domingo, 19 de fevereiro de 2012

querido diário


querido diário, ontem, 19 de fevereiro de 2012, eu q só pintava livro de colorir - os de caligrafia não me favorecia (sic), ganhei enredo de escola de samba. agora sou "artista imortal"! "uma extensão das mãos de deus", disse o moço q canta...  não é tudo de bom? querido diário ... sem palavra. só quero deixar um beijo pra minha mãe, outro pro meu pai e outro pra você.


... 22 de fevereiro de 2012... Ups.

Romero Britto

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sphere - Four In One - 1982



Em 1981, o grande Charlie Rouse e o não menos talentoso pianista Kenny Barron deram luz ao redondíssimo grupo “Sphere”, um quarteto dedicado a difundir a obra de Thelonious Sphere Monk. Da banda faziam parte, certamente, os amigos de longa data pela interação - baterista Ben Riley e baixista Buster Williams -, e o escrete permaneu em atividade até a morte de Rouse, em 1988. Na conta do allmusic.com, o quarteto lançou 8 álbuns oficiais e poucas semanas antes do falecimento do saxofonista, a banda havia realizado uma vitoriosa temporada no Village Vanguard. Embora o Sphere tenha começado como uma banda tributo, também realizou temas originais e standards de jazz durante sua existência. O quarteto gravou para a Elektra Musician, Red, e Verve (incluindo um conjunto de músicas de Charlie Parker no último álbum "Bird Songs" 1988). E teve um breve retorno aos palcos em 1997, com Gary Bartz assumindo o papel de Rouse, durante um festival de jazz em Atenas, na Grécia.

Sobre este que vem a ser o primeiro LP do Sphere, se há algo a lamentar a partir de sua audição, será o fato do muso inspirador, Thelonious Monk, ter morrido exatamente no dia em que “Four in One” foi lançado (17/02/1982). Isto porque mesmo os aparentemente escassos 35 minutos de duração deste que é um verdadeiro tratado sobre algumas monkianas, são um claro recurso que os artistas envolvidos nos dão para repetir sua execução, no mínimo 3 vezes. A conclusão é definitiva, pode acreditar: são os 35 minutos mais bem fundamentados da história dos álbuns tributo. Ou então vá, ouça e se puder, questione.

A postagem vai em homenagem ao meu amigo maranhoca, Érico Cordeiro, de quem tomei emprestado as primeiras informações deste texto e por mesmo sem querer, me lembrar que havia esquecido por tempo demais do grande pianista que é Kenny Barron. Valeu, mr.!

Bom, a faixa "demo" escolhida foi A Escolhida por motivos emotivos, destaco um estupefato eu mesmo ouvindo e repetindo o mesmo take várias vezes, enquanto virando a ampola de cerveja no butiquim da preferência repetia como um mantra "... O que é esse Buster Williams no baixo, karái...?!!! Que bôuom bom da porra, seu!" É que um músico fera não precisa de um solo de 30 minutos pra mostrar serviço, com alguns segundos dá-se, numa boa, a evidência.
 
Sphere "Four In One" 4 - Evidence


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

René Thomas (Guitar Groove) 1960




O guitarrista belga Rene Thomas fez sua estréia como  líder neste encontro em 1960 para o selo Jazzland. Residente em Quebec, naquele momento, Thomas é acompanhado por um elenco de personagens americanos em seu “Guitar Groove”. No baixo Teddy Kotick - época em que este era, de uma só vez, membro do Horace Silver Group e do grupo de Bill Evans... No sax tenor, o mago JR Monterose, junta-se a René a partir de intervalos com o seu próprio disco solo "The Message". Albert "Tootie" Heath, em seguida, entre passagens por combos com JJ Johnson e os Jazztet, além do então menino, Hod O'Brien, ao piano. Músicos da mais alta patente, como improvisadores qualificados sempre sabem quando fazer concessões em benefício do ajuste do grupo. Além dos três números originais (compostos por J.R. Monterose, em que M.T.C. é dos momentos mais felizes, para o álbum), os mergulhos do quinteto no livro de standards de jazz, tornam versões obrigatórias "Like Someone in Love" (de Burke e VanHeusen), um libelo aos Gershwin, “How Long Has This Been Going On?"... De Monk, "Ruby, My Dear", e de Miles Davis, "Milestones". Por vezes os músicos são quase respeitosos ao extremo, embora a centelha fornecida pela pontuação de Heath ilumine e traga o calor necessário a todas as interpretações. Thomas se comporta da forma refinada e econômica como é praxe entre os grandes guitarristas de sua geração, e os que o influenciaram, seu toque tem um fluxo requintado e simples. Reserva "How Long"... para si próprio, se estendendo por seis minutos, acompanhado apenas por pinceladas de Heath e Kotick, discretíssimos. Embora tenha feito contribuições substanciais para reuniões com Chet Baker, Sonny Rollins, Stan Getz e outros, “Guitar Groove” é indiscutivelmente o momento mais forte da carreira de René Thomas. Finalmente solo e como líder!

Como dito acima, René Thomas nasceu na Bélgica, em Liege (1927). Foi considerado um dos maiores guitarristas de jazz da década de 1960. Nos Estados Unidos, tocou com os melhores músicos da época, entre eles Stan Getz, Miles Davis, Toshiko Akiyoshi e Jack McLean. No retorno à Europa, em 1962, excursionou e gravou com Chet Baker, Bobby Jaspar, Kenny Clarke, Eddy Louiss, Luky Thompson e mais um monte de gente boa. Infelizmente, um ataque cardíaco fulminante abrevia-lhe a vida ainda aos 48 anos, em 1975, na Espanha.

Pro navegante, uma prova do enorme talento do moço em questão - e claro, da patotinha da pavirada que o assessorava...  

Guitar Grove, faixa 4: M.T.C.

René Thomas (Guitar Groove) 1960

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A caninha do dilema


Já que o Blogger, agora vive me negando o direito de comentar nos blogs amigos, aconteceu, virou postagi. Essa vai em resposta a última postagem do meu amigo Lester:


Olha, mr., me perdoe ser sempre (ou na melhor das hipóteses, quase sempre) o troglodita desta casa, mas, em se tratando da marvada, aí é que não dá pra manter a linha.

Pois veja, outro dia fui no Pianense. Simpatíssíssimo botequinho que, para bom entendedor o meio termo “"C” de fora”, basta. Fica ali entre o Humaitá e Botafogo, numa rua nos fundilhos da Cobal. Infim, lá o que tem é cachaça a dar com o pau de Pereira. E ainda que não estivesse disposto na intenção, com tanta oferta, resolvi fazer a posição do que procura. E quem procura... Normalmente só bebo Salinas, porram, naquele dia fiquei no ânimo de improvisar. E foram, Boazinhas; negas fulo, tomei também uma Providência e outras... Mas antes de entrar na coleção das caninhas de duplo sentido, rapidamente "no estado", tratei de lembrar de esquecer.

Pois também lá tinha uma famosa inesquecível. Tanto que numa analise detida ao campo das marcas e patentes, considerei a grife, a pior jogada de marquetingue deste planeta marqueteiro. E por uma letra só! Vê se não é:

A danada se chama “Na Bunda”, agora imagina um tour por todas aquelas maravilhas... A curiosidade - agora de um estudioso - aflorando a cada dose, mas sempre, por uma questão óbvia, tendo que empurrar “Na bunda” pra depois... Não, porque o nome é bom! Tem humor, atrai a curiosidade... Digo, pense num teste sério, criterioso, sem preconceitos, mas incompleto. E incompleto pelo Q? Timidez? O bom e retrógrado machismo? Mas, veja bem, meu leitor, se um cara, supostamente pesquisador sério, deixar pra tomar “Na Bunda” logo na entrada já é estranho, imagina deixar pra provar "Na Bunda" no fim, quando o do bêbado não tem dono. Não! Numa segunda análise, chega-se a conclusão que esse marqueteiro é um provocador, um Rabelais! Porque, veja: se o freguês se orgulhar de ser um bêbo conhecido - nem alcoolatra anônimo, muito menos pesquisadorzinho hipócrita -, consumindo direto "Na Bunda" estará literalmente, enchendo o cu de cachaça! Não é o que quer? Então a questão é rabelaisiana, sim!

Agora, pq disse que uma letra apenas é o grande dilema? Simples, se se tira a contração, a responsabilidade passa toda pro fornecedor. Você pode dizer, por exemplo, satisfeito só pra  tirar uma onda: “Pronto já tomei todas, agora ta na hora de, finalmente (daí a gente esfrega as mãos), você me servir... “A Bunda”! é ou não, pro cliente (que afinal ta pagano), mais confortável do que, com a mesma ansiedade e/ou curiosidade, ter que se contrair nessa hora delicada, e com o detalhe de já bebum, ainda estar impaciente e sem vergonha,  esfregando as mãos... “Pronto já tomei todas, agora ta na hora de, finalmente, você me servir"... Complete a linha pontilhada. Como diria o cara que rima(va), o Bussunda: Fala sério!

Mas anfã, se a curiosidade do leitor no plural geral é saber se o provador foi até o fundo na pesquisa... Essa terminou na hora certa. Afinal essas caninhas importadas do interiorl, costumam custar caro. De, com sorte, 4 a 8 r$ a dose, daí q antes de chegar "Na Bunda", cutuquei o bolso lateral e vi que só sobrou só o da passagi. Ufa! De troco fica a idéia. Se boa ou não, se decide no balcão.
 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Joe Mooney (Do You Long for Oolong) 1940-50s


... Pois é, voltei. Direto ao point - quando o point da música agora também fica na orla, Delfim Moreira, Leblon, entre General Artigas e Rainha Guilhermina (somente aos domingos). 
Outro dia recebi lá, e em mãos do autor, o livro "Rio Bossa Nova um roteiro lítero musical". No capítulo "Lojas Murray", página 41... transcrevo: "Há décadas, a rua Rodrigo Silva, 18-A, quase esquina com a rua 7 de Setembro, é ocupada por estabelecimentos como bancos ou lojas de geladeiras. Mas, no passado, por volta de 1948 e pelos quase 10 anos seguintes, esse endereço abrigou a Murray, a melhor loja de discos importados do Rio - e também um ponto de encontro de jovens que sabiam das coisas.

Ali se reuniam os cantores e músicos da época, os membros do Sinatra-Farney Fan Club e os rapazes dos conjuntos vocais entre os quais Os Garotos da Lua, Os Cariocas e Os Quatro Azes e Um Coringa. (...) A Murray tinha um estoque de discos que os fãn da música moderna, brasileira ou americana, disputavam com paixão.

Em meados dos anos 50, João Gilberto veio da Bahia para substituir o Jonas Silva, no Garotos da Lua. Foi na Murray que ele conheceu pessoalmente os seus ídolos, Orlando Silva e Lúcio Alves e ouviu os discos de cantores que o marcariam, como Nat King Cole, Joe Mooney e o Page Cavanaugh Trio... (...)."

Paremos por aqui a transcrição: "Joe Mooney", esse nome me atraiu. Já reparou como a quantidade de cantoras do jazz americano - e provavelmente em todo o mundo - é desproporcionalmente maior que a dos cantores? Há uns anos, produzi facilmente um disco coletânea, pro meu bel prazer, só de cantoras de jazz e ando pensando em fazer o mesmo com cantores, mas com a minha memória de peixe e essa disparidade numérica, no meu HD fraquin sobre o pescoço, não consigo juntar 10 nomes! Daí que esse para mim obscuro Mooney era mais um! "Mais um" só por enquanto...

Fala Scott Yanow:
"Joe Mooney, que na década de 1920gravava como um dosmeninos” do Boys Sunshine, durante a segunda metade da década de 1940 liderou um quarteto bastante popular, onde sua voz e acordeão, eram acompanhados pelo clarinetista Andy Fitzgerald, o guitarrista Jack Hotop, eo baixista Gates Frega. Uma seção das melhores gravações do grupo, entre 1946 e 47 (incluindo material recentemente descoberto e bônus a partir de uma transmissão de rádio) estão neste CD definitivo. O som do grupo, o acordeão melódico, clarinete, solos de guitarra e os vocais atraentes de Mooney deram à banda de curta duração a sua própria identidade, transformando Mooney em cultuada figura durante até décadas após sua morte em 1975 (Mooney nasceu em 1911 em New Jersey). Entre os números destacam-se "Tea for Two", "Meet Me at No Place Especial", "I Never Knew" e "September Song". Este disco intrigante por sua atemporalidade, e obrigatório, fecha com quatro números de 1951, altura em que Mooney substituiu o acrdeon pelo órgão e se juntara ao guitarrista Bucky Pizzarelli e Bob Carter, no baixo."

(meus 3) Amigos leitores, acabo de ser apresentado a uma lenda! Ouçam e me digam se nos anos 40 do século passado, em termos de jazz vocal e arranjos tão enxutos, se podia fazer algo mais atemporal.

Joe Mooney: A Warm Kiss And A Cold Heart



Joe Mooney: Shakey Breaks The Ice


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Sem fins lucrativos (com a imagem de terceiros)

Texto retirado de e-mail (meu) enviado a amigo:



"Ultimamente, tais situações ocorrem "somente aos domingos" – make um título de filme -, praticamente todos os domingos! Pro may mal e pro bem. Mas observe, senhor X, só tem vosmecê, q conhece a história desde o começo, p'reu poder compartilhar (agora compartilho com os meus 3 leitores aqui). Tou bem eu lá na orla, pondo meu sonzinho e vendendo meus disquinhos, quando me aparece o senhor Y, baterista de uma famosíssima banda carioca... Na verdade, ele, o Y, ia passando batido, uma das amigas dele é que, ao passar pela bike lojinha, reparou no som que rolava - nada menos que "Duke Ellington Meets Coleman Hawkins” (1962). Um clássico... Pois bem, a moça, amiga do Y, batera da banda, parou e perguntou, "quem ta tocando?", apontei a capa e respondi. Aí sim o Y parou diante da lojinha e começou a folhear os CDs. Daí, naturalmente, começaram as vendas. E foi, além do Duke, 2 Crimson Jazz Trio, mais um "Lizard" 1972, do King Crimson, mais o "Three Friends" 1972, do Gentle Giant e mais o álbum "Snafu" (1969) que eu apresentei pra ele, da banda East Of Eden... No fim, disse a clássica frase: "deixa eu fugir daqui senão compro tudo" (clássica porque muitos que pararam naquele point da Delfim, disseram exatamente o mesmo). Classuda também foi a compra, porque, por exemplo, ao comprar o Three Friends, disse-me. "Eu não tenho esse em espécie, só em mp3". Ou seja entendeu na alma o espírito e o conceito "Saudosista é o K7"! E, ó porque frisei que o cara nem reparou no som, nem na bikelojinha: não foi uma crítica. Não foi a amiga quem chamou a atenção dele? Então, pelo fato compreende-se que o baterista da banda famosa, nem leu a marca/conceito "Saudosista é o K7" estampada enorme nas laterais da bikelojinha. Sacou tudo porque é como se fosse da geração internet... Enfim, sobre esses "meninos" que (sem qualquer pretensão) entendem tudo, falarei mais adiante.



Minutos depois passa um senhor, ali pela nossa idade (minha, do senhor X e a dele mesmo), começa a folhear os discos - tem um razoável conhecimento de jazz - e eu apresento-lhe o Benny Bailey "Grand Slam" (1978), de quem M nunca ouvira falar. M me diz, depois de um breve bate-papo sobre jazz: "Tou muito afim de comprar, mas... (meio aflito, revela) “é que eu sou músico"... Bom, o cara estava com crise de consciência porque os CDs eram cópias.



Resumindo a ópera: senhor X, sabe porque abomino deus mercado? Justamente porque ele se tornou, a bem, ou melhor, pro mal de uma verdade cidadã, um Todo Poderoso Deus! Quando alguém acha que está respeitando o artista, já nem entende mais que raciocina pela falácia ecoada muitas milhares de vezes pelos obreiros do Senhor (mercado) que "comprar pirataria é crime". Claro que é crime! Por exemplo, comprar pirata a obra da Ivete (Sangalo) é um crime, não porque a elite do bom gosto acha ruim, mas porque provavelmente tal produto pode ser que ainda seja inteiramente encontrado nas Lojas Americanas do seu e do nosso bairro, ou o filme Tropa de Elite 2, ou sei lá o que quer que esteja à venda nas boas e nas más casas do ramo. Isto sim é crime, porque existe uma indústria por trás (aliás por trás, pela frente e de ladinho!)... No fundo ele (o senhor M de músico com medo) sabe que o meu produto é raro, e ele sabe, também, que, no original, o produto pode custar uma fortuna, mas o que principalmente ele não sabe ou não atina para (e aí está um bom exemplo do universal poder da voz ecoada pelos obreiros do "Senhor"), é que não fosse o apresentador do "produto" (artista Benny Bailey), ele que regula com a nossa idade (minha, a do senhor X e a dele próprio, que já ultrapassamos o cabo da boa esperança), poderia bem/mal morrer sem conhecer o incrível trompetista BB! E aí à lá Rei Roberto Carlos, eu te proponho duas questões bem distintas, sr. X: há maior desrespeito a qualquer artista, que morrer sem se ter conhecimento dele? Então se é assim, Mercado é ou não é um deus que cega (e por tabela ensurdece) as pessoas?"



Aí alguém diz “Ah, senhor Sergio Sônico, você insiste demais neste assunto. Teria o senhor algum drama de consciência?” E eu diria sim e não. Sim porque ilegalmente, também pratico o mercado! Olha o tamanho do conflito - este sim, mais justo! E enquanto pessoas cultas como o senhor M pensarem como pensam, eu, com minha ética rígida, me preocuparei de estar tornando uma compra, venda no meu caso, um tormento pra M. Imagine, ele, no sacro santo lar, ouvindo um sonzaço daqueles sem relaxar, todo conflituoso entre ele e a consciência ética mais rígida que a minha.

Já que é assim, a M o que é de M. Aqui vai uma sugestão toda digratis: Porque não pesquisa no Amazon* e, após ouvir a cópia, em gostando compra o original? Daí, o senhor M poderia até devolver o produto maculado pro vendedor... Pode, numa boa, trazê-lo de volta, como quem pega numa cueca do alheio usada. Se pago o que já pagou somente pela informação, tá zuzo certo! Seria genial! Minha lojinha toda cheia de máculas, poderia virar uma locadora! Paga-se (aluguel) pela informação! Assim, deixam de alugar a minha paciência e consciência ética, tão zelosa delas mesmas. Mas... quer saber, meu camarada leitor? Ainda assim, seria crime. Assim como é crime, se fores blogueiro, disponibilizar a cópia mp3 de seus próprios discos! Meu amigo, me desculpe se eu gritar, se gritei foi pra frisar, mas, nesse particular, ABSOLUTAMENTE TUDO É CRIME! Não surpreenderá se amanhã bem cedo, a polícia do mercado prender a mim ou ao leitor amante de música, se nos pegam cantando canção alheia (cada um no seu quadrado, claro) no chuveiro, sem pagar direitos autorais - isso naquele bom e velho esquema: 0,1% pro autor, a parte do leão, meio a meio, ao leão e ao executivo da gravadora. Justo, muito justo. Justíssimo!

Uma observação importante: ao leitor que pensar que vejo M com reservas... Não! Com reservas eu vejo a ingenuidade na quase 3ª idade, num ser que afinal de contas é músico, autista, digo, artista, portanto com todas as condições de reunir algum discernimento... Afinal, esse direito eu tenho.


Bem “sim e não”, eu disse aqui encima, em respeito a consciência. O “sim”, me afeta a consciência, já respondi, sem pestanejar. O “não”, não é tão simples porque felicidade me dá é quando alguém chega na lojinha como um “menino da internet” que já nasce sabendo tudo, diante de um computador. Que me chega grato, não perguntando diante mão se é “pirata”, porque sabe que tal estigma ofende quem se arrisca**... Que não tenta pechinchar, porque entende o trabalho que dá! Que compra grato porque está aprendendo, conhecendo, se deliciando com as boas novas e antigas novidades - porque sabe que tudo o que é bom, em termos de música, se tornou ou raro ou caríssimo, pela édige do talzinho lá que nêgo deu agora de endeusar... Porque reconheceu de bate-e-pronto, que outro ser humano inventou uma fórmula maluca para compartilhar a boa música e dar mais sentido a vida de ambos! Afinal, há o corpo a corpo, o contato direto, o papo, além do conhecimento. Isso é muito mais que bom. É bótimo, é sensacional! E que sorte (a minha) que esse povo que já compra sabendo sem questionamentos, é muito mais numeroso do que os cautelosos e/ou, pior, os arrivistas, que só querem levar vantagem em tudo e ainda desprezam o dono da iniciativa. São eles, os(as) verdadeiros(as) meninos(as) em espírito, sem limite de idade, evidentemente, que me fazem insistir num trabalho lento de conscientização. Sim, conscientização é a palavra! Porque em jogo está mais que a música, está a ciência de que o mercado não pode passar a existir como O orgão regulador da ética, cidadania e de tudo que literal e, antes, naturalmente nos era caro na vida. Antes dele e muito até contra ele, vem a Arte! E porque não tirar o mercado das nossas preces, suas certezas pueris vomitadas e colocar a Arte, na base e acima do resto?

* se o leitor pesquisou no link - antes de tudo obrigado por estar ligado na questão -, viu que o disco de Benny Bailey nem está tão caro 16 dólares. Mas há uma advertência: Temporarily out of stock sendo que os preços variam, entre 16 dólares e até 50 e tantos dólares. O que faz um mesmo álbum custar entre 16 e 50 dólares, não tenho total entendimento, mas, nesse campo legítimo de Mercado, os que têm pra gastar é que entendam.

** o risco é todo de quem vende! Veja, na balada do deus mais picareta do planeta - mais ou, no mínimo, tanto quanto todos os porta vozes das igrejas universais juntos -, à palavra de Mercado não se faz consessão. Nem à arte, muito menos à cultura, justo porque a cultura é o inferno astral d'O Cara! Lembra do Admirável Mundo Novo do Huxley? É por aí. E se não sabes do livro mais famoso do afamadééérrrimo escritor e ensaísta inglês, please, mestre Google não caiu e parou na Rede porque estava de bobeira... 

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Guy Lafitte (The Things We Did Last Summer) 1991

O veterano saxofonista tenor Guy Lafitte, caracterizado principalmente pelo seu jazz suave com grande queda para as baladas (aqui com algumas peças mais rápidas) está impecável neste refinado lançamento em CD (1991) pelo selo francês Black & Blue. Provavelmente, o aspecto mais interessante no conjunto da obra (que mistura clássicos​​, como "Sweet Lorraine", "Sweet and Lovely" e "On the Trail", com alguns originais) é o fato do pianista Jacky Terrasson poder ser apreciado numa de suas primeiras gravações, elevando ainda mais o nível da seção rítmica, que inclui outra promessa, o baixista Pierre Boussaguet, e o experiente baterista Al Levitt.

A música é de excelente qualidade, mas o lado lamentável é que este CD jamais foi disponibilizado fora do circuito europeu – por exemplo, importá-lo pelo Amozon custa hoje, a mais do que nunca, insólita quantia de 99 dólares. Como diriam os francêses, je suis désolé...

E agora reparando bem na brochura do Lafitte da capa, a sensação é a de que ele antecipa o sentimento lá desde o verão de 1991.

Obs.: Este texto está na capa do meu exemplar genérico que vai pra lojinha de CDs de jazz fora de catálogo - a venda na única casa do ramo no Rio que se encontra um álbum de Guy Lafitte, entre outras fantásticas obscuridades. Aqui, craro, o álbum vai de grátis pra quem frequenta blogs. Quem curte o upgrade de CDs com identidade visual tipo capinha, vai caminhar na orla da Delfim Moreira e encontra um camelinho metido a besta - no Leblon, segundo alguns, TODOS são metidos à besta - e adiquire o álbum a metidos a besta 15 reais. No mais, todos q param pra conversar com o camelô do camelo, ficam sabendo deste blog, Sergio Sônico, e que se preferirem, baixam alguns dos álbuns sem custos. Mas nêgo gosta de CD com capa e aceita pagar numa boa. Ê bairrozinho besta, sô!

Ando may sumido, mas é por uma boa causa: causa d'eu que demanda tempo, afinal ambulante que não trabalha não come. Mas... todavia, contudo e esse negócio de dinheiro que vicia, quando tenho umzin (digo tempo) venho cá e trago um mimo pros meus fãs... Tô de sacanagi na parte dos fãs - e em todo resto tbm.

Abraços! 

Em tempo: seu san quédi o(s) livro(s), seu san? Agora sou um imprezário, tipo capitalista titã, só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder.

Ah! Em tempo 2, a missão: Grato mr. John Lester! Esse Guy, foi você quem me apresentou!

Vai uma provinha, freguesa?
Guy Lafitte (The Things We Did Last Summer) Take one 
"The Things We Did Last Summer"


quinta-feira, 16 de junho de 2011

Dizzy, Monk, Blakey, Stitt, Winding & McKibbon!



... Precisa falar mais não né? Deixe que a intro fale por si...



É isso mesmo: só uma chamada... E quem quiser que baixe outro.

Giants Of Jazz In Berlin' 71

sábado, 21 de maio de 2011

Só pra não esquecer:

Música é a cama, o sono e o sonho dos homens.

The Great Jazz Trio (Álbum: "Collaboration" - 2005)
Faixa 06: The Shadow of Your Smile
Músicos:
Hank Jones, Piano - Richard Davis, Bass - Elvin Jones, Drums

sábado, 14 de maio de 2011

East Of Eden (Kalipse) 1996


És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
... Já reparou no Charlie Watts tocando batera nos Stones? Todo mundo se esgoelando, fazendo pirueta lá na frente e o cara nunca, há 50 anos!, consegue esconder a pinta de "porque que eu me meti nisso?". Porque do aparente desconforto? Porque ele queria fazer Jazz, ora! E o tempo a ver com isso? O tempo é o senhor da mudança e com ela - não sou filólogo mas arrisco chutar que tempo + herança = temperança. Uma hora o tempo age e muda o foco e a forma da rebeldia. Quanto a Charlie Watts... ainda que congelado, envelhecendo... Por outro lado, é o melhor exemplo do cara errado em hora e local errados que deu super certo! Pense outro tão perfeito?

Bom, tresontonte retornei a uma banda que sempre que ouço fico com as sábias palavras de mr. Lester, catedrático em jazz, martelando nas idéias. As palavras não são as mesmas, mas o conceito é, jazzistas quando tentam tocar rock, ficam cheios de dedos, pés pisando em ovos, enfim, não é uma coisa natural. Enquanto quando roqueiros vão ao jazz, se sentem à vontade, fazem do jeito deles, pesado, divertido, sujo, sofrido, arrogante, com raiva!... É claro que toda a regra tem exceção, mas na média é bem isso sim.

E East Of Eden, uma banda britânica de Bristol, personifica essa verve além de, com a postagem que tento, explica essa magia do tempo. Sinceramente, eu duvido que haja nesse mundo um grupo de rock que personifique tão bem as palavras do Lester. Veja, entre 1969 e 1970, moleques ainda, eles gravaram dois discos divisores de águas na praia fusion de Soft Machine, King Crimson e um cauteloso Miles Davis. Segundo a crítica, além dos rasgados elogios, "Snafu", o 2º álbum, foi o disco mais não comercial a perdurar durante meses, entre os British Top 30" daquele 1970. Numa outra resenha, a explicação: "ao final de suas apresentações ao vivo, os músicos sempre tocavam uma musiquinha mais folk e brincalhona, totalmente diferente do estilo de seu repertório, como uma forma de relaxar a audiência após tanta massa sonora.". E nessa de sem querer mesmo, emplacaram "Jig-A-Jig", algo muito próximo a outro sucesso de Jean-Luc Ponty "New Country" de 1976 (álbum Imaginary Voyage). Mal comparando e sendo bem malvadinho, seria, um misto das duas, a música que a Família Lima vendia a alma ao demo, para ter composto... 

Malvadíssimo, eu fui. Com a comparação acima devo ter espantado uns 90% dos meus 3 leitores. Para não perder o último que me resta, vamos direto ao texto de Marco Gaspari sobre a banda East Of Eden.
 
Gerard Mercator (05/03/1512 - 02/12/1594) é considerado um divisor de águas na história da cartografia. Eminente geógrafo flamengo do século 16, foi ele o criador da primeira representação cartográfica confiável da esfera terrestre, através de projeções sobre uma superfície bidimensional e de um conjunto de mapas por ele denominado Atlas (já ouviu falar nessa palavra?), em homenagem ao rei Atlas da Mauritânia.

Pois ninguém melhor do esse senhor para batizar o primeiro álbum de uma banda inglesa que era um verdadeiro mapa-mundi de influências sonoras, anos antes da expressão world music ser cunhada pelos rotuladores de plantão.

Mercator Projected é o nome do álbum e a banda é nada mais nada menos que o East of Eden, uma ilustre desconhecida nos dias de hoje, mas um dos grupos mais originais da incipiente cena progressiva de sua majestade.

Formada em Bristol, no ano de 1967, e mudando para Londres no ano seguinte, a banda assinou com a Decca e passou a fazer parte do selo Deram. Sua formação na época era Dave Arbus (violino elétrico, flauta e saxofone), Ron Caines (sax alto), Geoff Nicholson (guitarra e vocais), Steve York (baixo) e Dave Dufont (percussão).

Mercator Projected saiu em 1969, misturando jazz, Bela Bártok, música oriental e rock, num caminho totalmente contrário ao dos medalhões da época que via de regra adotavam a fórmula solos de guitarra/teclados pirotécnicos.

Dave Arbus era o grande músico da banda, um cara totalmente maluco por Charles Mingus. Depois de ver Jean Luc-Ponty num show em Paris, passou a eletrificar seu violino, criando uma das marcas registradas do som do East of Eden (uma curiosidade: foi ele o responsável pelo longo solo de violino no final da música “Baba O’Riley” do The Who).

O álbum (Mercator Projected) trazia oito músicas que logo fixaram a banda como uma das mais cultuadas pelo público underground inglês, o que encorajou a Deram a lançar um segundo álbum: a obra-prima Snafu.

Com a formação alterada com a entrada de Andy Sneddon no baixo e Geoff Britton (mais tarde do Wings de Paul McCartney) na bateria, este álbum escancara ainda mais as influências jazzísticas de Dave Arbus e alcança o Top 30 nas paradas da Inglaterra.

Curioso é que no final de suas apresentações ao vivo, os músicos sempre tocavam uma musiquinha totalmente diferente do estilo de seu repertório, mais folk e brincalhona, como uma forma de relaxar a audiência após tanta massa sonora.
 
Pois não é que “Jig-a-Jig”, esse era o mome da musiquinha, gravada como single na época, chegou ao sétimo lugar nas paradas, permanecendo entre as dez mais por 12 semanas seguidas! Apesar de financeiramente satisfatório, esse sucesso repentino acabou por confundir o novo público que procurava nos discos do East of Eden mais exemplos comerciais de “Jig-a-Jig” e acabavam encontrando um som absolutamente refinado e desafiador.

Em 1972 o grupo sai da Deram e assina com a Harvest, lançando dois bons álbuns, embora bem mais convencionais. Vários discos e formações diferentes depois, a banda acaba em 1978, sem nunca ter reprisado o brilho de seus dois primeiros trabalhos.

Mercator Projected e Snafu permanecem como dois grandes exemplos de como o progressivo inglês soube ser imaginativo e audacioso antes de ser dominado pela ganância das gravadoras e pela megalomania inconseqüente de seus músicos. 
Texto de Marco Gaspari
Matéria originalmente publicada na revista poeira Zine número 19.
Para saber mais clique no www.poeirazine.com.br

Dadas as devidas explicações do "de quem se trata", o álbum que posto de East Of Eden é o realizado já em 1996. O primeiro da retomada, tipo os caras na 3ª idade, depois de um hiato de 20 anos, quando os cabeças da banda resolveram se reunir novamente e agora com o tempo a seu favor. Não dá pra dizer que é o mais puro jazz, afinal e sempre, será jazz de roqueiros, mas dá pra afirmar com prova musicabal sobre as sensíveis mudanças operadas pelo tempo - para não cair na armadilha da filosofice, troquemos o "custo" por "tempo/benefício" - numa arregimentação de músicos que nunca visaram só o dinheiro, com um potencial inesgotável para revolver o solo fértil das cifradas notas impressas sem $ifrão. E pelo amor de deus!, aqui não vai nenhuma crítica. Eu amo os Rolling Stones muito mais até que os Beatles. Acho que eles devem durar fazendo -only- roquenrou -but I like it- até que a morte os separe... Mesmo com o Watts com aquela cara de "amanhã eu peço as contas", a questão é que a proposta de East Of Eden é totalmente outra. Tanto mostrar o álbum (Kalipse 1996), como os outros dois mais importantes, no começo da batalha, foi uma idéia que maturei na cabeça devido a grande qualidade da música que esses caras, praticamente zerados do conhecimento público, faziam. Lembra do tresontonte da reaudição, quando mal lembrava de que East Of Eden existira? Depois de reouvir e repirar, tudo igualzinho como lá nos antigamente, fui atrás da obra dos caras, que creio, esteja em 10 originais entre 1969 e 2005. E aí sim, não descansei até encontrar o raríssimo (out of blogs) álbum "Kalipse". Outro detalhe bom pra pensar: o leitor conhece alguma outra banda que tenha nascido há mais de 40 anos, parou e voltou com praticamente a mesma formação, com o som convincente, honesto, sóbrio e todo reformulado, como pede o passar dos anos?  Pela lógica que espero ter conseguido passar neste texto, o som do Kalipse, o álbum, não é mais aquele desbunde feroz e revolucionário, ao contrário tem faixas maduras, elegantíssimas como logo a 1ª do título, dá uma sacada...

East Of Eden, Faixa 1. Kalipse


Tai uma banda que merece até tese. No lugar do leitor, ia pela ordem. Baixava o Mercator, depois o Snafu pra depois sentir a evolução e a temperança de Kalipse. Aliás a postagem foi realizada com esta intenção. Os links pros álbuns estão no texto. E se o texto deixou dúvidas, a velha máxima de uma imagem vale por mil palavras, deixará tudo às claras no vídeo.


Faixas:
1. Kalipse (Caines / Nicholson - 7:12) !!!!!

ATENÇÃO: baixe a faixa 2 aqui.
2. 5th Amendment (Nicholson - 7:39) 


3. Uccello (Caines - 4:27)  !!!!
4. Con Fuoco (Nicholson - 6:39)  !!!!!
5. Eddie Mars (Caines / Nicholson - 6:07) !!!!
6. Ballad X (Caines / Nicholson - 5:03) !!!!!
7. Light Source (Nicholson - 5:09) !!!!
8. Goodbye Pork Pie Hat (6:09)  !!!!
9. Nexus (Caines / Nicholson - 1:47)  !!!
10. Slow Food (Nicholson - 4:41) !!!!!

A banda:
- Dave Arbus / violin, flute
- Geoff Nicholson / guitar, drums, programming
- Ron Caines / Alto, Soprano & Tenor saxophone
- Jan Lehne / bass guitar


domingo, 8 de maio de 2011

Steve Schmidt (Red and Orange) 2005


Mais um álbum e músico (pianista) d'a gente se encher de orgulho por tê-los encontrado, só, no entusiasmo da pesquisa. Pouco sei sobre Steve Schmidt, exceto que é um jovem músico de Cincinnati, provavelmente na casa dos 50 anos. E que, Count Basie, meses antes de morrer, em 1984, quando sua orquestra passava por esta cidade, no estado Ohio, adoeceu e mandou chamar Schmidt para substitui-lo. Daí em diante nosso pianista ficou um pouco, não muito, mais conhecido nacionalmente. Mas juntando um entendimento aqui outro ali, nos raros textos biográficos que encontrei, deu pra sacar que o cara não é do tipo que persegue obstinadamente um maior reconhecimento.  "Eu só quero dominar bem o meu instrumento" - disse Steve uma vez, sem fazer alarde. Completam o trio, um competente baixista, Drew Gress e Jeff Ballard, na batera, que dispensa apresentações.

Bem, abaixo uma reseinha na única loja virtual onde se encontra este CD à venda. Nas demais, mesmo no Amazon, acha-se o disco disponível somente em mp3. Olha, arrisco dizer que "Red and Orange" vale, cada cent dos $ 15,97 dólares empenhados.

Cincinnati-based jazz pianist Steve Schmidt is well-known regionally and nationally for his work with The Blue Wisp Big Band and for his tenure as house pianist at The Blue Wisp Jazz Club. At that renowned venue his trio has backed such diverse and legendary soloists as Joe Henderson, Eddie Harris, Herb Ellis, Joe Lovano, Mark Murphy, Scott Hamilton and Tal Farlow - to name just a few.

Steve was called upon to fill in for an ailing Count Basie as The Count Basie Orchestra came through Cincinnati in 1984 and went on to play other dates with that famous band after Basie’s death. He has recorded with many regional and national artists as well as with the top-selling Cincinnati Pops Orchestra.

Schmidt’s tastes are wide-ranging, from blues and mainstream jazz to latin music and he brings all of these influences to bear on his acoustic trio CD, “Red And Orange”. Recorded in New York City, it features Drew Gress on bass (a member of The Fred Hersch Trio and Ravi Coltrane’s group, among others) and Jeff Ballard on drums (Chick Corea, The Brad Mehldau Trio and Joshua Redman’s Elastic Band).

“Red And Orange” is a well-recorded, balanced mix of originals and freshly arranged standards that is marked by lyricism, spontaneity and groove from this cohesive trio.
Includes liner notes by pianist Fred Hersch.

Uma pala? Que tal a theloniana "Monkyside" faixa 1?...

 

Ou algo mais bossa como a  jobiniana "Bon Air", faixa 2...:


Steve Schmidt (Red and Orange) pt.2

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Foi pro saco

Não desanime, Tricolor. Não havendo o óbito, a Unimed tem um plano especial para cada um de nós.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Ben Allison - Think Free - 2009
















































Tá escrito na capa: "Think Free" é um álbum acolhedor, bem humorado, verdadeiramente encantador que, apesar de sua acessibilidade, estende-se em duas vias distintas: a composição e a organização de novos territórios musicais. Territórios esses que, aí sim, a acessibilidade não se mostra tão bem sinalizada."

Tem uma expressão creditada - na melhor imitação - ao mano Caetano, que diz tudo: "ou não". Baseado nela digo tudo que este álbum não é ("ou não"): erudito, jazz, rock, blues, soul, folk, mais abrangentemente, latin e world music... E o que não foi dito é para ser ouvido. Certo? Então tá.

A música - Ah, que generalização perfeita! - escolhida para exemplificar o que vai no disco, foi destacada porque lá estão todos os músicos, baixo, bateria, trumpete, violino e, me pareceu, a hora em que a guitarra como instrumento de solo, entrou pra valer no jogo. Como até então já havia entrado, como instrumento de solo, o violino e o trumpete, com a guitarra, o jogo ficou completo.

Faixa 3. "Broke"



Ben Allison (Think Free) 2009

... Só mais uma coisinha irresistível... discaralharalharaça! rs.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Paul Desmond (Desmond Blue) 1961



A TRILHA DA FELICIDADE

Amiguinho(a), se este som que me acalanta os sentidos como carícia da mulher amada, não alterar para melhor o seu estado de espírito, não faça drama (até porque, o drama é você): procure dja um especialista. E, por melhor, mais sumidade, que seu dotô  venha a ser (sumidade é o doutor Paul Desmond!),  ao final da consulta, solicite por algumas (dúzias de) caixa s de Prozac.

Sem sacanagi. Tô exagerano não... É só o que eu tenho a dizer: ou você, ouvindo a música terapêutica de "Desmond Blue", recupera, no mínimo estimula, sua natural... Natural da natureza de todo ser vivo, ânima ou... esteja em dia com o seu Plano de Saúde. No mais, nada mais (além da prova):

Faixa 1 - My Funny Valentine (a + deprimente):

... E de creditar às propriedades terapêuticas da boa música -e seu gosto refinado-, a economia que fizeste no cartão.

Paul Desmond (Desmond Blue) 1961

domingo, 17 de abril de 2011

Daniel Lanois, Trixie Whitley & Brian Blade (Black Dub) 2010

De quando em vez vou postar umas surpresinhas assim, meio mais distante das coisas que geralmente posto, pelo ineditismo. Ineditismo pro blog mesmo. Daniel Lanois é músico, multi-instumentista, que se destacou como produtor. Produtor grammyado, eu diria. Responsável por sucessos como "Unforgetable Fire" e o incensado "Joshua Three" da mais cultuada banda do mundo U2, e teve "Bird" - a trilha do filme de Alan Parker, composta por Peter Gabriel (ex-Genesis dos 70s)... Aliás, compôs algumas trilhas de sucesso o cara também, a do filme Philadelphia... Não seria por essa trilha, justamente, que Daniel Lanois ganhou um grammy? Não sei. Preguiçoso não fui tão fundo.  Mas... enquanto vos escrevo vou vendo aqui o curriculo do cara... É Bob Dylan, é Neil Young... com Brian Eno trabalhou desde o início dos 80... e Emmylou Harris, e Aaron Neville, Toto, Sinéad O'Connor... Putz! É do cara, como producer, a trilha do 9/2 Semanas de Amor... Trainspotting... Maluco(a), a lista cansa quando dobra a esquina da Broadway com a calçada da fama... Pois é. Pelo que vêem, o cara tem cabedal. E entre esses trabalhos Daniel Lanois grava uns albinhos  solos também. Dentre eles, eu lá na minha, minha eterna busca da pop-batida perfeita encontrei um teminha, há séculos, que nunca me saiu das idéias: "As Tears Roll By"... É ou não uma dilicinha?

... Por falar em delicinha, eis que ontem, séculos depois d'eu encontrar essa "As Tears Roll By" perdida e tê-la baixado num Kazaa da vida, tou bem eu nos meus passeios por blogs nunca dantes e encontro o último disco de Daniel Lanois. Dessa vez ele é acompanhado de uma cantora, Trixie Whitley, que em tudo me lembrou a inglesinha Joss Stone. Vê se não é:



Engraçado que o Lanois também me lembrou alguém, o Joel Santana com sua prancheta, regendo o time...

Mas a belguinha - que vem a ser filha do bom guitarrista já falecido, postado aqui, o Chris Whitley -, como se verá cá em baixo, tem outras virtudes...


Anfã, este disco "Black Dub" de 2010, cuja imagem da capa deixei aí encima, que ainda conta com a participação do baterista formado e muito solicitado no mundo jazz, Brian Blade, de todos os álbunsque ouvi do Lanois é o mais bacana, mais redondinho e Trixie manda muito bem em todas as músicas. "Black Dub" pode ser apreciado inteirinho em...: clica cá.


Boa busca.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Alemán, um aparte argentino na história da música do Brasil






"Oscar Alemán é desses capítulos curiosos e pouco conhecidos do encontro de várias tradições musicais. Argentino nascido no Chaco, província do interior, em 1909, filho de uma família de músicos, Alemán foi morar ainda pequeno em Santos, depois da separação dos pais. Lá, ficou órfão (o pai morreu em Santos e a mãe na Argentina). Fez de tudo para sobreviver, mas um cavaquinho que ganhou de presente mudaria sua vida. Menino prodígio, logo se revelou um talento no violão e em poucos anos, depois de voltar para a Argentina, iria para a França, onde dirigiu por anos a orquestra de Josephine Baker (conta-se que Duke Ellington quis roubá-lo para sua própria orquestra). Grande mestre da guitarra de swing, fez jam sessions mitológicas com Django Reinhardt. Muito amigos, os chamavam de “o cigano e o índio”. Mas com a Segunda Guerra voltou para Buenos Aires. A Argentina está comemorando os 100 anos de nascimento de Alemán, mas curiosamente poucas crônicas de sua vida enfatizam os anos que passou no Brasil e a grande influência que a música brasileira teve sobre ele ou suas maravilhosas gravações de clássicos brasileiros (clássicos hoje, pois na época eram todas músicas novas). É algo muito diferente: misturas de swing com música brasileira, puro bom humor, tudo cantado com uma voz deliciosa e um sotaque muito leve. É dessas coisas que só um cara com uma história de vida dessas poderia fazer soar de maneira tão genuína. A versão balançante de “Acontece que eu sou baiano”, de Caymmi (saiu em 1956 em 78rpm, e mais recentemente, em 2002, foi reeditada na coletânea Oscar Alemán y su Conjunto con Ritmos de Brasil), é um exemplo perfeito da fórmula única desse grande mestre argentino da música brasileira."

FONTE: Uma por dia


domingo, 3 de abril de 2011

Weldon Irvine (Spirit Man) 1973

Cês olha bem nos olhos do negão antes de ler ou baixar-lhe o álbum. Ele tem um semblante intenso, é ou não? A mim, ao ver essa capa, na mesma hora a cara do cara inspirou confiança. Sabia que vinha coisa boa. Dai  que quando minhas suspeitas se confirmaram muito além das espectativas, pesquisei-lhe a história.  E quem freqüenta a Casa sabe que meu inglês é lusitano. Portanto, pra chegar até aqui, com uma história batendo sentido do início ao fim, deu um certo trabalho...  E isso quer dizer o quê? Fiquei muito interessado. Principalmente pelo fim dessa história que o Allmusic não conta. Agora repare de novo na face enigmática do homem da capa e senta, ou melhor, acomode-se que lá vem história.

O tecladista Weldon Irvine se agiganta no panteão do funk-jazz, influenciando profundamente as gerações posteriores de artistas de hip-hop para quem atuou como colaborador e mentor. Nascido em Hampton, VA, em 27 de outubro de 1943, Irvine foi criado por seus avós, na sequência do divórcio dos pais, a avó tocava baixo acústico em uma série de programas de televisão regionais de música clássica, seu marido era reitor da faculdade Hampton Institute. Irvine começou a tocar piano na adolescência e, embora mais tarde tenha se formado em literatura na mesma Hampton, a música continuou sendo seu primeiro amor, especialmente após a descoberta do jazz. Ao chegar em Nova York, em 1965, ele foi recrutado para Kenny Dorham e Joe Henderson, um ano antes de assinar com Nina Simone como organista maestro e arranjador. Os dois também escreveram canções juntos e depois de ver uma performance do dramaturgo Lorraine Hansberry “To Be Young, Gifted and Black”, Simone teria pedido a Irvine para compor a letra de uma música de mesmo título. Após duas semanas de bloqueio de escritor, as palavras saíram-lhe em um lampejo de inspiração, e a música ficou pronta. O mérito? Versões cover de artistas como Aretha Franklin, Stevie Wonder e Donny Hathaway, além de  ver sua música tornar-se hino oficial para os Civil Rights americano e transformar-se na canção mais conhecida de suas cerca de 500 composições publicadas.

Depois de separar-se de Nina Simone, Irvine formou seu próprio grupo de 17 peças, que em momentos diferentes incluíam Billy Cobham, Randy Brecker, Bennie Maupin e Don Blackman, em 1973, o rótulo Nodlew emitiu seu primeiro álbum “Liberated Brother”, seguido um ano depois, de “Time Capsule”. Ao longo desses registros o tecladista realmente acertou o passo, aprimorando não só a sua fusão singular ainda qualificados de jazz, funk, soul, blues e gospel - um antecedente direto do que viria a ser conhecido como acid jazz -, ao passo que também a firme consciência social ainda não havia inteiramente definido a sua carreira só para o lado da música. Além de LPs subseqüentes como em 1975, este excelente “Spirit Man” e do seguinte em 1976 “Sinbad”, Irvine também começou a escrever musicais para o palco, e em 1977 no New York's Billie Holiday Theatre, produziu o seu próprio Young, Gifted e provou para si mesmo que poderia ser um sucesso comercial de público e de crítica ganhando uma série de prêmios durante a sua execução de oito meses. No mesmo Billie Holiday Theatre, montou mais 20 outros musicais, os mais notáveis entre eles, The Vampire and the Dentist, The Will e Keep It Real..

Mas, enquanto Irvine focava em projetos dramatúrgicos, sua carreira discográfica caía no esquecimento e após 1979 com "Sisters" Irvine não gravou mais LPs por mais de 15 anos. Nesse tempo seu trabalho foi redescoberto e elogiado por um número crescente de jovens rappers mais politizados, especialmente Boogie Down Productions, A Tribe Called Quest, e os líderes da new school, os quais abusavam, no bom sentido, claro, de samplear suas gravações vintage. Ao contrário de muitos artistas de sua geração, Irvine abraçou a novidade e em 1994 gravou “Music Is the Key”, o tal álbum 15 anos depois, totalmente inspirada na cultura hip-hop para o rótulo indie Luv'N'Haight. Gostou da experiência e colaborou em outras produções como, por exemplo emprestando arranjos de teclados e cordas para Mos Def, E Irvine ainda deu aulas de piano aos rappers Q-Tip e Common. Em 1999, foi convidado a trabalhar com Mos Def, Talib Kweli, Q-Tip em “O Preço da Liberdade”, uma compilação musical que unia todos os gêneros jazz, hip-hop, funk, soul, gospel... O disco era em resposta a covardia e brutalidade policial cometida contra um imigrante africano indefeso Amadou Diallo assassinado em Nova Iorque com uma saraivada de tiros.

No entanto, com toda essa sensibilidade em duas áreas distintas da produção cultural, Irvine, em 09 de abril de 2002 comete suicídio perto da EAB Plaza, em frente ao Coliseu Nassau em Uniondale, Nova Iorque. O local foi escolhido porque era próximo, dava pra se ver da janela, do escritório de sua gravadora, em boa parte responsável por sua situação financeira desesperadora, Os executivos se recusavam a pagar-lhe um adiantamento que o salvaria da falência. Antes do ato de desespero, Irvine chegou a passar várias semanas ligando ou fazendo visitas a tentar negociar o tal adiantamento ou a venda simples de suas composições do catálogo e enquanto o autor desesperava-se cheio de dívidas os homens de negócio sequer retornavam suas ligações ou o recebiam para discutir, considerando o silêncio uma tática de negociação. Weldon Irvine tinha apenas 58 anos quando se desligou da vida.

Weldon Irvine (Spirit Man) 1973

(To Be) Young, Gifted and Black [por Aretha Franklin]



"(To Be) Young, Gifted and Black"

Ser jovem, talentoso e negro,
Oh, que belo sonho precioso
Ser jovem, talentoso e negro,
Abra seu coração para o que quero dizer

Em todo o mundo se sabe
Há um bilhão de meninos e meninas
Que são jovens, talentosos e negros,
E isso é um fato!

Você é jovem, talentoso e preto
Temos de começar a dizer aos nossos jovens
Há um mundo esperando por ti
E sua busca está apenas começando

Quando você se sente realmente por baixo
Sim, há uma grande verdade que você deve saber
Quando você é jovem, talentoso e preto
Sua alma está intacta

Jovem, talentoso e preto
Como se deseja saber a verdade
Há momentos em que eu olho para trás
E sou assombrado por minha juventude

Ah, mas a minha alegria de hoje
Será a de que todos nós podemos ter orgulho de dizer
Ser jovem, talentoso e preto
É onde a gente se encontra

Weldon Irvine (Spirit Man - 1973) Faixa 1: "We Gettin' Down"

terça-feira, 29 de março de 2011

John Hicks & Keystone Trio (Heart Beats) 1996


Era pra ser, na cabeça de quem escreve, um programa típico de canções de amor, no qual se esperaria lânguidas, serenas e melancólicas interpretações à George Shearing ou como nos trios de Erroll Garner, nada contra, mas eis que me vejo diante de um trio constituído do brilhante pianista John Hicks a singrar as melodias por mares nunca dantes, o baixista George Mraz soando com alma e espírito e de Idris Muhammad a jogar como um legítimo e pulsante baterista de jazz. Estava diante de um ultra-melódico, mas poderoso trio a interpretar standards de amor. A pesar, a sua própria maneira inimitável, com uma economia e uma profundidade que vai além da interpretação de meros mortais.

A produção desta gravação é impecável. Hicks é um incrível gênio do piano acústico, seja com o seu solo fácil no upbeat em "Speak Low" ou acariciando as teclas com delicadeza em "How Deep Is The Ocean?", em crepitações rítmicas e fervor sob a pressão da bossa "If I Should Lose You", acrescentando a cada frase frescor, clareza e gentileza em uma modalidade mais leve, afro-cubana com a melodia de "Dancing in the Dark". Enfim, o trio faz noturna a sua pulsação ou pode suingar até o amanhecer, como o já provado em " Speak Low" que a gente, eu no caso, repete, antes do disco ir até o fim, porque, antes, sente necessidade!

Mraz está em seu elemento, seu tempo imaculado em solos incomparáveis. Longos, solos back-to-back sobre as baladas "I Fall in Love Too Easily" e "Lose You", como um artesão que empresta vida a cada objeto que produz. Hicks acrescenta um solo de dois minutos ("Stay As Sweet As You Are") e, como um brinde, num disco já feito de maravilhas, num dado momento, na hora exata, Freddy Cole na tradição de crooner, canta um doce bluesy "It Had to Be You".

Meu amigo, antes foi o poeta, agora chama o Indiana (Jones). Acabo de me tocar e posso até afirmar: não há tesouro nos filminhos em cascata de ação, dele, que seja moeda de troca para as preciosidades musicais que ando desenterrando.

Não conhecia John Hicks, antes de conhecer o guitarrista Peter Leitch, semana passada, e esse texto estou dividindo a autoria com um perplexo Michael G. Nastos a quem também não conheço, mas de perplexidade eu entendo. Continuando a tradução – em perplexa parceria -, veja como ele/nós encerra(mos) a conversa:

Você não vai encontrar um álbum melhor do que este, em matéria de trio piano, baixo e bateria. Encontra sim, tão inspirado quanto, mas melhor... Pode esquecer. Ainda mais impressionante é que cada música parece ter o comprimento e o tratamento exato, sem excessos ou enchimento. E olha que Hicks já teve alguns trios formidáveis no passado, mas este certamente é o tal que ficará para a história. Altamente recomendado.

E temos dito.

Ah, pro play e pra começar do começo, reservei a 1ª, "Speak Low".


Caso seja do vosso agrado...: