domingo, 1 de setembro de 2013



EU QUERO QUE SE FODAM, À ESQUERDA OU À DIREITA. E QUE TODOS, ABSOLUTAMENTE TODOS, CADA UM NO SEU QUADRADO, VÃO TOMAR NO MEIO DO SEU CENTRO!

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Aos parceiros de manifestação nas ruas...

Como seria mesmo o título do macho da foca?

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Não phoda a paz ciência!

Observe bem: ou a vida é cheia de graça, vez por outra até risível. Ou é desgraçada, destituida Dela. E daí, não há mesmo do que rir, mermão! Nem tirar lição. Então, vá em frente. Desfrute! E não p.h.o.d.a. a paz ciência.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Outra vez: 11/11/2012

Grandes são os outros, o FLUMINENSE é I.M.E.N.S.O!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

E o julgamento foi mais ou menos por aqui ansim, ó


                                                                                                 Senhor juiz, pare! agora...

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Enquanto isso, na Sala de Justiça...


A seu modo, cada um no seu quadrado, os dois querem fazer justiça. Mas quem vai vencer a guerra do bem contra o mal?
o resoluto Máscara Negra ou o Super-Benévol(ewandowski)?

sábado, 1 de setembro de 2012

Fala, galo:



Se o espanhol põe interrogação e exclamação no começo da frase, minha sentença vai com dois pontos pra começo de conversa: Assim como o homem analisa suas possibilidades com a cabeça de baixo - né assim que se diz, muierada muy irada? -, a mulher enxerga tudo pela via uterina. Conclusão: se o troglô enxerga ca clava, a mulher, ao vê ovula. 

E ansim caminha a humanidade... Eu que sou só galo, só boto pinto pra fora!

domingo, 15 de julho de 2012

Tamba Trio (Brasil Saluda A Mexico) 1966



Qualquer crítico de música e digo qualquer do time dos que fazem a diferença, deveria deixar um álbum como esse falar por si. Assim como qualquer empresário do tipo que se preze - o que no ramo da música, guardadas as mínimas exceções, é um time de cabeças de bagre -, teria a obrigação de fazer com que um álbum desse calibre, jamais caísse no esquecimento. É um disco que o ouvinte pode deixar no seu play em função “repeat”, pelo dia inteiro. Álbum, ou melhor, obra que dispensa os mp3 com 100 milhões de músicas. Isto porque Brasil Saluda A Mexico, mesmo, na função repeat, bisando uma seleção de 11 faixas, se renova a cada audição. E olha que estamos falando de 11 clássicos da Bossa Nova. Cantados e tocados por uma infinidade de gente. Infelizmente a capa do LP, ao menos a que tive acesso, não fornece qualquer informação. A solução então foi confiar no wikipédia para creditar a formação do Trio, ao vivo no México, em 1966... Com Luiz Eça ao piano (e que piano! destaque absoluto neste show), Bebeto Castilho, corretíssimo, sem firulas no baixo e Rubem Ohana, esquentando os coros da batera. Solos fantásticos nas últimas faixas... É de impressionar também a reação inflamada da platéia. A impressão é de que o álbum foi gravado em estúdio nas primeiras faixas – não há aplausos ou ruído de público - e que em um determinado ponto, o povo acorda e já chega ao delírio. Mas, como já foi dito não há informação de capa sobre a técnica (certamente rudimentar) de gravação… Mas o áudio é o que promete a capa “Alta Fidelidad”. Enfim, “Brasil Saluda a México”, é um disco trilha sonora de uma Cidade. De um tempo que, como trilha sonora, deveria ser oficializado e, já que tá na moda, tombado pelo patrimônio histórico. Atenção: aqui quem fala não é um crítico de música. Nem um qualquer, tampouco um que faça diferença, por isso mesmo, isento do compromisso de ser profissional, não deixou o álbum falar por si. Mas numa época em que o que impera é o Tchu Tcha Tcha, obras deste nível de sofisticação precisam muito ser estimuladas. Agora vamos sentar e aguardar pra ver quanto tempo dura este link.

Tamba Trio (Brasil Saluda A México) faixa 2- Corcovado



Tamba Trio (Brasil Saluda A México) faixa 10- El Cierro


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Difícil? Vai venu...

Que todo mundo tem q ter alguém isto é fato. Outro é que todo mundo quer que o tal alguém tenha a cara de todo mundo - pra ele craro, do mundo dele, évidenti. Daí que é assim que fica.

Por gentileza, desenrole esse nó.

domingo, 13 de maio de 2012

Anota aí


CAMPEÃO CARIOCA DE 2012!




Charlie Ventura Sextet (Chazz '77) 1977



... EM NÃO PODENDO POSTAR ÁLBUNS, A PARTIR DE AGORA, A MÚSICA VEM SEMPRE EM PRIMEIRO LUGAR.

wonderful world


newport


high on an open mike


body & soul

O que diz a crítica:

Aqui, a última gravação de Charlie Ventura como líder. Teve lugar em 1977 para o selo Famous Door. Embora problemas de saúde tenham diminuído um pouco o tom em geral majestoso de seu sax tenor, Ventura se mostra com o espírito elevado de antanho durante toda a sessão. Junto com ele, muitos de seus velhos amigos, incluindo os trombo-nistas Urbie Green e George Masso, o pianista John Bunch, Milt Hinton, baixo, e o baterista Mousie Alexander, além de um moço, pouco mais de 26 anos, o trompetista Warren Vaché. Ventura revisita seu antigo hitHigh on an Open Mike” e também acena com uma novíssima composição, "Newport", só para esta gravação. Mas, desempenho máximo venturoso é o tratamento rapsódico dado ao perene standard "Body and Soul". Os demais solistas brilham ao longo de toda a sessão, especialmente Green e Vaché.

Infelizmente, este LP – o CD então, nem pensar, jamais existiu – está fora de catálogo desde a morte do produtor e proprietário da gravadora Famous Door, Harry Lim.

domingo, 22 de abril de 2012

A DMCA E SEUS ASSECLAS



Acabo de receber mais um recadinho do Blogger, que, entre muitas utilidades também se transformou no garotinho de recados da DMCA. E eis porque o saco deste blogueiro já se expandiu ao ponto da implosão perda total...:  

"Removemos a sua postagem porque fomos notificados que ela infringia os direitos autorais. Você pode visualizar* a notificação que recebemos e, se quiser, contestar a remoção preenchendo este formulário, que irá gerar uma contranotificação na Lei de Direitos Autorais do Milênio Digital (DMCA). O DMCA é uma lei de direitos autorais dos Estados Unidos que fornece diretrizes para fornecedores de serviços on-line de hospedagem em caso de violação de direitos autorais. O administrador de um site afetado ou o fornecedor de um conteúdo afetado pode registrar uma contranotificação de acordo com as seções 512 (g) (2) e (3) da Lei de Direitos Autorais do Milênio Digital ou outra lei aplicável. Assim que recebermos uma contranotificação, poderemos reintegrar o material em questão. Para registrar uma contranotificação conosco, você deve fornecer as informações especificadas no seguinte formulário. Observe que você pode ser responsabilizado por danos (incluindo custos e honorários advocatícios) se apresentar de forma inapropriada que aquele material ou atividade não está infringindo os direitos autorais de outros. Consequentemente, se você não tiver certeza se certos materiais infringem os direitos autorais de outros, sugerimos que você entre em contato com um advogado primeiro."

* Pra começar, não consegui visualizar picles. Mas, como o que os olhos não vêem, o coração nem tchum, que postagem vocês removeram eu nem vou mais querer descobrir.

"de acordo com as seções 512 (g) (2) e (3) da Lei de Direitos Autorais do Milênio Digital - carái, essa lei vêi pra ficar.

Aliás, removeram a postagem??? Geralmente vocês não removem o link pro álbum? Em que um texto de postagem - meu - infringe direitos autorais de outrens?

E ainda que mal lhes pergunte, direitos autorais de quem, cara pálida? De que artista? Taí  um  exemplar modelo de "pergunta que não quer calar".

Em suma, no supra-sumo da intolerância, o que vocês, arcanjos do Todo Poderoso  Deus Mercado estão me dizendo é: "Vai encará... seu bostinha?"

A propósito, por falar em mercado-deus, alguém lembra de um filme de Hector Babenco intitulado "Brincando nos campos do Senhor"?

Sinopse: "Um casal de missionários e seu filho pequeno embrenham-se na selva amazônica brasileira para catequisar índios ainda arredios à noção de Deus."

Não à toa hoje, nas cidades todas muito bem catequisadas, "campos do Senhor" bom e seguro pra brincar é Shopping Center. E há de ser muito ingênuo quem ainda não percebeu onde esse Nosso $enhor quer chegar.


sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sonny Red (Out Of Blue) 1959



Bem, está na hora de quem fornece as raridades, entrar numa briga justa: descobri Sonny Red da mesma forma como em geral descubro os músicos de jazz menos badalados, ouvindo-o. Ouvindo-o, como sideman (músico acompanhante) de combos de grandes nomes do gênero. O que me parece estranho é, porque um músico que foi selecionado em meio a uma concorrência cruel para gravar com gente (uns caras aí) como Donald Byrd; Art Pepper; Curtis Fuller; Kenny Drew; Clifford Jordan; Bobby Timmons; Yusef Lateef; Blue Mitchell, entre uma pá de outros, pode, pela crítica que em geral não toca nada, e muitas vezes mal toca máquina de escrever, ser considerado menor? Pois bem. Em todas as pesquisas que faço tentando descobrir e conhecer a nata do jazz, Sonny Red foi o músico mais murdido e assoprado, ao menos, das minhas bisbilhotices neste universo exigente dos jazzófilos. “Murdido” porque em minha fonte de pesquisa mais visitada, o site allmusic.com, há sempre uma ressalva de que Red, “não era tão ousado”, “estava perdido” na cena, entre os anos 1950 e 60...  Enfim, é só entrar no citado site, procurar pelo pobre do Vermelho que na verdade é negão, que o leitor confirma a afirmação. Por exemplo, ó a crítica d’O Cara de lá (allmusic.com), Scott Yanow sobre “Out Of Blue” (Blue Note: 52440 - 1959/60):

“Sonny Red, um altoist bastante inspirado por Charlie Parker e Jackie McLean, nunca realmente se fez no jazz, e algumas de suas gravações são um pouco sem inspiração. No entanto, isso não é verdade para o seu álbum pela Blue Note, que foi relançado em CD em 1996, juntamente com cinco seleções anteriormente não emitidas. Red, que é acompanhado pelo pianista Wynton Kelly, Sam Jones ou Paul Chambers no baixo e Roy Brooks ou Jimmy Cobb na bateria, nunca soou melhor em seus registros. Ele realiza, em sua maioria, pouco conhecidos standards e mostra uma certa quantidade de originalidade e um grande potencial que nunca foi realmente cumprido. Recomendado.”

Pô, até quando o crítico recomenda, o crítico picha? A mão que balança o berço é a mesma que chacoalha a credibilidade da criatura? Nunca vi disso! Mas, a gente gosta desses desafios, daí que desta data em diante, Sonny Red vai bater ponto freqüente no lojinha da bike. E, ah, como é bom despertar, não só a memória de um músico, no mínimo, muito competente, como a discussão em torno dele. No mais, preto no branco, este álbum - e mais o colorido “Red, Blue & Green” de 1961 - falarão por Red.

Para ouvir, a faixa 2: Stay as Sweet as You Are


"Blues in the Pocket" faixa 5:

... e faixa 6 - Alone Too Long


Sonny Red (Out Of Blue) 1959

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Greg Gisbert (The Court Jester) 1996

O jovem trompetista Greg Gisbert, natural da cidade de Mobile, Alabama (nascido em 1966), comanda um septeto afiadíssimo através de um conjunto de material desafiador neste que vem a ser o seu segundo registro pela Criss Cross. Sua maneira de tocar impressiona assim como seus dois originais, revezados com o par de composições da pianista Janice Friedman (incluindo o espirituoso "Love Dirge"), e também na composição de Maria Schneider "Waltz for Toots". Além destas, há caprichadas interpretações de mais três standards de jazz. No todo, a música é um post-bop de qualidade elevada que, ocasionalmente, faz lembrar os Jazz Messengers de Art Blakley, outras vezes olha para o passado na direção de um bebop mais clássico – aliás, bem nos moldes da turma dos amigos, Danny D’Imperio e Hod O’Brien, com quem Greg divide alguns excelentes álbuns (nos quais este q vos fala foi apresentado a Greg Gisberg). Voltando a “The Court Jester”, os solos em sua maioria são super-ousados, tendo como um dos pontos mais fortes os 4 caras dos sopros, em especial, o saxofonista e flautista Tim Ries.

Já o versátil Greg Gisbert, que em determinados momentos soa muito ardente, merece ser bem mais conhecido.
Scott Yanow (allmusic.com) e eu.

Greg Gisbert (Tp / Flh)
Conrad Herwig (Tb)
Tim Ries (Ts / Ss / Fl)
Jon Gordon (As / Ss)
Janice Friedman (P)
Jay Anderson (B)
Greg Hutchinson (D)

1. ROBYN SONG (Greg Gisbert)
2. THE LOVE DIRGE (Janice Friedman)
3. THE COURT JESTER (Greg Gisbert)
4. SOFT SNOW (Janice Friedman)
5. SMILE (Charlie Chaplin)
6. MY IDEAL (Richard Whiting, Neville Chase. Leo Robin)
7. WALTZ FOR TOOTS (Maria Schneider)
8. DIZZY ATMOSPHERE (Dizzy Gillespie)

Ouça a faixa 2. "THE LOVE DIRGE" (Janice Friedman)
 

sexta-feira, 23 de março de 2012

Hei! Sem tensão...

SE A NAÇÃO ESTÁ DE CHICO
N'OUTRO DIA FICA FÉRTIL.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

querido diário


querido diário, ontem, 19 de fevereiro de 2012, eu q só pintava livro de colorir - os de caligrafia não me favorecia (sic), ganhei enredo de escola de samba. agora sou "artista imortal"! "uma extensão das mãos de deus", disse o moço q canta...  não é tudo de bom? querido diário ... sem palavra. só quero deixar um beijo pra minha mãe, outro pro meu pai e outro pra você.


... 22 de fevereiro de 2012... Ups.

Romero Britto

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sphere - Four In One - 1982



Em 1981, o grande Charlie Rouse e o não menos talentoso pianista Kenny Barron deram luz ao redondíssimo grupo “Sphere”, um quarteto dedicado a difundir a obra de Thelonious Sphere Monk. Da banda faziam parte, certamente, os amigos de longa data pela interação - baterista Ben Riley e baixista Buster Williams -, e o escrete permaneu em atividade até a morte de Rouse, em 1988. Na conta do allmusic.com, o quarteto lançou 8 álbuns oficiais e poucas semanas antes do falecimento do saxofonista, a banda havia realizado uma vitoriosa temporada no Village Vanguard. Embora o Sphere tenha começado como uma banda tributo, também realizou temas originais e standards de jazz durante sua existência. O quarteto gravou para a Elektra Musician, Red, e Verve (incluindo um conjunto de músicas de Charlie Parker no último álbum "Bird Songs" 1988). E teve um breve retorno aos palcos em 1997, com Gary Bartz assumindo o papel de Rouse, durante um festival de jazz em Atenas, na Grécia.

Sobre este que vem a ser o primeiro LP do Sphere, se há algo a lamentar a partir de sua audição, será o fato do muso inspirador, Thelonious Monk, ter morrido exatamente no dia em que “Four in One” foi lançado (17/02/1982). Isto porque mesmo os aparentemente escassos 35 minutos de duração deste que é um verdadeiro tratado sobre algumas monkianas, são um claro recurso que os artistas envolvidos nos dão para repetir sua execução, no mínimo 3 vezes. A conclusão é definitiva, pode acreditar: são os 35 minutos mais bem fundamentados da história dos álbuns tributo. Ou então vá, ouça e se puder, questione.

A postagem vai em homenagem ao meu amigo maranhoca, Érico Cordeiro, de quem tomei emprestado as primeiras informações deste texto e por mesmo sem querer, me lembrar que havia esquecido por tempo demais do grande pianista que é Kenny Barron. Valeu, mr.!

Bom, a faixa "demo" escolhida foi A Escolhida por motivos emotivos, destaco um estupefato eu mesmo ouvindo e repetindo o mesmo take várias vezes, enquanto virando a ampola de cerveja no butiquim da preferência repetia como um mantra "... O que é esse Buster Williams no baixo, karái...?!!! Que bôuom bom da porra, seu!" É que um músico fera não precisa de um solo de 30 minutos pra mostrar serviço, com alguns segundos dá-se, numa boa, a evidência.
 
Sphere "Four In One" 4 - Evidence


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

René Thomas (Guitar Groove) 1960




O guitarrista belga Rene Thomas fez sua estréia como  líder neste encontro em 1960 para o selo Jazzland. Residente em Quebec, naquele momento, Thomas é acompanhado por um elenco de personagens americanos em seu “Guitar Groove”. No baixo Teddy Kotick - época em que este era, de uma só vez, membro do Horace Silver Group e do grupo de Bill Evans... No sax tenor, o mago JR Monterose, junta-se a René a partir de intervalos com o seu próprio disco solo "The Message". Albert "Tootie" Heath, em seguida, entre passagens por combos com JJ Johnson e os Jazztet, além do então menino, Hod O'Brien, ao piano. Músicos da mais alta patente, como improvisadores qualificados sempre sabem quando fazer concessões em benefício do ajuste do grupo. Além dos três números originais (compostos por J.R. Monterose, em que M.T.C. é dos momentos mais felizes, para o álbum), os mergulhos do quinteto no livro de standards de jazz, tornam versões obrigatórias "Like Someone in Love" (de Burke e VanHeusen), um libelo aos Gershwin, “How Long Has This Been Going On?"... De Monk, "Ruby, My Dear", e de Miles Davis, "Milestones". Por vezes os músicos são quase respeitosos ao extremo, embora a centelha fornecida pela pontuação de Heath ilumine e traga o calor necessário a todas as interpretações. Thomas se comporta da forma refinada e econômica como é praxe entre os grandes guitarristas de sua geração, e os que o influenciaram, seu toque tem um fluxo requintado e simples. Reserva "How Long"... para si próprio, se estendendo por seis minutos, acompanhado apenas por pinceladas de Heath e Kotick, discretíssimos. Embora tenha feito contribuições substanciais para reuniões com Chet Baker, Sonny Rollins, Stan Getz e outros, “Guitar Groove” é indiscutivelmente o momento mais forte da carreira de René Thomas. Finalmente solo e como líder!

Como dito acima, René Thomas nasceu na Bélgica, em Liege (1927). Foi considerado um dos maiores guitarristas de jazz da década de 1960. Nos Estados Unidos, tocou com os melhores músicos da época, entre eles Stan Getz, Miles Davis, Toshiko Akiyoshi e Jack McLean. No retorno à Europa, em 1962, excursionou e gravou com Chet Baker, Bobby Jaspar, Kenny Clarke, Eddy Louiss, Luky Thompson e mais um monte de gente boa. Infelizmente, um ataque cardíaco fulminante abrevia-lhe a vida ainda aos 48 anos, em 1975, na Espanha.

Pro navegante, uma prova do enorme talento do moço em questão - e claro, da patotinha da pavirada que o assessorava...  

Guitar Grove, faixa 4: M.T.C.

René Thomas (Guitar Groove) 1960

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A caninha do dilema


Já que o Blogger, agora vive me negando o direito de comentar nos blogs amigos, aconteceu, virou postagi. Essa vai em resposta a última postagem do meu amigo Lester:


Olha, mr., me perdoe ser sempre (ou na melhor das hipóteses, quase sempre) o troglodita desta casa, mas, em se tratando da marvada, aí é que não dá pra manter a linha.

Pois veja, outro dia fui no Pianense. Simpatíssíssimo botequinho que, para bom entendedor o meio termo “"C” de fora”, basta. Fica ali entre o Humaitá e Botafogo, numa rua nos fundilhos da Cobal. Infim, lá o que tem é cachaça a dar com o pau de Pereira. E ainda que não estivesse disposto na intenção, com tanta oferta, resolvi fazer a posição do que procura. E quem procura... Normalmente só bebo Salinas, porram, naquele dia fiquei no ânimo de improvisar. E foram, Boazinhas; negas fulo, tomei também uma Providência e outras... Mas antes de entrar na coleção das caninhas de duplo sentido, rapidamente "no estado", tratei de lembrar de esquecer.

Pois também lá tinha uma famosa inesquecível. Tanto que numa analise detida ao campo das marcas e patentes, considerei a grife, a pior jogada de marquetingue deste planeta marqueteiro. E por uma letra só! Vê se não é:

A danada se chama “Na Bunda”, agora imagina um tour por todas aquelas maravilhas... A curiosidade - agora de um estudioso - aflorando a cada dose, mas sempre, por uma questão óbvia, tendo que empurrar “Na bunda” pra depois... Não, porque o nome é bom! Tem humor, atrai a curiosidade... Digo, pense num teste sério, criterioso, sem preconceitos, mas incompleto. E incompleto pelo Q? Timidez? O bom e retrógrado machismo? Mas, veja bem, meu leitor, se um cara, supostamente pesquisador sério, deixar pra tomar “Na Bunda” logo na entrada já é estranho, imagina deixar pra provar "Na Bunda" no fim, quando o do bêbado não tem dono. Não! Numa segunda análise, chega-se a conclusão que esse marqueteiro é um provocador, um Rabelais! Porque, veja: se o freguês se orgulhar de ser um bêbo conhecido - nem alcoolatra anônimo, muito menos pesquisadorzinho hipócrita -, consumindo direto "Na Bunda" estará literalmente, enchendo o cu de cachaça! Não é o que quer? Então a questão é rabelaisiana, sim!

Agora, pq disse que uma letra apenas é o grande dilema? Simples, se se tira a contração, a responsabilidade passa toda pro fornecedor. Você pode dizer, por exemplo, satisfeito só pra  tirar uma onda: “Pronto já tomei todas, agora ta na hora de, finalmente (daí a gente esfrega as mãos), você me servir... “A Bunda”! é ou não, pro cliente (que afinal ta pagano), mais confortável do que, com a mesma ansiedade e/ou curiosidade, ter que se contrair nessa hora delicada, e com o detalhe de já bebum, ainda estar impaciente e sem vergonha,  esfregando as mãos... “Pronto já tomei todas, agora ta na hora de, finalmente, você me servir"... Complete a linha pontilhada. Como diria o cara que rima(va), o Bussunda: Fala sério!

Mas anfã, se a curiosidade do leitor no plural geral é saber se o provador foi até o fundo na pesquisa... Essa terminou na hora certa. Afinal essas caninhas importadas do interiorl, costumam custar caro. De, com sorte, 4 a 8 r$ a dose, daí q antes de chegar "Na Bunda", cutuquei o bolso lateral e vi que só sobrou só o da passagi. Ufa! De troco fica a idéia. Se boa ou não, se decide no balcão.
 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Joe Mooney (Do You Long for Oolong) 1940-50s


... Pois é, voltei. Direto ao point - quando o point da música agora também fica na orla, Delfim Moreira, Leblon, entre General Artigas e Rainha Guilhermina (somente aos domingos). 
Outro dia recebi lá, e em mãos do autor, o livro "Rio Bossa Nova um roteiro lítero musical". No capítulo "Lojas Murray", página 41... transcrevo: "Há décadas, a rua Rodrigo Silva, 18-A, quase esquina com a rua 7 de Setembro, é ocupada por estabelecimentos como bancos ou lojas de geladeiras. Mas, no passado, por volta de 1948 e pelos quase 10 anos seguintes, esse endereço abrigou a Murray, a melhor loja de discos importados do Rio - e também um ponto de encontro de jovens que sabiam das coisas.

Ali se reuniam os cantores e músicos da época, os membros do Sinatra-Farney Fan Club e os rapazes dos conjuntos vocais entre os quais Os Garotos da Lua, Os Cariocas e Os Quatro Azes e Um Coringa. (...) A Murray tinha um estoque de discos que os fãn da música moderna, brasileira ou americana, disputavam com paixão.

Em meados dos anos 50, João Gilberto veio da Bahia para substituir o Jonas Silva, no Garotos da Lua. Foi na Murray que ele conheceu pessoalmente os seus ídolos, Orlando Silva e Lúcio Alves e ouviu os discos de cantores que o marcariam, como Nat King Cole, Joe Mooney e o Page Cavanaugh Trio... (...)."

Paremos por aqui a transcrição: "Joe Mooney", esse nome me atraiu. Já reparou como a quantidade de cantoras do jazz americano - e provavelmente em todo o mundo - é desproporcionalmente maior que a dos cantores? Há uns anos, produzi facilmente um disco coletânea, pro meu bel prazer, só de cantoras de jazz e ando pensando em fazer o mesmo com cantores, mas com a minha memória de peixe e essa disparidade numérica, no meu HD fraquin sobre o pescoço, não consigo juntar 10 nomes! Daí que esse para mim obscuro Mooney era mais um! "Mais um" só por enquanto...

Fala Scott Yanow:
"Joe Mooney, que na década de 1920gravava como um dosmeninos” do Boys Sunshine, durante a segunda metade da década de 1940 liderou um quarteto bastante popular, onde sua voz e acordeão, eram acompanhados pelo clarinetista Andy Fitzgerald, o guitarrista Jack Hotop, eo baixista Gates Frega. Uma seção das melhores gravações do grupo, entre 1946 e 47 (incluindo material recentemente descoberto e bônus a partir de uma transmissão de rádio) estão neste CD definitivo. O som do grupo, o acordeão melódico, clarinete, solos de guitarra e os vocais atraentes de Mooney deram à banda de curta duração a sua própria identidade, transformando Mooney em cultuada figura durante até décadas após sua morte em 1975 (Mooney nasceu em 1911 em New Jersey). Entre os números destacam-se "Tea for Two", "Meet Me at No Place Especial", "I Never Knew" e "September Song". Este disco intrigante por sua atemporalidade, e obrigatório, fecha com quatro números de 1951, altura em que Mooney substituiu o acrdeon pelo órgão e se juntara ao guitarrista Bucky Pizzarelli e Bob Carter, no baixo."

(meus 3) Amigos leitores, acabo de ser apresentado a uma lenda! Ouçam e me digam se nos anos 40 do século passado, em termos de jazz vocal e arranjos tão enxutos, se podia fazer algo mais atemporal.

Joe Mooney: A Warm Kiss And A Cold Heart



Joe Mooney: Shakey Breaks The Ice



Joe Mooney (Do You Long for Oolong) 1940-50s

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Sem fins lucrativos (com a imagem de terceiros)

Texto retirado de e-mail (meu) enviado a amigo:



"Ultimamente, tais situações ocorrem "somente aos domingos" – make um título de filme -, praticamente todos os domingos! Pro may mal e pro bem. Mas observe, senhor X, só tem vosmecê, q conhece a história desde o começo, p'reu poder compartilhar (agora compartilho com os meus 3 leitores aqui). Tou bem eu lá na orla, pondo meu sonzinho e vendendo meus disquinhos, quando me aparece o senhor Y, baterista de uma famosíssima banda carioca... Na verdade, ele, o Y, ia passando batido, uma das amigas dele é que, ao passar pela bike lojinha, reparou no som que rolava - nada menos que "Duke Ellington Meets Coleman Hawkins” (1962). Um clássico... Pois bem, a moça, amiga do Y, batera da banda, parou e perguntou, "quem ta tocando?", apontei a capa e respondi. Aí sim o Y parou diante da lojinha e começou a folhear os CDs. Daí, naturalmente, começaram as vendas. E foi, além do Duke, 2 Crimson Jazz Trio, mais um "Lizard" 1972, do King Crimson, mais o "Three Friends" 1972, do Gentle Giant e mais o álbum "Snafu" (1969) que eu apresentei pra ele, da banda East Of Eden... No fim, disse a clássica frase: "deixa eu fugir daqui senão compro tudo" (clássica porque muitos que pararam naquele point da Delfim, disseram exatamente o mesmo). Classuda também foi a compra, porque, por exemplo, ao comprar o Three Friends, disse-me. "Eu não tenho esse em espécie, só em mp3". Ou seja entendeu na alma o espírito e o conceito "Saudosista é o K7"! E, ó porque frisei que o cara nem reparou no som, nem na bikelojinha: não foi uma crítica. Não foi a amiga quem chamou a atenção dele? Então, pelo fato compreende-se que o baterista da banda famosa, nem leu a marca/conceito "Saudosista é o K7" estampada enorme nas laterais da bikelojinha. Sacou tudo porque é como se fosse da geração internet... Enfim, sobre esses "meninos" que (sem qualquer pretensão) entendem tudo, falarei mais adiante.



Minutos depois passa um senhor, ali pela nossa idade (minha, do senhor X e a dele mesmo), começa a folhear os discos - tem um razoável conhecimento de jazz - e eu apresento-lhe o Benny Bailey "Grand Slam" (1978), de quem M nunca ouvira falar. M me diz, depois de um breve bate-papo sobre jazz: "Tou muito afim de comprar, mas... (meio aflito, revela) “é que eu sou músico"... Bom, o cara estava com crise de consciência porque os CDs eram cópias.



Resumindo a ópera: senhor X, sabe porque abomino deus mercado? Justamente porque ele se tornou, a bem, ou melhor, pro mal de uma verdade cidadã, um Todo Poderoso Deus! Quando alguém acha que está respeitando o artista, já nem entende mais que raciocina pela falácia ecoada muitas milhares de vezes pelos obreiros do Senhor (mercado) que "comprar pirataria é crime". Claro que é crime! Por exemplo, comprar pirata a obra da Ivete (Sangalo) é um crime, não porque a elite do bom gosto acha ruim, mas porque provavelmente tal produto pode ser que ainda seja inteiramente encontrado nas Lojas Americanas do seu e do nosso bairro, ou o filme Tropa de Elite 2, ou sei lá o que quer que esteja à venda nas boas e nas más casas do ramo. Isto sim é crime, porque existe uma indústria por trás (aliás por trás, pela frente e de ladinho!)... No fundo ele (o senhor M de músico com medo) sabe que o meu produto é raro, e ele sabe, também, que, no original, o produto pode custar uma fortuna, mas o que principalmente ele não sabe ou não atina para (e aí está um bom exemplo do universal poder da voz ecoada pelos obreiros do "Senhor"), é que não fosse o apresentador do "produto" (artista Benny Bailey), ele que regula com a nossa idade (minha, a do senhor X e a dele próprio, que já ultrapassamos o cabo da boa esperança), poderia bem/mal morrer sem conhecer o incrível trompetista BB! E aí à lá Rei Roberto Carlos, eu te proponho duas questões bem distintas, sr. X: há maior desrespeito a qualquer artista, que morrer sem se ter conhecimento dele? Então se é assim, Mercado é ou não é um deus que cega (e por tabela ensurdece) as pessoas?"



Aí alguém diz “Ah, senhor Sergio Sônico, você insiste demais neste assunto. Teria o senhor algum drama de consciência?” E eu diria sim e não. Sim porque ilegalmente, também pratico o mercado! Olha o tamanho do conflito - este sim, mais justo! E enquanto pessoas cultas como o senhor M pensarem como pensam, eu, com minha ética rígida, me preocuparei de estar tornando uma compra, venda no meu caso, um tormento pra M. Imagine, ele, no sacro santo lar, ouvindo um sonzaço daqueles sem relaxar, todo conflituoso entre ele e a consciência ética mais rígida que a minha.

Já que é assim, a M o que é de M. Aqui vai uma sugestão toda digratis: Porque não pesquisa no Amazon* e, após ouvir a cópia, em gostando compra o original? Daí, o senhor M poderia até devolver o produto maculado pro vendedor... Pode, numa boa, trazê-lo de volta, como quem pega numa cueca do alheio usada. Se pago o que já pagou somente pela informação, tá zuzo certo! Seria genial! Minha lojinha toda cheia de máculas, poderia virar uma locadora! Paga-se (aluguel) pela informação! Assim, deixam de alugar a minha paciência e consciência ética, tão zelosa delas mesmas. Mas... quer saber, meu camarada leitor? Ainda assim, seria crime. Assim como é crime, se fores blogueiro, disponibilizar a cópia mp3 de seus próprios discos! Meu amigo, me desculpe se eu gritar, se gritei foi pra frisar, mas, nesse particular, ABSOLUTAMENTE TUDO É CRIME! Não surpreenderá se amanhã bem cedo, a polícia do mercado prender a mim ou ao leitor amante de música, se nos pegam cantando canção alheia (cada um no seu quadrado, claro) no chuveiro, sem pagar direitos autorais - isso naquele bom e velho esquema: 0,1% pro autor, a parte do leão, meio a meio, ao leão e ao executivo da gravadora. Justo, muito justo. Justíssimo!

Uma observação importante: ao leitor que pensar que vejo M com reservas... Não! Com reservas eu vejo a ingenuidade na quase 3ª idade, num ser que afinal de contas é músico, autista, digo, artista, portanto com todas as condições de reunir algum discernimento... Afinal, esse direito eu tenho.


Bem “sim e não”, eu disse aqui encima, em respeito a consciência. O “sim”, me afeta a consciência, já respondi, sem pestanejar. O “não”, não é tão simples porque felicidade me dá é quando alguém chega na lojinha como um “menino da internet” que já nasce sabendo tudo, diante de um computador. Que me chega grato, não perguntando diante mão se é “pirata”, porque sabe que tal estigma ofende quem se arrisca**... Que não tenta pechinchar, porque entende o trabalho que dá! Que compra grato porque está aprendendo, conhecendo, se deliciando com as boas novas e antigas novidades - porque sabe que tudo o que é bom, em termos de música, se tornou ou raro ou caríssimo, pela édige do talzinho lá que nêgo deu agora de endeusar... Porque reconheceu de bate-e-pronto, que outro ser humano inventou uma fórmula maluca para compartilhar a boa música e dar mais sentido a vida de ambos! Afinal, há o corpo a corpo, o contato direto, o papo, além do conhecimento. Isso é muito mais que bom. É bótimo, é sensacional! E que sorte (a minha) que esse povo que já compra sabendo sem questionamentos, é muito mais numeroso do que os cautelosos e/ou, pior, os arrivistas, que só querem levar vantagem em tudo e ainda desprezam o dono da iniciativa. São eles, os(as) verdadeiros(as) meninos(as) em espírito, sem limite de idade, evidentemente, que me fazem insistir num trabalho lento de conscientização. Sim, conscientização é a palavra! Porque em jogo está mais que a música, está a ciência de que o mercado não pode passar a existir como O orgão regulador da ética, cidadania e de tudo que literal e, antes, naturalmente nos era caro na vida. Antes dele e muito até contra ele, vem a Arte! E porque não tirar o mercado das nossas preces, suas certezas pueris vomitadas e colocar a Arte, na base e acima do resto?

* se o leitor pesquisou no link - antes de tudo obrigado por estar ligado na questão -, viu que o disco de Benny Bailey nem está tão caro 16 dólares. Mas há uma advertência: Temporarily out of stock sendo que os preços variam, entre 16 dólares e até 50 e tantos dólares. O que faz um mesmo álbum custar entre 16 e 50 dólares, não tenho total entendimento, mas, nesse campo legítimo de Mercado, os que têm pra gastar é que entendam.

** o risco é todo de quem vende! Veja, na balada do deus mais picareta do planeta - mais ou, no mínimo, tanto quanto todos os porta vozes das igrejas universais juntos -, à palavra de Mercado não se faz consessão. Nem à arte, muito menos à cultura, justo porque a cultura é o inferno astral d'O Cara! Lembra do Admirável Mundo Novo do Huxley? É por aí. E se não sabes do livro mais famoso do afamadééérrrimo escritor e ensaísta inglês, please, mestre Google não caiu e parou na Rede porque estava de bobeira... 

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Guy Lafitte (The Things We Did Last Summer) 1991

O veterano saxofonista tenor Guy Lafitte, caracterizado principalmente pelo seu jazz suave com grande queda para as baladas (aqui com algumas peças mais rápidas) está impecável neste refinado lançamento em CD (1991) pelo selo francês Black & Blue. Provavelmente, o aspecto mais interessante no conjunto da obra (que mistura clássicos​​, como "Sweet Lorraine", "Sweet and Lovely" e "On the Trail", com alguns originais) é o fato do pianista Jacky Terrasson poder ser apreciado numa de suas primeiras gravações, elevando ainda mais o nível da seção rítmica, que inclui outra promessa, o baixista Pierre Boussaguet, e o experiente baterista Al Levitt.

A música é de excelente qualidade, mas o lado lamentável é que este CD jamais foi disponibilizado fora do circuito europeu – por exemplo, importá-lo pelo Amozon custa hoje, a mais do que nunca, insólita quantia de 99 dólares. Como diriam os francêses, je suis désolé...

E agora reparando bem na brochura do Lafitte da capa, a sensação é a de que ele antecipa o sentimento lá desde o verão de 1991.

Obs.: Este texto está na capa do meu exemplar genérico que vai pra lojinha de CDs de jazz fora de catálogo - a venda na única casa do ramo no Rio que se encontra um álbum de Guy Lafitte, entre outras fantásticas obscuridades. Aqui, craro, o álbum vai de grátis pra quem frequenta blogs. Quem curte o upgrade de CDs com identidade visual tipo capinha, vai caminhar na orla da Delfim Moreira e encontra um camelinho metido a besta - no Leblon, segundo alguns, TODOS são metidos à besta - e adiquire o álbum a metidos a besta 15 reais. No mais, todos q param pra conversar com o camelô do camelo, ficam sabendo deste blog, Sergio Sônico, e que se preferirem, baixam alguns dos álbuns sem custos. Mas nêgo gosta de CD com capa e aceita pagar numa boa. Ê bairrozinho besta, sô!

Ando may sumido, mas é por uma boa causa: causa d'eu que demanda tempo, afinal ambulante que não trabalha não come. Mas... todavia, contudo e esse negócio de dinheiro que vicia, quando tenho umzin (digo tempo) venho cá e trago um mimo pros meus fãs... Tô de sacanagi na parte dos fãs - e em todo resto tbm.

Abraços! 

Em tempo: seu san quédi o(s) livro(s), seu san? Agora sou um imprezário, tipo capitalista titã, só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder.

Ah! Em tempo 2, a missão: Grato mr. John Lester! Esse Guy, foi você quem me apresentou!

Vai uma provinha, freguesa?
Guy Lafitte (The Things We Did Last Summer) Take one 
"The Things We Did Last Summer"


quinta-feira, 16 de junho de 2011

Dizzy, Monk, Blakey, Stitt, Winding & McKibbon!



... Precisa falar mais não né? Deixe que a intro fale por si...



É isso mesmo: só uma chamada... E quem quiser que baixe outro.

Giants Of Jazz In Berlin' 71

sábado, 21 de maio de 2011

Só pra não esquecer:

Música é a cama, o sono e o sonho dos homens.

The Great Jazz Trio (Álbum: "Collaboration" - 2005)
Faixa 06: The Shadow of Your Smile
Músicos:
Hank Jones, Piano - Richard Davis, Bass - Elvin Jones, Drums

sábado, 14 de maio de 2011

East Of Eden (Kalipse) 1996


És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
... Já reparou no Charlie Watts tocando batera nos Stones? Todo mundo se esgoelando, fazendo pirueta lá na frente e o cara nunca, há 50 anos!, consegue esconder a pinta de "porque que eu me meti nisso?". Porque do aparente desconforto? Porque ele queria fazer Jazz, ora! E o tempo a ver com isso? O tempo é o senhor da mudança e com ela - não sou filólogo mas arrisco chutar que tempo + herança = temperança. Uma hora o tempo age e muda o foco e a forma da rebeldia. Quanto a Charlie Watts... ainda que congelado, envelhecendo... Por outro lado, é o melhor exemplo do cara errado em hora e local errados que deu super certo! Pense outro tão perfeito?

Bom, tresontonte retornei a uma banda que sempre que ouço fico com as sábias palavras de mr. Lester, catedrático em jazz, martelando nas idéias. As palavras não são as mesmas, mas o conceito é, jazzistas quando tentam tocar rock, ficam cheios de dedos, pés pisando em ovos, enfim, não é uma coisa natural. Enquanto quando roqueiros vão ao jazz, se sentem à vontade, fazem do jeito deles, pesado, divertido, sujo, sofrido, arrogante, com raiva!... É claro que toda a regra tem exceção, mas na média é bem isso sim.

E East Of Eden, uma banda britânica de Bristol, personifica essa verve além de, com a postagem que tento, explica essa magia do tempo. Sinceramente, eu duvido que haja nesse mundo um grupo de rock que personifique tão bem as palavras do Lester. Veja, entre 1969 e 1970, moleques ainda, eles gravaram dois discos divisores de águas na praia fusion de Soft Machine, King Crimson e um cauteloso Miles Davis. Segundo a crítica, além dos rasgados elogios, "Snafu", o 2º álbum, foi o disco mais não comercial a perdurar durante meses, entre os British Top 30" daquele 1970. Numa outra resenha, a explicação: "ao final de suas apresentações ao vivo, os músicos sempre tocavam uma musiquinha mais folk e brincalhona, totalmente diferente do estilo de seu repertório, como uma forma de relaxar a audiência após tanta massa sonora.". E nessa de sem querer mesmo, emplacaram "Jig-A-Jig", algo muito próximo a outro sucesso de Jean-Luc Ponty "New Country" de 1976 (álbum Imaginary Voyage). Mal comparando e sendo bem malvadinho, seria, um misto das duas, a música que a Família Lima vendia a alma ao demo, para ter composto... 

Malvadíssimo, eu fui. Com a comparação acima devo ter espantado uns 90% dos meus 3 leitores. Para não perder o último que me resta, vamos direto ao texto de Marco Gaspari sobre a banda East Of Eden.
 
Gerard Mercator (05/03/1512 - 02/12/1594) é considerado um divisor de águas na história da cartografia. Eminente geógrafo flamengo do século 16, foi ele o criador da primeira representação cartográfica confiável da esfera terrestre, através de projeções sobre uma superfície bidimensional e de um conjunto de mapas por ele denominado Atlas (já ouviu falar nessa palavra?), em homenagem ao rei Atlas da Mauritânia.

Pois ninguém melhor do esse senhor para batizar o primeiro álbum de uma banda inglesa que era um verdadeiro mapa-mundi de influências sonoras, anos antes da expressão world music ser cunhada pelos rotuladores de plantão.

Mercator Projected é o nome do álbum e a banda é nada mais nada menos que o East of Eden, uma ilustre desconhecida nos dias de hoje, mas um dos grupos mais originais da incipiente cena progressiva de sua majestade.

Formada em Bristol, no ano de 1967, e mudando para Londres no ano seguinte, a banda assinou com a Decca e passou a fazer parte do selo Deram. Sua formação na época era Dave Arbus (violino elétrico, flauta e saxofone), Ron Caines (sax alto), Geoff Nicholson (guitarra e vocais), Steve York (baixo) e Dave Dufont (percussão).

Mercator Projected saiu em 1969, misturando jazz, Bela Bártok, música oriental e rock, num caminho totalmente contrário ao dos medalhões da época que via de regra adotavam a fórmula solos de guitarra/teclados pirotécnicos.

Dave Arbus era o grande músico da banda, um cara totalmente maluco por Charles Mingus. Depois de ver Jean Luc-Ponty num show em Paris, passou a eletrificar seu violino, criando uma das marcas registradas do som do East of Eden (uma curiosidade: foi ele o responsável pelo longo solo de violino no final da música “Baba O’Riley” do The Who).

O álbum (Mercator Projected) trazia oito músicas que logo fixaram a banda como uma das mais cultuadas pelo público underground inglês, o que encorajou a Deram a lançar um segundo álbum: a obra-prima Snafu.

Com a formação alterada com a entrada de Andy Sneddon no baixo e Geoff Britton (mais tarde do Wings de Paul McCartney) na bateria, este álbum escancara ainda mais as influências jazzísticas de Dave Arbus e alcança o Top 30 nas paradas da Inglaterra.

Curioso é que no final de suas apresentações ao vivo, os músicos sempre tocavam uma musiquinha totalmente diferente do estilo de seu repertório, mais folk e brincalhona, como uma forma de relaxar a audiência após tanta massa sonora.
 
Pois não é que “Jig-a-Jig”, esse era o mome da musiquinha, gravada como single na época, chegou ao sétimo lugar nas paradas, permanecendo entre as dez mais por 12 semanas seguidas! Apesar de financeiramente satisfatório, esse sucesso repentino acabou por confundir o novo público que procurava nos discos do East of Eden mais exemplos comerciais de “Jig-a-Jig” e acabavam encontrando um som absolutamente refinado e desafiador.

Em 1972 o grupo sai da Deram e assina com a Harvest, lançando dois bons álbuns, embora bem mais convencionais. Vários discos e formações diferentes depois, a banda acaba em 1978, sem nunca ter reprisado o brilho de seus dois primeiros trabalhos.

Mercator Projected e Snafu permanecem como dois grandes exemplos de como o progressivo inglês soube ser imaginativo e audacioso antes de ser dominado pela ganância das gravadoras e pela megalomania inconseqüente de seus músicos. 
Texto de Marco Gaspari
Matéria originalmente publicada na revista poeira Zine número 19.
Para saber mais clique no www.poeirazine.com.br

Dadas as devidas explicações do "de quem se trata", o álbum que posto de East Of Eden é o realizado já em 1996. O primeiro da retomada, tipo os caras na 3ª idade, depois de um hiato de 20 anos, quando os cabeças da banda resolveram se reunir novamente e agora com o tempo a seu favor. Não dá pra dizer que é o mais puro jazz, afinal e sempre, será jazz de roqueiros, mas dá pra afirmar com prova musicabal sobre as sensíveis mudanças operadas pelo tempo - para não cair na armadilha da filosofice, troquemos o "custo" por "tempo/benefício" - numa arregimentação de músicos que nunca visaram só o dinheiro, com um potencial inesgotável para revolver o solo fértil das cifradas notas impressas sem $ifrão. E pelo amor de deus!, aqui não vai nenhuma crítica. Eu amo os Rolling Stones muito mais até que os Beatles. Acho que eles devem durar fazendo -only- roquenrou -but I like it- até que a morte os separe... Mesmo com o Watts com aquela cara de "amanhã eu peço as contas", a questão é que a proposta de East Of Eden é totalmente outra. Tanto mostrar o álbum (Kalipse 1996), como os outros dois mais importantes, no começo da batalha, foi uma idéia que maturei na cabeça devido a grande qualidade da música que esses caras, praticamente zerados do conhecimento público, faziam. Lembra do tresontonte da reaudição, quando mal lembrava de que East Of Eden existira? Depois de reouvir e repirar, tudo igualzinho como lá nos antigamente, fui atrás da obra dos caras, que creio, esteja em 10 originais entre 1969 e 2005. E aí sim, não descansei até encontrar o raríssimo (out of blogs) álbum "Kalipse". Outro detalhe bom pra pensar: o leitor conhece alguma outra banda que tenha nascido há mais de 40 anos, parou e voltou com praticamente a mesma formação, com o som convincente, honesto, sóbrio e todo reformulado, como pede o passar dos anos?  Pela lógica que espero ter conseguido passar neste texto, o som do Kalipse, o álbum, não é mais aquele desbunde feroz e revolucionário, ao contrário tem faixas maduras, elegantíssimas como logo a 1ª do título, dá uma sacada...

East Of Eden, Faixa 1. Kalipse


Tai uma banda que merece até tese. No lugar do leitor, ia pela ordem. Baixava o Mercator, depois o Snafu pra depois sentir a evolução e a temperança de Kalipse. Aliás a postagem foi realizada com esta intenção. Os links pros álbuns estão no texto. E se o texto deixou dúvidas, a velha máxima de uma imagem vale por mil palavras, deixará tudo às claras no vídeo.


Faixas:
1. Kalipse (Caines / Nicholson - 7:12) !!!!!

ATENÇÃO: baixe a faixa 2 aqui.
2. 5th Amendment (Nicholson - 7:39) 


3. Uccello (Caines - 4:27)  !!!!
4. Con Fuoco (Nicholson - 6:39)  !!!!!
5. Eddie Mars (Caines / Nicholson - 6:07) !!!!
6. Ballad X (Caines / Nicholson - 5:03) !!!!!
7. Light Source (Nicholson - 5:09) !!!!
8. Goodbye Pork Pie Hat (6:09)  !!!!
9. Nexus (Caines / Nicholson - 1:47)  !!!
10. Slow Food (Nicholson - 4:41) !!!!!

A banda:
- Dave Arbus / violin, flute
- Geoff Nicholson / guitar, drums, programming
- Ron Caines / Alto, Soprano & Tenor saxophone
- Jan Lehne / bass guitar