sexta-feira, 9 de novembro de 2007

MICHAEL FRANTI AND SPEARHEAD



As letras engajadas de Michael Franti e o irresistível mix de soul, funk e o hip hop da banda que o acompanha, o Spearhead é o forte do álbum “Stay Human”. O disco é todo construído em torno de um programa de rádio de uma estação comunitária fictícia que está cobrindo a iminente execução de uma ativista negra acusada de assassinato. Trata-se de uma reflexão sobre justiça social e pena de morte, na forma de músicas altamente dançantes e baladas emocionadas. “Stay Human” traz 13 canções inéditas, entremeadas pela história da também fictícia, Irmã Fatima, a benfeitora e ativista que está para ser executada por um assassinato que a comunidade tem certeza que ela não cometeu. "Tenho me dedicado a várias ações contra a pena de morte, algumas na área musical, outras na área da militância política" - explica Michael. "Queria fazer um disco sobre esse tema, mas não queria escrever 13 canções sobre gente na cadeia. Então escrevi uma história para dar um pano de fundo ao tema".

Entre reportagens dramáticas e uma extremamente tensa conversa telefônica com o governador (ninguém menos do que o ator Woody Harrelson), os locutores põe para tocar músicas com letras diretas, corajosas e assertivas. Baladas como "Do Ya Love" têm o lirismo e a qualidade melódica dos grandes artistas do calibre de Sly Stone e Curtis Mayfield. "Speaking Of Tongues" é um rap emocionado, que revela a influência de Gil Scott-Heron.

“Stay Human” traz uma grande variedade de estilos musicais, mas definitivamente carrega a marca de Michael Franti, artista que começou a sua carreira em 1986 com o duo de drum'n'bass industrial the Beatnigs. A dupla só lançou um cd e logo o inquieto Michael partiu para formar a banda The Disposable Heroes of Hiphoprisy cujo som, um rap pesado com fortes influência de jazz, servia de pano de fundo para letras provocativas, que desafiavam o materialismo e a misoginia do rap mainstream. Dessa banda, Michael evoluiu para formar, em 1990, o Spearhead.

À medida que a história de Stay Human se desenvolve, a música passa a sua própria mensagem: a de que tanto a força dos indivíduos quanto a das comunidades vêm do espirito. E, em função de seu vigor cru, “Stay Human” é, para todos os efeitos, um álbum extremamente espiritual. “A primeira música, 'Oh My God,' é quase uma oração”... Diz Franti. “É como se a gente estivesse perguntando: “Por que nos pusestes numa situação dessas, Senhor? Mas, no final das contas, a gente ainda tem fé no poder do criador. E quanto mais eu evoluo, conheço novos lugares, me expresso, mais importante se torna manter esse espírito.”

“Stay Human” é cheio de reviravoltas surpreendentes. A música que dá nome ao disco contém várias alusões a ícones tão populares quanto P-Funk e o Dalai Lama. A faixa "Listener Supported" nos remete à poesia de Marvin Gaye e tem como convidada especial nos vocais Marie Daulne, líder da banda Zap Mama. "Rock the Nation" é um veemente chamado à ação à moda do KRS-One. "Sometimes", a música que geralmente fecha os shows dos Spearhead, é uma das mais vigorosas da banda e aqui assume ares pop associados à batida hip hop. "Soulshine" é um enérgico soul acústico sobre a beleza da individualidade. Michael Franti é um entusiasta sobre o que está acontecendo na música atual - Jill Scott e Mos Def são dois dos seus favoritos – mas ele também vai buscar inspiração em nomes do passado. "Fui mais influenciado pelo pessoal que fazia o verdadeiro soul, não o pessoal do 'eu quero você, baby', e sim os caras que estavam escrevendo sobre as coisas do coração - Marvin Gaye, Stevie Wonder, Sly Stone, Gil Scott-Heron. Tenho saudades daqueles tempos, quando o R&B realmente tinha coisas importantes a dizer."

No ano passado, Michael lançou o aclamado documentário “I Know I’m Not Alone – A Musician’s Journey Through War in The Middle East”. O filme, cuja temática é o custo humano da guerra, foi feito durante a viagem que Michael fez ao Iraque, Palestina e Israel, acompanhado por um grupo de amigos, algumas câmeras de vídeo e um violão. Além de vencer o San Francisco World Film Festival de 2005, "I Know I’m Not Alone" teve participação brilhante em alguns outros festivais como o de Maui, Rotterdam e Brisbane. "Veja esse filme e depois exija que Michael Franti se torne presidente dos Estados Unidos," disse o premiado diretor Anthony Minghela (“O Paciente Inglês” e “Cold Mountain”) sobre "I Know I’m Not Alone".

O depoimento definitivo sobre o trabalho de Michael Franti, tanto como músico quanto como cineasta, é dado pelo músico, ator e poeta Saul Williams:
"Michael Franti encarna com naturalidade o modelo de artista que todos ansiamos ser, sempre em sintonia com o coração das pessoas e sempre nos entregando uma música dançante, mas cheia de significado, mesmo diante da guerra e do desespero."

Ou Chris Blackwell (Fundador da Palm Pictures, Island Life):
"Michael Franti é o mais importante artista em atividade atualmente que ainda não atingiu o grande público. Os temas de suas músicas são absolutamente autênticos e baseiam-se em experiências pessoais."

Clicaki pra baixar

Em tempo (15/11): aqui uma versão de um clássico dos 70s dos Sly Family Stone para "Family Affair". Aos que conhecem a música, fica um estímulo para que conheçam esse extraordinário Michael Franti. Aos que não conhecem Family Affair... O que dizer?... Que inveja!

6 comentários:

  1. Ninguém ainda aqui? Tsk tsk tsk... Música de um bom gosto absurdo. Oras dançante, oras românticas na medida. Nobre artista quase anônimo no Braisl. Que disperdício. Ficarei anônomo em sua homenagem.

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  2. Agora, com a inclusão do brinde Family Affair, os comentários vão passar de 2 (dois). Enquanto isso não acontece, em protesto, continuo anônimo.

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  3. PutaQueoPariu!

    que puta sonzão hein Sérgio?

    Valeu pela dica - a versão de Family Afair também é ducarai.

    dá uma olhada no blogui http://sacundinbenblog.blogspot.com/

    Hypnotic Brass Ensemble

    puta que pariu que disco bom! recomendadissimo.

    vale muito a pena.

    se quiser o link direto
    http://sharebee.com/5fb0ff60

    abração

    ps: o anônimo já pode se identificar...

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  4. SERGIO SÔNICO21/11/07 14:08

    Vou lá sim. Nada como novidades bem recomendadas (já estou baixando, aliás).

    Bruno, sempre me referindo ao que vc não conhece aqui, prove tudo que te chamar a atenção. Não postarei novidades essa semana, me ocuparei em destacar um ou dois exemplos das faixas dos álbuns postados. Cheguei a conclusão que é uma boa idéia pra dar uma noção do som que se irá encontrar.

    Michael Franti, conheceu por aqui?
    Esse cara é o bicho, Bruno! Sem contar a voz, mescla de Isaac Hayes com Berry White. Quem lê o texto e não experimenta, não sabe o que está deixando pra trás...

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  5. Bem...Sérjão...como começar? A Spearhead é boa demais, as idéias e letras engajadas (sem panfletarismo) do Franti são 10 mas...não dá. Se fosse todo instrumental seria um de meus preferidos do ano -aliás, reparou que o ano foi horrível em termos de lançamentos?- mas o (belo, com certeza) vozeirão do negão cuspindo palavras o tempo inteiro me irrita, como já havia o havia no disco novo do Gov't Mule (só depois liguei o nome à pessoa). Não é preconceito pois, sabes disso, sou absolutamente fanático por PHunk (seguindo a sua excelente idéia, vou passar a utilizar o PH pra distinguir o gênero daquela baboseira inventada, infelizmente, por nós cariocas), soul, r&b, e outros mas, definitivamente, RAP não desce.
    Achei um desperdício de belos temas instrumentais setentistas, recheados de fender rhodes, flautas transversas, wah-wahs a rodo e arranjos orquestrais (aí, sim!) do nível de um Isaac Hayes. Estivesse ali um cantor de verdade, talvez tivéssemos uma obra-prima pois o conceito do álbum é primoroso.
    Bom, é isso! Desculpa ter demorado a comentar mas, como te falei, tô baixando do escritório e só trouxe pra casa este fim-de-semana junto com mais uma cacetada de coisa que nem consegui degustar por inteiro.
    Abrações.

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  6. É. como agradar a todos, impossível. Eu amo rap! As vzs dou tempos longos do estilo pq, definitivamente não é pra toda hora, e até pq, faz-se tanta merda com o gênero que as vzs, mesmo sem querer, a gente acaba sendo tragado pelaquela coisa q o próprio Franti critica, a misoginia e a ostentação dos negão americanos. E/ou a tragédia tupiniquim de morro, poliça versus bandido, droga, tráfico, cadeia... Por isso não culpo o seu bom gosto por não aturar o rap. Mas, quer saber, Edson? Considerei como elogio, mesmo a crítica mais negativa. Porque senti que Michael Franti (q vc viu q não é só rap), por pouco, pouco, pouquíssimo mesmo, não te influencia a prestar mais atenção no gênero. Pra quem não dá bola para coisas que venero como De La Soul e The Roots, Mr. Franti quase operou um milagre.

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Uma obra de arte é um ângulo apreciado
através de um temperamento.
(Emile Zola)