' from Tom Harrell to be an exceptionally fascinating varied selection of jazz themes that once again reaffirms Mr. Harrell vast talent for composition, arrangement and displays his brilliant trumpet and flugelhorn abilities. On this exceptionally recorded release Mr. Harrell works with his current ultra-tight quintet [ also featured on the excellent 'Live at the Village Vanguard' cd ] accompanied on most tunes with additional support incorporating a wide variety of instruments including congas, violins, cello, accordion and even a kalimba and balafon. On four separate tracks four female jazz vocalists, including Dianne Reeves and Cassandra Wilson, contribute with their remarkable talents.”

*Como aperitivo, clicando o "urre" você baixa a faixa "See you at seven" do mesmo álbum, só pra ter uma idéia do que pode vir por aí.

*Essa eu entendi: “Escrever sobre música é como dançar sobre arquitetura” concordo em GNG, seu Zappa!

Aqui, no site do Amazon, você pode importar e/ou ler o texto acima completo. Aliás, quando um disco não é encontrado no Amazon, corra os sebos.

Sobre o artista:
Um dos mais importantes trompetistas das duas últimas décadas, Tom Harrell luta diariamente contra uma esquizofrenia que só não o abate quando está no palco. Harrell nasceu em Urbana, Illinois, em 16 de junho de 1946, e foi criado no norte da California, onde ele começou a tocar semi-profissionalmente, quando era adolescente. Ele cursou a Stanford University, antes de tocar com Stan Kenton em 1969, ele tocou nas bandas de jazz-rock Cold Blood e Azteca. Harrell na sequência, tocou com Woody Herman (1970-71) e Horace Silver (1973-77) e se mudou para New York na metade dos anos 70. Depois de deixar Silver, Harrell tocou Chuck Israel, Arnie Lawrence, Gil Evans, Cecil Payne, Lee Konitz, George Russell e Phil Woods, e participa também na Liberation Orchestra de Charlie Haden. Harrell é um instrumentista tecnicamente refinado, que escreve canções engajadas. Nos anos 80 ele gravou para vários selos independentes, mas depois que assinou com a RCA/Novus nos anos 90, passou a fazer trabalhos com quintetos, bandas e a fazer arranjos para cordas. "Você escuta que tudo já foi feito," Harrell disse ao jornalista Bob Blumenthal na Down Beat. "Mas eu não penso assim. Ainda existem novas possibilidades e pessoas que participam naquilo que você está fazendo. Você só tem que descobrir os mágicos espaços que estão dentro da música."

FONTE DA BIOGRAFIA: CLUBE DE JAZZ
Aqui ficha técnica no allmusic.

Clicaki pra baixar.

sábado, 1 de dezembro de 2007

SOFT MACHINE (VOLUMES ONE e TWO)





O Soft Machine foi uma das maiores instituições inglesas do rock nos anos 60 e 70. Berço de incontáveis músicos talentosos e com uma história cheia de acidentes. O grupo foi um dos percussores do rock psicodélico na Inglaterra, não satisfeitos, seus membros mergulharam de cabeça em um som muito peculiar, com traços de free jazz, psicodelia e progressivo. Inspirado no livro do escritor beat William Burroughs - de quem roubaram o nome. Foi, também um dos inauguradores do depois batizado "som de Canterbury". Saiba um pouco desse grande legado agora.
O australiano Daevid Allen e Robert Wyatt se conheceram em 1961, quando Allen, aluga um quarto para Waytt, em Lydden (Inglaterra). Logo percebendo que tinham um interesse mútuo pelo jazz (em especial Charles Mingus e John Coltrane) começaram a ensaiar uma formação sob o nome de Daevid Allen Trio, completado pelo baixista Hugh Hopper e tendo o pianista Mike Ratledge como convidado, isso ainda no idos 1963.
Ao mesmo tempo, Wyatt formou o Wilde Flowers com os irmãos Hopper, Hugh e Brian. A formação também incluía Kevin Ayers nos vocais, mas ele deixou o Flowers em 65. A idéia de formar o novo grupo, que daria forma ao Soft Machine, partiu de um encontro de Allen e Kevin Ayers com um milionário texano chamado Wes Brunson, em Mallorca, Espanha. Brunson, um excêntrico, concordou em financiar os Wilde Flowers, o que permitiu aos jovens comprarem novos instrumentos e alugar um point em Canterbury, em troca disso, Wes, receberia uma porcentagem das bilheterias dos futuros shows, dinheiro este que ele nunca viu. Nada de golpe! O excêntrico Brunson acabaria tendo um destino, no mínimo, de cartoon de Hanna & Barbera: durante os dias de férias na Espanha, ele tentava pular na frente de carros (coisa de rico) e caminhões (coisa de pobre) e obrigá-los a parar (coisa de bilionário todo poderoso). Até que, em um belo dia... O belo foi pura força de expressão.
Em agosto de 1966, sob o nome de Soft Machine, inspirado em um livro do escritor William Burroughs, nascia o grupo com Kevin (baixo e voz), Daevid (guitarra e voz), Robert Wyatt (bateria e voz) e Mike Ratledge (teclados).
Acontecia então os dias da Swingin' London e o Soft era figurinha fácil em clubes como UFO e Roundhouse, onde dividiam o palco com o Pink Floyd, liderados pelo então alucinado Syd Barrett - ele e Allen, aliás, viraram grandes amigos de esbórnia e despirocação... E foi vendo Syd tocar que Allen inventou a técnica do glissando*, que consiste em tocar a guitarra com uma pequena barra de ferro tipo o slide, mas reproduzindo o som de cítara.
Os shows eram verdadeiras viagens, com adições de luzes, levadas de bateria e climas lentos e hipnóticos e o grupo improvisando no palco por horas a fio. O show mais memorável aconteceu quando tomaram parte de um evento organizado pelo jornal underground International Times, batizado de 14 Hour Technicolor Dream, o Soft tocando ao lado do Floyd.

Foi durante uma viagem para St. Tropez, na França, que se dá um incidente que marcaria a formação do grupo. Daevid Allen, australiano de nascimento, teve seu visto de entrada negado quando tentou voltar à Inglaterra, por ter trabalhado ilegalmente no país. Daevid opta por permanecer na França, onde montaria tempos depois, o Gong. Bem, e o Gong, é outra longa história pra outra ocasião... O restante do SM segue como trio.
Em fevereiro de 1968, realizam turnê de três meses pela América, abrindo para ninguém menos que The Jimi Hendrix Experience.

Aproveitam a viagem para a América e gravam seu primeiro disco (One), em Nova York, produção dividida entre Tom Wilson (Bob Dylan) e Chas Chandler (ex-baixista dos Animals e produtor do dois primeiros álbuns de Hendrix).
No final de abril o grupo volta para Londres e em maio conseguem um novo guitarrista: Andy Summers, um moço aí que no futuro ficaria famoso ao tocar num certo The Police. Summers já era rodado na época, havia tocado nos grupos Zoot Money's Big Roll Band, Dantalian's Chariot e até no Animals, de Eric Burdon, e foi recrutado para a segunda parte da turnê norte-americana durante os meses de julho até setembro.

Ao final do giro, Wyatt resolveu ficar em Nova York para trabalhar com Hendrix, enquanto Ratledge e Ayers voltaram para a Inglaterra. Em dezembro Summers também pula fora do barco. Como Ayers não foi encontrado, a saída foi chamar de novo Hugh Hopper.
Convidam para as gravações e apresentações Brian Hopper, irmão de Hugh, para tocar sax tenor e aos poucos, o grupo vai evoluindo em direção ao jazz e a um som mais elaborado, que acabaria fazendo da banda o principal expoente do "Canterbury Sound", que teria outros importantes representantes como o Caravan, Gong, Hatfield & The North e National Health (esta liderada por Bill Bruford), entre outros.

Um show histórico dessa fase aconteceu no dia 27 de março, no London 100 Club, quando receberam o convite de Syd Barrett, que queria a participação do trio em seu disco-solo, The Madcap Laughs.
Em abril é lançado Volume Two, o segundo disco do grupo e logo após o lançamento, ganham outros integrantes, com a adição de músicos do grupo do estupendo pianista Keith Tippett (ex King Crimson): Elton Dean (sax alto), Marc Charig (trompete), Nick Evans (trombone), além de Lyn Dobson (sax e flautas). Assim, o grupo era agora um septeto, ainda que por poucas semanas, e dessa maneira gravaram um programa na BBC e fizeram shows na França, no final do ano.

O grupo começa a ganhar fama no circuito europeu de jazz. Fizeram dezenas de shows na Inglaterra, Bélgica, Holanda e França. Em dezembro é lançado o primeiro disco solo de Kevin Ayers, Joy Of A Toy, com participações de Wyatt, Mike e Hugh, juntos, nas faixas "Joy Of a Toy continued" e "Songs for Insane Times". Separadamente, cada um participou em outras faixas.
Em 3 de janeiro de 1970 é lançado o primeiro disco-solo de Syd Barrett, Madcap Laughs, com participação do trio Hopper-Wyatt-Ratledge na faixa "Love You".

No dia seguinte, o quinteto Elton Dean, Lyn Dobson, Hugh Hopper, Mike Ratledge, Robert Wyatt, toca em Fairfield Hall, em Croydon, e algumas dessas partes seriam usadas no novo disco do grupo. Seria o nascimento da grande obra-prima do Soft Machine e um dos mais importantes álbuns do gênero que passaria a ser conhecido como rock progressivo, nos anos 70: Third.
Bem, mas o Third, sozinho, já é outra longa história. Encerremos então a primeira parte da retorspectiva Soft Machine com o Duplo (Volumes One & Two). Ufa, neguinho! Se foi cansativo editar esse texto, imagine contar toda história... Mas cada segundo perdido pelo leitor, na audição, será regiamente restituído com correção.
Fonte: Mofo (és amarradão em música? Ponha esse blog nos favoritos).
Clicaki pra baixar o One
Clicaki pra baixar o Two
* (04/12) Nos comentários desta postagem, o amigo e experiente guitarrista, Edson do blog Gravetos & Berlotas, explica corretamente o que vem a ser glissando.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

NUCLEUS - ELASTIC ROCK



Alô, alô. 1,2,3... 1,2, 1,2... Teste, tesssste... Vamos testar: O álbum acima apresentado me foi indicado por um amigo virtual de Vitória - ES, o John Lester, nas horas vagas, saxofonista, que comanda um blog o qual volta e meia o leitor verá citado aqui. O Jazzseen. Não é preciso ser muito instruído em música para saber que jazz é o gênero cujos seus admiradores são os caras mais exigentes e pouco afeitos a digressões que há. Pode parecer um contra-senso. Qualquer leigo acredita que jazz é sinônimo de improviso e todo o tipo de inovação. Nessa direção, aliás, cometem-se - para um verdadeiro fã de jazz “comete-se” - festivais como o Tim Festival e eventos do gênero. é o mercado tentando iludir os desavisados que, sendo diferente, alternativo, cool, pode ser elencado num festival como sendo Jazz ou, no mínimo, uma alternativa derivada do jazz. Fiquemos então com quem conhece sobre o que escreve (evidentemente, sem dizer que a voz do home do Jazzseen é a voz de deus) :

(...) “Foi no primeiro Rock in Rio, quando meus tímpanos se romperam com os tiros de canhão do AC/DC, (...) que resolvi me dedicar com mais determinação ao jazz, esse tipo de música que não requer fantasias nem maquiagem, mas tão somente o músico e seu instrumento acústico. No jazz, pode até faltar energia elétrica. E concordo que hoje sabemos que tudo depende de como definimos jazz. Ou rock. Eu já disse mais de uma vez e repito: tudo está no ritmo. A definição de jazz, samba ou rock, já que impossível em palavras ou partituras, deve se basear no ritmo, na batida, na pegada, coisa que somente o ouvido poderá fazê-lo adequadamente. Obviamente que samba não é jazz e, por outro lado, rock também não é jazz. É por aí que excluo a fusion do meu mundo de jazz, preferindo alocá-la na prateleira mais próxima ao rock. Claro que podemos reservar um nicho específico nessa estante para a fusion, essa coisa criada, dizem, por Miles Davis no final da década de 1960 com suas In a Silent Way Sessions. O insosso e cansativo álbum (duplo meu Pai eterno!) Bitches Brew, também de Miles, é considerado um marco nesse terreno extremamente chato do chamado jazz rock ou fusion.

Aliás, a pior fusion é, sem sombra de dúvida, aquela produzida por bons músicos de jazz, como Herbie Hancock, Wayne Shorter, Joe Zawinul, Donald Byrd ou Chick Corea. Esses músicos fantásticos são formidáveis tocando jazz acústico, mas soam lamentáveis fazendo rock, elétrico por definição. A recíproca já me atrai: gosto de alguns bons músicos de rock tentando tocar jazz. Fiquemos apenas com um exemplo que eu recomendaria ao amigo visitante: Nucleus, um conjunto de rock inglês formado por Ian Carr (t), Karl Jenkins (bs, oboé, p), Brian Smith (ss, ts, f), Chris Speedding (g), Jeff Clyne (b) e John Marshall (d). Vale notar que os grupos de rock não têm problemas alguns em lidar com o poder da eletrônica, coisa tratada com certa indecisão pelos conjuntos de jazz. É para bater? Que se bata com força. E foi assim que o Nucleus saiu vitorioso do Montreux Jazz Festival de 1970, ano em que gravou seu excelente álbum Elastic Rock, cujo título diz muito. Em julho desse mesmo ano, já em New York, o grupo se apresenta no Village Gate para uma platéia estupefata, que se perguntava que música era aquela: não era jazz, não era rock. Talvez apenas Roland Kirk, que estava sentado na primeira fila, soubesse responder. Deram-lhe o nome de jazz rock. Como a maioria dos bons álbuns de jazz rock, Elastic Rock deve ser ouvido na íntegra, já que a audição de apenas uma faixa equivale à leitura de apenas um capítulo. Com o álbum teremos uma breve amostra do que é fusion: bons músicos de rock tentando tocar jazz. Boa audição e não se esqueça: evite álbuns de músicos de jazz tentando tocar rock!"
Clicaki pra baixar.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

TRAFFIC - LOW SPARK OF HIGH HEELED BOYS


Vamos ser bem francos: quem está com 38/39, na fronteira dos enta e nunca viu esta capa numa loja de discos do tempo dos LPs, ou ouviu falar neste Traffic (du bom e do bem), “Low spark of high heeled boys”, ou na própria banda, está na hora de rever o passado. Rever o que deixou passar batido, os momentos mais relax de paz e tranquilidade... O que fazias, afinal, enquanto subestimavas o prazer de, por exemplo, curtir um bom disco em boa companhia? Estudando, trabalhando, não tinha tempo pra essas futilidades artísticas? Ah, claro... Tinha o vestibular, o emprego de auxiliar administrativo no banco (eu também já fui boy, meu camarada!), uma vida pra ganhar... Mas se (ainda) pensas assim, o que fazes aqui? Não na Terra, claro! Nem tanto ao mar, nem tanto a serra! Mas aqui, neste Blog! Pois aqui, parceiro, jazz (pura força de expressão) um álbum que nem os meus amigos mais radicais na vizinhança do Jazzseen rejeitariam! Simplesmente porque isto aqui é música maiúscula! É jazz, é rock, é blues, é folk... É, acima de tudo, um álbum feliz! Certamente o álbum mais feliz dessa banda fantásica. Mais que isso: talvez o disco mais feliz de toda uma geração! E dizer de seus integrantes... a importância que essa galerinha, voando em campo/palco/estúdio como um legítimo escrete canarinho dos 70 (o álbum é de 1971), seria chover no molhado. Porque? Sinceridade?... Se o amigo, entre 39/40 e tantos, só ouviu falar em trafic de escravas brancas, no das drogas ilícitas e etcéteras mis-ruins, o que adiantaria contar da formação da banda de onde vieram, para onde foram? Isso é mero detalhe*. O que o amigo deve fazer neste exato, é baixar este álbum, ouvir até cansar o raio lazer do aparelhinho – porque cansar você da obra, como diria Vivi, minha secretária para assuntos do lar, “é rim, hein!”.
E já que estudou, trabalhou, enfim, ralou feito um condenado pro conforto futuro, não tendo nem tempo pra curtir um Trafficzinho de quando em vez, ganhou sustância financeira, certo?, justo para, entre as becas maneiras e tênis de grife, encomendar o álbum legítimo! O importado, pois o nacional, duvido muito que ainda se encontre no mercado... Ainda duro? Quer saber? Eu também. Acontece nas melhores genealogias. Não estressa! Tente os sebos. Aproveita, faça um exercício. levanta-te e anda, rapaz! Mas, por hora, boa audição.
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* "mero detalhe" importante. Clicando no link no texto, o histórico do disco estará a disposição do interessado.
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Quarta feira 28/11: é com satisfação que informo: este álbum está batendo recordes de downloads! Porém houve um probleminha na hora de upá-lo, neguinho... Ficou faltando a versão, original, track 03, de Rock & Roll Stew. A que aparece até antes do dia 28, é uma versão alternativa. Em breve, hoje ainda, o link acima estará hospedando todo álbum e bônus. E este complemento, servirá apenas pra quem baixou antes da data do Recall. Mil perdões (pronto, link restabelecido e zerado extamente às 11:54 em 28/11).