sábado, 7 de março de 2009

James Carter (Present Tense) 2008


Cestão de sacanagi comigo... Ah, cestão.


O Multi-saxofonista James Carter tem sido prontamente reconhecido como mestre em muitos instrumentos e estilos desde sua auspiciosa primeira gravação no início dos anos 90, freqüentemente operando fora do alcance dos radares , enquanto mantém um consistente e qualitativo conjunto de performances.


Com o lançamento de “Present Tense”, Carter deixa-nos saber exatamente onde ele se encontra em um belo conjunto de músicas com lirismo e concisas performances , colhendo um profundo senso de “swing” e deixando sua curiosa imaginação viajar livre com a assistência de uma ótima banda.


As músicas , a maioria das quais com duração de 4 a 7minutos, apresentam um concentrado e disciplinado enfoque. “Rapid Shave” é um antigo “swing” mostrado em um tempo fulgurante, com Carter tocando saxofone barítono , acompanhado pelo toque percussivo e pesado do pianista D.D. Jackson, apresentando uma influência abstrata e embasada no blues de Don Pullen. A similaridade do tempo bop de Gigi Gryce, na sua composição “Hymn of the Orient”, demonstra que a banda está totalmente no ponto com arranjo angular, não desperdiçando tempo com firulas desnecessárias , então, repentinamnete , o abandona com um floreio de uma suave coda.


Os pontos altos do set incluem duas execuções no clarinete baixo .“Bro. Dolphy” expressa a admiração de Carter pela singular influência de Eric Dolphy no instrumento em questão. A firme pegada bop surge em uma elegante balada, antes de se perder em uma vasta referência impressionística ao clássico de Dolphy, “Out to Lunch (Blue Note, 1964)”. E , como Dolphy, o baixo clarinete de Carter soa aveludado, emocionalmente expressivo e tecnicamente ágil.


O mesmo ocorre em “Shadowy Sands,” de Jimmy Jones, que foi uma rara apresentação da estrela da orquestra de Duke Ellington , Harry Carney , no baixo clarinete . Uma confortável alternativa ao fluido fraseado de Carter na linha melódica , é o sublime som do trompete de


Dwight Adams, que transita de uma lânguida batida latina para firmes artifícios sonoros. O álbum apresenta poucas faixas adocicadas, como a versão de “Pour Que Ma Vie Demeure” de Django Reinhardt , que encontra Carter oferecendo algum “romance” no soprano , coadjuvado pelo primoroso acompanhamento de Jackson. A batida do estilo abolerado espanhol de “Sussa Nita” é suportada pela bela harmonização do guitarrista convidado Rodney Jones, cujos solos dá ares sofisticados como de músicos como Kenny Burrell e Melvin Sparks, enquanto o percussionista Eli Fountain adiciona um benvindo toque colorido nas harmonias. O álbum encerra com “Tenderly” , que parece uma impecável peça de uma trilha sonora de um filme “noir”, evocando a tentativa de pegar , à noite , um táxi no subúrbio ou algum verão úmido.


As ecléticas escolhas de Carter continuam em uma inflexão hip-hop na faixa “Song of Delilah,” com alegres, rápidos e simultâneos solos entre o sax e o trompete e uma benvinda lembrança da pouca conhecida “Dodo's Bounce”, uma pérola da era bebop do pouco reconhecido pianista Dodo Marmarosa, que tem Carter na flauta, Adams usando a surdina e a deliciosa intervenção de Victor Lewis.


Esta sólida apresentação na linha tradicional soa como antigo (no melhor sentido), com profundas raízes no blues e “swing” e um exploratório, mas nunca sacrificante , enfoque pessoal de Carter , enquanto mantém seu lugar na tradição do jazz .


Fonte : All About Jazz - Greg Camphire (Traduzido em Sociedade para apreciação do Jazz)


Isso foi o que o bom texto elucidativo disse. Para mim esse cara Carter tem o dom, quase único de emprestar ao pincel (pode ser pincel? Acho que palheta tem mais a ver) a textura que bem entende, de acordo com a necessidade da melodia. Chegando ao preciosismo de, em Sussa Nita, fazer com que seu sexo, digo sax, soe como uma guitarra. Repare nas sutiis 4 notinhas, que abrem o pequeno solo no final da faixa. Começam com um delicado som de cordas e depois reassumem a sonridade do saxofone... Admiro essas nuances, porque imagino o estudo e o trabalho que deu pra se chegar nesse patamar de sofisticação. Também discordo com o algum e “romance” entre aspas no texto acima. Quando piano e saxofone se encontram, que química!, aquela coisa fica toda bem sem vergonha. O disco cabo a rabo é um primor. Sem qualquer pudor di mencionar a expressão burguesa. Quando se atinge, com atenção, a faixa "shadowy sands" - como ouvir uma obra dessas sem atenção? - vai encontrar palavra melhor, mais adequada que, primoroso!


Essa coisa toda de gosto, bom gosto, é o que desaproxima Volpi, do "pintor das bandeirinhas". Há de se ter algum conhecimento. Mas uma sensibilidade algo próximo a boa e velha (em tonéis de carvalho) intuição é fundamental.


Em suma, no conceito Guerra(Somba e Água Fresca), no máximo Mash...Mash é o máximo: Cestão de sacanagi comigo... Ah, cestão. Repare, Salsa, no semblante irônico do Carter, não está totalmente no espírito?


James Carter (Present Tense) Parte 1
James Carter (Present Tense) Parte 2

14 comentários:

  1. Salsa e Vinyl o próximo disparo acho q vou fazer com munição dazantiga, da velha guarda. Estou ouvindo Art Farmer - Farmer's Market. Daí que...

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  2. Estou me sentindo o cachorro na frente daquela máquina q enfileira os frangos domingueiros tostando na padaria.Detalhe:essa é a forma mais suculenta daquela ave pra meu paladar.Menção honrosa por colocar um texto traduzido.

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  3. Carter é f***!!!
    Golpe baixo, esse.
    E ainda livrou-me do dicionário inglês-português.
    Mandou bem,Sérgio.

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  4. Excelente disco Sergio, nao tinha o prazer de haber escutado a James Carter.

    Si vocé quer conhecer e escutar uma poca de música de meu pais, o recomendo comecar pela música do Estado de Oaxaca

    http://rapidshare.com/files/169287681/Sones_de_Tierra_y_Nube_by_Samadharma.part1.rar
    http://rapidshare.com/files/169337620/Sones_de_Tierra_y_Nube_by_Samadharma.part2.rar

    Esta música é chamada "Banda oaxaqueña", é da zona sul do México, e sua base principal som instrumentos du sopro y percussao. O título aproximado é "Cancoes de terra e nuvem".

    Os links provem desta direcao

    http://www.taringa.net/posts/musica/1827655/Sones-de-Tierra-y-Nube.html

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  5. MMMM!, o link nao anda. Deixo o link da pagina onde o descarregue.

    pra baixar desde a postagem

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  6. Grato, JEF. Embora tenha um sem número de bandas Mexicanas, a maioria das músicas q encontro, ou q são mais pop estão geralmente flertando com latin/Hop-hop. Seguirei sua dica.

    Salsa e Edu, acho q dessa vez acertei em cheio, não?

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  7. Excelente saxofonista, talvez o melhor da nova geração.

    Grande abraço, JL.

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  8. Quem sabe o mais ousado?

    Valeu a visita, Lester.

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  9. Sérgio, A Revolução da Razão Pura oferece o Prêmio Carmim. Discos de extremo bom gosto e textos pertinentes!

    http://particulaspessoal.blogspot.com/2009/03/premio-carmim.html

    Abraços!

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  10. Muito obrigado, amigão.

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  11. Bem que você me avisou!

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  12. Bruno, o cara é o melhor.

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  13. LeObrOwn!8/4/09 08:12

    Caraca, velho!! Pow, estava apavorado por esse album!! Obrigadão aí, cara!! James Carter é pra mim um dos maiores da nova geração! Que virtuosismo!! O cara é muito Jazz!! Valew, Sérgio!!

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  14. Valeu LeObrOwn! Se és fã deJazz, tem muita coisa pra explorar por aqui. Esteja a vontade.

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Uma obra de arte é um ângulo apreciado
através de um temperamento.
(Emile Zola)