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domingo, 7 de dezembro de 2008

ENNIO REPOSTADO (LE CASSE)





Bem, não só prometo como agarantio que as séries recordar é viver vão abrandar. Em breve, teremos mais amostras da rara (no mercado) e ótima produção musical que se faz na atualidade. Ela existe. Jorra aos borbotões na minha (com o alto-falante na tampa de plástico) eletrolinha Phillips Nana Nenem portátil. Mas há recuerdos que são mais fortes que o Eu primordial. Sendo assim, se assenta que lá vem história!

Era uma madrugada morna de um ano longínquo lá nos finalmente dos 1970 - só para localizar o leitor um cadin no tempo que isso faz. Estava eu deitado no sofá da sala, na casa de uma das saudosas ex, quando a tevê anunciou mais um campeão de audiência na Seção Coruja. Fez-se fade na tela e surgiram os créditos: “OS LADRÕES” (LE CASSE, no original)... Estrelando (lembra da voz do locutor? "Versão brasileira A&C, São Paulo"... Poizé): Jean-Paul Belmondo... Omar Shariff... “Opa! Acorda que é filme bom, tchutchuca...” – alertei a gata. É claro que tchutchuca é figuraça de linguagem. Em nome do Pai, eu juro que nunca me referi à companheira, nesses termos. Anfã. A música tema do filme era convidativa. Um legítimo Morricone avintajado sessentista amaciava nossos ouvidos... Nossos? "Acorda, amô!" Ela não acordou mas deveria. O tema era de excelência... Daquelas músicas perfeitas que pegam a gente de jeito, daquelas que nem o fim de um enlace amoroso ou os desenlaces de futuros outros, consegue apagar. Ah, o filme! Um noir passado em Ancara, Turquia. Shariff era o charmoso-esperto-chefe-de-polícia-corrupto – disponibilizando em causa própria, todo efetivo da tropa de elite da cidade -, a fim de tomar para si só o produto do roubo dos ladrões (do título) da quadrilha liderada por J-P Belmondo, o ladrão-antigalã-boa-praça (com mania de acender cigarros pelo filtro, cuja namorada sempre os virava para o lado certo na hora H)... Há, no filme uma perseguição (pega, em São Paulo "racha"), nas estreitas ruas de Ancara - citação ao Bullitt, anterior, de Steve McQueen. Só que ao invés de bólidos americanos avantajados (não tão avintajados), duas bagaças automotivas cujo o maior mistério é entender como correm tanto! E eles, numa seqüência brilhante de uns 10/15 minutos, sobem e descem escadas, serpenteiam por calçadas abarrotadas de pedestres se esquivando em pleno rush, atropelam feiras livres... É de tirar o fôlego e secar as papilas gustativas.
Ih, agora esqueci da trilha do Ennio, ó! que filmaço!... E ó, que música: sobe o som. A canção tema é a tal da melodia perfeita, no sentido mais que perfeito que o termo encerra. Que me seguiu, há até pouco tempo, pela vida inteira. Tema que me vinha e voltava ao sabor dos bons ventos e momentos. E me fez não descansar enquanto não encontrasse o álbum original. Um LP, para variar, raríssimo que achei num sebo imundo, a preço de um copo de Mate Leão sem limão (tô dramatizando, claro). Agora, nos 2000, devidamente formatado MP3 (o LP) e prontinho para contaminar-lhes ouvidos e mentes... Não quero carregar este karma sozinho, dá licença? A capa? Disponibilizei o que encontrei na Rede. Foi o que deu pra arrumar. Resolvi, há alguns anos que a profissão de colecionador me levaria a falência, até porque não me sobrara mais muito espaço para tal. O álbum raro ficou em alguma mudança. Quem sabe entre um enlace e outro (desenlace).
Ennio Morricone - Le Casse

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

EASY RIDER (A TRILHA)



O dia em que fui presenteado com meu próprio blog todo meu com seus garranchos, pelo amigual (amigo virtual) Boogie Woody, bem antes, já tinha tudo planejado. Sabia como ordenaria por gênero as postagens, as passagens de tempo entre o velho e o novo – considerando, claro, que não existe música velha e sim a gasta e que o novo bom é quase sempre a releitura criteriosa do que não envelheceu. Musicalmente, me expressaria por momentos de estado de espírito, mais ou menos seguindo a cartilha “blog”, meu-querido-diário (marmanjo) da garotada. E apresentaria aqui toda música que levei anos colecionando. Tudo que já tive e digitalizei e o que conheci através dos blogados já instituídos neste mercado sem capital. Capital da troca, no máximo, de gentilezas e, no mínimo... não vale a pena questionar. Mas nada é como se planeja. Fosse assim eu seria engenheiro agrônomo, zootecnista. Tocaria a fazenda de vovô...

Daí que, pra encurtar, o que geralmente me move a postar álbuns neste espaço, é o acaso. Como disse em alguma parte de texto de alguma postagem que já nem lembro, nunca tive talento para colecionador. Minha CDteca hoje é toda digitalizada. Os originais foram vendidos numa das várias crises financeiras. Mas acho bacana quando visito um amigo caprichoso com seus discos ver aquelas prateleiras repletas de opções enfileiradinhas. Rock com rock, mêpêbê com mêpêbê, jazz com jazz, lé com lé, cré com cré, um sapato em cada pé. Aqui não é assim. Toda a minha considerável CDteca hoje cabe numa caixa de sapatos. Daí o nome, citado noutra postagem: Shoes Box. Shoes Box é o nome de minha coleção enquanto lojinha de raridades. Tudo bem, também antipatizo com essa nomenclatura americânica, mas o leitor há de convir que caixa de sapatos não tem o menor glamour. Devassei meus bens mais valiosos em CD e LP objetos palpáveis, mas não por isso, vou tratá-los com menor consideração... Para mim, desapegado, a música é o que conta. Ela está intacta – alias agora mais do que nunca, né Fausto Silva? As desvantagens dessa opção são que hoje esqueço o que tenho. Os álbuns digitalizados, nas suas capas, piscam separados do corpo, aleatoriamente, em feidin, feidaut na tela deste monitor. E me digo pensando: “Caramba! Quanto tempo não escuto isso"... (pensando como blogueiro): "Talvez faça sucesso entre a audiência”...
Tudo bem que as últimas duas postagens diziam respeito a dois álbuns da maior importância que aniversariavam (30 e 40 anos!), mas isso, também, aconteceu ao acaso, tipo, na pesquisa, navegando: atirei no que vi e acertei no que não vi. É assim que a banda toca por cá. Até porque quando se preestabelece roteiros - e isso aqui não é cinema -, passamos ao cré com cré das estantes dos amigos. Meu blog tem que ter alguma verdade, certo? Não era o que presumia o diário da garotada? Então deixa o acaso fazer o seu trabalho. Com alguns girar no leme, de olho na bússola, muda-se o itinerário. Como num cruzeiro, velejando, a lá família Schürmann. Aliás, pensando melhor, se perder em família nem sempre é recomendável. Gosto mais da opção asfalto a Dennis Hopper, Nicholson e Fonda, na base do Easy Rider...
Clicaki pra se perder.