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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Paisagem verbal


Ora, se indico música, porque não recomendar as letras:

Sintam essas:

Como é que eu posso
sentir saudades tuas
se foi nas tuas coxas nuas
que acordei esta manhã?

Que coisa mais louçã
Toda essa minha solidão,
Tudo porque neste meu peito
Não repousa (agora!) essa tua mão

Não te espero com paciência
Te quero com urgência bruta
Com força, e sem delicadeza,
na minha languidez abrupta.

Eu preciso é tocar essa tua carne
e com selvageria de fome,
deixar de ser poeta.
Ser só teu homem.



Quem? Quem? Quem?...

"V. Linné, 22. Um menino mestrando em Literatura, e um poeta que brinca de fazer escritura.

Um rapaz que mora em Tapera e namora Talita.

Um sagitariano com ares de intenso, de insosso, de insano. Uns dias de santo, outros de bruxo devasso. Anjo e Maldito.

Um homem calmo por parte de pai e louco por parte de mãe. Pai e mãe adotivos, virtudes e defeitos adotados.

Um escritor com alguns graus de miopia, algumas nuances de ousadia, cuja vida segue, nem sempre infeliz."

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Paolo Conte (The Best of) 1998



Paolo Conte nasceu em Asti, Itália, a 6 de Janeiro de 1937. Desde menino, começou a cultivar o que ainda hoje são as suas grandes paixões: o jazz americano e as artes visuais. A escrita das suas cancoes já começaram numa idade avançada, no início com seu irmão, Giorgio Conte, e mais tarde como compositor isolado. Formado em Direito, dispendeu grande parte da sua vida como advogado. No entanto, entusiasta do jazz, foi inspirado não apenas pela vida diária, mas também pelo cinema e pela literatura compondo músicas baseadas em livros e filmes. O seu estilo jazzístico delicado e acústico, incorpora frequentemente elementos latinos nativos tais como o tango, o samba e o quadrille.


Nos anos 60, o seu estilo, altamente original, tornou-se popular com as vozes dos cantores mais famosos da altura: “Coppia più bella del mondo” e “Azzurro” foram cantadas por Celentano, “Insieme a te non ci sto pie”por Caterina Caselli, “Tripoli 69 por Patty Pravo, “Nuvole de Messico” por Enzo Jannacci, “Genova por o noi” e “Onda su Onda” por Bruno Lauzi, entre outros.


"Em 1974 um album intitulado “Paolo Conte” foi lançado, seguido por outro no seguinte ano com o mesmo título. Representam o seu princípio da carreira como cantor de suas próprias cancoes. Mas foi somente em 1979, com “Gelato Al Limon” que o público começou realmente a conhecer e apreciar Paolo Conte. Em 1981, o lançamento de “Paris Milonga” foi marcado por um dia inteiro dedicado a seu trabalho, organizado pelo Clube Tenco em Sanremo. Em 1982, foi lançado “Appunti Di Viaggio”. Em 1984 Conte lançou um outro album intitulado “Paolo Conte” que lhe trouxe a fama internacional e a possibilidade de se internacionalizar. O fruto desta excursão europeia é o registro vivo intitulado “Concerti”. 1987 era o ano de um novo projecto: “Aguaplano”, um duplo álbum seguido por uma digressão pelo mundo (França como habitualmente, mas também Holanda, Alemanha, Áustria, e mesmo os Estados Unidos da América), e participações nos mais importantes festivais mundiais de jazz. Depois de um interregno, interrompido pelo lançamento de um novo álbum ao vivo “Paolo Conte Live” (1988), produziu o que é considerado um de seus albuns mais proeminentes, “Parole d'amore scritte a la macchina”, que revela um lado despercebido do singer-songwriter, cheio de ideias musicais novas. Com o “Novecento” em 1992, retornou a seu estilo clássico, seguido de “Tournée Live” em 1993, e em 1995 lançou o álbum mais maduro de sua carreira, “Una faccia in prestito”, produzido brilhantemente com a sustentação de uma equipe first-class de músicos profissionais. 1996 o álbum, “The Best Of Paolo Conte” foi lançado não somente nos países usuais, mas também, para a primeira vez, nos Estados Unidos da América.


Sua digressão americana de 1998 transformou-se num enorme sucesso. Durante esse ano, “Tournée 2 foi lançado como uma continuação do seu álbum ao vivo "Tournée Live", e inclui cancoes nunca cantadas ao vivo. No ano 2000, Conte terminou “RazMataz”, um projecto com que sonhava há mais de vinte anos: um conto no jogo musical, em Paris dos anos 20, que combinam Europa velha e música negra. Depois da edição do CD musical, é lançado “RazMataz” em DVD onde o autor utiliza cerca de 1800 desenhos e aguarelas suas, obras que também fazem parte de várias exposições pela Europa."


Texto fonte


Uma boa maneira de descobrir um artista raro de país sem maiores tradições na música dita pop contemporênea - embora o termo esteja um tanto distante daqui -, é ouvir uma compilação caprichada. A partir disso, decide-se se gosta e se vale a pena correr atrás das obras citadas ou dela completa. O fato é que a refinada música de Paolo Conte atiçou-me a curiosidade. Eu mesmo serei um daqueles que vou querer ir atrás de ouvir bem mais do que acabo de conhecer nesta boa coletânea. Estou só no começo ainda.




Paolo Conte (The Best of) 1998





terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Moótemática!


Não. Elas não são complexas. Complexas são as distâncias.


viagem


à noite sou acometida de intuições matemáticas, soluções para problemas relativos à quarta dimensão e outras questões mais improváveis do que as equações riemannianas, discussões internas sobre curvaturas aberrantes no espaço, pontos teóricos de aproximação ou contato entre a parte do cosmos em que me encontro e outras tão distantes e insondáveis (e outras nem tão distantes, mas insondáveis), concepções puramente ideais além do continuum espaço-tempo de einstein... depois de algum tempo volto a mim ou à razão, talvez.

coisas de taiguara essa minha viagem de explorar
o universo no teu corpo

pavitra



ps.: uma delícia minhas amigas inteligentes. Poupam o navegante de me ler.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

AÇÃO É SÓ O QUE EXISTE



Passa uma Borboleta

Passa uma borboleta por diante de mim

E pela primeira vez no Universo eu reparo

Que as borboletas não têm cor nem movimento,

Assim como as flores não têm perfume nem cor.

A cor é que tem cor nas asas da borboleta,

No movimento da borboleta o movimento é que se move,

O perfume é que tem perfume no perfume da flor.

A borboleta é apenas borboleta

E a flor, apenas flor.


Fernando Pessoa


Que bela poesia, pessoal, Pessoa nos deixou! Então o "LUTO" cá embaixo é verbo intransitivo! Ou ainda, expressão transitória, entre o pesar e agir. No fim das contas o que conta é a ação.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Quintana e Quintais


12/01/2010 ACABO DE LEVAR UMA CHAMADA
DIZENDO QUE ESSE POEMA É APÓCRIFO
E DEVE SER CREDITADO AO "AUTOR DESCONHECIDO"
... TIPO O SOLDADO AMERICANO, SABE, QUE TEM
AQUELE CEMITÉRIO DOS FILMES? EU ACHO UMA PENA.
ACHO QUE O QUINTANA ASSINARIA ESTE AQUI.

A CRIAÇÃO DA XOXOTA

Sete bons homens de fino saber
Criaram a xoxota, como pode se ver:

Chegando na frente, veio um açougueiro.
Com faca afiada deu talho certeiro

Um bom marceneiro, com dedicação.
Fez furo no centro com malho e formão

Em terceiro o alfaiate, capaz e moderno.
Forrou com veludo o lado interno

Um bom caçador, chegando na hora.
Forrou com raposa, a parte de fora.

Em quinto chegou, sagaz pescador.
Esfregando um peixe, deu-lhe o odor.

Em sexto, o bom padre da igreja daqui.
Benzeu-a dizendo: "É só pra xixi!".

Por fim o marujo, zarolho e perneta.
Chupou-a, fodeu-a e chamou-a...
Buceta!

Mario Quintana
(Por ocasião do centenário do grande poeta gaúcho)

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Manoel de Barros em trilhas Gismontinas


Uma Didática da Invenção
do "O Livro das Ignorãnças"
ed. Civilização Brasileira.

Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com
faca
b) 0 modo como as violetas preparam o dia
para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas
vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência
num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega
mais ternura que um rio que flui entre 2
lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
Etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.

No Tratado das Grandezas do Ínfimo estava
escrito:
Poesia é quando a tarde está competente para
Dálias.
É quando
Ao lado de um pardal o dia dorme antes.
Quando o homem faz sua primeira lagartixa
É quando um trevo assume a noite
E um sapo engole as auroras

Para entrar em estado de árvore é preciso
partir de um torpor animal de lagarto às
3 horas da tarde, no mês de agosto.
Em 2 anos a inércia e o mato vão crescer
em nossa boca.
Sofreremos alguma decomposição lírica até
o mato sair na voz.

Hoje eu desenho o cheiro das árvores.

O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa
era a imagem de um vidro mole que fazia uma
volta atrás de casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta
que o rio faz por trás de sua casa se chama
enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro
que fazia uma volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.
Manoel de Barros

Clique em "intimidades do mundo", link para "Maracatu (Sapo, queimada e grilo)".

Clicaki pra baixar o álbum "Nó Caipira" de Egberto Gismonte, a casa do "Maracatu" do sapo, queimada, grilo, e toda a sua didática sonora particular da selva.