domingo, 2 de março de 2008

BUDDY MILES (THEM CHANGES)



A última vez que vi ou ouvi falar em Buddy Miles, foi num documentário sobre Hendrix, no canal GNT. Não faz muito tempo. Buddy já um senhor, inclusive. E o que marcou, além da imagem literal daquele grande homem, foi a doçura e a admiração com que falou sobre Jimi. Seu inconformismo com a morte do companheiro e ídolo... Mesmo depois de tantos anos, Buddy ainda lamentava quase revoltado a separação. Repetiu por diversas vezes que Hendrix não podia, não tinha o direito de tê-lo abandonado, que de uma certa maneira sentiu-se traído, porque o avisou que ele ia acabar se matando. E falou sobre uma possível reunião de Band of Gypsies, as centenas de projetos geniais ainda por realizar... A impressão era de que Miles sentia a perda como se a morte de Hendrix acontecera no dia anterior. Comovente a última vez que vi Buddy Miles...

Morre Buddy Miles, ex-baterista de Jimi Hendrix
O músico sofria de problemas do coração. Miles também tocou com Stevie Wonder, Muddy Waters, David Bowie, entre outros.

Morreu aos 60 anos, na noite da última terça-feira (26/02/08) o baterista Buddy Miles, que fez parte da lendária Band of Gypsies, do guitarrista Jimi Hendrix. Ele tinha 60 anos e sofria de problemas cardíacos, informou seu assessor.

Miles, que nasceu em Omaha (Nebraska) já tocava no conjunto de jazz de seu pai aos 11 anos. Segundo seu site, ele tocou em grupos como The Delfonics e The Ink Spots e acompanhou a lenda do soul Wilson Pickett. O baterista tocou no clássico disco "Electric Ladyland" e se juntou logo depois à Band of Gypsies, que ainda contava com o baixista Billy Cox.

De acordo com seu site, ele tocou com Stevie Wonder, Muddy Waters, Barry White, David Bowie, George Clinton, Santana e Bootsy Collins.

Craig Balderston, um músico de Omaha, disse que costumava tocar com Miles durante os anos 90. "Ele era um fantástico baterista e também um fantástico cantor", disse.

Após a morte de Hendrix, Miles retomou com sucesso o Buddy Miles Express, graças sobretudo ao disco "Them Changes", que se manteve nas paradas durante 74 semanas.

Em 1972, Miles gravou um disco ao vivo no Havaí com Carlos Santana, que se tornou um grande sucesso de vendas. Posteriormente, colaborou com nomes como Stevie Wonder, David Bowie e Bootsy Collins.

O músico passou um período na prisão no final da década de 70 e início de 80, por acusações relacionadas a drogas, mas voltou à música em 1986, com o grupo California Raisins.

Em 1994, voltou a trabalhar com Santana e criou uma nova versão da Buddy Miles Express. Durante os últimos anos de sua vida, Miles se dedicou a manter vivo o espírito de Hendrix, através de atos promocionais e participações em tributos em sua memória.

No momento de sua morte, trabalhava em três projetos musicais e estava envolvido em atividades destinadas a arrecadar dinheiro para as vítimas de furacões nos EUA.

Voltando a Them Changes aqui postado, é puro R&B, Rock e Jazz. Obrigatório. Uma dica/ e pros que conhecem, que soe como estímulo: fã da banda Free e muito de Paul Rodgers (Bad Company), percebi algumas semelhças claras no estilo de cantar e na levada de algumas canções. Enfim, este álbum é bom de cabo a rabo.

BUDDY MILES (THEM CHANGES)

ATENÇÃO! ESTE LINK TEM SENHA: camaradeeco.blogspot.com


Em tempo: Agora, a notícia mais... século 21 ligada ao nome de Jimi Hendrix é esta aqui

10 comentários:

  1. Putz, caraca!!! Vi o disco aí e não dei muita bola porque já o tenho faz tempo, mas fui conferir o que vc dizia sobre ele, e foi assim que eu soube que o velho Buddy tinha ido dessa para melhor.

    Que droga! Mas fazer o que? Não se pode viver para sempre!

    Abraço,
    WOODY

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  2. A notícia me chegou uns 2 dias atrasada tbm. Discaço, Woody! Qunato tempo não o escuta? Faça-o em homenagem e aproveita e repara se não te lembra, algumas músicas como eu disse, o Free de Paul Rodgers. A voz tbm... Não sei se no timbre, acho que não. Mas certamente a forma cheia de swing de Buddy cantar lembrou muito o Rodgers. E fiquei curioso quanto a sua avaliação já que a gente nunca concordou muito com as minhas analogias...

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  3. Woody, viu e clicou no link final da postagem?

    "Em tempo: Agora, a notícia mais... século 21 ligada ao nome de Jimi Hendrix é"...

    Pior que a estratégia de marqueting é desgradaçadamente boa! Será que um fã de Jimi não enfiaria a garrafinha de vodca com o nome e a cara de Hendrix direto no carrinho de compras? Êta mundinho safado de mercadológico, hein?...

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  4. Cara eu sou suspeito para falar desse disco porque eu adoro ele, faz tempo que não ouço, mas volta e meia ele está no player. Quanto ao link, eu ví sim e não achei a estratégia boa não, achei mesmo uma falta de respeito muito grande e uma cara de pau do caralho para vender um vodka que deve ser mesmo uma droga! He, he he....

    Para ser honesto, não sei se compraria não, talvez pela garrafa, mas só pela garrafa, porque ironias a parte, a vodka deve ser mesmo um lixo, do contrário não precisaria apelar para o Hendrix. De forma que seria uma vez e não mais. Então, em princípio a estratégia de marketing funcionaria sim, mas depois...

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  5. Pois o que penso, reconhecendo o consumista que sou, inda mais, dentro de um supermercado e com o carrinho de compras embaixo da gôndola... Sei não, Woody, dificilmente pensaria nas implicações nada éticas da indústria que puseram no mercado uma abominação dessas. O rótulo com a cara de Hendrix, no instante da compra falaria mais alto. Só depois, bebendo com os amigos e raciocinando a respeito eu pensaria na falta de ética do mercado. Mas aí, a Inêz e a garrafa já eram mortas. Aliás, sim, a garrafa enfeitaria a prateleira de alguma estante aqui de casa como suvenir, pq evidente que essa infâmia não duraria muito no mercado. Mas fiz uma analise sincera de como agiria no impulso consumista. Daí, como conheço a mente suja dos publicitários (de alguns, ao menos), imagino que tudo foi pensado para que o resultado fosse exatamente esse: partindo do princípio de um consumidor médio, como este q vos fala, que não filosofa diante do objeto do desejo. Compra e só muito depois pensa a respeito. Mas aí a venda já estaria consumada.

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  6. Mestre Sérgio.
    Boa pedida. Esquecestes de destacar que a guitarra solo neste disco do BM ficou ao cargo do Jim McCarty, outro amigo do fim de carreira do Jimmi, cujas promessas de projetos também foram enterradas com o imortal mestre. E que, a exemplo do post sobre a Sharon Jones, não conseguiu se destacar na carreira após o fim do Cactus, lá em meados dos setentas.
    Abraços.
    Jr.

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  7. Volte sempre pra acrescentar JJr!

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  8. experience16/3/08 00:39

    durante todos esses anos que escutei a música de buddy miles, confesso que ele nunca me impressionou em nada, como músico ou vocalista, muito menos como compositor. a band of gypsies original foi criada por Hendrix muito mais em função de pressões políticas da época (transas do movimento negro e etc.) que por questões musicais, tanto é que assim que possível buddy foi trocado por Mitch Mitchell, esse sim um senhor baterista, e mantendo o Billy Cox o som de Hendrix ficou fantástico. o disco da Band Of Gypsies ao vivo sofre de excesso de "espaços" vazios que a bateria de buddy não conseguia preencher, e consequentemente o som de Hendrix saiu xôxo e sem energia, é fácil percener isso ouvindo-se as gravações do concerto. no final, vivia em função do passado e do san to nome de Jimi Hendrix. mas enfim, descanse em paz, buddy.

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  9. Boa analise, experience, tomara que renda discussão.

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  10. ah, vai render mesmo.....hehehhe

    creio q o cidadão ali acima foi um bocado injusto c/nosso amigo buddy. como hendrix fã natico q soul, e admirador desse grande batera saio em defesa do finado.
    é bem verdade q o mitch mitchell tbm era uma grande baterista, inegavelmente. mas sua origem era demasiado jazz, cheia de rolos e viradas, mtas vezes desnecessárias. ja buddy era o tipico baterista de soul-funk, tanto é q só dar uma olhada no cast de figurões c/o qual ele tocou. miles deu a pitada certa e a cadência de groove perfeita c/o billy cox p/que a guitarra do nosso herói pudesse finalmente subir em seu merecido pedestal, sem aquelas firulas todas praticadas pelo mitchell, q por vezes parecia querer aparecer mais q o boss.

    pelamordedeus, xoxo e sem energia? hendrix destruiu nesse show, e buddy, ao contrario de mitchell (vide woodstock) nao precisou de fun-farrentas percussoes p/preencher o som já "gordo" de sua batera.

    na minha discutivel opinião, o principal motivo da saida de miles foi pq estava perdendo o foco, querendo cantar suas composiçoes, o q de certa forma deve ter incomodado um pouco o hendrix, ja q o nome da banda nao levava o seu nome, era algo mais democratico, e o q todos sabemos, nao combinava c/a personalidade arbitraria e perfeccionista dele.

    acho fascinante esse disco do buddy miles, escuto ha mtos anos direto e reto, como é o som de sua batera. buddy miles foi uma grande perda, e c/certeza fará mta falta. confesso q esse disco foi a trilha de mta loucurada minha. quem curte sly & family stone certament acha o som do gordinho mto foda, esse é o meu caso.

    economico na levada, mas c/mto feeling, grande soulman de voz potente e composiçoes psicodelicas matadoras.

    p/encerrar minha opiniao, digo q hendrix mandou ele embora pq viu q era um artista completo, nao precisando ser mero coadjuvante ou peça secundaria da sua banda.

    acho q era isso, abraço a todos.

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Uma obra de arte é um ângulo apreciado
através de um temperamento.
(Emile Zola)