domingo, 15 de novembro de 2009

Antônio Carlos Jobim - Ao Vivo em Minas piano e voz [1981]


Seriam, queridos Tom & Poetinha, os butecos do Além tão perfeitamente imperfeitinhos como os nossos? Em meio a uma discussão acalorada de mesa de bar alguém disse: o Tom é o George Gershwin brasileiro!... Ao que o outro retrucou: corrija isso, o Gershwin é que é o Jobim americano! De minha parte eu sei lá quem é maior que o outro, só sei que ali estava um belo exemplo para explicar a expressão "briga de cachorro grande"...

Em 8 de dezembro do corrente completaremos 15 anos sem a companhia do, em minha opinião, maior artista popular do Brasil! Neste álbum, distribuído (e fora de catálogo) pela Biscoito Fino, podemos experimentar uma sensação de quase intimidade com o Tom. É possível ouvi-lo arfando ao piano, com aquela respiração pesada, característica de quem digamos, deu uma leve sacrificadinha na saúde em detrimento da bohemia, entre uma canção genial e outra. O texto abaixo fazia parte do encarte do CD e conta a história desse show quando os astros lá do firmamento conspiraram para um dos mais emocionantes registros da carreira do nosso artista maior - talvez, clima semelhante fosse e foi possível encontrar no show que Tom realizou no Arpoador, pouco antes de partir. Eu estava lá. E uma das... aliás, nada de "uma das", a cena mais antológica que presenciei num show musical aconteceu naquela quente tarde/noite de verão: enquanto Tom cantava Samba do Avião, um avião Electra voando baixinho - fazia a Ponte Rio-São Paulo - atravessou o céu por sobre o palco, desaparecendo atrás dos Dois Irmãos. Como se a alegoria fizesse parte do roteiro do show, a platéia foi ao delírio! E quem esteve naquela apresentação, jamais esquecerá esse momento mágico. Eram outras épocas, outro Rio, outros pilotos certamente, pilotando aeroplanos mais românticos... Estava no roteiro do show. Não foi mero acidente.

Texto do Encarte:

"Foi durante as águas de março de 1981 que o público presente no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, assistiu pela primeira vez, em 20 anos, a um recital de Antonio Carlos Jobim na capital mineira. Ainda tocado pela perda do poetinha Vinicius de Moraes, que morrera há menos de um ano, Tom recriou de maneira particularmente emocionada algo essencial de seu cancioneiro e homenageou seus principais parceiros de vida e música.

Só com o piano, Tom cantou, tocou e conversou, soberano das artes seja em que palácio for, como se estivesse na sala de visitas de sua própria casa – ou na sala de qualquer um de nós. São 18 músicas, duas com Newton Mendonça, duas com Dolores Duran, duas com Aloysio de Oliveira, uma com Chico Buarque, sete com Vinicius, quatro só de Tom. Era o segundo e último dia de apresentação do maestro em Belo Horizonte, a convite de uma fundação local. O jornal Estado de Minas de 15 de março de 1981 publicava uma discreta foto de Jobim com a flauta e anunciava o concerto às 21h, “com os ingressos custando 600 cruzeiros”.

De saída, Tom demonstrou que a noite seria mesmo confessional: “Não sou muito de fazer show. Quem me levou pra este negócio foi o Vinicius, o Toquinho, A Miúcha”. E prosseguiu: “É fácil fazer show escorado em músicos, parceiros, orquestra grande. (Desta vez) preferimos fazer uma coisa mais íntima porque a gente não pode ser aquele menino tímido pra sempre, né?”, gracejou o maestro, no plural, como se falasse também pelo piano, antes de dedicar o show aos parceiros, “que muito me ajudaram”.

O primeiro parceiro citado foi Newton Mendonça, em Desafinado e Samba de uma Nota Só, dois dos maiores standards internacionais da obra de Jobim. Sobre a primeira, contou o maestro que a princípio “ninguém quis gravar, os editores não queriam editar e nem João Gilberto quis nada com ela”. E emendou com uma ouverture só conhecida pelos iniciados: “Quando eu vou cantar / você não deixa / e sempre vem a mesma queixa / diz que eu desafino / que não sei cantar / você tão bonita / mas tua beleza também pode se enganar / se você disser que eu desafino amor...” Segundo o escritor Ruy Castro, no livro Chega de Saudade, a introdução teria sido composta sem Newton, com letra de Ronaldo Bôscoli.

Em seguida, Jobim falou de “uma moça chamada Dolores Duran. Eu tava fazendo uma música com Vinicius. Fomos à rádio nacional e lá estava a Dolores. Toquei a música, ela tirou o lápis de sobrancelha da bolsinha, em cinco minutos escreveu a letra e botou assim: Vinicius, dois pontos. Outra letra é covardia”. Tom tocou Por Causa de Você, a obra prima tirada da caixa de maquiagem de Dolores Duran, e engatou outra parceria com Dolores, Estrada do Sol, a única de todo o concerto executada em versão instrumental.

O início da parceria com Vinicius de Moraes já foi esmiuçado por diversos pesquisadores. Mas nada como ouvir contada por Tom. “Ele era diplomata e veio de Paris com a idéia de fazer uma peça de teatro chamada Orfeu da Conceição. Chegou no Rio e procurou um músico para compor com ele as músicas da peça”, disse, como quem confidencia ao ouvido de cada espectador. Confirmou que o primeiro a ser procurado por Vinicius foi o veterano Vadico que, adoentado, recusou a oferta. Até que se deu o mitológico encontro no Bar Vilarino, no centro do Rio, numa noite de 1956.

“Lucio Rangel me apresentou ao Vinicius, que me levou ao grande mundo carioca, em casas com pianos de cauda e senhoras bem lavadas. Eu andava com uma pastinha cheia de arranjos, competindo com o aluguel. Perguntei: Escuta tem um dinheirinho nisso? Lucio ficou escandalizado: ô Tom Jobim, esse aí é o poeta Vinicius de Moraes. Eu digo, ah bom” recorda, sob a cumplicidade de risos radiantes. Tom mencionou “alguns sambas meio bobos jogados na lata do lixo, até que apareceu um samba bom”, e iniciou uma seqüência de tirar o fôlego: Se Todos Fossem Iguais a Você, Água de Beber, Eu não Existo sem Você, Modinha, Chega de Saudade.

Dindi e Eu Preciso de Você representam a parceria com Aloysio de Oliveira, que alguns anos antes produzira o disco Tom e Elis. Depois de Aloysio, Tom falou de um certo “parceiro meu de olhos azuis, que dizem que são verdes, depende da luz do dia. O rapaz é um gênio, é craque mesmo, tipo Pelé, Garrincha”, situa, antes de proporcionar ao público uma apresentação magistral de Retrato em Branco e Preto. No piano, o contraponto dos graves, com as teclas agudas solando a melodia, deram a medida dos dias tristes e noites claras propostas pela letra de Chico Buarque de Hollanda.

Conhecedor das pedras do caminho, Jobim anunciou, por fim: “um rapaz aqui um tanto dispersivo. Meu parceiro também, um tal de Tom Jobim”. A introdução de Corcovado fez Belo Horizonte vislumbrar o Redentor de alguma janela do Palácio das Artes. Os olhos de Lígia abrangem versos pouco conhecidos: “Você se aproxima de mim / com esses modos estranhos / eu digo que sim / mas seus olhos castanhos / me metem mais medo que um dia de sol”, antecipando o samba-choro Falando de Amor. No final, a enxurrada melódica e poética de Águas de Março e o bis de Garota de Ipanema. Antonio Carlos Jobim em Minas nos transforma em testemunhas auditivas e sensoriais de uma das mais felizes noites da história da música brasileira."

EM TEMPO: A BOA NOTÍCIA É QUE O ÁLBUM FOI REEDITADO PELA BISCOITO FINO. A MÁ É QUE MEU LINKZINHO FOI DELETADO. O ÁLBUM VALE MUITO A PENA. MAS R$ 39, 90 É UMA PENA... DEIXA ELES.


Antônio Carlos Jobim - Ao Vivo em Minas - piano e voz [1981]



28 comentários:

  1. na minha opinião, ele não é o melhor músico brasileiro, mas está muito acima do segundo colocado ;)

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  2. Pô, Marcelo, maior barato vc sempre presente, participando!...

    Quanto ao seu jeito nada óbvio de concordar com a minha opinião, concordo em GNG! Que Gershwin qual nada! O Tom é o Wolfgang Amadeus Mozart dos trópicos! rs.

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  3. Maravilhoso,
    Esse eu tenho - consegui comprar logo que saiu e ouço sempre.
    Belo texto, San. Nosso maestro soberano merece todas as loas.
    É pau, é pedra, mas não é o fim do caminho - é apenas o início!!!
    Grande abraço, meu garimpeiro - a caminho de Pinheiro City, para mais uma semana de labuta!!!!

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  4. sse tbm já tive no original, seu san. De toda a obra do Tom, aida é o que mais me emociona, pq é mesmo como se o homem estivesse tocando e contando seus causos na nossa sala de estar. Era um álbum q sempre quis postar. Taí então.

    Abraços!

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  5. sérgio,

    nem preciso afirmar que sou jobimaníaco...no ano de '92 formamos uma banda multiétnica por aqui...extra acoustic...com 90% do repertório jobiniano.

    assisti vários shows com a banda nova, em sampa, no antigo palace, lançamento de 'passarim'(a galera da sonorização trabalhava comigo também...rsrsrs)...e quanto a essa passagem do avião sob a apresentação no arpoador é antológica...(não seria a música 'samba do avião'???)...

    é isso aí,
    postagem piramidal...obrigatô

    abraçsons

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  6. Totalmente, Samba do Avião, seu Pituco san! rs. rs. rs... Ah, não fossem vcs corrigindo minhas trapalhadas... Já corrigi a minha confusão. Grato! Corrija sempre! A informação correta é muito mais importante do q qqr constrangimento q neste caso não há! Eu me conheço...

    Então vc tbm estava lá no Arpoador? Foi inesquecível, foi ou não foi?

    Me diga, Pituco, será q aquele show não foi gravado? Nem q seja um bootleg, eu adoraria ter...

    Abraços!

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  7. fala Sergio...
    depois quero ver o disco que baixaste em flac aqui - até me deu curiosidade de ouvir.

    Esse disco do Jobim é foda! já tenho ele...

    mas vim aqui pra te mostrar uma coisa.
    dêem uma olhada nisso
    http://www.thebeatlesneverbrokeup.com/

    leia a historia do cara que acredita ter encontrado uma fitacassete dos beatles num universo paralelo...
    ele fala sério!

    isso é um hoax - boato de internet.
    alguém mixou varias musicas dos beatles em carreira solo e veio com uma historia cabulosa de unvierso paralelo dificil de acreditar...
    mas a idéia foi boa e vale a pena curtir. hehehehehehehe.
    baixa pelo canto inferior esquerdo...
    abs,
    Bruno

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  8. Isso aí, seu Bruno! Valeu a beatle-dica, mesmo q seja fake, se for bom, tá valenu. Mas é calaro q queres conhecer o azerbaijano Vagif Mustafa Zadeh, álbum, Duchunce q, com sua dica, passei pro mp3! És como eu, um louco por música. E caras assim como nós, não descansam nunca! Aqui: http://jazzseen.blogspot.com/2009/04/one-day-in-kiev.html
    no jazseen, vc encontra um bom texto sobre o pianista.

    Por favor, Bruno, tentarei me lembrar hoje mesmo de fazer um link do disco pra vc, provavelmente não me esquecerei, mas ando meio cheio de afazeres outros, então se acontecer d'eu me esquecer, não se avexe em cobrar. Afinal eu tbm vivo te enchendo o saco com a minha ignorância digital.

    Abraços!

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  9. Mr. Sergio
    O Tom é o maior compositor de todos os tempos e reconhecido mundialmente por todos que gostam da boa música .Tenho o disco e recomendo a todos baixarem .
    Valeu !!!

    Obs. : Depois de que fez hoje , Parabéns pelo o seu Fluzão !

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  10. Edinho, nem eu acredito.

    Mas concordo c vc em GNG no todo.

    Valeu a força.

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  11. Ô¬Ô
    Seu Sergio,
    esse cara do Azerbaidjão não será o pai da Aziza Mustafa Zadeh, uma ótima cantora e pianista de jazz?

    fiquei com a pulga atraz da orelha

    OBS: Q show do Conca hj hein? o cara eh a alma do Flu.

    valeu!!!

    Ô¬Ô

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  12. Jogaço! Quer dizer, não foi bem um jogaço, mas 3 X 0 é uma maravilha. O Conca é a alma o sangue e as pernas do Flusão. Mas ando com medo, o time realmente muda pra pior sem o Maicon. O Alan hoje não deu conta do recado. Mas vamos em frente. A sorte pode nos ajudar.

    Cara é isso: Vagif Mustafa Zadeh é o pai da Aziza e dá pra baixar muitos discos dele no soulseek. Acho q tem um bçog russo q ou lá daquelas bandas que disponibilizam uma boa parte da discografia do cara. Ele é muito bom!

    http://www.4shared.com/file/155544874/b55636d2/Vagif_Mustafa_Zadeh__Duchunce_.html

    Esse disco é raríssimo, foi o link q fiz pro Bruno. Então prova e depois me diz.

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  13. Ô¬Ô

    Seu Sérgio,
    provado, degustado, apreciado e repetido por 3 vezes.

    O papai Zadeh é mto bom mesmo, a categoria supera até a enorme deficiencia da gravação. Coisa de russo dos tempos totalitários mesmo, parece aquelas gravações feitas pela Continental nos anos 70 (blergh). Mas arte de Papa Zadeh é incontestável.

    Muitíssimo obrigadão!!!!!

    Ô¬Ô

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  14. Sergio, recebi um mp3 legal de cumbia equatoriano de um torcedor da LDU.

    Interessa?

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  15. Só pq a gente pos na bandeja o seu porlquinho frito e liberou pra galera se banqueteá, não precisa ser vingativinho e nos esculhambar, né?...

    Uma hora a esquadra iria sentir o golpe. Esperemos que consiga chegar à praia. Vai chegar canoa. Mas a gente chega lá!

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  16. quem pôs o polquinho na bandeja foi o Simon ou vocês iam engolir um acarajé à força.

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  17. Parabéns pela vitória de hoje (ou seria pelo Vitória de hoje?).
    E aí, quando voltas, meu caro preguiçoso? Gide anda a dar voltas no túmulo!!!!
    Abração!

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  18. Seu Érico san, hoje acordei encafifado com um pensamento: quantos milhares de meninos e meninas com idade de discernir estão se apaixonando pelo Fluminense depois dessa reação apaixonada de time e torcida? É tipo, amor a primeira vista!

    Quanto a volta do blog, quando postei esse Tom Jobim máximo de 1ª página, a minha idéia é deixá-lo intacto até o dia do aniversário da passagem. Falta pouco agora.

    Abraços!

    Ou melhor, saudações Tricolores, o time da emoção orgástica!

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  19. Hello,

    Just a quick word to let you know that you are featured in our blogroll on Radio.Video.Jazz

    Please check our site. If you like our work, do link back to us.

    If you feel like contributing, let us know.

    A lot of thanks.

    The Radio.Video.Jazz Team

    PS : you can also check our other website Radio.Video.Trad

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  20. Ô¬Ô

    Seu Sérgio,
    velhas novidades de Mr. farney estão a tua espera no HBJ.

    PS:Não deixe de ouvir um depoimento e algumas gravações em piano solo feitas por Dick, pouco antes de falecer em 1987, no MIS de SP.

    Abraços tricolores

    Ô¬Ô

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  21. Oi Sergio, eu sao Italiano e consegui comprar este album maravilhoso a primeira vez que foi no Brasil 4 anos atras. Ouvo este album uma vez cada semana e talvez mais de uma vez. Concordo com vc, parece que o Tom seja perte de mim na minha sala e touca e canta pra mim.
    Grande postagem, merece que todo o mundo baizasse e ouvisse este opera fondamental. Tom para sempre.
    Perdoa minha faltas em portugues

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  22. Mauro, não peça perdão por amar o Tom. Esse amor deve ser falado da maneira que for possível.

    Grato pela visita. Aliás, "Mauros" valeu a visita. Ao do Brasil, já tou indo lá. já já.

    Abraços!

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  23. Que beleza!

    Grande abraço, JL.

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  24. Ô¬Ô

    Tristeza não tem fim, felicidade sim.
    Deletaram o link do Tomzinho na véspera do aniversário do passamento dele.
    É Tomzinho, se todos fossem no mundo iguais a vc, que maravilha viver!

    Ô¬Ô

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  25. É o fim do caminho...

    Se dissesse, "o disco está nas melhores lojas do ramo", mas não. Há um link no texto, da própria Biscoito Fino, dizendo que o álbum não está disponível. Mas a idéia é, se não paga não ouve e se não tem esqueça. É de lascar o crênio, Mauro.

    seu Lester, valeu a visita!

    Saudações tricolores a nós 3 tricolores de 1ª felizes da vida!

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  26. fala meu rei!
    sodade :)
    beijão

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  27. Fala Sérgio, cheguei pelo blog do Pituco e vou te dizer uma coisa. Seu blog dá gosto de curtir... muito bacana... Esse CD do Tom é "Onconcur"...hehehehe

    Espetacular...

    Sobretudo pela conversa intimista que rola solta...
    "Não se pode ser aquele menino tímido a vida toda"... joga o mestre em determinado momento...

    E essa é uma frase que eu gosto de usar e relembrar... sempre que dou uma travada em alguma coisa...

    Grande Abraço e um Feliz 2010

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  28. Maudito firefox, Rogério, estava no fim de um texto em resposta as suas gentis palavras e a emoção sincera q me causa esse disco, quando o navegador caiu e me comeu todo o texto. Com medo q o apagão virtual se repita, por enquanto agradeço demais as suas palavras e outra hora menos confusa (pra todos nós) respondo em vossa casa - q numa breve passada me pareceu muito acolhedora.

    Abraços e um feliz natal pra você e todos os seus!

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Uma obra de arte é um ângulo apreciado
através de um temperamento.
(Emile Zola)