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domingo, 3 de abril de 2011

Weldon Irvine (Spirit Man) 1973

Cês olha bem nos olhos do negão antes de ler ou baixar-lhe o álbum. Ele tem um semblante intenso, é ou não? A mim, ao ver essa capa, na mesma hora a cara do cara inspirou confiança. Sabia que vinha coisa boa. Dai  que quando minhas suspeitas se confirmaram muito além das espectativas, pesquisei-lhe a história.  E quem freqüenta a Casa sabe que meu inglês é lusitano. Portanto, pra chegar até aqui, com uma história batendo sentido do início ao fim, deu um certo trabalho...  E isso quer dizer o quê? Fiquei muito interessado. Principalmente pelo fim dessa história que o Allmusic não conta. Agora repare de novo na face enigmática do homem da capa e senta, ou melhor, acomode-se que lá vem história.

O tecladista Weldon Irvine se agiganta no panteão do funk-jazz, influenciando profundamente as gerações posteriores de artistas de hip-hop para quem atuou como colaborador e mentor. Nascido em Hampton, VA, em 27 de outubro de 1943, Irvine foi criado por seus avós, na sequência do divórcio dos pais, a avó tocava baixo acústico em uma série de programas de televisão regionais de música clássica, seu marido era reitor da faculdade Hampton Institute. Irvine começou a tocar piano na adolescência e, embora mais tarde tenha se formado em literatura na mesma Hampton, a música continuou sendo seu primeiro amor, especialmente após a descoberta do jazz. Ao chegar em Nova York, em 1965, ele foi recrutado para Kenny Dorham e Joe Henderson, um ano antes de assinar com Nina Simone como organista maestro e arranjador. Os dois também escreveram canções juntos e depois de ver uma performance do dramaturgo Lorraine Hansberry “To Be Young, Gifted and Black”, Simone teria pedido a Irvine para compor a letra de uma música de mesmo título. Após duas semanas de bloqueio de escritor, as palavras saíram-lhe em um lampejo de inspiração, e a música ficou pronta. O mérito? Versões cover de artistas como Aretha Franklin, Stevie Wonder e Donny Hathaway, além de  ver sua música tornar-se hino oficial para os Civil Rights americano e transformar-se na canção mais conhecida de suas cerca de 500 composições publicadas.

Depois de separar-se de Nina Simone, Irvine formou seu próprio grupo de 17 peças, que em momentos diferentes incluíam Billy Cobham, Randy Brecker, Bennie Maupin e Don Blackman, em 1973, o rótulo Nodlew emitiu seu primeiro álbum “Liberated Brother”, seguido um ano depois, de “Time Capsule”. Ao longo desses registros o tecladista realmente acertou o passo, aprimorando não só a sua fusão singular ainda qualificados de jazz, funk, soul, blues e gospel - um antecedente direto do que viria a ser conhecido como acid jazz -, ao passo que também a firme consciência social ainda não havia inteiramente definido a sua carreira só para o lado da música. Além de LPs subseqüentes como em 1975, este excelente “Spirit Man” e do seguinte em 1976 “Sinbad”, Irvine também começou a escrever musicais para o palco, e em 1977 no New York's Billie Holiday Theatre, produziu o seu próprio Young, Gifted e provou para si mesmo que poderia ser um sucesso comercial de público e de crítica ganhando uma série de prêmios durante a sua execução de oito meses. No mesmo Billie Holiday Theatre, montou mais 20 outros musicais, os mais notáveis entre eles, The Vampire and the Dentist, The Will e Keep It Real..

Mas, enquanto Irvine focava em projetos dramatúrgicos, sua carreira discográfica caía no esquecimento e após 1979 com "Sisters" Irvine não gravou mais LPs por mais de 15 anos. Nesse tempo seu trabalho foi redescoberto e elogiado por um número crescente de jovens rappers mais politizados, especialmente Boogie Down Productions, A Tribe Called Quest, e os líderes da new school, os quais abusavam, no bom sentido, claro, de samplear suas gravações vintage. Ao contrário de muitos artistas de sua geração, Irvine abraçou a novidade e em 1994 gravou “Music Is the Key”, o tal álbum 15 anos depois, totalmente inspirada na cultura hip-hop para o rótulo indie Luv'N'Haight. Gostou da experiência e colaborou em outras produções como, por exemplo emprestando arranjos de teclados e cordas para Mos Def, E Irvine ainda deu aulas de piano aos rappers Q-Tip e Common. Em 1999, foi convidado a trabalhar com Mos Def, Talib Kweli, Q-Tip em “O Preço da Liberdade”, uma compilação musical que unia todos os gêneros jazz, hip-hop, funk, soul, gospel... O disco era em resposta a covardia e brutalidade policial cometida contra um imigrante africano indefeso Amadou Diallo assassinado em Nova Iorque com uma saraivada de tiros.

No entanto, com toda essa sensibilidade em duas áreas distintas da produção cultural, Irvine, em 09 de abril de 2002 comete suicídio perto da EAB Plaza, em frente ao Coliseu Nassau em Uniondale, Nova Iorque. O local foi escolhido porque era próximo, dava pra se ver da janela, do escritório de sua gravadora, em boa parte responsável por sua situação financeira desesperadora, Os executivos se recusavam a pagar-lhe um adiantamento que o salvaria da falência. Antes do ato de desespero, Irvine chegou a passar várias semanas ligando ou fazendo visitas a tentar negociar o tal adiantamento ou a venda simples de suas composições do catálogo e enquanto o autor desesperava-se cheio de dívidas os homens de negócio sequer retornavam suas ligações ou o recebiam para discutir, considerando o silêncio uma tática de negociação. Weldon Irvine tinha apenas 58 anos quando se desligou da vida.

Weldon Irvine (Spirit Man) 1973

(To Be) Young, Gifted and Black [por Aretha Franklin]



"(To Be) Young, Gifted and Black"

Ser jovem, talentoso e negro,
Oh, que belo sonho precioso
Ser jovem, talentoso e negro,
Abra seu coração para o que quero dizer

Em todo o mundo se sabe
Há um bilhão de meninos e meninas
Que são jovens, talentosos e negros,
E isso é um fato!

Você é jovem, talentoso e preto
Temos de começar a dizer aos nossos jovens
Há um mundo esperando por ti
E sua busca está apenas começando

Quando você se sente realmente por baixo
Sim, há uma grande verdade que você deve saber
Quando você é jovem, talentoso e preto
Sua alma está intacta

Jovem, talentoso e preto
Como se deseja saber a verdade
Há momentos em que eu olho para trás
E sou assombrado por minha juventude

Ah, mas a minha alegria de hoje
Será a de que todos nós podemos ter orgulho de dizer
Ser jovem, talentoso e preto
É onde a gente se encontra

Weldon Irvine (Spirit Man - 1973) Faixa 1: "We Gettin' Down"

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Esther Phillips (Burnin' + Confessin' The Blues) 1970-75


Ela era tão versátil, pro seu próprio bem, que, comercialmente, seu incomensurável talento a atrapalhou e fez-lhe um mal imenso... Como isto é possível? Simplesmente, os executivos (sempre eles...), não tinham uma clara idéia de como, em que nicho, encaixá-la no mercado, o que a impedia de alcançar o reconhecimento ao longo de seus pouco mais de 25 anos de carreira. Um gosto ou, para alguns, um vício, a voz de Phillips tinha uma singularidade: anasalada e rascannte ao extremo, até ganhou comparações com Nina Simone, embora ela mesma contasse que Dinah Washington era a sua principal inspiração. A carreira de Phillips - pelo dom inquestionável - começou quando ela era muito jovem, mas ainda nesse breve desabrochar, Esther já lutava contra a dependência química na adolescência... Qualquer semelhança com a nossa Amy, não é mera coincidência, não apenas pela  queda às profundezas dos poços mais sem fundo, como também suas vozes se assemelham bastante. Mas, no caso de Esther, os tempos eram outros. O impacto à saúde, decorrência de prolongada drogadição, abreviou-lhe a vida a parcos 49 aninhos. Não fosse o seu extraordinário talento, a história de Esther Phillips poderia ser contada assim: "Esther Mae Jones de 23/12/1935 em Galveston, Texas, a 08/08/1984 em Carson, Califórnia". Mas ela tem a música. E agora, alguns de nós a temos também.

Bem, este álbum é um 2 em 1, o 1º é uma apresentação ao vivo, "Burnin'" (1970), o 2º "Confessin' The Blues", gravado em estúdio, em 1975. De ponta a ponta, os dois discos juntos são uma uma maravilha. Destacar faixa, um problema,  não fosse uma conhecida de todos: fosse a mim encomendada uma compilação das melhores versões para as músicas dos Beatles, esta interpretação de "And I Love Him", me viria à cabeça de primeira. E, pra não deixar manco o 2 em 1 e fazer justiça ao "dois", "Confessin The Blues", destaquei um blues mortal! A última faixa do álbum. Confiram.

Esther Phillips (Burnin') 1970

Esther Phillips (Confessin' The Blues) 1975

"And I Love Him" (track 02, álbum Burnin'):


"Blow Top Blues, Jelly Jelly Blues" (track 11 Confessin'...):

sábado, 1 de janeiro de 2011

Vicki Anderson - Anthology (1964-1980)


Ah, qué sa B? Tá D C dido: ramo começá os 11 pintanu set na casa sônica...

ASSENTA QU'ESSA MAMA É UM ACINTE, FILIN!

Faixa 1: The message from the soul

Faixa 9: Home is where the hatred is (with Bossa Nostra)

Nascida Myra Barnes, Vicki Anderson - que gravava as vezes usando o nome de batismo - era uma superstar na era de ouro da soul-funk-R&B dos anos 1960. Ficou mais conhecida por suas performances com James Brown. Gravou uma série de singles e é reconhecida, na autobiografia de "Mr. Dynamite" (Brown) como a melhor cantora com quem já se apresentou e provavelmente a melhor que já havia testemunhado no palco. Ela é viúva de Bobby Byrd (o fundador original do The Famous Flames, grupo vocal soul rhythm & blues nos moldes dos Temptations, daqueles que haviam centenas à época). Vicki também é mãe de duas extraordinárias cantoras soul, que prestaram bons serviços também na explosão do acid jazz, Carleen Anderson e Jhelisa. Vicki entrou para a TFF em 1965 substituindo Anna King, e ficou por três anos como a principal voz feminina do grupo, até ser substituída por Marva Whitney (outra diva do gênero), em 1968. Mas voltou em 69, depois que Marva se afastou, permanecendo por mais três anos até 1972 - Lyn Collins assumiu o posto. Em 1970 ela lançou sua canção mais famosa, o hino feminista "Message From The Soul Sisters". 9vis fora os rasgados elogios, Vicki e Brown tiveram uma conturbada relação profissional enquanto na James Brown Revue, nos 60s, vias de fato legal... Na Inglaterra, Vicki gosa de grande prestígio, sendo considerada a mama soul do Reino Unido. Por sinal,  onde baseiam-se as filhas, Carleen e Jhelisa, que atingiram o topo de suas carreiras nos anos 1990.

domingo, 22 de março de 2009

Lord Sutch And Heavy Friends + João Gordo



Sutch, cujo nome verdadeiro é David Edward Sutch, era de fato um lord britânico. Rico e envolvido com a política e a música da Inglaterra, pagava os cachês de seus amigos (esses amigos cujos nomes falam por si) e gravava alguns discos. Era uma figura totalmente louca e também muito querido, um personagem folclórico da hitória pop da Inglaterra. Em 1968 partiu para os EUA com um Rolls Royce pintado com a bandeira da Inglaterra, rebocando uma "parede" de amplificadores Marshall que ele pretendia vender. Em 1970 lançou esse "Lord Sutch And Heavy Friends" (relançado nos anos 90 como "Smoke And Fire"), um album fundamental na coleção de qualquer amante do bom e verdadeiro rock and roll. Uma constelação participou das gravações desse petardo: Jimmy Page na guitarra e John Bonham na bateria, ambos do Led Zeppelin, Jeff Beck na guitarra, Noel Redding (ex-Jimi Hendrix Experience) no baixo e Nicky Hopkins (Rolling Stones) nos teclados. Esse play é muito louco e as histórias que cercavam a vida e a obra de Lord Sutch são mais malucas ainda. Por vários anos ele foi canditado a prefeito de Londres mas nunca venceu as eleições. Após sua última tentativa, enforcou-se em 16 de junho de 1999.


Viva a memória de uma figura que fez o mundo um pouco mais divertido e rock and roll!!

Download


Texto e Link da postagem, um oferecimento: Camara de Eco.


Essa postagem está cheia de coincidências e quando coincidências se multiplicam, formam um desdobramento interessante para o princípio místico de que, definitivamente, coincidências não existem. Descobri esse álbum, ontem, sábado, 21/03, quando zapeava no controle remoto da tevê e acabei tragado pelo poder inquestionável do João Gordo de tornar qualquer idéia de programinha musical de quinta, numa atração para lá de divertida – evidentemente, pros que estão apertados até para sair e tomar umas brejas no butiquim da esquina.


Chororôs à parte... Às regras: a produção envia fitas de clips que passam na emissora e a interatividade decide se a fita vai para a geladeira, volta à programação ou cai no triturador (de fitas), onde o Gordo faz seu trabalho de carrasco babando de felicidade. O programa tem um formato interessante, adotado pela emissora, a partir do sucesso do 15 Minutos de Marcelo Adnet. O “Gordoshop” também só dura 15 minutos no ar. Mas ontem, sábado, era a “Maratona Gordo Shop”, onde a Emissora ajuda/força a audiência a conhecer a nova programação de 2009. Então, toda a novidade experimental no ar passa pelo processo de maratona. O target do programa exibido (ao vivo) de 2ª a 6ª, as 19:00hs é adolescente – o que, no mínimo, tira o foco da garotada para excrescências globais do calibre de 3 Irmãs, por exemplo. E o Gordão não perdoa, desanca indiscriminadamente de Coldplay e Oasis a bandinhas emo como McFly (q diabo é isso?), NX0, Paramore... E todos os sucessos passageiros fabricados pelas gravadoras. Paramore de Deeeeus!” – ruge o João Gordão – “Que merda tosca é essa?!” e continua, aos berros: “tudo bem q as meninhas gostem dos pausudos emos e das boysbands, todos bonitinhos, imberbezinhos, mas os moleques machos gostarem dessa merda!... Mariquinha! É mariquinha, é mariquinha!...”


Ah, meu amigo, pra quem está sem saco de fazer nada, meio deprimido e se sentindo burro demais pra ler um livro, uma atraçãozinha dessas é de lavar a alma...


Mas, enfim – fazendo minha, a ira do Gordo, somada a raiva do leitor – que catso tem a ver as coincidências e Lord Sutch And Heavy Friends com isso?! Calma, violência! Explico: a razão d'eu ter uma admiração por esse punk, tiozão ranheta, com sua rebeldia já domada e ajustadinha ao formato de um programa vespertino adolescente de MTV, é que o cara não deixa de passar a sua mensagem educativa. Em todas as edições do Gordoshop ele adentra o estúdio carregando uns 3 ou 4 LPs, do que ele considera música boa, geralmente álbuns de rock dos anos 70 e foi nessa que ele me apresentou o álbum do Lord Sutch And Heavy Friends, daí que fui buscar na rede, fazer minhas “compras”... Encontro o disco no blog do amigo Lucon do blog Câmera de Eco. Justo o mesmo que, no dia anterior, havia deixado um comentário sobre a necessidade de utilizarmos sim, os links de blogs amigos, pq, como somos fissurados por apresentar novidades, nossos blogs são frequentemente atualizados, daí que, Lord Sutch And Heavy Friends foi uma postagem antiga do Camara de Eco, de dezembro de 2007. Daí que o disco voltando à baila agora em 2009 por aqui, não ficará mais no esquecimento por alguns meses, e outro blogueiro pode achá-lo daqui há um ano, postá-lo (ainda com o mesmo link) em sua casa e assim por diante. Desse modo, muito mais gente vai conhecer esta raridade, cuja resenha lá encima mostra o tamanho da importância. Quando digo que não há coincidências me refiro ao desencadeamento desses fatos isolados. Porque ao cair novamente no blog de Lucon, encontro essa declaração espontânea. - na postagem de "Sábado, 21 de Março de 2009 - King Crimson Collectors' Club..."
É isso aí, brodi. Estamos todos conectados!


Em tempo: a melhor mensagem que o Gordoshop deixa a petizada é a seguinte frase que ele repete a de eterno: “Com tanta banda boa e de grátis na rede, como vocês ficam presos a essas merdas de EMO E BOYS BAND?! Põe no triturador essa merda!” É o próprio Flávio Cavalcante do 3º milênio! Muito mais engraçado, pode ter certeza.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Marlena Shaw (Who is this Bitch, Anyway) 1974



E não é que hoje eu tô totalmente soul? Irremediavelmente dedicado às mulheres... Este disco acho (faço votos, espero, intuo, desejo) cumpre bem a missão. E me deixou tão di bob quando ouvi da 1ª vez que enchi o saco da amiga tradutora (Ana), para, adivinha, traduzir o texto de apresentação do allmusic:

"Um disco tão arrebatador e rude quanto seu título anuncia, Who Is This Bitch, Anyway? lança Marlena Shaw em um mundo novo e corajoso, anos 70 quando começam a aflorar os primeiros gritos do movimento feminista. Época, também, dominada pela funk Motown e o rock progressivo, Shaw aproveita para atualizar-se com uma sofisticada abordagem soul-jazz já experimentada em seus discos anteriores para explorar uma paisagem musical, política e sexual que sofre mudanças rápidas. Abrindo com “Street Walking' Woman (You, Me and Ethel)”, uma sátira hilária à cultura de singles bares, o álbum disseca o romance moderno com um discernimento e uma franqueza incomuns, tratando a luxúria ("Feel Like Makin'Love) e a perda ("You Been Away Too Long") francamente. Com músicas e letras direta sofisticadas, percorrendo escalas, do soul luminoso aos ásperos grooves funk é uma obra digna de figurar entre os melhores do gênero. Além de, nos EUA chegar a ser um campeão de vendas pela Blue Note, Who Is This Bitch, Anyway? representa também o ápice da criatividade de Marlena Shaw."

Isso comentou o cara do allmusic. Vamos ao comentário do cara do sônico: é bom para K...!!! (complete a linha pontilhada).

Moça(s), até eu, acostumbrado na arte do paparico, se continuar atirando flores nesse leito, a coisa há de deixar de ser didicatória pra virar algo bem próximo a homenagem pótuma.

Marlena Shaw (Who is this Bitch, Anyway) 1974

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Novelas 70's Só Soul Funk & Black Music


Taí uma idéia que merecia ser pirateada* pela gravadora oficial... Um passeio ao legítimo funk setentista a pretexto das trilhas sonoras das novelas daquela fase áurea - para ambos. Por falar nisso: aqui quem fala é um executivo de gravadora - oficiosa sim, e-da-ê, ô, xará? A Sergio Sônico Records! Ou melhor, a Reco-Records Corporations. Marca fantasia totalmente garage, justinha ao que se propõe a empresa. Graças a internet, multinacional na origem. Ou ainda melhor, graças a Rede, uma multiuniversal de peso e consistência interplanetárias! E sem fins lucrativos!, pois não é isto que faz tudo rebrilhar até transformar coisas honestas em ouro de tolo? E eu, então! Um desbravador dos 7 mares, no manche do meu blog transoceânico, intergalático... Hum, hum... CV que é só virar empresário que o poder já sobe a cabeça?... Música! Este sim o meu ofício. O melhor dos ofícios! E o ócio do oficio. Ouvir e disponibilizar música! O ócio criativo todo o mundo conhece. Quer o melhor dos exemplos? O que fazia Isaac embaixo da macieira? Esperava, à sombra a lei despencar-lhe na idéia? Evidente que não. Nem me vejo como tal gênio, é óbvio que o Newtinho era muito mais ocioso! E também pouco importa como nos vemos, muito menos como somos vistos, o que importa é ter tesão no que se faz pra pôr coração e mente naquilo, deixando o orgão que por natureza pulsa (... pois é, esse também!), aparecer um bocado mais sincopado, no caso da música. Dai pro mais adiante é tudo festa.


Aqui, por exemplo e por falar em festa, você pode estar certo que a coisa foi feita com o coração lá na frente. Porque da certeza? Porque, antes de tudo, este egoísta fez tudo pra si. O coração pôs lá, pro próprio deleite - em compensação... -, o coração nas mãos também na hora de compartir... Beleza? Então tá. Trata-se de uma seleção do que de melhor se ouvia, nos meados dos 70, em matéria de Black music e soul e funk e música pró-pista... Retiradas, todas as músicas (com uma exceção), de cerca de... “Cerca de”, coisa nenhuma, acabo de conferir: 38 álbuns ouvidos um a um de trilhas de novelas dos anos 70. E... Claro! É só sucesso. Mesmo os mais adolescentes, das adjacências dos 90s, certamente, hão de conhecer a maioria desses hits de época. Aí, ficar parado diante dessa explosão groovera a vera, é que é o grande desafio.


Então, como estamos em plenos festejos de bota fora um anozinho meio meia bomba, porque não cair na gandaia pra fechar a porta do caixão de 08 no sapato de verniz, ou melhor, na sapatada para alah de Bagdá - hein, Bush?! Fica pois a sugestão.


Ah!, fazer surpresa sobre a seqüência das músicas que se vai ouvir é confiar, minimamente, em quem confiou no bom gosto do executivo namber uone da Reco-Records. Faz parte deste negócio de risco a confiança. Aliás, em negócio de risco, entrar desconfiado, é coisa que dá até rima. Revelo, portanto, a única exceção à regra “trilha de novelas”, na faixa 14. Ver a lista de produções de origem das músicas:


FAIXA] NOVELA / ANO

1] "O BOFE” / 1972; 2] “BANDEIRA 2” / 1971; 3] “CORRIDA DO OURO” / 1974; 4] “CARA A CARA” / 1979; 5] “FEIJÃO MARAVILHA” 1979; 6] “PAI HEROI” / 1979; 7] "FOGO SOBRE TERRA" / 1974; 8] “O CAFONA” / 1971 9] “OS OSSOS DO BARÃO” / 1973; 10] “PECADO RASGADO” / 1974; 11] “UMA ROSA COM AMOR” / 1972; 12] “TE CONTEI” / 1978; 13] “PECADO RAGADO”; 14] BONUSTECH: SETEMBER, RETIRADA DA TRILHA DO FILME: "BABEL" / 2006 (REMIX DE FATBOY SLIM P/O HIT DE EARTH, WIND & FIRE)


Em tempo: a imagem aí encima, tbm mostra novelas dos 80s. Como não consegui nada que tenha mais a ver (nada mais óbvio) com o tema proposto, então não teve tu, foi tu mesmo. O que importa é o conteúdo - e manteúdo.


*será que eles ainda nos vêem como piratas? Oxalá esse tempo tenha passado... A lá Tropa de Elite, "ao cabo do 08, que venha o 09!" por hora me despeço.


Novelas 70's - Só Soul Funk & Black Music


domingo, 7 de dezembro de 2008

ENNIO REPOSTADO (LE CASSE)





Bem, não só prometo como agarantio que as séries recordar é viver vão abrandar. Em breve, teremos mais amostras da rara (no mercado) e ótima produção musical que se faz na atualidade. Ela existe. Jorra aos borbotões na minha (com o alto-falante na tampa de plástico) eletrolinha Phillips Nana Nenem portátil. Mas há recuerdos que são mais fortes que o Eu primordial. Sendo assim, se assenta que lá vem história!

Era uma madrugada morna de um ano longínquo lá nos finalmente dos 1970 - só para localizar o leitor um cadin no tempo que isso faz. Estava eu deitado no sofá da sala, na casa de uma das saudosas ex, quando a tevê anunciou mais um campeão de audiência na Seção Coruja. Fez-se fade na tela e surgiram os créditos: “OS LADRÕES” (LE CASSE, no original)... Estrelando (lembra da voz do locutor? "Versão brasileira A&C, São Paulo"... Poizé): Jean-Paul Belmondo... Omar Shariff... “Opa! Acorda que é filme bom, tchutchuca...” – alertei a gata. É claro que tchutchuca é figuraça de linguagem. Em nome do Pai, eu juro que nunca me referi à companheira, nesses termos. Anfã. A música tema do filme era convidativa. Um legítimo Morricone avintajado sessentista amaciava nossos ouvidos... Nossos? "Acorda, amô!" Ela não acordou mas deveria. O tema era de excelência... Daquelas músicas perfeitas que pegam a gente de jeito, daquelas que nem o fim de um enlace amoroso ou os desenlaces de futuros outros, consegue apagar. Ah, o filme! Um noir passado em Ancara, Turquia. Shariff era o charmoso-esperto-chefe-de-polícia-corrupto – disponibilizando em causa própria, todo efetivo da tropa de elite da cidade -, a fim de tomar para si só o produto do roubo dos ladrões (do título) da quadrilha liderada por J-P Belmondo, o ladrão-antigalã-boa-praça (com mania de acender cigarros pelo filtro, cuja namorada sempre os virava para o lado certo na hora H)... Há, no filme uma perseguição (pega, em São Paulo "racha"), nas estreitas ruas de Ancara - citação ao Bullitt, anterior, de Steve McQueen. Só que ao invés de bólidos americanos avantajados (não tão avintajados), duas bagaças automotivas cujo o maior mistério é entender como correm tanto! E eles, numa seqüência brilhante de uns 10/15 minutos, sobem e descem escadas, serpenteiam por calçadas abarrotadas de pedestres se esquivando em pleno rush, atropelam feiras livres... É de tirar o fôlego e secar as papilas gustativas.
Ih, agora esqueci da trilha do Ennio, ó! que filmaço!... E ó, que música: sobe o som. A canção tema é a tal da melodia perfeita, no sentido mais que perfeito que o termo encerra. Que me seguiu, há até pouco tempo, pela vida inteira. Tema que me vinha e voltava ao sabor dos bons ventos e momentos. E me fez não descansar enquanto não encontrasse o álbum original. Um LP, para variar, raríssimo que achei num sebo imundo, a preço de um copo de Mate Leão sem limão (tô dramatizando, claro). Agora, nos 2000, devidamente formatado MP3 (o LP) e prontinho para contaminar-lhes ouvidos e mentes... Não quero carregar este karma sozinho, dá licença? A capa? Disponibilizei o que encontrei na Rede. Foi o que deu pra arrumar. Resolvi, há alguns anos que a profissão de colecionador me levaria a falência, até porque não me sobrara mais muito espaço para tal. O álbum raro ficou em alguma mudança. Quem sabe entre um enlace e outro (desenlace).
Ennio Morricone - Le Casse

domingo, 2 de novembro de 2008

GERAÇÃO COCA-COLA É ISSO AQUI



27/05/2009 ATENÇÃO: O EPISÓDIO (O FILME É CONSTITUÍDO DE HISTÓRIAS DISTINTAS) PODE SER VISTO (INTEIRO!) AQUI NESSAS DUAS JANELAS DE VÍDEO.

Vale fechar questão com frase ilustre do ilustrado, incensado, cultuado... Gurdjieff:

"A meu ver, pode-se perfeitamente transmitir a quintessência

de uma idéia por meio de anedotas e ditos populares,
elaborados
pela própria vida." Pois é, seu zéff.

sábado, 18 de outubro de 2008

GENTLE GIANT - THREE FRIENDS - EM EDIÇÃO ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO (do blogui / 1 ano)



“Three Friends”, Gentle Giant (1972 / Vertigo)

Este foi* o mais duradouro caso de amor à primeira vista que já vivi... Claro. Houve outros mais. Mas sem esbarrar na arapuca da força de expressão “amor a 1ª vista”, já que foi mesmo pelo visual da capa que o namoro começou. A ilustração, o desenho dos três muleques em idade escolar evocando amizades da infância (meus 13/14 anos), os sonhos sobre o futuro que alimentamos neste período mágico da vida, era um mote atraente demais pra mim. Tanto num começo de adolescência, quanto agora. Por isso continuo considerando Three Friends o álbum de cabeceira. Claro, valor afetivo... Qualquer maneira de amor vale à pena. Poderia ser as revistas de Zéfiro, porque não? Mas logo eu que vivo brincando que disco bom é aquele que consigo escutar inteiro, maravilhoso, quando ouvi mais de uma vez... Gostaria de saber, agora revendo essa capa, quantas benditas centenas de milhares vezes toquei este álbum pra revisitar? E, incrível, porque os malucos da banda fazem um som tão sofisticado, tão cheio de minuscias, que não faz nem tanto tempo assim, consegui reparar nuances que ainda não havia reparado. Isso tipo 20 anos depois. O difícil - tarefa impossível - é apontá-las. Um tanto inútil, também. Cabe ao ouvinte descobrí-las.


Enfim... Destino, escolha de caminhos diversos para cada indivíduo, a partir da infância, era o tema insinuado na imagem da capa. 1972! Eu pergunto: inovador, numa época em que a trilha sonora mundial fazia coro (e quorum) numa luta por questões muito mais emergenciais? Analisando agora, a singela idéia do álbum transpirava ironia. Inovador ou escapista? Eu diria, plagiando Tolstoi, fale-me de sua aldeia que estarás falando para o mundo. E pensando bem, antes de ser minha casa, minha família, minha escola, a aldeia sou eu mesmo! Ora, tive infância, fui à escola, fiz amigos, juramos nunca nos se separar, hoje juras e amizade se foram no tempo... E, muito provavelmente, eu pense: e eles que não me venham, pelo orkut, tentar me encontrar! Não é mais ou menos assim? Agora ouça Three Friends e veja como, feitas as escolhas, ficamos tão intolerantes. Daí à intransigência, às questiúnculas vulgares que nos levam à contendas mais insanas...

Pensar em intenções menos arrojadas para um grupo de músicos intelectuais que têm no "gigantismo gentil" a inspiração na obra do maior escritor/humanista de todos os tempos François Rabelais (1484/1553), é subestimar a inteligência dos caras.


Arrojados, musicalmente, isso nem se discute. Gentle Giant, embora baseada em Londres, era flórida! Mas apesar da capacidade inovadora e da riqueza da sua música, nesse início dos 70, eram uma banda de popularidade relativa. Meia dúzia de fanáticos apreciava o vanguardismo destes britânicos, mas a complexidade dos seus trabalhos afastava-os das multidões, inclusive na área do “rock progressivo”, preferia-se sons menos exigentes no quesito, esforço necessário para a sua compreensão. Esta situação não justifica mais o fato d’os Gentle Giant serem hoje em dia – a memória deles, melhor dizendo - a banda progressiva mais Cult da Grande Rede. Encontrar este álbum, ou toda a discografia em duas clicadas de mouse (agora, uma), é o que há de mais simples. Dizer que só então os Gentle Giant foram assimilados? Bobagem. O som é deliciosamente datado. O tal do “vintage” cai perfeito nessa embalagem. A banda, além de tudo, é muito chique apenas merece a reverência.


*foi?

Clicando em "ilustração" no alto do texto, encontra-se/baixa-se a capa original do LP.


Sobre a banda no Wikipédia:

(...) "foi um grupo de rock progressivo britânico formado em 1970 pelos três irmãos Shulman, criado após o término da banda pop Simon Dupree and the Big Sound em 1969. Gravaram doze álbuns entre 1970 e 1980. Inspirados por antigos filósofos, eventos pessoais e os trabalhos de François Rabelais, a proposta da banda era expandir as fronteiras da música popular contemporânea, com o risco de se tornar muito impopular."

Acho que tá bom, né?

GENTLE GIANT (THREE FRIENDS) 1972

... 20/10 - Parece que 2 dias depois achei ue tava bom não. Por favor, leitor, desça 3 casa-postagens. Se fã de Gentle Giant, terás uma surpresa e tanto...

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

SPIRIT (SPIRIT) 1968



Formada nos E.U.A, durante a efervescência da segunda metade dos anos 60, quando várias bandas começariam suas carreiras de sucesso o Spirit não chegou a acontecer aqui pelo Brasil, mas, na gringa, forjaram uma das melhores bandas da época. O Grupo abriu os trabalhos em 1966, na época o nome do grupo era The Red Roosters.

Já em 67, com uma formação definida rebatizam-se como SPIRIT e partem para apresentações pelo país. 1968 é o ano escolhido para a gravação do 1º álbum, este excelente auto-intitulado. O que se ouve neste exemplar é um Hard Rock Psicodélico caracteristico da época. Sua sonoridade fica entre os conterraneos Iron Butterfly e Quicksilver Messenger Service. Ha grande predominância do Orgão e da guitarra de grande teor psicodélico, mas extremamente pesada e um ótimo trabalho de bateria.

O disco conta com 14 faixas (3 Bonus ) onde se destacam as seguintes musicas; "Fresh - Garbage ", "Uncle Jack" (excelente musica com um refrão bem agradavel, parecido com Beatles ), "Mechanical World" (Com guitarra mais Hard), estas 3 faixas de abertura são realmente um ótimo cartão de visistas, "Girl in Your Eye"(bem psicodelica poderia estar em algum disco do Beck tamanha a semelhança, lembrando que em 68 ele nem era nascido) esta faixa conta com uma excelente citara. Detalhe interessante, por falar em Beck: quem gosta de dar uma zapeada pela MTV, o faz com alguma freqüência, achará que já conhece Fresh / Garbage só não sabe de onde, a música tem a abertura toda, na íntegra, sampleada para Pink em "Feel Good Time". A mim pouco importa em que terreno a Pink escorrega (digo esteticamente falando, mesmo), o fato é que Feel Good Time é um musicaço. Assim que ouvi, numa dessas zapeadas na MTV, procurei baixá-la imediatamente. Não fosse por isso. Não poderia estar acrescentando este detalhe a mal traçada - metade surrupiada - biografia. E essa música que Pink defende com muita honestidade, inclusive, foi composta por Beck, com crédito tbm de Jay Ferguson, um dos membros originais do Spirit. Então não tem roubo nem plágio no troço... "Straight Arrow", "Gramophone Man"(com refrão empolgante),"The Great Canyon Fire in General", a excelente e longa "Elijah" (com quase 11 minutos é o destaque do album, esta faixa é maravilhosa! Perfeita!... Nela pode-se distinguir perfeitamente onde é o nascedouro, o embrio do que seria o rock progressivo, toda instrumental com uma guitarra pesada, bem Hard e uma levada Jazzistica... é luxo só, a parada.) e "Veruska" (que é a mais Hard do disco, tambem toda instrumental).

Em suma, grande disco de estréia (uma das melhores estréias da década, sem sombra de dúvidas!) desta competente banda Norte Americana.

Banda: Spirit / Album: Spirit
Origem: E.U.A / Ano: 1968
Genero: Hard Rock Psicodélico
Musicos:
Randy California: Guitarra e Vocal
Ed Cassidy: Bateria e Percussão
Jay Ferguson: Vocal e Percussão
Mark Andes: Baixo
John Locke: Teclados

Musicas:
1-Fresh-Garbage- 3:11
2-Uncle Jack- 2:44
3-Mechanical World- 5:15
4-Taurus- 2:37
5-Girl in Your Name- 3:15
6-Straight Arrow- 2:50
7-Topanga Windows- 3:36
8-Gramophone Man- 3:50
9-Water Woman- 2:11
10-The Great Canyon Fire in General- 2:46
11-Elijah- 10:42
12-Veruska- 2:50 (Bonus)
13-Free Spirit- 4:27 (Bonus)
14-If I Had Woman- 3:11 (Bonus)

Spirit (Spirit) 1968

domingo, 21 de setembro de 2008

Isley Brothers Compilation One


"'Shout' faz parte do primeiro cânone do rock’n’roll. Influenciamos os Beatles. Tivemos hits na Motown. Jimi Hendrix tocou em nossa banda antes do festival de Monterey. Tivemos hits nas eras do funk e da discoteca. Rappers sampleiam-nos. Você pode ouvir nossa música em estádios, em filmes, em comerciais. Ninguém tem esse tipo de currículo". Ernie Isley tem razão. Ninguém, na história do rock durou tanto tempo, passou por tantas mudanças e continuou importando em toda sua existência como os Isley Brothers. São quase 60 anos na ativa, ajustando-se à modernidade sempre com muito estilo e personalidade.

A história dos Isley Brothers começa quando o chefe do clã Isley, um sujeito enorme e respeitável de fala mansa mas de objetivos bem definidos, chamado O’Kelly aproxima-se de Sallye Bernice em um encontro familiar, revela-lhe seu desejo de tornar-se seu marido e de dar-lhe uma tropa de filhos que se tornaria uma trupe de artistas. Vindo do emergente showbusiness, O’Kelly percebeu como poucos empresários o potencial da indústria de entretenimento no jovem século 20 e apostou a própria linhagem como estava certo. Precisava apenas encontrar a parceira correta. Naquele dia no meio dos assustadores anos 30 (que começara com uma falência financeira massiva e terminaria com uma guerra mundial), o patriarca Isley pousou o pesado olhar sobre a bela pequena e sabia que seu futuro estava começando." (...)

Para ler mais sobre a história desses Brothers vá direto à fonte.

A compilação aqui disponibilizada é apenas uma pequena prova do poder dessa banda. Afinal, 60 anos, não se compilam em 60 minutos. Então são 14 sucessos escolhidos na base do critério, afinal a casa tem um nome a zelar (não achamos interessante citá-los faixa por faixa). A surpresa, em se tratando da banda e, porque não, em se tratando da casa, é sempre a melhor companheira. E estamos certos de que não decepcionaremos o bom gosto dos que por aqui aportarem. Curtam o suspense!

Isley Brothers Compilation One

Em tempo: aqui nas internas, o texto a baixo foi todo climatizado no ambiente bem temperado, entre as calientes baladas soul "melacuecas" setentistas e aquele funk phoda desta compilação, que somente os negões da banda sabem na medida exata nos brindar.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

TERRY CALLIER (TIMEPEACE) 1998



SERIA ALGUM TIPO DE PIADA CHULA ESSE CARA NO LIMBO?

Após a audição de Timepeace, quiça, a pergunta sem resposta, multiplique-se pelaí.

É costume se dizer que o tempo é o melhor conselheiro, o senhor da mudança e blá blá, mas na música isso é, sem dúvida, uma verdade. Tantos sons que nem bem envelhecem e rapidamente são esquecidos... Tantas obras-primas que ao seu tempo mal são apreciadas e mais tarde, com o passar de muitos anos, é-lhes, finalmente, reconhecida a qualidade.

Terry Callier, por exemplo, nasceu em 1945 em Chicago, aprendeu a tocar piano aos três anos, começou a compor aos onze, cresceu a cantar em grupos doo-wop e foi amigo de infância de Curtis Mayfield, Jerry Butler e Ramsey Lewis.

Com toda esta ambiência era natural que se viesse a dedicar à música, então lançou o seu primeiro single «Look At Me Now» em 1963 e no ano seguinte gravou o primeiro LP «The New Folk Sound of Terry Callier». E assim seguiu carreira mesclando o Jazz ao Folk e ao Soul... numa das mais brilhantes e consistentes sucessões de álbuns que... Nem me peça para citá-los. Vá pesquisar espaçoso!

Mas apesar de ter lançado essa coleção de obras-primas nos setenta, nunca conseguiu ter sucesso além de alguns hits regionais. Resumo da ópera: abandona a música no início dos 80 para dedicar-se à programação de computadores. Radical. Diria mais, sinistra, a guinada...

Passada quase uma década sobre seu abandono é descoberto pelos insuspeitos Gilles Peterson, Dego e Mark Clair (4Hero) e Russ Dewbury que obrigam Terry a renascer para uma nova geração pronta a admirar toda a qualidade esquecida de sua obra. E em seguida nos brindar com novos álbuns. Entre eles, este. O da retomada. “Timepeace” que vos trago em 1ª mão e que mantém intacta a sofisticação habitual. Provando que quem realmente conhece jamais esquece o segredo.

Texto editado do blog português Bruto e feio.

Terry Callier (Timepeace) 1998

quarta-feira, 23 de julho de 2008

LEFT BANKE (O TESOURO RESGATADO DO 'MOFO' DIRETAMENTE DOS 60s)


... Vocês q tem mais o que fazer é que vão dizer se é ou não uma baita descoberta essa. Eu, no meu turno, fico aqui me achando... O desencavador de novos talentos natimortos e/ou os só mortos mesmo – mergulhado nessa atividade, garanto, costuma-se achar bonito não ter o que fazer. Veja o exemplo do Left Banke, álbum “There's Gonna Be A Storm - The Complete Recordings”. O disco (coletânea) é o resgate da obra de uma banda dos meados dos 60s que sem, talvez, nem se dar conta, revolucionava o cenário do rock mundial.

Não. Essa banda não é mais uma legítima descoberta da casa. Das melhores descobertas da casa - antes da casa existir, aliás – foi o site MOFO. Já este ano, foi o responsável do MOFO que descobriu-me aqui, nesse blogcanal. Hoje trocamos informações sobre nossas respectivas descobertas musicais.

Portanto, para saber mais sobre Left Banke, o navegante deve clicar AQUI e ter acesso a todo o trabalho de pesquisa do cara. Adianto apenas o texto da chamada:

“Uma das jóias escondidas dos anos 60 é um grupo que fazia um "rock barroco": The Left Banke. Apesar da curtíssima duração, a banda deixou um clássico obscuro chamado "Walk Away Renée", um dos mais belos momentos dos anos 60. Uma banda que você não encontra mais cds à venda, mas ainda o acha navegando por aí.” Não por aí, meu bom Rubens. É por aqui que a banda toca.

Posso garantir que a história da banda é para lá de interessante – a música então, adjetivar elogiosamente é de uma inutilidade mesquinha. Daquelas histórias, comuns ao meio artístico, em que o EGO maiúsculo do líder determina ascensão e queda do grupo na cena musical americana. Aliás, refletindo enquanto escrevo... músicos com essa relevância... “anos 60” ... “rock barroco americano”(?!)... “revolução no cenário musical”... Seria redundante descobrir ter a obra nascido em Nova York?

LEFT BANKE (THERE'S GONNA BE A STORM - THE COMPLETE RECORDINGS)

LEFT BANKE (THERE'S GONNA BE A STORM - THE COMPLETE RECORDINGS) 2

quarta-feira, 16 de julho de 2008

DAVID MATTHEWS (NIGHT FLIGHT) 1976


Pra início de conversa, classudaço! esse álbum que já abre (em 1976) reconhecendo a força da música de mr. Milton Nascimento com uma versão matadora de Vera Cruz. Os arranjos, tanto aqui, como por todo álbum, orquestrados são primorosos!

David Matthews já vem com o talento musical de fábrica, pela grife: local de nascimento, Sonora /Kentucky. O músico, conheci por acaso muito tempo depois de me deliciar com álbum solo - num estilo ímpar da obra de Blue Mitchell, o R&Bzíssimo, “Graffiti Blues” de 1973. Descobri que eram de Matthews os arranjados daquele disco... Pausa no assunto. E agora (a 17/06), encontro finalmente a peça do quebra-cabeça que faltava para montar o perfil estilístico do cara: "O pianista, maestro, compositor David Matthews ficou famoso pelos arranjos na banda de James Brown nas décadas de sessenta e setenta" Ah tá!... Mas, pelo nome, revendo os créditos (do Graffiti Blues), ele lembrou-me apenas, em princípio, o bem mais famoso astro do pop-rock David Matthwes(Band) que ainda devia engatinhar em 1976. A bem da verdade, é Dave e não David (Matthews). Mas os dois já se assinaram Dave - vide a imagem da capa deste. E agora? Numa breve garimpada, a esmo, encontrei o David/Dave correto neste Night Flight, sem jamais suspeitar de que estava na pista certa. É que encontrei o LP, perdido, disponível numa lojinha aqui perto de casa, a Satisfaction - mas o último exemplar, creio eu, alguém peguei, não sei quem fui... Hehe (acho-te uma graça!...). De mais a mais enquanto um se assina Dave Matthews Band o outro é "Big Band" e pra se perceber a diferença nem precisa ter-se doutorado em música n'algum conceituado conservatório. Anfã: recomendabilíssimo, bom vara-garái!... E o que é melhor!, não será por falta de cópias que o navegante deixará de ter acesso à tal pérola rara.

À título de pesquisa, vasculhando o site ALLMUSIC.COM acha-se boa biografia do maestro, e/ou outras opções não tão raras de álbuns do mesmo artista. Sobre o em questão, achei esse nada ou pouco mais que nada de texto abaixo:

"12-piece studio sessions. Chick Corea's "Time Lie", two Miles Davis standards are the highlights. Very good band." (by Michael G. Nastos)"... E a ficha técnica:

A Orchestra: Kenny Berger: Clarinet, Clarinet (Bass), Sax (Baritone) - Sam T. Brown: Guitar - Sam Burtis: Trombone - Burt Collins: Trumpet, Flugelhorn - Sue Evans: Percussion - Fred Griffen: French Horn - Chuck "Fingers" Irwin: Engineer - James Madison: Drums - David Matthews: Piano, Producer - Toni Price: Tuba - Joe Shepley: Trumpet - Joseph J. Shepley: Trumpet, Flugelhorn - Harvie Swartz: Bass - David Tofani: Flute, Sax (Alto), Sax (Soprano), Sax (Tenor) Frank Vicari: Flute, Saxofone (Tenor)

MÚSICAS: 1) Vera Cruz [Milton Nascimento] 5:23 - 2) All Blues [Miles Davis] 7:04 - 3) Seven Steps to Heaven [Davis, Feldman] 4:34 – 4) Night Flight [Brecker] 5:51 – 5) Times Lie (Corea, Potter) 5:00 – 6) East Side Lady [Matthews] 6:01”

DAVID MATTHEWS (NIGHT FLIGHT) 1976

sexta-feira, 16 de maio de 2008

PATTO (HOLD YOUR FIRE) 1971


Há quem diga que o maior pecado musical da história do roquenrou londrino foi protagonizado por uma obscura banda inglesa de nome estranho e visual freak, Patto. Essas mesmas pessoas (e são muitas, não interessa quem) afirmam que o grupo lançou os dois melhores discos do início dos 70. A injustiça fica por conta deste mesmo Patto manter-se completamente desconhecido até hoje, embora os tais álbuns continuem a soar inovadores e impactantes 40 anos mais tarde.

O grupo contava com um guitarrista fenomenal, considerado pelo tal pessoal que insiste em apontar a banda mais injustiçada do planeta, como um verdadeiro guitar hero: Ollie Halsall, é o nome do home. Realmente seus solos impressionam. Mas o que mais me impressionou foram suas outras habilidades instrumentais com piano, orgão, percussão, a mistura de agressivos riffs hard a agradáveis harmonias psychojazzy, vibrafones estilosos (eu amo o som de um vibrafone!) E os vocais?... E a poesia instigante de Mike Patto?... Pansa cheia e leve como um pardal, brou! Pois é. O resultado me fez associar o som do Patto - até porque um pato bem preparado pode ser bastante tentador - àquelas saladas super encrementadas e equilibradas. Que de tão fartas, harmoniosas no colorido fazem qualquer compulsivo degustador, esquecer de que ainda possa existir um prato principal. Azeitam e temperam corretamente a pantagruélica, mas light, refeição sônica: Clive Griffiths, no baixo e John Halsy, na bateria. Aprovadíssimo esse rango, digo, esse som!

O approach dos sujeitos causou espécie nos concorridos clubes noturnos londrinos, que viviam um período efervescente nos 70’s. A ponto de Muff Winwood, integrante do então renomado Spencer Davies Group e brother de sangue de Steve Winwood (também Spencer DG e futuro Traffic), assumir a produção deste 'Hold Your Fire'.

Durante a brevíssima fase do reconhecimento, o Patto abriu os concertos europeus de Joe Cocker e do Ten Years After entre 1970 e 1971, anos de lançamentos de seus principais discos, que chegaram a marcar época na ilha naquele período. Mas tal sucesso jamais extrapolou fronteiras britânicas, o que devolveu a banda ao total esquecimento.

Lamentos à parte, o 'fato-Patto' é que vale muitíssimo a pena a audição de "Hold your Fire", safra 1971, não só pela real raridade, mas sim porque aqueles tais que teciam loas sobre a banda (e interessa sim*, ao menos citar um desses que lamentam) estavam cobertos de razão.

Consta ainda na discografia do grupo os seguintes trabalhos: Patto (70) Roll’em smoke’em (72), Monkey’s burn (95), Sense of absurd (95) e Warts and all (live in Sheffield - 1971 (99). A questão aqui é encontrá-los todos.

Texto/fonte (editado) nesta fonte, baixa-se (acho) o homônimo Patto -1970

*Em tempo (só como endosso): em breve postarei aqui um álbum da também excelente-e-rara banda Bevis Frond, por enquanto, como ainda o papo é Patto... será que será necessário postar este outro álbum de artista-gênio-obscuro, para dar-se fé & crédito ao que diz Nick Saloman, líder do Bevis Frond, nesse tasco de entrevista:

Pergunta: - E seus cinco discos favoritos?


Nick Saloman: (...)
Meus cinco discos são Jimi Hendrix: Are You Experienced?, Patto: Hold Your Fire, Savage Resurrection: Savage Resurrection, Mad River: Mad River, HPLovecraft: II.

Pra quem conhece Bevis Frond e quer se adiantar na íntegra da entrevista com Saloman, a Casa Fonte é o site do amigo Rubens Leme, MOFO.

PATTO (HOLD YOUR FIRE) 1971

sexta-feira, 2 de maio de 2008

THE FLAMIN' GROOVIES 69/70/71




Confirmando a regra de que haverá sempre exceção, esta será a primeiríssima vez que posto 3 álbuns de uma mesma banda numa única postagem. Isso porque a coisa aqui pede quebra de disciplina rígida. Afinal the hole is more in down... Estamos diante do mais legítimo roquenrou, inusitado (porque deste não se banqueteou o mercado) por ser tão cult. E, embora o som dos The Flamin' Groovies seja tudo que um ser humano comum (de posses), amante da arte da diversão pura e simples desejou ouvir e ter em sua antenada discoteca, sabe-se lá por qual mercadologia, os que fazem girar a roda da fortuna, decidiram deixar esses músicos sempre ali, no compasso da espera. Banqueteemo-nos nós now, então! Ouvindo os Flamin’ Groovies, percebe-se nitidamente, também, que os caras não quiseram se ocupar dessas questiúnculas mesquinhas. Divertiram-se simplesmente, a sós ou com os fãs e em número nunca proporcional a energia que despenderiam. Fizeram parte do mais seleto (e dileto) club privê dos Perdedores Magnânimos! Mas, pra quem já está acostumado a ler biografia de bandas (das ótimas que se perderam no esquecimento), a história desta aqui é apenas mais uma dentre trocentas mil (desculpa dos que don't speak english, óbvio!)...

Agora é sério: desafio a quem nunca ouviu, TFG, baixar qualquer um desses discos e não sair mais rico dessa experiência... E de não logo pensar em apresentá-lo aos amigos na próxima reunião... Quiçá promover uma... um simulado de Dia de Ação de Graças - “à nós que estamos vivos!” por que não? -, só pra aplicar Flamin’ Groovies na vida da rapazeada. Sim, porque é você, leitor navegador, o legítimo fanático por música da galera. Ó você aqui travez! Assume logo, vá. Eu que penso os outros por mim... Importante acrescentar: eu que me penso e tenho maior carinho por mim, pelo menos penso assim. Então, nada mais comum, nas Ações de Graças da rapeize (não o Tanks Give tio sânico "satânico", caboco! Seja mais atrevido! Ação de graças à sua galera que é bacana e merece...), que seja você mesmo a promovê-las! Ruim vai ser conservar-se sentado e conversar, porque é som que convida à dança, o aquecimento e ao esquecimento do quotidiano, no mínimo, emocore que te deixaram de herança... Pois é. Eu que penso os outros por mim, divido essa bagaça de herança, tim tim por tim tim. E é ruim, hein... É rim.

A expressão perdedores magnânimos* é do musicólogo francês, Philippe Bouchey. Inventada por ele para categorizar certas bandas que, na segunda metade da década de sessenta, apesar das alterações que se estavam a dar na cena musical, preferiram continuar a tocar um rock and roll puro, próximo das raízes blues e soul, abdicando do sucesso comercial garantido.

Os Flamin' Groovies são um dos casos mais categóricos disto. Pelo amor ao rock, passaram ao largo de uma grande carreira. Surgiram no final dos anos sessenta em São Francisco e tocavam um rock cheio de sentido de humor, com influências (as de sempre...) de Beatles e Rolling Stones.

A música deles não pretendia ser mais do que isso. Acima de tudo, eles divertiam-se com aquilo que faziam. A música deles é contagiante. E tocavam, segundo Bouchey, o rock mais puro que se podia ouvir entre 1968 e 1975. Desse período, os 3 álbuns onde se encontra os seus registos mais emblemáticos: ‘Supersnazz’; 'Flamingo' e 'Teenange Head'...

Enfim. O papo tá bom, mas o som é melhor.

Flamin' Groovies, The (Supersnazz) 1969

Flamin' Groovies, The (Flamingo) 1970

Flamin' Groovies, The (Teenager Head) 1971

Mais informações… Bem, aqui quem freqüenta, já sabe: a porta do allmusic é a serventia da casa. Mesmo eles lá nos EUA não pagando nada por tamanha promoção e deferência. Ops! Sergio Sônico, um "perdedor magnânimo", seu criado, muito prazer. Divirta-se!

* a bem da verdade a expressão é "perdedores magníficos", mas atrevi-me a fazer uns ajustezinhos, posto que, quando deixa-se de visar o lucro em detrimento de um ideal, o termo magnânimo cai bem melhor e não se deixa de ser magnífico só por privilegiar tão nobre causa, muito ao contrário, aliás.