Eu nunca enxerguei glamour nisso. Escrever para a televisão. Afinal não é um entretenimento de massas? Coisa pra ser descartada? Aquilo (ou por unidade) que se põe no ar entre um comercial de tender light e o último presunto que apareceu boiando noutro canal?... No fim é tudo mercadoria, presunto. Se não foi, caminha pra ser, embalado pela Sadia ou no plástico rústico pro necrotério. Não há glamour algum na televisão.
Glamour é fazer cinema. Um tipo cool de cinema; encenar peças grandiosas de Teatro maiúsculo, escrever livros para a Companhia das Letras... Aí sim. Eu seria um convencido se fizesse essas coisas importantes. Graças ao cosmo, me livrei desse lado glamouroso! Aqui diante mão me confesso: mesmo eu mesmo não me suportaria. Daí que não vejo mal algum em ser um operário da mídia. Operário é trabalhador braçal.
Definitivamente, não há glamour algum na TV. A mídia é que forma essa opinião torta, glamourosa sobre estrelas e astros. Os autênticos, não querem essa glória. Quem não tem uma opinião formada pela própria TV, entende bem o que estou dizendo. Estrelas, como uma Paola Oliveira – e cito ela, novinha, como um exemplo a ser seguido – e astros como um Herson Capri, não são feitos astros pela mídia. Não são, nem foram esculpidos por notícias sensacionalistas. São porque têm o dom de ser. Nasceram para sê-lo, a mídia, nada tem a ver com o fato. Se vacilar, só atrapalha.
E os escritores autores então?... Há glamour no Manoel Carlos? A minissérie sobre Maysa, para citar o exemplo mais recente, acrescentou algo novo que o Wikipédia já não tenha destrinchado? As repetitivas novelas dele, além de dizer o distorcido óbvio sobre homosexualismo, alcoolismo e tantos ismos (a lá Telecurso 2º Grau), acrescentaram o que? Eu, um bêbado conhecido, quase famoso, tenho ânsias de correr pro butiquim quando vejo as abordagens de Maneco sobre o assunto. E estou falando sobre o creme de la creme da teledramaturgia nacional!... E quanto vale, em pontos de audiência, aquela brochura da Índia? Ah mas tem o cara que faz aquelas minisséries cool que ninguém entende... Pois é. Qual é mesmo o nome dele? Ele não deveria estar no cinema? Aquele cinema cool do glamour? (por favor, sem duplo sentido no cool).
Não. Não há glamour algum, nem em escrever para televisão, assim como atuar, apresentar telejornais nacionais no horário nobre... Enfim, quanto mais o futuro chega (e ele vem desembestado a galope) menos esperança há para o glamouroso na televisão. Glamourosa deve ser a vida dos astros, estrelas e apresentadores. Isso sim! Se é justo? Quem disse que a vida é feita de justiça? Não! Não a curto prazo. Não na nossa existência. Daí que a inveja é uma merda. É muito mais fácil fracassar, falando mal de quem faz sucesso, por exemplo, do que fazer sucesso na vida. Em qualquer carreira, aliás. Nisto a vida faz justiça. Veja o lixeiro Renato Sorriso. Que glamour o cara empresta a própria imagem e dá de graça a sua profissão!... Pois é, pra mim, glamour é quase dignidade. Tanto quanto simpatia é quase amor.
Mesmo assim, como o que eu persigo é a dignidade, prima irmã da qualidade de vida, sinônimo de prazer no que se faz, sigo querendo voltar a fazer televisão. Desta vez, não só como operário, mas como autor-operário. Um ponto acima no salário e nada mais. Mas com a mesma dignidade que o Renatinho (já meu íntimo mesmo sem nunca tê-lo visto) varre as calçadas. Um operário-autor feliz, literalmente, como pinto no lixo! E só. Pra quê mais?
Daí que, toda essa introdução tem o objetivo de formatar o meu sonho. Dita a minha religião que, quando sonhas com alguma realização, ela já se concretizou. As conclusões, tire quem chegar - e ler desde lá de cima até aqui e daqui até o final do post abaixo.
Em tempo sobre a foto no Cristo: as vezes a mídia acerta. Ninguém, dos eleitos, reune tanto merecimento para erguer uma tocha olímpica.
