segunda-feira, 18 de maio de 2009

The Bahama Soul Club (Rhythm Is What Makes Jazz Jazz)



A postagem desse álbum é um pretexto para abordar alguns assuntos super-recorrentes da casa. A capa dá a impressão de ser um disco antigo, certo? Não é. Aqui jaz um lançamento de 2008 - não coloquei a data no título pra fazer surprise. Então, como a casa privilegia o que não há mais pra se comprar nas lojas do Brasil (fora de catálogo) e/ou álbuns que dificilmente sairão por cá, incorre-se apenas no inevitável pecado de que, um blog está na Rede para o mundo, então o que disponibiliza-se fica liberado para gringos e baianos. Parece óbvio mas muita gente não pensa nesse pequeno detalhe. Na fé de que os colecionadores de discos originais, a gente sabe e crê, gostam de originais, então o q nos motiva cá de baixo do equador, serve para todos os dos lestes, oestes, nortes e suis (pq sul não tem plural?)


Assunto recorrente, esgotado – vá lá, + ou - esgotado –, The Bahama Soul Club e o seu “Rhythm Is What Makes Jazz Jazz”, além de outras utilidades, deve ser o típico disquinho expert em animar festas e reuniões dos fashionistas. Não sou louco por fashionistas, mas não dá pra negar o refinamento natural que esse povo tem q ter. E a música vintage é da melhor qualidade, “bem ao estilo Sergio Mendes & Brasil 66”, safra especial com aquela batida bossa-latin-jazz e... “Ah, isso já encheu o saco!”. Não concordo. Boa música, agradável de se ouvir, nunca sai de moda. Fico imaginando um dia estressante de 2ª feira. Um sujeito engravatado engavetado num engarrafamento monstro – numa marginal da vida – tipo em Sampa, sem nada para apreciar e esperar além das batidas insistentes de um marginal à vera, no blindex do bólido refrigerado, com a coronha madrepérola de uma magnum 45 - o quão terapêutico um som alegre e auto-astral, não pode ser pr'essa pobre alma!... Isto claro, se o bandido não aparecer e tudo não passar da imaginação paranóica do bacana... Mas você também, amigo, não pode estar com o seu ipodzinho (1,99 das Casas Bahia), entalado na porta de um trem, daqueles que os seguranças te pilam pro interiorl, na base do, “cuidado com a cabeça, senhorl”? Não só Ipod como deve. Pra ver o que é bom. E deve ter uma boa música pra amenizar tais ocasiões. Passado o tumulto, sonhar não custa nada, com um som chique desses você se abstrai das demais sardinhas na lata e estará livre para se imaginar muito bem trajado, engravatado... No engarrafamento, mas em seu bólido importado, um luxo refrigerado... E sem a paranóia do bandido, claro! Se esse sonho é teu, não irás fantasiá-lo com um marginal escroto batendo no raybam-bam-bam do teu Jaguar! Ou vai? No fim das contas ambas as viagens passam mais agradáveis em qualquer situação. Bom, se ninguém viaja, viajo eu por alguém.

O som do coletivo alemão é ou faz-se à perfeição parecer totalmente orgânico. As meninas (convidadas?) cantam muito e são lindas, nesse quesito, destaque para a Bella Wagner – que também canta bem, mas... veja a fotinho dela me diz sou um exagerado sem noção... Isabella Antena, a mais experiente – tem uma série de álbuns solos lançados, entre eles o interessante French Rivera -, Pat Appelton é a voz do “Mambo Crazy” o sucessão do De Phazz - aliás, De Phazz!, tudo a ver com o som dos The Bahama... E Malena, pode ser a menos ‘atributada’ (não encontrei a ‘figurinha’ na Rede), mas é a que defende a faixa mais bacana do álbum, “Dejame Marchar”.

No mais, nem tem tanto ‘mas’ a dizer, pra bom entendedor... É som perfeito (obra acabada). Despretensioso pro que há de agradável nessa vida. Um entardecer colorido, apreciar a paisagem, acreditando num mundo menos opressivo. Tanto quanto pros ricaços reunirem-se na cobertura d’um deles e, servindo uns drinques exóticos, discutir a crise da Bolsa ou qual a última tendênnncia para outono-inverno em Paris, Milão ou New York.

Porque não, amigo(a)? Por-que-não? Afinal, diria o bom comediante, Médici: cada um com os seus pobrema.

Como viajar é um bem particular do dono da casa... isso me lembrou uma história que vi numa entrevistade do velho Burt Bacharach, aquele senhor sereno... 80 anos de bons serviços prestados à música, dizendo: “uma das situações mais desagradáveis por que passei, foi um show que fiz, pago por um milionário, numa casa alugada para o evento. Ninguém prestava atenção em mim e faziam um barulho, que mesmo eu já não conseguia me ouvir – muitos ali, meus amigos!, inclusive. Num determinado momento, parei o show e disse: Vocês são a platéia mais desagradável para quem toquei em toda a minha vida.” Fez sentido. Nós ouvimos - mesmo q só para sonhar com o "Dia do Jaguar", quando estaremos engavetados no trânsito, impaciente para o chegar logo naquele show, quando levaremos um pito histórico do Burt Bacharach.


The Bahama Soul Club (Rhythm Is What Makes Jazz)


6 comentários:

  1. Puta sonzeira!
    ainda to procurando o trio in the garden.
    tá mesmo foda de encontrar.
    mas em compensação peguei uns bootlegs da Hiromi ao vivo com o Sonicbloom.
    foi aqui ó http://jazzbootexperiment.blogspot.com/search/label/Hiromi%20Uehara.
    abs,
    Bruno

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  2. testei o link e não abriu na postagem da hiromi...
    procura nos marcadores que tem sim - dois bootlegs em ótima qualidade de show da Hiromi's Sonicbloom.
    abração

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  3. Fui lá, Jéssica. Espero q tenhas gostado de minhas observações.

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  4. Bruno, vou atrás da Hiromi. Mas agora só penso no oficial com Stanley Clarke e Lenny White. Deve ser bom isso, hein?

    Ah: que bom q vc tbm gosto do som aqui postado. Confesso q eu mesmo, embora tenha curtido, não tenha conseguido evitar uma boa dose de preconceito no texto.

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  5. Tudo bem, não tinha propósito com o título aquele texto, eera so pra mostrar como aquela parte ficou legal. Porém eu não realizei que, lendo ela isoladamente, ficaria um tanto sem sentido.Com o resto da história, tem todo o encaixe. E o título, foi só um adicional - eu não sabia o que colocar, optei pelo começo do texto.

    Assim que tiver tudo bem por aí, me avisa. ;*

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Uma obra de arte é um ângulo apreciado
através de um temperamento.
(Emile Zola)