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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

CONCERTO PARA TELA REDUZIDA E IDEAIS AMPLIFICADOS...

ASSIM É SE LHE PARECE...


Minha postagem de ano novo não poderia deixar de falar das coisas que vem me ocupando os miolos desde que parei pra pensar na vida... E pari um problemão. Não, porque esse negócio de parar, mesmo sendo pra pensar, pode ser infeccioso - pro bem ou pro mau. Você pode não se ocupar tanto mais da vida prática, esquecer que tem um monte de obrigações pra respeitar, também. Inda mais, se já na teoria, consideras a prática chata pra carái! Mas hoje dei uma parada no blog de uma de minhas musinhas, Gabi Galvã e... - eu tenho muitas, viu?, Gabi: Jo, Maya, Pavitra, Bruna Bo, Quietinha e ainda uma filha virtual que me ocupa e me diverte e que é a coisa mais importante da minha vida. Mas essa não cito pra já não encabulá-la mais. Ela sabe bem quem é, né Bijunga?

Hum, hum... Enfim, pensei sobre o que li no blog de Galvã:

"Se

Se ñ existe, neh?! Mas se... Deus existe, ele pode ñ ser justo, mas que tem um senso de humor do cara.lho (escapuliu!), mesmo!,ah... tem!!!"

E conclui:

Mas, Gabi, enquanto o homem comum encasquetar em personificar o Divino, sem entender que, existe sim uma consciência cósmica universal que se expande e se retrai, tão simplesmente como o ato de respirar, ao mesmo tempo tão complexamente como a própria Vida! Enquanto a gente ficar vestindo batinhas brancas num sujeito barbado (quase um papai noel saradão de uns 33) que castiga e premia e que a tudo vê, como se fôssemos um rebanho de cordeiros a pastar, essa crença só nos vai levar a esse mesmo inferno astral ao qual até já estamos acostumados. Quanto ao senso de humor desse meu Deus que deve ser o seu também, se é pra personificá-lo, prefiro imaginá-lo como uma mistura de Shakespeare, Bocaccio e Edgar Allan Poe. Imagina esse trio numa só consciência, criando e conduzindo a cena... Quanto terror, humor e drama a gente ainda é capaz de experimentar? E a mistura é muito menos absurda. Em se tratando de vida, a criação é obra dos gênios, não coisa pra amador. E se assim é se lhe parece aos homens, esse Deus (com D de dono) choroso aí de cima, quase um telespectador que, por misericórdia, só faz se emocionar e rogar umas pragas, deixemos pra nós mesmo a (p)arte da comédia pastelão...

Em tempo: claro que quando a ficção se passa no Brasil, os gênios a quem credito a inteligência da criação, convidam um certo Nelson pra cuidar do caso especial.

domingo, 2 de novembro de 2008

GERAÇÃO COCA-COLA É ISSO AQUI



27/05/2009 ATENÇÃO: O EPISÓDIO (O FILME É CONSTITUÍDO DE HISTÓRIAS DISTINTAS) PODE SER VISTO (INTEIRO!) AQUI NESSAS DUAS JANELAS DE VÍDEO.

Vale fechar questão com frase ilustre do ilustrado, incensado, cultuado... Gurdjieff:

"A meu ver, pode-se perfeitamente transmitir a quintessência

de uma idéia por meio de anedotas e ditos populares,
elaborados
pela própria vida." Pois é, seu zéff.

sábado, 1 de novembro de 2008

Cedar Walton (Eastern Rebellion, Vol. 1) 1975



Resenha de Scott Yanow (allmusic.com) no final da postagem.

... E, continuando a saga "sem o menor talento para"... analisar, definir, sequer divagar sobre música (a boa, claro), mais um álbum que prova o clichê máximo "casa de ferreiro, espeto de
pau". Bem, nesta postagem, pra variar a invariável falta de tino pro assunto, bateu-me uma idéia criativa - ah isso hão de concordar! - de buscar algumas definições dos grandes gênios da humanidade pra fazer as honras da casa...

E as melhores definições sobre a (boa) música são!...

"A música é a revelação superior a toda sabedoria e filosofia." (Beethoven)

"A boa música nunca se engana, e vai direita, buscar ao fundo da alma o desgosto que nunca devora." (Stendhal)

"Os músicos não se aposentam - param quando não há mais música em seu interior."
(Louis Armstrong)

"Onde há música não pode haver maldade." (Miguel de Cervantes)

"A arquitetura é uma música petrificada." (Arthur Schopenhauer)

"Depois do silêncio, aquilo que mais aproximadamente exprime o inexprimível é a música." (Aldous Huxley)

"O vaso dá uma forma ao vazio e a música ao silêncio." (Georges Braque)

"Digo que minha música vem da natureza, agora mais do que nunca. Amo as árvores, as pedras, os passarinhos. Acho medonho que a gente esteja contribuindo para destruir essas coisas." (Tom Jobim)

"É com a música que fazem as suas declarações de amor o rouxinol e a cigarra, o cisne e a águia." (Paolo Mantegazza)

"A música é o barulho que pensa." (Victor Hugo)

"Aprender música lendo teoria musical é como fazer amor por correspondência."
(Luciano Pavarotti)

"Quis escrever músicas que fizessem as pessoas sentirem-se bem. Música que ajuda e cura, porque eu acredito que a música é a voz de Deus." (Brian Wilson)

"Não sou eu. São as músicas. Eu sou só o carteiro. Eu entrego as músicas." (Bob Dylan)

"Alivia toda tua mágoa com o vinho e a música." (Horácio)

"A música está em tudo. Do mundo sai um hino." (Victor Hugo)

"Eu nasci com a música dentro de mim. Ela me era tão necessária quanto a comida ou a água." (Ray Charles)

"Sem a música, a vida seria um erro." (Friedrich Nietzsche)

"Música antes de mais nada." (Paul Verlaine)

"O amor ensina música." (Erasmo de Rotterdam)

Não resisto, vou pirar! A música - essa descrita nas palavras dos ilustrados - a mesma que flui feliz da feliz união Cedar, Sam, Coleman & Higgins, tem um Q de perfeição e um A de eterno nas porções exatas. Só entende quem conhece ou escuta para avaliar.

Mas agora encafifei aqui com outro negócio ilógico - nada mais a ver com
Eastern Rebellion, aliás. Seguinte: se não há Q em perfeição ou A no eterno isto quer dizer que na perfeição, a eternidade não encontra terreno fértil para fluir, não é lógico? Claro! Produto perfeito é produto acabado. Tanto que a ele aplicamos um conceito fechado. Pois é, rapaz, sabe que ainda não havia pensado nisso antes? Hora de perguntar se existe, no conceito produto, algo mais perfeito e bem acabado do que Coca-cola. Existe? Pensa... Inclua em seus pensamentos a dicotomia, "da inutilidade ao êxito globalizado"... Muito antes desse mundo se tornar este self-se quem puder! Pensou? Então é isso aí! Já dizia um gênio da publicidade que não quis aparecer.

Bem, o que é produto perfeito já sei, faça-se um silogismo música/produto e ficarei a meio caminho andado na hora de separar o joio do trigo. Agora é sair correndo a avisar da descoberta o Marcelo D2 pra ele insistir nos comerciais de refrigerante porque é lá que ele - que assume a busca da batida perfeita - encontrará algo próximíssimo à panacéia! Um tipo jingle music vintage perfeito entre o H2O engarrafado e o velho Rum Creosotado.

... Eu disse que ia pirar, pô! Leste porque quiseste, Lester. Então, pra fechar questão, a melhor definição para essa música que ouvirão em
Eastern Rebellion, deixo aos cuidados e aos costumes do grande estadista, filósofo, líder máximo das Latina'méricas:

"Porque no te callas!"

(d'O Criador) com autoridade - e diga-se, nunca tão ponderado.

CEDAR WALTON (EASTER REBELLION VOL.1) Link restaurado

Date: December 10, 1975
Location: C.I. Recording Studio, New York City
Label: Timeless

George Coleman (tenor sax), Cedar Walton (piano),
Sam Jones (bass), Billy Higgins (drums)


a-01 Bolivia - 10:10 (Cedar Walton)
a-02 Naima - 8:37 (John Coltrane)
b-01 5/4 Thing - 7:53 (George Coleman)
b-02 Bittersuite [aka Bittersweet] - 6:54 (Sam Jones)
b-03 Mode For Joe - 7:51 (Cedar Walton)

All titles on: Timeless LP 12": SJP 101 — Eastern Rebellion
Timeless/Muse LP 12": TI 306 — Eastern Rebellion
Timeless CD: CD SJP 101 — Eastern Rebellion

No allmusic sobre o álbum:

This CD reissue brings back a classic set featuring four giants of the modern mainstream: pianist/leader Cedar Walton, tenor-saxophonist George Coleman, bassist Sam Jones and drummer Billy Higgins. All five performances are noteworthy, particularly a definitive version of Walton's most famous composition "Bolivia," Coleman's tricky "5/4 Thing" and Jones's boppish "Bittersweet." The veteran musicians all sound quite inspired on this advanced straightahead set. A gem. (Scott Yanow)


segunda-feira, 27 de outubro de 2008

AÇÃO É SÓ O QUE EXISTE



Passa uma Borboleta

Passa uma borboleta por diante de mim

E pela primeira vez no Universo eu reparo

Que as borboletas não têm cor nem movimento,

Assim como as flores não têm perfume nem cor.

A cor é que tem cor nas asas da borboleta,

No movimento da borboleta o movimento é que se move,

O perfume é que tem perfume no perfume da flor.

A borboleta é apenas borboleta

E a flor, apenas flor.


Fernando Pessoa


Que bela poesia, pessoal, Pessoa nos deixou! Então o "LUTO" cá embaixo é verbo intransitivo! Ou ainda, expressão transitória, entre o pesar e agir. No fim das contas o que conta é a ação.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

É MAIS LÁ EM BAIXO O BURACO



(...)"E é por isso que eu não consigo entender como algumas pessoas são tão egoístas e gostam de viver sozinhas. Quer dizer... Eu não sou das pessoas mais sociais possíveis, mas eu tenho amigos e algumas pessoas que me rodeiam são de extrema importância pra minha formação a cada dia. Se não fossem elas, talvez eu não fosse como sou hoje. Assim como o que escrevo, se não fossem as pessoas, eu só teria uma interpretação de mim mesma." (Kari)

O outro é o fim e o princípio de tudo na vida, companheira. Egoístas, estúpidos, são aqueles que pensam apenas o indivíduo como um fim. Se ser algum (inclua-se os vertebrados) é capaz de procriar sozinho, também se torna incapaz até de matar se assim o desejasse. Que finalidade pode haver em matar, não houvesse o algoz que merecesse o fim? Que prazer até no sexo, o solitário encontraria, não houvesse a perspectiva do desejo ao lado, por de trás do buraco da fechadura? Um indivíduo só, não necessita nem atmosfera simplesmente porque não há quem orbite! E sem atmosfera, que clima insosso fica nisso, não? Nem tampouco sustentação se pode ter, afinal, no vácuo, as leis tendem à parte alguma. E não ouse discutir a essencialidade das leis, anarquista! Afinal, já reinavam absolutas muito antes do primeiro símio-esperto acreditar que leis foram criadas para serem burladas. Ou uma pior!, a mais egoísta: que só porque micus erctus é espertus, a fuça sonsa que ostenta é imagem e semelhança do criador! Ora, para um pé de alface o regador é Deus!

Não vemos porque nossa vista não alcança. Mas aquele buraco universal, voraz que deseja e depois suga, engolindo todos os corpos em volta, é a maior definição que encontro de um egoísta. Primeiro ele atrai, cumula-se de tamanha energia vital, a si mesmo insustentável, infla-se no vazio... até o momento em que, desnecessário à vida, implode trazendo todos os corpos de volta à luz. Ou melhor, trazendo luz aos corpos que ressurgiram de um suposto vazio. Assim como os buracos negros, o egoísmo talvez tenha importância vital no processo. Egoísmo, olha só que curioso!, possa ser que seja mesmo um mal necessário, vai entender... Phoda é imaginar um universo feito só de buracos negros e egoístas. Atrairiam mais o quê, para o seu inferno particular interior? E pensando a gente, que merda isso de conquistar para eclipsar depois, né não? Porque não guardar a prática aos fenômenos naturais os quais nossa vista, muito menos a van filosofia alcança? Sim. Digo bem van, em tudo lembra uma besta.

Vejam um exemplo prático de um egoísta em ação nos noticiários: Inconformado com o abandono, o astro, Lindenberg, 22, na rota de colisão com a natureza, seqüestra a namorada Eloá, 15 anos. Nas negociações com a polícia, o buraco negro da estupidez ,tratou a volta de outro corpo que orbitava o casal, Naiara... 18 horas mais tarde, da janela do cativeiro, Naira pede calma aos familiares.

Eu não vejo porque as pessoas teimam em não associar pequenos amadores da boçalidade, com os grandes algozes da humanidade, tipo Hitler, Mao, Osama, Chávez, Zé Dirceu, gente que atira filhos pela janela... Apoiam-se em que? Na dimensão do delito? É por isso que tento radicalizar na ética em tudo que diz respeito à vida em sociedade. Dos princípios mais básicos, nunca atravessar na frente do direito de um outro cidadão, à forma como encaro qualquer conduta criminosa. É claro que ninguém aqui é santo! Mas minha tolerância com egoístas em essência é zero! Simplesmente porque meus direitos conquistados são tão sagrados quanto os de todos os demais. Quer razão mais justificável? Então é em mim que penso, afina! Repito: o outro é o fim e o princípio de tudo na vida, companheiros*. Parece complexo, contraditório, mas depois que se acostuma fica molinho manter-se na sentença que é de vida. Uma sentença de vida em comum acordo com a natureza.

Ao contrário do que disse certa vez o Jabor “a burrice continua intacta”, acredito que a burrice é camaleoa, podendo se tornar muito atraente em determinados momentos da história – quem não vê beleza ou sente-se atraído, por exemplo, no negro da paisagem na foto? Mas tem um porém (sempre tem, no mínimo, um)... Egoísmo + burrice igual a... Diz daí, Aldir Blanc: “Teve assalto estupro, bomba, bala que não foi normal, mas só morreu no conflito, maninha, o pacifista local”.

Até aqui, dedicado ao fragmento (1º parágrafo, entre aspas) do texto de Kari Mendonça

Aliás, Kari, desconfio com meus 2 pés - atrás e na base - das pessoas mais sociais possíveis. Gosto mais dos meus poucos, fieis e sinceros amigos. Se me contrariarem é porque, certamente, dei a eles bons motivos.

*Já, este recado, é dedicado a uma pessoa muito especial que conheço apenas virtualmente. Mas com a troca de idéias se tornou uma das pessoas mais especiais pra mim. Pense bem, Jo, a máquina é simplesmente o veículo que nos mantém conectados. O que importa não é a máquina, mas a conexão! Então, vai daqui, na íntegra um e-mail que te passei outro dia e que diz exatamente como venho tentando levar minhas amizades:

Jo, eu sou um egoísta. Um maldito de um egocentrista! Então é pro meu benefício esse desejo: eu preciso, somente pro meu bem estar, apenas para a minha vida ficar melhor, que você fique bem! Você acabrunhada, com seu filho adolescente por perto, recebendo e percebendo o seu abatimento, não interessa nada aos meus propósitos de felicidade. Quer dizer, no fim, é em mim que eu penso o tempo todo, tá vendo? Sou um filho da puta egoísta, Jo! Então, o Eu mandão, aquele senvergonha de dizer, "me obedeça!", esse EGO do tamanho do planeta, espera que você já esteja digerindo o que considerou, talvez, o fracasso do ano. Se isso já está acontecendo, perdoe a intromissão. Perdoe, também, o fato daquela conexão que inventei num único objetivo interesseiro de me aproximar de você, maldito mentiroso!, não estar funcionando hoje. Você triste, é provável que ela não funcione nunca. De que me adiantaria? Vê como só penso em mim? Enfim, se já passou ou está passando a fase das lamentações, considere apenas que sou um egoísta e agora pode me deixar em paz.

Por minha vez continuarei me concentrando em você, pensando no seu bem, só porque a mim Me faz bem.


Em tempo: acaba de acabar o seqüestro das duas adolescentes. Lindenberg, buraco negro da vez, desta vez e de uma só vez, pode ter levado uma das meninas, corpos vivos celestiais, pro fundo de seu poço raso e vazio. Felizmente, não tão solitário e vazio quanto o dele próprio.

sábado, 4 de outubro de 2008

A Revanche


E se fôssemos capazes de inverter o caráter das palavras? Não estaríamos bem próximos de cumprir uma puta missão nesse mundo? Puta que pariu essa idéia! Comecemos por "vingança", que tal? Da vingança à ação. Afinal, o que seria (no sentido, nem é mais) a vingança, senão uma ação contrária em força e proporção?


Quando me tiveres lido - disse André -, joga fora este livro e sai. Gostaria que te tivesse dado o desejo de sair. Do que quer que seja, tua cidade, tua família, de teu quarto, teus pensamentos. Não leves meu livro contigo. Se fosse para te conduzir, tomaria a tua mão direita - a esquerda a teria ignorado - e te diria, esqueça-me. Que meu livro te ensine a te interessar mais por ti do que por ele próprio - depois por tudo mais - mais do que por ti. (André Gide)

Eis-me na essência (em teoria).

É difícil? Mas quem disse que seria seria fácil? Pratique, féla!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O dia em que Emanoel deu de pensar ou "O culpado é o bom senso"




O culpado dis...(Fecha a braguilha e sai. Disfarça) O culpado disso é esse imenso mar de gente a sua volta, pensando e desejando tudo ao mesmo tempo agora. Resultado, para a mais natural transgressão, haverá sempre uma testemunha ocular do fato. E da foto, nesses tempos de "sorria!"... Mas quem disse que não há espaço também pra isso, ou qualquer outra liberdade? Só que o seu termina onde começa o dos outros...(É braguilha ou barriguilha? Eu sempre fiz confusão com essa palavra) E essas fronteiras são determinadas por uma expressãozinha chave mestra, de nome bom senso. Com ela, toda e qualquer porta se abrirá sem abracadabra, sem senha particular, sem QI - de quem indica... Sem nada além do coeficiente de inteligência, porque, no bom senso (Sorria, agora é sério, você acaba de adentrar o 2º restaurante mais fino da cidade, agora vá acabar o que tinhas começado ali na arvore) a inteligência é primordial. Não há mágica no bom senso. O próprio princípio já é a magia. No bom senso não se está de posse de nada. Nada que outro ser sensato também não tenha acesso (Caramba, ocupado?... Tudo bem, mas, mija rápido, ô bacana...). Portanto tudo, no bom senso, é de todos! Com ele, esse coringa que bate e substitui todas as cartadas dos insensatos, é-se capaz de se ter tudo o que se deseja. Por que não? (Porque esse riquinho não abre a porra dessa porta? Tá evacuando? Mas logo agora? Isso é hora de rico sofrer um piriri?) Por exemplo: há bom senso no trânsito caótico urbano? Buzinas, eu, você... Buzinamos todos com bom senso enquanto há trocentos carros, com a mesma pressa e o sinal está fechado prá nós, que somos jovens? E mesmo que ele abra... Quem disse que tens a preferência? Sua pressa é mais urgente do que a de quem está a seu lado? (Pior que é, caralho! Sai logo daí, mauricinhoi dos infernos!) Bom senso é phoda, parcero... Porque ele está sempre pronto a te mostrar aquele tal outro lado, que na maioria das vezes você despreza. E o outro lado é tão simplesmente, outro ser que deseja! Melhor! Que necessita, ser, na maioria das vezes, tão cheio de urgências, quanto você (Mas nem por um caralho, esse daí o é!...). No trânsito, então, porque a pressa? Óbvio! Porque alguém, sem senso comum, numa escala hierárquica feita pra te pôr em seu devido lugar, te ordena a produzir mais e mais e muito mais! E você, com teu bom senso refletido no desejo de um sem-senso-algum (um sem noção) esqueceu que está ali, buzinando, pra produzir lucros nababescos, pra esse safado! (Calma, tu já tá se estressando) que tem a preferência de tudo! (Se vacilá, é meu chefe, o cretino, que não desocupa essa fossa comum dessa espelunca!)... Afinal ele é o chefe! Tua pressa não é sua, afinal. (Afinal, sai ou não sai, esse nababo desse rabo?) Não é legítima então! E teu desejo é menor! Alimentas apenas a ambição de alguém, sentado numa sala maior que o seu condomínio classe média, aboletado numa poltrona maior e mais confortável que a sua cama de casal, luxo único de solteiro (pelo qual ainda estás pagando)... E ele está lá agora, com uma das secretárias gostosas, que neste exato, massageia as costas e o ego do todo poderoso... (Será que estão trepando aí dentro?) E, lá no asfalto, ainda buzinas feito louco! (Ai, meu Deus... Nock, nock, nock on heavens door...) porque não pode deixar o chefe esperando. Mesmo que ele nem saiba o seu nome! Tem algum sentido nisso?


"Quer saber? Vou agir, no trânsito, da mesma forma serena e civilizada que procedo diante dessa porta fechada" (agora você pensou com o bom senso e a razão).

Mas enquanto raciocinas sobre como lidar com as injustiças sociais desse mundo, este imenso porquinho redondo, azul com uma fenda nas costas, sua vontade de mijar e sua "dança do apertado" já deu até o que falar e reparar no lá no bar... Cheio de seu educado senso - que é bom, é bem paciente - dê mais 3 últimas pancadinhas nessa porta... “Alô!” Ninguém responde. Você olha pro toillete vago ao lado, com aquela plaquinha indicando “mulheres de fino trato” (O fino trato fui eu que improvisei) Mas está livre! E você medita... (Mais?!)

"Meus deus, quanto bom senso eu tenho!"... (pois é. Daqui há pouco, mijas as calças...) Então você entra muito rápido e, ao invés de fazer de pé, senta-se educado, respeitando assim a maneira feminina de se fazer as coisas... Nunca fora do penico. Isso! Não pensa mais não, pensador! É só uma mijada breve, vai lá, entra e faz!


Toc, toc, toc... Putz, agora estão batendo na tua porta – que não é tua coisa nenhuma! Nem aqui é o teu lugar!... Teu lugar era o poste, Mané! E é uma mulher madame, claro!, quem bate... Você não pode dizer “já vai!”. A moça saberá quem você é ("Um homem! E pobre! Que nojo!"), e num restaurante chique assim, ela pode chamar até o gerente. Quiça os seguranças... Com tua sorte, a polícia. Pior! Você pagará por ser um cavalheiro! Um cidadão que, por não querer urinar na rua, entrou de gaiato nesse restaurante chique que não te pertence! Nunca, nunca pertenceu, ao padrão pé sujo que você costuma freqüentar. Por isso estás tão intimidado? Mas, vem cá, porque não mijou nas árvores como faz qualquer mortal comum desta cidade porca?... E, sentado? És gay, por acaso?!

Pára de pensar, rapá! Já estás se confundindo. Destranca logo essa porta e... A lá! A moça fina está bem na tua frente como previstes... E com as mãos na cintura. Ao lado do marido inquisidor - essa tu não previu. Vejamos como te tratam.


“Mas, como assim? O senhor não devia ir neste aqui?” Aponta a mulher, para a porta escancarada do reservado dos homens.


“Perdão, senhora, mas estava ocupado e eu...”


“Não estava ocupado não, senhor. Estava aberta, não é amor?


“Era só empurrar com mais força”, amizade - complementou o maridão meio cordato, outra metade totalmente sardônico.


Você disfarça e resolve dizer, usando do bom senso e aquele rasgo de sinceridade remoída na espera, que...

“Não se preocupe dona, em respeito às damas, eu fiz tudo sentadinho aqui”.


O que deu em você, rapaz? Não é de bom tom ser tão sincero. E, “tudo” o Q, cara pálida? Claro, também, que tais pessoas, as quais, provavelmente, seriam do convívio de teu patrão, se o conhecessem, não tinham o direito de começar a te zoar levantando a mão e gritando...

“Garçom! O número dois!”; “O número dois, Garçom!”; Você esqueceu do número dois, garçom!”; “É dois, hein, garçom?!”...


Caralho. Acabei de passar por um corredor polonês de injúria e difamação. E foi só um pipizinho... Que baixaria. Só porque são ricos? E ricos não mijam, não cagam, nem nunca se atrapalham?...

E tu sai dali tão atordoado com a acolhida que tá pronto pra topar com o primeiro gelo baiano que se lhe aparece na calçada. E tu de sandálias de dedo. As mesmas, por sinal, que denunciaram-lhes o mulambo alienígena que és naquele high societ hostil. Comprasse as havaianas, a 14 euros no estrangeiro... Mas tu com o dedão estraçalhado, se esvaindo, nem cogita mais ater-se a essas barganhagens com tua imaginação delirante. Num ato desesperado, levanta a soteropolitana pedra e tu...

“Aos diabos com o bom senso!" Se houvesse trilha sonora, você ameaçador com esse pedregulhão erguido nas mãos, seria a melô do Zaratrusta 2001 Uma Odisséia No Espaço, o tema. Emblemática cena... “Só de sacanagem, eu vou...” – Nããão! - a voz da consciência e do bom senso soa tão desesperada que o efeito é de um poderoso alarme (Car Sistem) ante-furto - Diga-me que você não vai fazer o que está ameaçando fazer!
“É isso mesmo!... Era o que eu deveria fazer. Barbarizar com todos os vidros desse Citroën Grand Xsara Picasso aqui!... Símbolo fálico maldito! Mas eu sou da paz. Só vou afastar a pedra pra que ninguém mais se machuque.”


"Ô, rapaz! Quê que isso, tá maluco!? Querendo arrombar meu carro, seu moleque? Segura ele, segurança! Pst, você manobrista, que que tá aí parado? Chama o gerente e manda ele ligar pra polícia. Mas, hei!... Alto lá. Eu não conheço você, ladrão?... Você não é o...?"


Como poderia eu adivinhar que, no restaurante da esquina, aquele que é o 1º mais elegante da cidade... Que nem disfarçado de homem invisivel, entrarias - a não ser com uma senha, e haja QI pra freqëntar... -, jantava, ele mesmo. O seu injustíssimo patrão!? E, vê que máximo! Ele sabe o teu nome, o sobrenome, e até sua ridícula 'ex'-posição no trabalho! Agora ele, homem probo que é, ajuda os policiais a fazer justiça com as próprias mãos...Tapa na cara sim, porque dispensar as formalidades?


Enfim, perdeste completamente o bom senso e a razão. Falta-lhe só aquele estágio na Faculdade do crime. Afinal, mudastes numa tacada o referencial. Vergonha deixou de ser essa bobagem de mijar civilizadamente, na elegância. Vergonha agora é não roubar, nem carregar e ainda porriba sair arrastado pr'alguma averiguação... Daqui pra frente, rebeldia pouca é bobagem!


“Vãobora, ladrão, perdeu! Perdeu, vagabundo, tu perdeu!”


"Ó como o cara tá sangrando, Peçanha! Deu tiro no pé, ladrão?"


“Não, dotô! Tem tiro nenhum não, dotô... Eu sou trabalhador... Só fui dá uma mijadinha inucente ali, dotô...”



Parabéns! Teu bom senso é tão automático que já estás verbalizando tal e qual um legítimo detento.

sábado, 6 de setembro de 2008

O MACACO É A ESSÊNCIA? ATÉ QUANDO?



Não. Eu não vim pra explicar o que levei 49 (incompletos) anos pra entender. À conclusão cheguei, numa passagem-estágio pelo Dudu. O butiquim da esquina – de Cupertino Durão com Ataulfo de Paiva. À direita de quem vem, à esquerda de quem vai – a lugar nenhum... Mas é a pele. As mulheres já a têm. É a pele pêssego imberbe que as diferenciam da gente como nós, os macacos na essência. E elas são confusas assim porque já estão, no corpo, com a solução do dilema humano. Agora só falta fazer o download da alma. A essência, nelas, não é mais o bicho. Sacô, bicho? Mas elas não sabem lidar com isso, porque o instinto ainda uiva! (macacos não uivam, em compensação, macacos não falam, nem existe termo pros grunhidos que emitem) Até porque, nós, macacos machos não as ajudamos em nada! Infelizmente não ajudamos a esses seres estranhos de pele pêssego imberbe e profundas com sabor e forma de figo docílimo... Então elas só parem. Não param de parir, essas malucas! Mais e melhores macaquinhos. Nem sempre são, mas... Que bom quando melhores. Porque quando isso acontece dá-se a melhoria da espécie no bojo. Mas, como não sabem, mulheres, mesmo as melhores, como lidar com a idéia de ser humano (serem humanas) ainda estão presas aos instintos. Presas, como nós, numa transversal do tempo (como eu naquele butiquim). E tocam a procurar, como todos os animaizinhos da floresta fazem, os alfas dominantes. Os mais belos, fortes e mais bem formatados. Geralmente, tbm, os mais brutos, brucutus e estúpidos... Calma minha gente que eu disse, geralmente! Não generalizei. Mas, enfim, não tem um livro que diz “mulheres inteligentes, escolhas insensatas”? Pois é! Ê, butiquim conclusivo! Macacos me mordam. Malditos macacos, a maioria dos alfas não passam de macacos, suas tontas! Os mais bem formados geralmente são macacos!... Isto porque vocês se esforçaram justo para que a evolução se desse assim. Treparam nas árvores mais altas dos alfa, o que esperavam que nascesse dessa conjunção carnal? Mais macaquitos alfa. Óbvio! E, como resposta, está vencendo, a macacada, quinem no filme. “O “Planeta dos Macacos”! Tu, mulher insensata, aliás, és a produtora executiva dessa Micagem! Não. Não é à “George Lucas”! É à George Bush, mesmo! Voltem no tempo, per favore! Voltem no tempo das fábulas e procurem ler com atenção redobrada toda àquela parte, na qual vocês tanto se inspiraram na hora de (pro)criar (coragem de se entregar). Voltem tudo do começo e procurem os sapos, caralho! Já dizia o autor da fábula. Um gênio! E se vocês gostam de histórias com happy end, concentrem-se nos batráquios. É nos sapos que está o outro lado da solução do enigma. Aquela outra metade do anel que forma a palavra "Shazan"! O gene dos príncipes bunitinhos os tais que lhes calçam pézinhos de princesa com sapatinhos de cristal na medida -do desejo- e toda aquela babozeira de contos de fadas que vocês adoram adorar... está nos sapos! Meu Deus, como são tolas essas bobas... Mas que pele! Eu, como bom símio (quase sapo evoluído) que tento ser, agora que recebi num trago a compreensão do mistério, continuo com aquela mesma idéia fixa. Prossigo só pensando em me espalhar no monolítico veludo macio de figo & pêssego. Mas agora, com uma abordagem mais... digamos compreensiva de vocês. Então é a Pele a resposta, é? Que diabo, que bosta, 49. Mas até que pode não ser tarde demais.



P.s(s) de última hora.: vai por mim, moço, moça(que, no mínimo, ponderou sobre as palavras ditas aqui): Até aquele fêmur do vídeo aí encima virar estação espacial - operação simplérrima considerando a demora no prazo de entrega - esperou-se umas mil gerações!, justo por causa dos macacos prego filhinhos de papai que empataram a phoda. Um atrás do outro foi uma fileira infinita deles! Assim, não há evolução que se desenvolva. Pois é! Agora não adianta mais chorar todo aquele leite derramado! Recomenda-se só, dar uma agilizada no processo. Se é que você, mulher inteligente - ó pra mim, te apontando cheio de estilo brega&chique - me entende.

Por fim, eu, o bêbado, dedico este texto à Tainá, a equilibrista - equilibrada estava a minha avó!

sábado, 31 de maio de 2008

ERA UMA VEZ (UMA FÁBULA REDENTORA)


Morto pós-infarto fulminante político lambão já chegou no purgatório roendo as unhas. Ciente de que, se existe um purgatório, haverá também, céu, inferno e juízo final, na espera, aproveitou para roer a mão. Felizmente (pra ele), infelizmente (pra nós), Lambão purgou ali somente alguns minutos. Logo apareceu São Pedro, que, após desculpar-se do atraso, acalmou o parlamentar explicando que ali não havia julgamento algum e que a escolha, entre o andar de cima ou o subsolo (assim eram chamados os 2 últimos estágios), era feita pelo próprio candidato. Explicadas as regras, Lambão tomou o Elevador da Escolha não sem antes elogiar a política do além: aquilo sim era democracia... E desceu para, na ordem estipulada pela Casa, conhecer o subsolo.

Abre-se a porta do elevador e ele se vê diante de um lindo campo de golfe, ao fundo, a bela sede de um clube de caça e pesca, na frente do qual estavam alguns dos finados parlamentares com os quais ele já havia trabalhado. Lambão é efusivamente saudado, abraçado. A conversa animada é pautada nos bons tempos em que todos ficaram ricos às custas do povo. Joga-se uma descontraída partida de golfe, depois, enquanto se degusta lagosta, caviar, todos bebericam champanhe... Tudo, desde louças, talheres, drinques e pratos muito corretos, luciferianamente caros. O mestre de cerimônia, inclusive, era o próprio diabo, um sujeito bonachão e, no julgamento do recém falecido, um tanto panaca, pois passava o tempo todo bêbado, dançando e contando piadas sem graça. Aliás, o político só descobriu que aquele paspalho era o Demo, quando este, ao se despedir, deu as costas deixando antever o rabo com a ponta de seta apontada para si (ele o Lambão). Ameaça? Qual o quê!, todos os comparsas ridicularizaram o rabudo, riram-se a valer. Enfim. o tempo passou tão rápido que, antes do político Lambão se aperceber, já se havia passado as 24 horas agendadas para à 1ª visita.

Lambão torna ao Elevador da Escolha e sobe. Sobe, muito mesmo desta vez. A porta abre e o Anjo Ascensorista aponta o andar de cima. O político então passa 24 horas junto a um grupo de almas contentes que pulam e dançam sobre e por entre as nuvens, tocando instrumentos de sonoridade agradável, entoando cânticos celestiais, mantras singelos, aquelas coisas dos bemaventurados... Mudança na rotina, só quando uma das almas é convocada a dar rasantes radicais até a Terra, para ajudar algum ser (humano ou não) a se desembaraçar de qualquer apuro. Por incrível que pareça, o nobre deputado até se diverte com àquela nova e inimaginável prática do bem. Tanto que, como no subsolo, antes de se aperceber, as 24 horas da visita passaram bem rápidas, também.

Visitados os dois estágios era a hora da decisão final definitiva e irrevogável. E São Pedro fala ao candidato: - "E então, filho, onde queres passar a eternidade?”. Político convicto, Lambão responde: - “Olha, São Pedro, eu juro que nunca imaginei que seria assim. A cobertura, lá em cima, é, como eu pensei... Muito mais divertida, até! No entanto (cutuca São Pedro) cá entre nós, embora o capeta seja um tanto apatetado, eu acho que declinarei do céu... Mas, veja bem, é só por uma questão de fidelidade partidária! Assim, acredito que ficarei mais bem instalado no Subsolo, ao lado dos meus companheiros correligionários. Sabe como é, né? Eles precisam mais de mim...”

Então São Pedro leva o político fidelíssimo de volta ao elevador, os dois se despedem, o parlamentar desce novamente até o subsolo. Abre-se a porta e o campo de golfe, milagrosamente, foi transformado num deserto. Os tacos tornaram-se picaretas e os (verdadeiros picaretas) parlamentares, sob um sol escaldante acorrentados uns aos outros, quebravam imensos blocos de pedra.

Sóbrio e de braços abertos, o Diabo vai ao encontro do recém falecido, passa-lhe o braço pelo ombro e pacientemente escuta as já costumeiras lamúrias dos calouros desavisados: - "Não compreendo, excelência, ontem mesmo isto aqui era o verdadeiro paraíso! Havia um campo de golfe, um clube de caça e pesca, comia-se lagosta, caviar... Nós dançamos, nos divertimos com vossas piadas hilariantes... E agora só o que vejo é este deserto escaldante, cheio de pedras pra quebrar!” O Diabo aperta forte no abraço o parlamentar e com o bafo do cão e a voz pausada - enquanto passa para o político uma picareta -, explica a parte que o espertalhão ainda não atinara: - “Ontem, nobre deputado - disse o capeta -, estávamos em campanha política. Agora, que já conquistamos o teu voto... Tome, vá ajudar a tua corriola a transformar este inferno num paraíso tão convincente quanto aquele que seduziu vossa excelência”.

quarta-feira, 5 de março de 2008

ELA É FÊMEA E GESTANTE



"Efêmera" é lugar comum distante.

Ela é fêmea e gestante!

Sem sombra de dúvida a noção de vida só pode ser bem compreendida se dela apartarmos o conceito de nascimento e morte. Parece contra-senso? “A que fim serve a vida?” Quando fazemos tal pergunta, inconscientemente, nascimento e morte limitam o conceito. Se insistirmos no questionamento, outras dúvidas que rondam as idéias naturalmente surgirão, quévê: Porque existimos? De onde viemos? Para onde vamos? Na dúvida, embute-se a finalidade como um fim (finito), não como o objetivo.

Hora de perguntar: nos primórdios dos primórdios da mais primitiva existência, antes dela, existiu um nada absoluto? É-se possível emergir do nada? “Um dia” - como “dia” se não havia a noite? – “o Senhor” - não poderia ser Nossa Senhora? – “se materializou diante do nada” (jura???) “e disse: Faça-se a luz - e a luz se fez.” - Ah, então foi à noite...? Mas o que é o nada lá de onde esse Deus milagrosamente brotou senão a representação de um zero absoluto? E qual o resultado de qualquer operação matemática, divisão, adição, subtração ou multiplicação, envolvendo somente zeros? Então, porque diabos nós, seres humanos, teimamos em perguntar como fez o poeta “existirmos, ao que será que se destina?”, quando o muito mais vital à nossa existência é desafiar questionando: porque não existirmos!

De qual substância se alimenta o nada absoluto, sem luz, nem cores, sem sombras, sem dores, sem brisa, sem nós, nossas paixões e os nossos amores? E se a vida existe - ela é um fato -, deve-se a outro fator: o de estar em todas as coisas que são, certo? Sem qualquer exceção, certo? Desde as sensíveis, como as insensíveis a nós. Pode ser de outro jeito? “Entre mim e você há um espaço que nos distancia, ou seja: há vida entre nós dois, só não a vida inteligente.” - Amigo, se mandares essa no momento oportuno a alguém que você sinceramente deseja, em nove meses haverá mais uma vida brotando entre vocês. Vida absoluta, então, é a justa oposição ao nada. Portanto, quem absolutamente não existe, é o nada. Este sim um fato de uma obviedade prática primordial!

Portanto, vivos ou melhor, qualidade de vida, têm os que podem desfrutar integralmente da infinidade de princípios, meios e fins concebíveis para qualquer forma de existência. As plantas, os insetos, os vertebrados mamíferos e os peixes e as aves com sua visão panorâmica... E se alguém ainda não estiver satisfeito da vida com tamanha fartura de perspectivas, que se conforme, porque Dela não se livrará nem muerto! Ó castigo desumano!

Porém, no topo da cadeia elementar, estão os satisfeitos. Esses compreendem o conceito de eternidade como a mais óbvia das equações. Na certeza de que, felizes da vida, desfrutam do poder de transformá-lo sempre para melhor mais adiante. A criação viva infinda reside aí. Assim, sem sobressaltos, enxerga-se o fim como finalidade, não como finitude. E assim, sem a sombra da dúvida, nos inserimos no princípio divino universal de eternamente existir.

Não por ironia, clicando na foto, se pode ouvir Emily Remler & Larry Correll interpretando How Insensitive, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

sábado, 17 de novembro de 2007

DIÁLOGO SINGELO


Pai, quem olha daquela estrela pra gente nos vê como estrela também, né?

Dependendo da distância, certamente, filho.

E me diz uma coisa...

Fala.

Com tanta estrela no céu será mesmo que não existe vida noutros planetas?

Quem disse que não há?

É o que se discute.

Mas ninguém prova o contrário.

Porque nunca encontramos outros como nós?

Porque estão distantes, provavelmente.

O que me chateia é porque é tão difícil? Quero dizer, porque não, vida em toda parte?

Chateia não porque há, filho. Por toda parte. Só que ainda não a compreendemos. Mas está tudo vivo por lá, tanto como por aqui. Estrelas são sóis na órbita dos quais outros planetas giram em torno. E eles, os sóis, também estão tão em movimento, como o nosso solzão véio e besta aqui... Pense em como você nasceu. Lembra o que te expliquei? Você foi um dos bilhões de espermatozodezininhos que fecundou um óvulo dentro do útero da mamãe, certo?

Certo.

Um único sortudo entre bilhões! Então pense: se foram necessários bilhões de espermatozóides pra você nascer, a vida inteligente que está no Universo decide que, pra haver vida como a que nós conhecemos, devem haver bilhões de estrelas e planetas em milhões de galáxias, uma mais distante da outra, pra que ocorra um único Planeta Terra habitado de gente com a nossa inteligência. Reparou o valor que existe nisso!

Boa explicação pai. Deve ser isso mesmo. E tanta gente por aí não dá o devido valor que a vida tem. Triste isso, né?

Pois é, filho. Lamentável. Já imaginou se vida como a nossa, com gente como esses que não dão o devido valor, é espalhada por toda parte, quanta guerra, quanta maldade e quanta miséria de parte a parte pode se espalhar pelo Universo?...

É melhor que não se espalhe. O Universo é bem mais inteligente que nós os espertinhos, né, pai?

É verdade, filho. Mais que inteligente, Ele é sábio. E muitos de nós somos menos que espertinhos, são "Os escrotinhos". Portanto, é assim que a banda deve tocar. Vamos ouvir música?

Vamos! Põem então uma mais que inteligente. Ponha uma bem sabida.

Sabida será! Aliás, vou pôr duas. Uma pra fazer você sonhar. Outra pra zelar pelo teu sonho.